Uma das piores coisas que já me disseram na minha Vida, e certamente a mais horrível dos últimos tempos, foi um dia quando fores Mãe vais entender. Não foi só horrível, foi de uma insensibilidade que eu não imaginava existir numa Mãe.
Um dia? Qual dia? Eu sou Mãe.
É verdade que nunca expulsei de mim um ser vivo, um pedaço da minha carne. Nunca fui amputada, nem pelo bem, nem pelo mal. Tinha 23 quando ajudei a um parto natural em casa. Estava lá quando aquela coisa roxa, peganhenta, dobrável e desdobrável caiu ao mundo. Estava lá quando o irmão mais velho, na altura com 5 anos, cortou a mais derradeira ligação Mãe-Filho. Colou-se às minhas mãos enquanto o mergulhava na segunda água da sua Vida. Lavei-o, limpei-o e entreguei-o à mama da Mãe esventrada. Não sei se quereria, ou mesmo se conseguiria, sobreviver a tal momento de ruptura. Dar à luz deve ser uma coisa fortíssima, sem dúvida, uma coisa entre a alegria de iluminar um ser e a dor de amputar um prolongamento do corpo. Nunca vivi e, muito provavelmente, nunca vou viver tal momento. Mas será que para ser Mãe é preciso sobreviver a esse momento avassalador?
Um dia entenderei? Aquilo que eu entendo é que uma Mãe vai até à loucura para proteger o seu pedaço-de-si, sem dúvida! Mas o que eu também entendo é que uma Mãe se torna mais sensível às sensibilidades dos outros, à sensibilidade das que também são Mães e de todos os que são outra coisa qualquer ou mesmo nada. E os que são outra coisa qualquer ou mesmo nada, também se tornam mais frágeis aos olhos de uma Mãe. Pelo menos aos olhos de mim-Mãe. Desde as primeiras aulas dadas a crianças, aos 14 anos, passando pela aventura do parto de outra, e nunca acabando no Amor por aqueles que foram nascendo dentro de mim, que se foram atando ao meu cordão umbilical, contrariando todas as teorias do nascimento biológico. É isso, é mesmo isso. A diferença entre uma Mãe biológica e uma Mãe não-biológica está na ordem dos acontecimentos. Na primeira a Vida dita que o começo é a carne, o meio o corte e o fim o Amor. Na segunda o Amor cresce, o corte não se dá e a carne emplastra-se a cada dia.
Teorias...
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3 comentários:
Este artigo tem uma profundidade tal que me deixou «sem-palavras». Não sou nem pai biológico nem pai emocional de qualquer ser à face desta ou doutra terra. Mas posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que uma mãe biológica não é, só por isso mesmo, uma Mãe. Nessa medida uma mãe não-biológica tem à partida um algo mais do que uma biológica: é mãe por escolha, é mãe porque a isso abriu o coração, não é simplesmente mãe porque «lhe saiu»do corpo. Se eu pudesse escolher, escolheria uma Mãe-por-amor e não uma mãe-por-saída...
Por acaso é uma coisa que me irrita brutalmente - vou fazer um comentário básico, tou já a avisar - é ver as mães a dizerem que estão mais sensíveis aos problemas dos outros, que agora conduzem melhor, que percebem melhor o sofrimento alheio, blá,blá,blá - eu peço desculpa, mas a sensibilidade da pessoa deve se formar desde a infância, não é suposto ter-se um filho e «acordar para a vida». É suposto ter-se um filho exactamente porque se está «acordado»! Assim como, escolher não ter filhos deve ser uma decisão tomada de olhos abertos. É verdade que a maternidade cria laços especiais com a criança, mas não deveria criar laços especiais com o mundo que já deveriam existir antes.. É a minha modesta opinião. Bjs, Ivs
Mãe, tu és Mãe!
Uma mãe linda que mais dia menos dia vai poder ter os seus mais que tudo sempre a seu lado, sem qualquer constrangimento.
Tu mereces.
Atrevo-me a dizer que o amor e carinho que sentes pelos teus filhos é tão verdadeiro, é tão bonito, que ... que não me sai agora o que verdadeiramente me vai no coração.
Fica sabendo, que gosto muito de ti, que é um privilégio poder privar diáriamente com uma pessoa com os teus valores, príncipios e frontalidade - uma forma de estar na vida que deixa uma marca em mim.
... ainda bem que a vida profissional nos coloca pessoas (raras) como tu no nosso caminho.
Afinal, nem tudo está perdido - há algumas coisas positivas. Tu, és uma delas.
OBRIGADA
Cat
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