quinta-feira, 14 de abril de 2005

Maio 1998

Pois é, São Tomé é um paraíso mas é um paraíso muito mal tratado pelos seus.

Numa altura em que tanto se fala dos problemas ambientais fiquei com a impressão de que poucas pessoas estão preocupadas com o futuro de São Tomé. Não falo apenas dos grandes problemas ambientais, das tartarugas em extinção ou das toneladas de areia retiradas (para não dizer roubadas!) às praias. Falo de uma consciência que não existe no dia-a-dia, talvez por desconhecimento, talvez por falta de meios (que nem sempre é justificativo), por total indiferença... ou se calhar porque simplesmente é muito mais simples. Quando não existe uma recolha de lixo pela cidade é realmente muito mais fácil largar o lixo na praia em frente... só que quando a população inteira de uma cidade larga os seus lixos na praia em frente, não está com certeza à espera que o mar absorva tudo infinitamente.

Com tantos projectos a querem nascer em STP, Zona Franca, petróleo e afins, é preciso ter cuidado. Deus deu mas não deu com contrato de manutenção incluído, não é Deus que vai manter assim para o resto da vida... se não forem os santomenses a cuidar da sua terra, com amor e sobretudo com consciência, um dia ela vai deixar de ser um dos paraísos à superfície da Terra.

Eu, como turista que também fui, fiquei desiludida por chegar a praias aparentemente maravilhosas e cortar-me numa lata de cerveja largada por lá. Uma entre muitas, não só latas mas também garrafas, sacos, papeis.

Já agora, porque não ler o livro de Miguel Sousa Tavares. Entre outros relatos, fala-nos da sua experiência em São Tomé.


Sem comentários: