Em dias como este
E todos os dias são como este
Por breves instantes
Sinto-a à distância de um telefonema
E em todos os dias como este
Acordo e caio abruptamente
Neste luto que ainda não é luto
E em mais pedaços me parto
Como a areia fina da praia
Como o céu escuro da noite
Finitos mas não limitados
Mãe
sábado, 2 de maio de 2020
domingo, 2 de fevereiro de 2020
Ruy (o) Belo
E Tudo Era Possível
Na minha juventude antes de ter saído
de casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido.
Chegava o mês de Maio, em tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido.
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída.
Quando foi isso? Eu próprio não sei dizer.
Só sei que tinha o poder de uma criança,
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer...
Canção do Lavrador
Meus versos lavro-os ao rubro
nesta página de terra
que abro em lábios. Descubro-
-lhe a voz que no fundo encerra
Os versos que faço sou-os
a relha rasga-me a vida
e amarra os sonhos de voos
que eu tinha à terra ferida
Poema que mais que escrevo
devo-te em vida. No húmus
a rego simples eu levo
os meus desvairados rumos
Mas mais que poema meu
(que eu nunca soube palavra)
isto que dispo sou eu
Poeta não escrevas lavra
in Obra Poética, vol. 1
Meditação Anciã
Aqui eu fui feliz aqui fui terra
aqui fui tudo quanto em mim se encerra
aqui me senti bem aqui o vento veio
aqui gostei de gente e tive mãe
em cada árvore e até em cada folha
aqui enchi o peito e mesmo até desfeito
eu fui aquele que da vida vil se orgulha
Aqui fiquei em tudo aquilo em que passei
um avião um riso uns olhos uma luz
eu fui aqui aquilo tudo até a que me opus
in Toda a Terra
A Mão no Arado
Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias
Podem passar os meses e os anos nunca lhe faltará
Oh! como é triste envelhecer à porta
entretecer nas mãos um coração tardio
Oh! como é triste arriscar em humanos regressos
o equilíbrio azul das extremas manhãs do verão
ao longo do mar transbordante de nós
no demorado adeus da nossa condição
É triste no jardim a solidão do sol
vê-lo desde o rumor e as casas da cidade
até uma vaga promessa de rio
e a pequenina vida que se concede às unhas
Mais triste é termos de nascer e morrer
e haver árvores ao fim da rua
É triste ir pela vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro
É triste no outono concluir
que era o verão a única estação
Passou o solidário vento e não o conhecemos
e não soubemos ir até ao fundo da verdura
como rios que sabem onde encontrar o mar
e com que pontes com que ruas com que gentes com que montes conviver
através de palavras de uma água para sempre dita
Mas o mais triste é recordar os gestos de amanhã
Triste é comprar castanhas depois da tourada
entre o fumo e o domingo na tarde de novembro
e ter como futuro o asfalto e muita gente
e atrás a vida sem nenhuma infância
revendo tudo isto algum tempo depois
A tarde morre pelos dias fora
É muito triste andar por entre Deus ausente
Mas, ó poeta, administra a tristeza sabiamente
in O Problema da Habitação
ADVENTO DO ANJO
Ontem e anteontem já passados
arredondemos os olhos à volta
daquela antiga realidade
alfa ómega primeira e última
que sempre diante na fronte trouxemos
Circundemo-la de um colar de palavras
sem pálpebras pobres pálidas de rosto
roubadas às esquinas eivadas
de arestas agrestes pontiagudas
Percamos palavras como folhas
perdem no Outono as árvores, varridos
pelo contínuo apascentar de cuidados
Já se vão areando as praias de amanhã
desde ontem a morte morreu
E vamos e banhemo-nos no mar
que o anjo forte cúpula do tempo
se sente vir anunciar e fechar
in Todos os Poemas
Na minha juventude antes de ter saído
de casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido.
Chegava o mês de Maio, em tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido.
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída.
Quando foi isso? Eu próprio não sei dizer.
Só sei que tinha o poder de uma criança,
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer...
Canção do Lavrador
Meus versos lavro-os ao rubro
nesta página de terra
que abro em lábios. Descubro-
-lhe a voz que no fundo encerra
Os versos que faço sou-os
a relha rasga-me a vida
e amarra os sonhos de voos
que eu tinha à terra ferida
Poema que mais que escrevo
devo-te em vida. No húmus
a rego simples eu levo
os meus desvairados rumos
Mas mais que poema meu
(que eu nunca soube palavra)
isto que dispo sou eu
Poeta não escrevas lavra
in Obra Poética, vol. 1
Meditação Anciã
Aqui eu fui feliz aqui fui terra
aqui fui tudo quanto em mim se encerra
aqui me senti bem aqui o vento veio
aqui gostei de gente e tive mãe
em cada árvore e até em cada folha
aqui enchi o peito e mesmo até desfeito
eu fui aquele que da vida vil se orgulha
Aqui fiquei em tudo aquilo em que passei
um avião um riso uns olhos uma luz
eu fui aqui aquilo tudo até a que me opus
in Toda a Terra
A Mão no Arado
Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias
Podem passar os meses e os anos nunca lhe faltará
Oh! como é triste envelhecer à porta
entretecer nas mãos um coração tardio
Oh! como é triste arriscar em humanos regressos
o equilíbrio azul das extremas manhãs do verão
ao longo do mar transbordante de nós
no demorado adeus da nossa condição
É triste no jardim a solidão do sol
vê-lo desde o rumor e as casas da cidade
até uma vaga promessa de rio
e a pequenina vida que se concede às unhas
Mais triste é termos de nascer e morrer
e haver árvores ao fim da rua
É triste ir pela vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro
É triste no outono concluir
que era o verão a única estação
Passou o solidário vento e não o conhecemos
e não soubemos ir até ao fundo da verdura
como rios que sabem onde encontrar o mar
e com que pontes com que ruas com que gentes com que montes conviver
através de palavras de uma água para sempre dita
Mas o mais triste é recordar os gestos de amanhã
Triste é comprar castanhas depois da tourada
entre o fumo e o domingo na tarde de novembro
e ter como futuro o asfalto e muita gente
e atrás a vida sem nenhuma infância
revendo tudo isto algum tempo depois
A tarde morre pelos dias fora
É muito triste andar por entre Deus ausente
Mas, ó poeta, administra a tristeza sabiamente
in O Problema da Habitação
ADVENTO DO ANJO
Ontem e anteontem já passados
arredondemos os olhos à volta
daquela antiga realidade
alfa ómega primeira e última
que sempre diante na fronte trouxemos
Circundemo-la de um colar de palavras
sem pálpebras pobres pálidas de rosto
roubadas às esquinas eivadas
de arestas agrestes pontiagudas
Percamos palavras como folhas
perdem no Outono as árvores, varridos
pelo contínuo apascentar de cuidados
Já se vão areando as praias de amanhã
desde ontem a morte morreu
E vamos e banhemo-nos no mar
que o anjo forte cúpula do tempo
se sente vir anunciar e fechar
in Todos os Poemas
republicando
e com o Adeus se faz o regresso
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
Eugénio de Andrade
republicando
as palavras dadas aos outros
já muitas vezes falei [lá] das palavras que se tornam do outro quando largadas ao vento. há sempre uma história por trás das palavras que contam as histórias que construo de palavras, palavras que são do outro mal as solto. há mesmo histórias que já nem são minhas de todo. acho mesmo que por vezes me esqueço da história das histórias que escrevo. e por isso qualquer história serve a história que é lida. E cada história visitada um dia pode ser uma nova história vivida no imaginário do outro. As palavras já não são minhas, nem as quero. são vossas, vivam-nas, façam delas histórias que vos agradem. a Ursa será sempre a Ursa, mas isso só nós sabemos. o resto.... o resto são histórias em aberto.
quinta-feira, 16 maio 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
a good mind maps
ou as 50 formas de fazer uma pausa. próximos 50 dias, check!
http://manualdafelicidade.blogspot.pt/2013/06/50-maneiras-de-fazer-uma-pausa.html?m=1
http://manualdafelicidade.blogspot.pt/2013/06/50-maneiras-de-fazer-uma-pausa.html?m=1
minimalismo ou a nova oportunidade para ser feliz
talvez sim, talvez não,
a pensar ainda,
dormir, sim sempre!
http://busywomanstripycat.blogspot.pt/search?q=acordar+cedo&m=1
a pensar ainda,
dormir, sim sempre!
http://busywomanstripycat.blogspot.pt/search?q=acordar+cedo&m=1
quarta-feira, 26 de junho de 2013
o sono
um dia, sem que ela o houvesse alguma vez imaginado, perdeu a paz do seu sono e conheceu a angústia dos que não dormem fechados nos seus próprios pesadelos.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Perdi os Meus Fantásticos Castelos
Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!
Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!
Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
Adeus
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
Eugénio de Andrade
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
Eugénio de Andrade
sábado, 8 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
As palavras dadas aos outros
já muitas vezes falei aqui das palavras que se tornam do outro quando largadas ao vento. há sempre uma história por trás das palavras que contam as histórias que construo de palavras, palavras que são do outro mal as solto. há mesmo histórias que já nem são minhas de todo. acho mesmo que por vezes me esqueço da história das histórias que escrevo. e por isso qualquer história serve a história que é lida. E cada história visitada um dia pode ser uma nova história vivida no imaginário do outro. As palavras já não são minhas, nem as quero. são vossas, vivam-nas, façam delas histórias que vos agradem. a Ursa será sempre a Ursa, mas isso só nós sabemos. o resto.... o resto são histórias em aberto.
terça-feira, 14 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
diz-que-disse para ti também, whatever...
há o diz-que-disse
e depois há o sabe-que-sabe,
os dois são jogos tristes
[e estupidamente perigosos]
eu sei que sabes que ele sabe que tu sabes que eu sei,
entre outras variantes
o diz-que-disse evito
o sabe-que-sabe queria evitar
mas já não sei mais como
e depois há o sabe-que-sabe,
os dois são jogos tristes
[e estupidamente perigosos]
eu sei que sabes que ele sabe que tu sabes que eu sei,
entre outras variantes
o diz-que-disse evito
o sabe-que-sabe queria evitar
mas já não sei mais como
segunda-feira, 6 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
sábado, 4 de maio de 2013
as perguntas ao contrário
às vezes, nem sequer se trata do que aconteceu; não sei se não sabemos como ou se não queremos tentar perceber o que não aconteceu.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
sexta-feira, 20 de abril de 2012
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Um dia passa a vontade de escrever
E não sabemos se um dia saberemos reconhecer a vontade de re-escrever.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Tudo, pouco ou nada
Quando não se tem nada, não se perde nada. Não se ganha nada, mas também não se espera nada. Quando se tem metade de alguma coisa, anseia-se a outra metade a toda a hora. Depois, perde-se o ar e é preciso saber nada esperar para poder voltar a respirar.
Já volto para reconstruir esta frase, agora tenho falta de ar.
Já volto para reconstruir esta frase, agora tenho falta de ar.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
O passado é que nos define...
Anónimo disse...
Eu ainda venho aqui. O passado é que nos define... Eu gosto do passado.
Kiss for you, see you soon.
ASD
02:10
Eu também gosto do passado, sobretudo quando ele volta em forma de presente, nem que por um minuto apenas seja.
Eu ainda venho aqui. O passado é que nos define... Eu gosto do passado.
Kiss for you, see you soon.
ASD
02:10
Eu também gosto do passado, sobretudo quando ele volta em forma de presente, nem que por um minuto apenas seja.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
It's never too late...
Walk in the rain, jump in mud puddles, collect rocks, rainbows and roses, smell flowers, blow bubbles, stop along the way, build sandcastles, say hello to everyone, go barefoot, go on adventures, act silly, fly kites, have a merry heart, talk with animals, sing in the shower, read childrens' books, take bubble baths, get new sneakers, hold hands and hug and kiss, dance, laugh and cry for the health of it, wonder and wander around, feel happy and precious and innocent, feel scared, feel sad, feel mad, give up worry and guilt and shame, say yes, say no, say the magic words, ask lots of questions, ride bicycles, draw and paint, see things differently, fall down and get up again, look at the sky, watch the sun rise and sun set, watch clouds and name their shapes, watch the moon and stars come out, trust the universe, stay up late, climb trees, daydream, do nothing and do it very well, learn new stuff, be excited about everything, be a clown, enjoy having a body, listen to music, find out how things work, make up new rules, tell stories, save the world, make friends with the other kids on the block, and do anything else that brings more happiness, celebration, health, love, joy, creativity, pleasure, abundance, grace, self-esteem, courage, balance, spontaneity, passion, beauty, peace, relaxation, communication and life energy to... all living beings on this planet.
- Bruce Williamson, "It's Never Too Late To Have A Happy Childhood", 1987
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Os beijos
Já ninguém vem aqui.
Eu já não venho aqui... porque haveriam de vir os outros?
Mas hoje, ao passar os olhos pelo passado, soube que ainda era presente.
Não gosto dos beijos que me deixam os que aqui passam (passavam, quando eu passava também). Não gostava, não gosto e nunca gostarei.
Não gosto de sentir a cara lambida de beijos doces e amigos, saudosos e compreensíveis, beijos que se deixam em espaços de gentes que não conhecemos.
Saudai-Vos na Paz de Cristo
Saudai-Vos no ódio, saudai-Vos no amor.
Saudai-Vos, beijai-Vos, amai-Vos
Onde e quando quiserem
Mas não a mim, aqui.
Eu já não venho aqui... porque haveriam de vir os outros?
Mas hoje, ao passar os olhos pelo passado, soube que ainda era presente.
Não gosto dos beijos que me deixam os que aqui passam (passavam, quando eu passava também). Não gostava, não gosto e nunca gostarei.
Não gosto de sentir a cara lambida de beijos doces e amigos, saudosos e compreensíveis, beijos que se deixam em espaços de gentes que não conhecemos.
Saudai-Vos na Paz de Cristo
Saudai-Vos no ódio, saudai-Vos no amor.
Saudai-Vos, beijai-Vos, amai-Vos
Onde e quando quiserem
Mas não a mim, aqui.
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