segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Tarde de Domingo

Eram 14:30 de uma tarde de chuva de Domingo, já tinha feito mais de 30 quilómetros, faltava-me comprar um presente para uma sobrinha a cuja festa eu deveria chegar lá pelas 15:00 e ainda nem banho tinha tomado. Acordei tarde, mas muito cedo visto que era Domingo. Cedo para o meu cansaço geral, tarde para estar a horas no jogo do Fik. Os telemóveis têm destas coisas, quanto mais sofisticados, mais facilmente nos deixam agarradas... Falhou-lhe a bateria, falhou-me o despertador. Acordei num repente repentino, faltou-me o ar e soube na hora que já ia tarde!

O carro, a chuva, o pára-arranca, dei por mim a pensar no presente que deveria oferecer na próxima sexta-feira à minha cunhada. Já não me lembro quantos anos faz... talvez fosse simpático lembrar-me mas, a verdade, é que nem com esforço me lembro.

O que se oferece a alguém que julgamos conhecer durante anos a fio, julgamos gostar para lá das diferenças e um dia já não reconhecemos mais? Há uns tempos atrás diria para mim não me vou preocupar, ela sabe que eu sou desligada destas coisas e não liga. Aliás, há uns tempos atrás nem me lembraria que ela fazia anos, esta minha forma de passar tangente às festividades é um facto comprovado, assumido e aceite. Se agora me preocupo com o presente é preocupante, significa que alguma coisa não está nada bem em mim.

O que se oferece a alguém a quem não podemos oferecer simplesmente uma parte da nossa Vida?

Ia eu assim tão aflita, a chuva forte, os carros atordoados, o corpo ainda suado da noite, a vontade de correr para o banho quente, de fugir das compras e dos aniversários, lembrei-me que tínhamos, pelo menos, uma coisa ainda em comum. O facto de serem duas da tarde e eu andar na rua sem tomar banho é simplesmente a prova mais pura da verdade crua do meu Amor por eles, a minha Princesa e o meu Futebolista!

Aprendi a Amar sem egoísmo no dia em que os senti meus filhos. Tudo o resto me parece agora relativo. Que me interessa o banho perfumado do antigamente quando posso estar aos gritos às 9:30 da manhã de um Domingo num horrível pavilhão desportivo cheio de correntes de ar? Que me interessa?!!?

A verdade é que não me interessa nada... mas! E existe sempre um mas! Os anos passam, a pele já não recupera das agressões como aos 15 anos, as olheiras são mais fundas, o corpo pede creme hidratante, o rabo chama pela ginástica e nós, gajas, a perder pontos. Olhei para o espelho retrovisor e reparei que, apesar de não ter tomado banho, ainda lavei a cara e passei o rimel pelas pestanas, já no carro, a caminho de Tercena. E percebi que um equilíbrio era a resposta para um monte de coisas. Para um monte de coisas na minha Vida e a resolução do problema do presente.

Para que a Benedita possa ter uma Mãe de mãos macias que a acarinhem dia após dia.

Comprei o melhor creme para mãos que encontrei na Body Shop e vou escrever simplesmente isto no cartão.

1 comentário:

Anónimo disse...

eheheh!!! eu tenho um problema com prendas - nunca sei o que oferecer - e, muito especialmente, com as datas... esqueço-me delas todas...
acredites ou não, já estive numa festa de aniversário de um colega de trabalho e o pessoal, ao entrar no gabinete... dava-me os parabéns!
ainda demorou algum tempo até eu perceber porquê.
o meu colega é que não achou piada nenhuma.
prometi-lhe que da próxima pagava a festa dele a meias... mas esqueci-me da data...

ah! e claro que isto foi parar a http://www.bloglines.com/blog/LEITORCOMPULSIVO