terça-feira, 31 de maio de 2005

Associação de ideias

Quando ainda andava no liceu, e nem quero tentar lembrar-me de há quanto tempo isso foi, tive de fazer um trabalho de associação de ideias a partir de uma cor. Estava na chamada Área E e a cadeira era História de Arte. Digo isto apenas para que se entenda que, se por um lado tem lógica um projecto assim nesta área de estudos, por outro parece estranho nascer no seio da disciplina de História de Arte. Caminhos, como diz o meu querido V.P.M. sj.

Ao meu grupo calhou o amarelo que, verdade seja dita ou ironia do destino, é das cores que menos gosto.

O Amarelo, transformou-se rapidamente em gelataria, a Gelataria da praceta que tinha toldos amarelos. A gelataria caiu directamente em cima do gelado de laranja (na altura não havia manga por aí). A laranja bateu na Quinta de Jovim, onde em pequena "roubava" fruta ainda verde pelos pomares. E por aí...

Não me lembro exactamente da ordem de outras associações, até porque enquanto eu associava ao sol, outro associava a meu lado e em simultâneo aos All Star que nesse ano se vendiam em amarelo.

Sei que passámos pelo Chiado, pelo incêndio e pelo Poeta. Que atravessámos o deserto e descansámos numa rede de linho bravo. E lembro-me, acima de tudo, como era engraçado ver os nossos cérebros a trabalharem sobre a mesma coisa, em conjunto, com as mesmas condicionantes das regras do projecto, e chegarem a situações tão diferentes. Aprendi muito com esse trabalho. Aprendi a ouvir, a perguntar, a querer saber mais, a chegar a um por vários caminhos. Aprendi a respeitar a ideia de cada um e a celebrar a conquista de cada página rabiscada a 5.

Um dia gostava de poder desenvolver um jogo assim com muitas pessoas. Lançar um tema, uma palavra apenas e observar onde nos levaríamos.

Tenho mesmo de GRITAR isto ao mundo!

GRITAR aos quatro ventos, GRITAR ao Norte e ao Sul, GRITAR a todos e aos que restam, aos vivos e aos mortos. Aos do Benfica, aos do Sporting, aos do Estrela e aos de nenhum. Tenho de GRITAR para que todos saibam que nunca estive tão de bem com a Vida como neste preciso instante.

Não mudou nada à minha volta. Os que estavam doentes, continuam doentes, não fui profissionalmente promovida nem encontrei o grande amor da minha vida. Não voltei para a minha casa, nem tenho os meus meninos comigo. Não estou apaixonada por nada nem ninguém em concreto. Nada mudou, nada! Mas sinto-me abençoada. Uma Paz alegre e optimista enche-me de sorrisos que espalho por aí! Enche-me de gargalhadas que se ouvem por aí! Que ecoam e voltam como um boomerang para me fazerem rir ainda mais.

Talvez seja o grande Sol que entra cheio de força e calor pelo meu corpo adentro. Atravessa vidros duplos, cortinas, estores e rebenta adentro da minha alma. Não caibo em mim. Por isso GRITO e divido! E espalho! E partilho! Como o Sangue e o Pão da Vida. Como o Milagre da Vida.

Levantei-me num impulso, numa ânsia louca de aqui vir GRITAR! Agora, posso ir dormir descansada pois sei que estou bem! E que posso tentar passar este bem a todos!

COMO NASCE UM PARADIGMA

Provavelmente já conhecem, mas é engraçado relembrar como a diferença entre macacos e humanos é pequena.

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."

Não devemos perder a oportunidade de, de vez em quando, nos questionarmos porque fazemos lgumas coisas sem pensar porque o fazemos...

É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO (Albert Einstein)

o barco

Às vezes sinto mesmo que não nos sentimos todos no mesmo barco. Sinto que em vez de remarmos pelo sucesso do conjunto, apenas nos empenhamos em ser melhores que o outro. Dizem-me que é da natureza animal... Para mim é um peso enorme.

Qual é o significado de SPORTING e outras variações

S - Sempre
P - Prometemos
O - Os
R - Resultados e
T - Titulos que
I - Infelizmente
N - Nunca
G - Ganhamos

Sabiam que no sentido de fortalecer os clubes da capital, vai haver uma fusão entre o Sporting e o Belenenses? A sério, já tem símbolo e tudo: vai ser um leão com a cruz às costas!!

P: Sabem o que significa S.C.P.?
R: Sócios Com Paciência.

P: Sabem qual é a diferença entre o Sporting e o salário mínimo?
R: É que o salário mínimo você ganha e não compra nada e o Sporting compra e não ganha nada!

Num treino do Sporting, o treinador mandou colocar bidões de gasolina no campo para que os elementos do plantel pudessem fazer um jogo desenvolvendo a sua técnica individual. Infelizmente o jogo foi interrompido... os bidões estavam a ganhar 6-0!

P: Sabem porque é que o Sporting entrou para a Bolsa de Valores?
R: É a única maneira de ter títulos.


Desculpem lá, mas o SPORTING é o maior!!!

segunda-feira, 30 de maio de 2005

Não pretendo de todo ser erudita

Apenas quero deixar transparecer alguns estados de alma. Felizmente, neste momento, apetece-me simplesmente rir com ela. Ela quem? Ela, a vida! Rir com a vida. Melhor do que rir da vida ou chorar de falta dela na minha vida. Rir com a Vida!

Anti-matéria

somos enquanto somos matéria ou energia. Matéria palpável, energia dimensionável. Não-ser é anti-matéria.

mas o que é a tormenta perante isto?

Quanto mais longe vai este eterno desconhecido, mais perto me fica a sua sabedoria. É só isso.

Encheu-se de coragem

- Pai, sou gay!
- Dispagate!! Guei sou eu, a Mãe é Gainha e o menino ainda é Pguincepe!

A importância da pontuação

Desafio: Com apenas mais um sinal ortográfico, dê sentido a esta frase! Solução aqui.

um caçador tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão.

Que pensas tu?

Variações em Penso, logo existo

Filósofo russo: Penso, logo exílio
Estratega americano: Penso, logo exijo
Vendedor de banha-da-cobra: Penso, logo insisto
Trabalhador alentejano: Penso... logo
Pessimista: Penso, logo desisto

Almirantado

Dialecto de origem árabe, falado pela tribo Almirantado em terras altas, sobretudo na Serra de Xurês.

Alanbazar – Mercado onde só se vendem artigos em lã
Alarvo – Derrube de árvores
Albânia – Ir a banhos
Albaran – Rã albina
Alcabideche – Perguntar se o elevador vai descer
Alcain – Ganir do cão
Alcalino – Que só diz calinadas
Alcapone – Gorro
Alcatrão – Trovão muito grande
Alcatroa – Troveja
Alcatroar – Trovejar
Alcatruz - Acto de bater à porta
Alcoentre – Supositório
Alcoitão – Uma grande queca
Aldeia – Lembrança
Aleitar – Ir para a cama
Alemanha – Homem espertalhaço
Alface - Rosto
Alfaquique – Acto de pegar a mota
Alfarrabista – Traseira do Alfa Romeo
Alfarroba – Ladrão especializado em carros Alfa Romeo
Alferes – Acto de magoar alguém
Algália – França
Algema - Interjeicção de dor
Algodão – Homem muito bom
Ali Alatas – Eco-ponto amarelo
Aljubarota – Leão velho já com o pelo estragado
Almirante – Miradoro
Almoçageme – Rapariga com dores
Almoçar – Comer muitas gajas
Almoço – Rapaz novo
Alpacino – Actor de cinema
Alpedrinha – Lápide
Alpendre – Polícia com defeito na voz
Alpista – Aeroporto
Altamente – Pessoa muito inteligente
Alternativa – Funcionária das finanças muito terna
Alterno – Homem muito carinhoso
Altitude – Postura, forma de estar
Alto – Stop
Altruísta – Pessoa muito verdadeira
Álvaro – Homem avarento
Alzira – Rapariga bonita

Ele há de tudo... felizmente!

Sheila, lindíssima, irresistível, seios fantásticos, bumbum de ouro, corpo escultural, nível universitário, pliglota, educadíssima, super carinhosa. Tenho tantas capacidades que nem sei como fui virar puta.

Ai... gosto tanto de estar bem disposta...

Romeu e Julieta estavam sozinhos, numa noite de luar, muito romântica, a conversar:

- Romeu, não queres que eu pegue no teu belo membro com as minhas mãos e o acaricie com toda a delicadeza, para sentires um prazer intenso?
- Nem pensar! Como podes querer usar essas mãos tão lindas e puras para algo assim?
- Meu amor, queres então que eu pegue nesse teu magnífico pau e o coloque entre os meus seios e pernas, para que sintas um prazer duradouro e maravilhoso?
- Nunca! Nunca permitiria que essas partes tão privadas, tão brancas e sem manchas sejam tocadas por uma parte tão impura de meu corpo.
- Ah! Amado meu, e se introduzisses esse grande e viril pedaço de carne na minha boca, para que eu te possa proporcionar um imenso e louco prazer?
- Estás doida? Não posso sequer pensar que o meu membro possa tocar nessa boca tão linda e pura, que existe só para dizer palavras de amor e carinho.
- Está certo, Romeu. Vamos então pensar noutra coisa qualquer para tirares o teu pau do meu cu, que já tá a começar a doer...

Um bom começo de semana

Ninguém gosta mais do "reduzido" feito "enorme" do que eu. Hoje, quando aqui cheguei tinha uma mensagem da minha amiga S.

Para ver o Mundo num grão de Areia, o Paraíso numa flor selvagem, abraça o infinito com a palma da Tua mão, e sente Eternidade por um momento…

S. dixit

domingo, 29 de maio de 2005

Em rescaldo

É bom fugir assim por mil e um dias! O quê, foram só 4?!?!? Bof! O tempo é relativo, a única verdade absoluta no mundo é a velocidade da luz, tudo o resto, massa, espaço, tempo, matéria... relativo! Foram mil e um dias de descanso. Cada arranhão, cada nódoa negra, cada inchaço doloroso, valeu por uma gavetinha cerebral despejada da sua porcaria!

Até a ponta-e-mola virou pontinha-sem-mola!! Menos grave... Aos que me apoiaram, mesmo sem perceber, aqui fica o meu MUITO OBRIGADA!! Afinal a que eu tinha visto não era a dele. A dele era pequena e estava partida. Não invalidando o facto de que o I. poderia de todas as formas ter conseguido chegar a ela e vazar o olho a um dos outros 89!! Continuas sem perceber o castigo... com o tempo chegaremos lá! Em vez de facas, levarás cruzes roubadas em Fátima! É lindo...

Contei a história do pecado ao V.P.M., sj, que na sua enorme sabedoria de Homem me confessou que era um dos mais lindos pecados de que tinha ouvido falar. Não te tinha chegado a perdoar, porque sinceramente nunca te tinha recriminado por isso, mas agora, então, até com a minha "aprovação" fico mais descansada...

Tem piada que não era nada disto que aqui vinha escrever...

quarta-feira, 25 de maio de 2005

areia a mais para a minha carruagem...

Imagens porno e ponta-e-mola em apenas 3 dias é mais do que o que normalmente consigo gerir entre uma conversa e outra.

Não sei se estou mais zangada contigo pelo que fizeste se comigo pela minha incapacidade em perceber que tinha de te dizer para não o fazeres. Não se trata aqui de bandidagem nem de más intenções, apenas a noção da responsabilidade que acarretamos quando levamos uma ponta-e-mola (mesmo que estragada...) para um Centro onde não podemos pôr as mãos no fogo por mais de 90 outros com diversos tipos de relacionamento com a sociedade em redor e diversos tipos de relacionamento com o bem e com o mal.

Não me preocupam de todo as suas intenções, preocupa-me, sim, que descarte à partida as intenções dos outros. Preocupa-me que confie nas suas decisões o suficiente para o deixar livre um dia inteiro e depois correr o risco de ter de viver com a culpa de não ter estado suficientemente atenta. Vou estar longe na distância, muito perto na preocupação. Mais perto ainda na tentativa de responsabilização, de entendimento da responsabilização. Temos de estar conscientes da dimensão das consequências que as nossas acções podem fácil e inesperadamente tomar.

terça-feira, 24 de maio de 2005

Que morte é esta agora?

Contra mim falo que aqui estou, mas coisa mais horrível de se fazer. Já não nos basta fingir que vivemos por detrás desta cortina feita monitor... Espalhar a nossa morte por aí... O Helder foi-se mas deixou rasto, contra aqueles que lhe ficaram.

Corro o risco... Na blogosfera como podemos saber o que é verdade e o que é mentira? A morte online é a mesma morte que a morte na vida? E quem morre assim, deixando um rasto de culpa em alguém que fica? E quem morre assim, chamando todos os vivos à sua porta? Espalhando o que já não resta por aí? Morrer de dor ou de pena própria? Morrer de dor ou para causar a dor? Quem assim espalha a sua morte, deve compreender a interrogação dos que passam, por isso, com respeito pelo que é e pelo que não é, aqui deixo as minhas dúvidas.

Mais uma chain-letter

Encontrada aqui.

Da inutilidade dos blogues

1 - Na tua opinião a blogosfera lusa tem impacto na sociedade portuguesa?

1r. O que é isso da blogosfera??

2 - Quem aconselharias a criar um blog e porquê?

2r. A alguém que não goste de dialogar, só debitar sem consequências... que precise de se afastar da realidade e dos outros.

3 - Qual a tua opinião sobre os livros que nasceram dos blogs?
3r. Quais livros??? Ainda agora aqui cheguei, carago!

4 - Qual a tua opinião sobre blogs pagos?
4r. Quem é que se lembrou de tal coisa??

5 - No caso de já conheceres o Blog "Abrupto" qual a tua opinião sobre a carta à mãe que Pacheco Pereira lá colocou.
5r. Onde fica esse site?

6 - Se o teu blog não fosse esse mesmo que blog gostarias de ter? Porquê?
6r. Outro mesmo meu, logo veria qual... Porque para mim não faz sentido ter um blog que não seja o meu

7 - Alguma vez um blog te influenciou politicamente?
7r. Nada me influencia politicamente, simplesmente porque não existo de todo nessa esfera.

8 - Que celebridade "blogosférica" gostarias de conhecer e porquê?
8r. Gostava muito de conhecer o ... como é que ele se chama?! Porque, como já lhe disse a ele, não me fascina o Demo, fascina-me o fascínio que provoca nos outros.

9 - Qual a tua opinião sobre os blogs anónimos?
9r. Como em tudo o mais na vida, cada um na sua. E, no fundo, são-no quase todos de certa forma anónimos. Somos todos uns anónimos nesta vida...

10 - Qual a tua opinião sobre os encontros de bloggers?
10r. Não sei e não faço tensões de vir a saber...

Pathos

O Homem realiza-se como Homem na sua relação com o Outro, e isso só é possível através do que fica para lá da racionalidade, da Razão. A Razão sem Paixão não seria mais do que ruína da Alma. A Paixão permite, pois inquieta, destabiliza, desorienta, reproduzindo a incerteza do mundo, Ela é, na realidade, o Outro em nós, sem o qual não existimos. Paixão é sinónimo de todos os riscos, assim como de infindáveis promessas.

O Pathos é originariamente a consciência sensível, irreflectida, que nos mergulha a fundo no mar da Vida e nos leva a criar abismos ao mesmo tempo que fugimos do perigo, que nos leva a viver a dor ao mesmo tempo que lhe procuramos o prazer. Signo da nossa Individualidade esta consciência é ao mesmo tempo a procura da nossa identidade. “Somos aquilo que experimentamos e sentimos”. As paixões encarnam a verdade do Homem, permitindo-lhe tomar verdadeira consciência do que é.

Tocar o corpo com a língua

Gostava de escrever qualquer coisa sobre isto, mas não sei bem o quê... Fico o não-dito, pelo imaginado.

Homem do Leme faz-se à Serra

Maresia azul mistura-se com sabor a verde da Serra do Gerês. É tempo de recuperar fôlego e esta onda bem merece, garanto-vos! Depois de trabalho em excesso, amor em excesso, maternidade em excesso, segue-se agora o ar em excesso. Fica a faltar a paixão em excesso, guardo esse momento para os dias quentes de Verão. Sabor a Mar, sabor a Luz, sabor a Energia. Paixão. Quanto do teu mal... variações em sal!

Estação da vida...

Aqui. Um bom desafio para esta morna estação, do ano!

Mareando na blogosfera

Andava por aí a conhecer gente nova, quando encontrei este questionário. É mais um daqueles feitos em chain-letter, mas não só mais um daqueles, porque comporta um tipo de questão diferente do habitual. Gostei e estou a responder. Independentemente da Crença ou não, são questões que nos fazem pensar de uma forma suave nesta coisa da vida e da alma. Foi aqui e o desafio reza assim:

Imagina que Deus marcou um encontro contigo num determinado restaurante perto da tua casa. Imagina-te sentado/a ao Seu lado, a dialogar com Ele. E agora pergunto eu:

1 - Qual era a ementa que Lhe sugerias e porquê?
1r. Sou pouco dada a comezainas, sugeriria qualquer coisa leve mas associada aos prazeres terrenos, morangos com chantilly, talvez...

2 - Que motivo teria Deus para querer almoçar contigo?
2r. As valentes dores de cabeça que Lhe dou desde pequena, tentando perceber se Ele existe e, se sim, como e onde existe. Talvez para tentar apagar da minha memória aquele pesadelo recorrente em que via o Seu rosto coroado de espinhos e em sangue. Se Ele existe, não me quer, com certeza, ver vivendo sob a dor dessa imagem.

3 - Fazia-te perguntas acerca da Igreja. Que Lhe contavas?
3r. Contava-lhe como gosto da Missa do 12:30 nos Salesianos do Estoril mas que não entendo mais nada da Igreja... Não falo do que não sei. Falar-Lhe-ia então da minha ignorância, acho.

4 - Dava-ta a possibilidade de te concretizar um desejo. Que pedias?
4r. Voltar a ver a Avó Estela e pedir-lhe perdão por não me ter despedido dela na última sexta-feira.

5 - No final da refeição, pedia-te uma recordação. Que lhe oferecias?
5. Um texto, ou talvez o url deste blog.

6 - Por fim, oferecias-Lhe um café com ou sem açúcar? Porquê?
6r. Como Ele preferisse, cada um bebe o café como mais gosta, quem sou eu para Lhe dar ou tirar o açucar?

7 - Quem pagava a conta?
7r. Ele, pela ordem das coisas, quem paga são os homens, ou não?

8 - Quem vais sugerir (3 pessoas) para almoçar com Ele? E porquê?
8r. À S. pela dor que atravessa neste momento e porque sei que é na Fé que vai arranjar mais forças.
8r. Ao meu Pai, porque me fascina a forma como não se relaciona com Deus, longe de dúvidas.
8r. À Blogosfera em geral, para que quem quiser possa puxar a cadeira e sentar-se.

;)

Keine probleme weil Donerstag ist Feiertag...

Puberdade

No fim do fim-de-semana, depois de os ter deixado no CAT, junto com 2/3 da minha alma, fui tentar organizar o começo da minha semana de trabalho. Ligo o portátil e PIMBA TUNGA, uma gaja toda aberta e uma pila grande como o mundo saltam-me em cima. 2+2=5 e já percebi o que andaste a fazer até às 2:00 da manhã!!! Ri, claro. Tens 15, quase quase 16, mais estranho seria se não fosses procurando todas estas coisas.

Então, ontem o fizeste depois de irmos dormir? Eu? Nada... Nada? Estiveste a jogar no computador? AH! ah! Lindos sites que o menino anda a ver!!! Pois... Não faz mal, R., só que tens de ter cuidado, sabes que o T. e a I. também brincam com aquele computador... depois de usar apagas o Histórico e tens de desinstalar aqueles programinhas que ficam. Mas eu não sei fazer isso... Pois, só sabes o que interessa... Depois a Patricia ensina, 'tá bem?! Está, está bem... Quer saber o que eu estava mesmo a fazer? Se quiseres contar... Estava a jogar uma coisa que se eu ganhar ela tira a roupa! E então, ficou nua? Não, ainda não sou muito bom, tenho de treinar mais!

segunda-feira, 23 de maio de 2005

ainda bem que voltaste

e gostas deste mim...

(todavia) tienes una forma seductora de moverte frente a mi
nena me hace vibrar (a mi)
dama, arañas como una gata
dama, eres hija de una diabla

mistica la musica tuya mulata
bien coqueta, muy hermosa pero saca
tu cuerpo de mi cabeza; ya, que ataca
parte de mi cerebro que sobre
calienta y... me mata
la idea de pensar que por ahi tu andes suelta
pero cuelga, ya tus guantes que ahora te daras de cuenta
que tu genio mas que gratuitos da que pensar
y luego pide a gritos compasiony en el fuego de la accion, relajamiento
bien te encanta jugar en todos esos buenos momentos

000018


sexta-feira, 20 de maio de 2005

Podes voltar

Já estou preparada para saber o que dizes deste mim.

quinta-feira, 19 de maio de 2005

Chamem-lhe o que quiserem, eu chamo-te humanidade

Cada dia que passa te admiro mais. No meio de tanta coisa existe sempre espaço para a humanidade em ti.

Queria muito ver um menino com lepra. É uma doença muito má, não é? Acho que nas farmácias há umas caixinhas para ajudar. Acho que têm uma fotografia. As pessoas com lepra escondiam-se atrás dos muros e nas grutas, não é? Ainda lhes atiram a comida? Eu não quero que eles tenham lepra, não é isso, eu queria era ver para saber como é. E a epilepsia? A Patricia sabe o que é? Lá na minha escola havia um rapaz que tinha ataques, bué mesmo, às vezes 3 num dia. Chamava-o sempre para a minha equipa. Não jogava mesmo nada, mas eu sabia que gostava e então dizia-lhe "és um ganda jogador". Outras vezes dizia "sabes que na minha equipa só jogam os bons". Ficava a olhar para ele durante o jogo, sem ninguém perceber. Mesmo quando já ia no ataque tinha um truque que me deixava ficar sempre de olho nele. Tinha assim uns tiques. Eu com o tempo aprendi a saber quais eram os tiques maus. E sabia que, se alguém se zangava com ele, tinha de estar pronto para o ajudar. Um dia, ao almoço, teve um ataque. A faca voou da mão dele para mim. Apanhei um susto, mas ainda consegui ajudar o professor a pôr-lhe um cinto na boca. A Patricia acha que agora o deixam jogar? E quais é que se salvam mais, os que têm cancro ou os que têm sida? Às vezes, os que estão melhor rezam para serem eles a morrer em vez dos outros, não é? E pode-se dar sangue e uma coisa que tem a ver com células. Há muitas doenças esquisitas. Tenho sorte, não tenho?

Tens, tens sorte, mas eu ainda tenho mais, por te ter a ti.

Sabes bem dar-me a volta... e eu gosto!

Sabe, afinal não quero as chuteiras de presente de anos... Então? O S. tem umas, ele empresta-me. As chuteiras são bué de caras, sabia? Bué mesmo!! Claro, por isso comecei um mês antes a pensar nelas... P'rái 150 euros. Eu sei... É muito dinheiro, não quero que gaste tanto comigo. Como queiras, sabes que para mim é importante porque sei que precisas mesmo delas para os treinos. Pois, mas eu não quero. São muito muito caras. Mas podemos ir ali à R.? Só num instante... Vamos. Quer ver quais são os ténis que estão mesmo na moda agora? São bonitos... Sim, clássicos. Gosto. Muita pausa, bem fixes... Gostavas de ter estes, é? Sim... Pois... Andas a juntar dinheiro? Ainda não. Pois... Consegues aguentar até dia 15? Eu aguento, os ténis é que não sei... Então? Estão muito na moda... Ok, calça lá e levamos agora. Mas só os voltas a ver daqui a um mês! Sim. (quase nem ouvi) Tens esse sorriso matreiro... Não consigo não ceder. É verdade que estes são bem mais baratos... Não querias que eu gastasse muito, não é? Sorriso mais lindo! Agora vamos ver se eu me aguento...

final de dia feliz

fico tão bem quando me posso dedicar a ti
Que saudade eu tenho dos tempos em que era fácil dizer...

Think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy... think I'm just happy...

indefinidamente just happy

Nirvana

Hoje, assim de repente, sem aviso nem preparação, fui levada de volta ao final da minha adolescência conturbada. Ao ouvir esta música, um arrepio correu as minhas costas e só parou onde não havia mais por onde seguir...

The Man Who Sold The World

We passed upon the stair, we spoke of was and when
Although I wasn't there, he said I was his friend
Which came as some surprise I spoke into his eyes
I thought you died alone, a long long time ago

Oh no, not me
I never lost control
You're face to face
With The Man Who Sold The World

I laughed and shook hishand, and made my way back home
I searched for form and land, for years and years
I roamedI gazed a gazley stare at all the millions here
We must have died along, a long long time ago

Who knows? not me
We never lost control
You're face to face
With the Man who Sold the World

Originally by David Bowie

o único passado dinâmico

O blog, ao contrário da vida real, é extremamente dinâmico em relação ao passado. Ao contrário do que acontece na vida, no blog podemos alterar, acrescentar, melhorar, retirar ou até mesmo apagar episódios antigos. Na vida só podemos aprender a viver com eles.

o velho do restelo

anotações
de pé encostado a um poste, ali bem no centro do Restelo, há anos sem fim diz adeus a quem passa. louco ou feliz, sorri sempre e sorri muito para todos os que passam. a carrinha dos bombeiros responde sempre ao seu gesto, buzina e acena. ontem também. e eu também, levada por ela. louco? ou apenas crente que um dia vai passar quem não o deixe viver mais de um só adeus?

quarta-feira, 18 de maio de 2005

Fumar mata

A minha mente é uma coisa estranha. Um pequeno pensamento ao olhar para um maço de tabaco agarrou-me dias e dias seguidos. Ainda me agarra.

FUMAR MATA A primeira coisa que me ocorreu quando li esta frase num maço que segurava foi "VIVER MATA". Viver mata. A única coisa que é certa desde o preciso momento em que somos concebidos é que morreremos. Viver mata, não há fuga possível. Não há verdade mais contundente. Morrer é absoluto, é condição de vida. Podemos fugir de tudo, dos impostos aos lobos maus, só não podemos fugir da vida que leva à morte. A morte às vezes tem pressa, outras deixa-nos por aí muito tempo. Mas é sempre certa no prolongamento da vida. Andar de carro, fumar, entrar em aviões, enfrentar uma doença grave, comer, beber, tudo pode matar, tudo pode. Mas a única coisa que nos mata com toda a certeza e logo à partida é a vida.

Eu gosto de pensar na morte. Na minha, na dos outros, na das sapateiras que estão dentro dos aquários nos restaurantes. O que lhes passará pela cabeça ao verem os olhos que se fixam numa e noutra até ao momento em que dizemos "aquela ali, por favor". Qual é aquele pequenino detalhe que decide a morte agora, desta e não da outra? De onde vive a sentença da sua morte?

A morte fascina-me, cientifica e espiritualmente. Gostava de poder morrer para saber como é.

CDS - Comissão de Derrube de Sobreiros

in Expresso

Investindo no futuro...

Já passam alguns minutos da hora estabelecida, 21.00 nos quartos, 21.30 o silêncio dos guerreiros. Mas hoje, para o mal ou para o bem, é um dia diferente, é o Dia Verde. Enquanto o olho, contorcendo-se de dores pelos golos que não páram, revejo o último ano e meio e projecto os próximos 8. Começou cedo, na rua e no campo das Fontainhas. Logo a seguir a ter sido chamado para o Sporting, partiu o braço. De braço já curado, foi levado para o centro de acolhimento. Mudanças a mais que o fizeram parar uma época e perder a primeira grande oportunidade. Sexta-feira foi dia de captações. Agora vai voltar aos relvados, foi chamado para o meu clube, o eterno Estrela! Mais dois anitos já o vejo a correr no Alvaláxia. E não é nas bancadas!! Assina pelo Sporting, vai saber-me bem, mais uns anitos e a ganhar 20.000 contos por mês, não deixo que mo levem por menos! (quanto é que é isto em euros??). Quando tiver aí uns 23 já eu estarei refastelada na Ilha de Reunião a viver à grande e à francesa do meu investimento nele... huuummm, coisa boa, o amor de filho!!! ;). Vou só ali dar-lhe umas palmadinhas de consolo... VIVA O SPORTING!!! E que se dane o resultado!! (já agora, qual foi?)
ninguém me liga...

GOOOOOOOLO!!!

Aconteça o que acontecer, O PRIMEIRO JÁ MARCÁMOS!!!!

Educação Sexual

Esta da petição caiu mesmo em cima de uma conversa que tive há dias num almoço entre colegas de trabalho. Idades e sexos diferentes, mais e menos conservadores, com e sem experiência. No fim, acabei por perceber que metade das pessoas com a mesma idade que eu, continuam a ensinar às crianças que os bebés aparecem com as cegonhas... depois espantam-se quando aos 8 anos lhes fazem aquelas tais perguntas "difíceis"...

Li, no outro dia, no Paternidade, que o filho de 4 anos perguntava como é que a semente do Pai entrava na barriga da Mãe. Acho mais sensata esta via.

Petição

Não entendo, juro que não entendo.

Pedem-me para assinar uma petição. Acho muito bem que se façam petições. Fui ver o que era, ler bem e analisar antes de assinar seja o que for. Como faço sempre... bem, pelo menos no caso das petições, quando toca aos termos de contratos de telemóvel ou de software...

E não entendo.

Peticao sobre programa de Educacao Sexual nas Escolas

No sábado passado fomos surpreendidos com uma notícia do Expresso que dava conta de um programa de Educação Sexual nas nossas escolas, com o qual ficámos escandalizados e nos perguntámos (a avaliar pela grande quantidade de comentários recebidos) "Como é isto possível?". Muitos disseram que era preciso fazer alguma coisa. O que há a fazer de imediato é ler a petição exposta abaixo e, se com ela concordarmos, assiná-la em: http://www.forumdafamilia.com/peticao/peticao.asp

Fui ler a petição e a notícia do Expresso. O que eu não entendo é simplesmente isto:

"(...) Por seu lado, Albino Almeida, presidente da Confederação das Associações de Pais (Confap), é pessoalmente adepto da educação sexual nas escolas. Mas admite que a actual orientação tem «lacunas e alguns temas estão desadaptados» às faixas etárias a que se destinam. Os vários tipos de família apresentados, por exemplo, «deviam surgir como vários tipos de união».

«Pares homossexuais não se enquadram no meu conceito de família», sublinha Albino Almeida. «Nem está enquadrada na lei», acrescenta Manuela Calheiros. (...)"

Independentemente de se ser contra ou a favor de, de estar na lei ou não, como é que se pode defender as diversas formas de união e logo a seguir excluir à partida uma delas?? No "meu" conceito?! Mas aqui tratamos do "meu" ou do nosso?!? Não deveríamos ter cuidado com o que afirmamos e sermos mais coerentes quando damos a nossa opinião sobre um assunto sério e complexo, ainda para mais quando a damos assim para as massas???

Não entendo! Juro que não entendo!
São estes "pequeninos" pormenores que me levam cada vez mais a não assinar petições...
SLB: Seremos Lixados no Bessa...

Dia Internacional dos Museus

Independentemente de eu ser a favor ou contra os "Dias de", acho que já que existem devem ter alguma lógica e devem permitar usufruir-se deles. De que vale termos um Dia Internacional do Museu durante a semana de trabalho? Duvido que, mesmo com entradas gratuitas, vá acontecer alguma enchente seja lá em que Museu for...

Como eu não gosto de criticar por criticar, até apresento uma ideia. Já acontece com outros "Dias de", por exemplo com o Dia da Mãe. Desde que me lembro, o Dia da Mãe já foi alterado n vezes, lembro-me de que caía mesmo no dia 13 de Maio, Dia de Nossa Senhora. Justo para a Mãe e penso que Nossa Senhora não se importava muito de o dividir, no fundo também ela é Mãe. Agora, e espero que assim se mantenha, ficou estabelecido que seria o primeiro Domingo de Maio. Tem lógica, é um dia em que a maior (?) parte das mulheres está livre e pode usufruir da companhia dos seus filhos. E vice-versa.

Talvez mais pessoas visitassem os Museus, pelo menos uma vez por ano, se fosse Sábado. Não entendo estas lógicas. Que não se altere o Dia do Trabalhador, ou o Dia do Natal, compreendo, mas o Dia do Museu poderia ser em qualquer dia do mês, ou não?

terça-feira, 17 de maio de 2005

O presente

Estávamos a combinar como ia ser em relação ao presente, tinha-lhe sugerido um fio, ou uma cruz em prata com a data de baptismo. Quando me disse que gostaria mais de uma pulseira de prata com o nome dela, dei por mim a pensar com os meus botões de menina de Cascais "uma pulseira com o nome?!? coisa mais pirosa...". Andava às voltas comigo a tentar encontrar uma forma de lhe dar a volta a ele. Felizmente, antes que lhe pudesse provocar qualquer desconforto com uma qualquer afirmação idiota, uma vozinha por detrás desses botões se fez ouvir! Que idiota eu, ele é que é o padrinho, ela é que é a afilhada e a ideia que tenho sobre a pulseira não é mais do que uma convenção ainda mais idiota do que eu ditada pela sociedade. O que me interessa os "ses" para lá do seu contentamento?? IDIOTA!

Lembrei-me então de uma pergunta que me fizeram há uns tempos atrás. Descrevia eu a forma como certa pessoa se tinha vestido para uma visita ao A. à V. Categorizei a imagem como qualquer coisa perto de "um ar de puta". Não tens vergonha de estar assim com ela em público? O imediato "claro que não" que me saiu naquela altura não me parece nada sincero visto à luz deste episódio...

soltos por aqui...

Contigo aprendi coisas tão simples com
oa forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do que dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente

*

Este céu passará e então
teu riso descerá dos montes pelos rios
até desaguar no nosso coração

*

É triste ir pela vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro

*

Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum

*

Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão

*

Amei a mulher amei a terra amei o mar
amei muitas coisas que hoje me é difícil enumerar
De muitas delas de resto falei


*

Ver-te é como ter á minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado


*

Tem o amor a arte de tornar eterno
aquele que por amor tem de morrer
e até de morrer jovem amiúde pois os deuses amam
aquele que perece em plena juventude
e assim se fixa petrifica e permanece


*

Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor
e um olhar perdido é tão difícil de encontar

como o é congregar ventos dispersos pelo mar

*

Para a dedicação de um homem

Terrível é o homem em quem o senhor
desmaiou o olhar furtivo das searas
ou reclinou a cabeça
ou aquele disposto a virar decisivamente a esquina
Não há conspiração de folhas que recolha
a sua despedida.
Nem ombro para o seu ombro
quando caminha pela tarde acima
A morte é a grande palavra para esse homem
não há outra que o diga a ele próprio
É terrível ter o destino
da onda anónima morta na praia


*


talvez seja o seu mar, talvez seja a sua morte, ele cola-se a mim como poucos outros

E tudo era possível

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)

Ruy Belo - porque merece que se saiba quem é

Segundo o próprio Ministério de Educação

Gabinete do Secretário de Estado da Administração Educativa
Despacho nº 8813

Professor, cidadão exemplar, antigo funcionário do Ministério da Educação, homem de cultura e de diálogo, Ruy Belo (1933-1978) é um dos poetas marcantes deste século com uma obra de referência na literatura portuguesa contemporânea quer pelos temas que abordou, quer pelos caminhos inovadores que trilhou com inspiração, inteligência, sabedoria e sentido de modernidade — usando as potencialidades da língua para exprimir os sinais dos tempos e o sentido poético da vida quotidiana.

Ruy de Moura Belo nasceu na pequena aldeia de S. João da Ribeira, no concelho de Rio Maior. Licenciou-se em Direito e, posteriormente, em Filologia Românica. Fez o doutoramento em Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma, com a tese "Ficção Literária e Censura Eclesiástica".

Entre 1958 e 1961 desempenhou as funções de director literário da Editorial Aster e chefe de redacção da Revista Rumo. Em 1960, exerceu no Ministério da Educação Nacional o cargo de adjunto do Director do Serviço de Escolha de Livros, ao qual veio a suceder como director.

O ano de 1961 revelou-se decisivo para Ruy Belo. Ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Aí, foi aluno, entre outros, de Maria de Lurdes Belchior e Luís Filipe Lindley Cintra, com quem estabeleceu uma forte relação de amizade. Nesse ano, publicou a sua primeira obra poética "Aquele grande rio Eufrates" que, conjuntamente com a obra "Colher na boca" de Herberto Helder, marcou uma viragem na moderna poesia portuguesa.

Em 1962, foi publicado "O problema da habitação — alguns aspectos", cujo tema foi abordado por outros escritores. Posteriormente, numa cadência regular, deu-nos "Boca Bilingue" (1966), "Homem de Palavra(s)" (1969), "Transporte no Tempo" e "País Possível" (1973), "A Margem da Alegria" (1974) e "Toda a Terra" (1976).

Durante esse período, traduziu diversos autores, de que se destacam Saint-Exupéry, Blaise Cendras, Raymond Aron, Jorge Luís Borges. Em 1969, publicou o volume de ensaios e crítica literária "Na Senda da Poesia".

A partir de 1975 e até 1977, exerceu o cargo de Leitor de Português na Universidade de Madrid, após lhe ter sido vedada a carreira universitária que desejava e claramente merecia.

A sua formação católica conduziu-o a uma "consciência do colectivo empenhado, combatente e consciente dos graus de esmagamento do homem", segundo Joaquim Manuel Magalhães, levou-o a intervir politicamente de forma directa, através da candidatura a deputado pela CEUD em 1968, como fundador da SEDES (1969) e, sobretudo, através da sua escrita, que nunca sendo panfletária, esteve sempre atenta às grandes questões sociais e políticas, com "imersão no mundo dos outros".

O seu último título poético, "Despeço-me da Terra da Alegria" (1976), trouxe já a premunição do fim próximo que veio a ocorrer na sua casa do Monte Abraão em Queluz.

Com o desaparecimento do poeta, Portugal perdeu um dos "casos maiores da poesia portuguesa contemporânea", no dizer da professora Maria de Lurdes Belchior, e um homem "justo, bondoso, sincero, puro" na expressão do prof. Luís Filipe Lindley Cintra, "Vivemos convivemos resistimos/cruzamo-nos nas ruas sobre as árvores.../Vivemos convivemos resistimos/sem bem saber que em tudo um pouco nós morremos" — assim era o poeta, na força da sua generosidade e da sua fraternidade — sempre atento ao "Sinal deste silêncio que não permite/desistir de cantar enquanto vivo"...

Pedagogo, antes de tudo, Ruy Belo deixou recordações da sua humanidade que têm de ser lembradas. E sobre as crianças disse: "Senhor que a minha vida seja permitir a infância/Embora nunca mais eu saiba como ela se diz"...

É, deste modo, de inteira justiça a proposta do Conselho Directivo da Escola dos 2º e 3º ciclos do ensino básico Monte Abraão, Queluz, Sintra que obteve a concordância da Câmara Municipal, no sentido da atribuição do nome Ruy Belo àquele estabelecimento de ensino.

Assim, preenchidos que estão os requisitos e demais formalidades previstos no Decreto-Lei nº 387/90, de 10 de Dezembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 314/97, de 15 de Novembro, determino:
A Escola dos 2º e 3º ciclos do ensino básico Monte Abraão, Queluz, Sintra passa a denominar-se Escola Básica dos 2º e 3º ciclos Ruy Belo, Monte Abraão, Sintra.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

TPC

Preciso de procurar umas coisas na Internet, sobre o Rui Belo. E quem é esse? É um senhor que já morreu... Sim, mas para procurar precisas de saber mais do que isso, há muita gente na Internet que já morreu. Pois, era um escritor ou qualquer coisa assim... Uhm, isso já é uma ajuda. Ah, e sei um truque para o procurar! Então? Ele chama-se Rui mas com "Y"! Boa, és esperta! Não... diz no portão da minha escola.

domingo, 15 de maio de 2005

e lá vai mais um...

Vou definir o meu fim-de-semana em distâncias percorridas.

TagusPark - Tercena - Cascais - McDonald's - Campo - Tercena - Cascais
Cascais - Tercena - Cascais - Praia - Casa - Campo - Tercena - Cascais
Cascais - Tercena - Cascais - Praia - Casa - Cascais - Tercena - Cascais

Podia ter sido pior...

Mistica

tienes una forma seductora de moverte frente a mi
nena me haces vibrar
tu cuerpo rima con tu cara
y me seduce tu mirada
y ese calor que te envuelve
me llega y me toca
ay me quema!

tienes una forma seductora de moverte frente a mi
nena me hace vibrar (a mi)
dama, arañas como una gata
dama, eres hija de una diabla

in Mistica, Orishas

sábado, 14 de maio de 2005

Fazendo filhos por aí

- Mas conta lá, quantas Mães é que tu tens?
- 3
- Mas 3 a contar com a tua?
- Sim. Quer dizer, agora tenho 4, a contar contigo!

sexta-feira, 13 de maio de 2005

Antigamente era assim, ai pois era...

O Duque do Cadaval, Ministro do Reino, terá tratado por tu o Corregedor de Santarém.
Este não gostou e enviou-lhe a seguinte missiva cujo original se encontra na Torre do Tombo.

Carta dirigida pelo Corregedor de Santarém ao Duque do Cadaval, Ministro do Reino

Santarem, 25 de Maio de 1786
Senhor Duque do Cadaval

Excelência.,

Se a condição do nascimento me põe em circunstâncias de Vª Exª me tratar por tu... caguei para mim.

Se não é o nome mas o alto cargo que exerço de Corregedor de Santaém que me põe em condições de Vª. Exª me tratar por tu... caguei para o cargo.

Mas se nem uma nem outra coisa levaram Vª Exª ao dirigir-se tratar-me por tu caguei para o tratamento.

Rogo, pois, a Vª Exª se digne esclarecer-me este assunto a fim de saber se deverei ou não cagar para Vª Exª.

Atenciosamente
a) José Figueiredo d`Abreu
(Corregedor de Santarém)

quinta-feira, 12 de maio de 2005

puta e prostituta

Tenho duas amigas de infância que se dedicam ao negócio do amor. uma chamarei de N., de necessidade, a outra chamarei de E., de escolha. Somos amigas desde o ciclo. A N. pára ali pela Estrada do Guincho e vende-se a quem parar. A E., pára pelos lugares da moda e vende-se a quem ela escolhe. A N. fá-lo por necessidade, porque a vida lhe destinou um caminho agarrado à droga. Depois de roubar e vender tudo o que tinha, só lhe restou o corpo gasto. A E. gosta do que faz, segundo ela, qualquer profissão traz chatices, pelo menos faz o que mais gosta. Está certo. Uma diz-se puta, a outra prostituta. É indiferente, ambas são igualmente minhas amigas.

quarta-feira, 11 de maio de 2005

não serei mulher igual, talvez...

Passo a vida a encontrar esta situação. Aqui, foi só mais uma. Que coisa é esta de tantas mulheres se tentarem pôr na pele de uma puta? Viver, mesmo que só na escrita ou no sonho, a vida de uma puta. Sonhar acordada que se vende por aí. Entregam-se sempre a muitos mas nunca ao mesmo. Normalmente são das que podem escolher, até aqui mantemos o elitismo. Não sei de onde vem esta coisa. Já me perguntei, quantas mulheres tiveram a sorte de já ter ouvido, olhos nos olhos, corpo no corpo "tu para mim és uma puta!"? Muitas, poucas? Muito poucas? Talvez por conhecer esse prazer infindo, não sinta a necessidade de me imaginar o que já fui.

terça-feira, 10 de maio de 2005

Espelhos normais e Espelhos transparentes

Quando achamos que já vimos tudo, ouvimos sempre uma nova! Hoje fiquei mais de 3 segundos a olhar estupefacta para uma mensagem que recebi. Correio electrónico, mail, como preferirem. Era mais uma daquelas ATENÇÃO passar a todas as amigas e outras mulheres que estimem... Li e, passado o espanto, apaguei. Garanto-vos que já me arrependi. Não vou ser capaz de transcrever a coisa de forma "tecnicamente" correcta. Conta assim a história: somos avisadas (ainda não percebi porque não acontece com eles, acho as mulheres tão doidas como os homens) de que devemos ter muita atenção aos espelhos das casas-de-banho públicas femininas. Existem espelhos normais e espelhos que eu vou chamar de transparentes, seja o que for. Os normais nada a acrescentar, os transparentes servem para pessoas nos espiarem enquanto nos expressamos na intimidade de uma casa-de-banho pública. Existe uma forma de detectar os espelhos transparentes, e aqui é que me falha a memória... Qualquer coisa como ver a espessura, ou a imagem, ou a sombra reflectida. Se detectarmos um espelho transparente o melhor a fazer é apertarmos bem as perninhas e fugirmos a sete pés de um suposto tarado que nos mira. Mais uma vez me pergunto, e nas casas-de-banho dos homens, as mulheres não são dadas ao voyerismo, é isso? E os homens com tendências homosexuais, não contam? Enfim. O que me espanta a mim é que exista neste mundo gente que se dê ao trabalho de escrever tamanha parvoeira, mais gente que perca o seu tempo a avisar outros de coisas que eu não consigo imaginar que importância possam ter na nossa vida. Enfim, cada um na sua. Da minha parte, o que posso dizer é simplesmente e sem querer ofender qualquer alma mais susceptível: o que me interessa a mim que um gajo malaiko que nunca vi na vida bata uma punheta ao ver-me mijar??? Tenham dó! Pobre dele, não de mim que tenho uma vida própria para viver.

XV J'ai presque peur en vérité

J'ai presque peur, en vérité,
Tant je sens ma vie, enlacée
À la radieuse pensée
Qui m'a pris l'âme l'autre été,

Tant votre image, à jamais chère,
Habite en ce cœur tout à vous,
Mon cœur uniquement jaloux
De vous aimer et de vous plaire;

Et je tremble, pardonnez-moi
D'aussi franchement vous le dire,
À penser qu'un mot, un sourire
De vous est désormais ma loi,

Et qu'il vous suffirait d'un geste,
D'une parole ou d'un clin d'œil,
Pour mettre tout mon être en deuil
De son illusion céleste.

Mais plutôt je ne veux vous voir,
L'avenir dut-il m'être sombre
Et fécond en peines sans nombre,
Qu'à travers un immense espoir,

Plongé dans ce bonheur suprême
De me dire encore et toujours,
En dépit des mornes retours,
Que je vous aime, que je t'aime !

La Bonne Chanson, 1872

VERLAINE : Mon rêve familier (1866)

Poème
Mon rêve familier
"Mon rêve familier" est le 6ème poème de la section initiale
Melancholia des Poèmes saturniens


I L'implication de l'auteur
- L'emploi de la première personne du singulier: Le "je" de l'auteur s'adresse à un "tu" inconnu qui pourrait aussi bien être lui même (soliloque). Il s'oppose au elle qui introduit le récit du rêve. Verlaine reprend le "je" qui rappelle le mal-être chanté par les romantiques, pour nous suggérer peut-être que seul un être idéal pourrait déchiffrer son cœur, partagé entre les hommes et les femmes.
- L'emploi des adjectifs possessifs: Verlaine accentue sa présence à travers les multiples adjectifs possessifs à la première personne, mon front, mon cœur. Ces adjectifs renforcent l'idée que le poète est bien le principal personnage du texte
- L'effet des répétitions: Les répétitions sont souvent d'apparentes maladresses mais ici elles produisent un effet d'envoûtement pour mieux nous faire pénétrer le charme de la parole. La conjonction et qui apparaît 6 fois dans la première strophe crée l'effet d'une berceuse rythmique. La seconde répétition "elle seule" dans le second quatrain connote à la fois le soulagement et le regret, soulagement pour Verlaine d'avoir trouvé même si ce n'est qu'en rêve l'harmonie faite d'amour, de douceur et de compréhension, même s'il ne s'agit que d'un stéréotype de femme-mère et de femme-femme, mais aussi regret qu'il n'en existe qu'une seule qui puisse l'aimer et le comprendre.
- Valeur de l'exclamation et des interrogations: Par l'exclamation "hélas", Verlaine déplore peut-être qu'une seule personne et qui plus est appartenant au monde onirique puisse l'aimer et le comprendre, mais rien dans le texte ne nous permet de l'affirmer. Il peut également déplorer que cette femme appartient au royaume des morts, et dans ce cas sa créature de rêve ressemble plus à un ange. Les deux interrogations nous confirme dans cette voie. Il ne s'agit pas du rêve d'une rencontre possible mais au contraire de celui d'une rencontre impossible. La femme de Verlaine manque de précision, elle est envisagée d'une façon globale et abstraite.


Chama-se a isto abrir as ventas ao bicho. Tem de ser feito, de quando em vez... Não me perguntes porque o fiz.

Anónimo

Quem és tu ó anónimo que aqui vens. Aqui, onde? Aqui, aos mundos! De que te escondes? De mim. De ti feita mim. Não rias...
tenho saudades de mim. muitas...

Vendem-se

Artigos diversos.

Continuo intrigada

Mas pela enorme adesão ao meu pedido de esclarecimento, devo ser a única. Vou telefonar ao meu mano, que é um expert em análise financeira (diz ele que gerir um país é como gerir uma empresa, venha o Belmiro e toca a marchar!) (será?!) (talvez, em ambos os casos o que menos importa são as pessoas...). Londres deve estar a ajudar. Pois... está um pouco confuso, o texto... como eu!

if

se eu soubesse escrever o que em mim sinto, voltaria com gosto aqui. assim, continuamos em descanso do escrevidor.

o desconcerto

Acordei num repente, como se o ar me tivessem cortado. Vestias o teu casaco azul, escondias a cabeça no capuz. Sim, eu pago pelo amor. Eu pago o que a cabeça precisa e o corpo não corresponde. Eu vendo-me às ruas do Cais-do -Sodré. Vendo-me porque não sou capaz de dar. Compro e vendo-me. Não foi sonho, não foi pesadelo, foi desconcerto.

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Atenção ao que dizem!!!

MULHER: Se eu morresse casavas outra vez?
MARIDO: Claro que não!
MULHER: Não? Não por quê? Não gostas de estar casado?
MARIDO: Claro que gosto.
MULHER: Então porque é que não casavas de novo?
MARIDO: 'Tá bem, casava...
MULHER: (com um olhar magoado) Casavas?
MARIDO: Então?...
MULHER: E dormirias com ela na nossa cama?
MARIDO: Onde é que tu querias que nós dormíssemos?
MULHER: E substituirias as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO: É natural que sim...
MULHER: E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não. Ela não tem carta...
MULHER: (silêncio)
MARIDO: Merda...

encerrado para descanso do escrevidor

O escrevidor vai tratar dos seus Anjinhos. Regressa (?) segunda-feira. Cansado e muito feliz.

quinta-feira, 5 de maio de 2005

afinal havia... engano!

a fugir? sim, a P. não está enganada (olha fixamente para as suas lindas mãos*), está muitíssimo enganada!

*tens umas mãos tão bonitas. eu roo as unhas! olha, pois róis, são tão bonitas que nem tinha reparado...

O pecado da cruz

Então, gostaste de ir a Fátima? Sim, só que cometi um pecado... Um pecado em Fátima?? Ó R., isso é uma coisa um bocado maluca!! Roubei uma cruz! KÉ? Foste a Fátima e roubaste uma CRUZ?!?!? Uma Cruz??! Coitada da Irmã R. se descobre... É, uma cruz... Custava 5€ e eu só tinha 2... Ó meu querido, foste cometer um pecado por 3€?? Era tão bonita... veja! E a senhora da loja ofereceu uma ao I., por isso não foi bem um pecado porque se eu tivesse pedido ela também me dava! Pois, se calhar dava... não sei, e também não sei se ria ou se chore deste pecado! A cruz é bonita, estás orgulhoso de a ter ao pescoço. Podias ter roubado uma garrafa de bagaço no MiniPreço, ou assaltado alguém por uns trocos para a coca... coca sem cola mesmo! Ou coca com cola em pratos separados... andas com Jesus ao colo, ele não deve estar muito zangado, não é? Amo-te muito mesmo assim, com e sem pecados.

Finalmente apareceu o digno sucessor do Zé Cabra !!

Vá, toca a sorrir! É lindo!

Deveria ter som... mas eu não sei fazer o upload! Vá, aprendam a letra e procurem o som!!!!
Um interlúdio musical de fino recorte (reparem no nível da letra).
Directamente do Brasil... é rolar de tanto rir com o rei do brega!

I LOVE YOU TONIGHT
(Falcão/ Rodrigo Santoro/ Marcos Romera)

I love você
e sei que você
também love mim

I love you.
E quero receber
o que você prometeu
only para eu.

Only for you...
Se não for assim,
é melhor para mim
ficar sem ver tu.

I need you...
Pois esse seu jeitin
me deixa doidin,
doidin for you

I love you...
I love you tonighti
tonighti... tonighti
I love you tonighti
tonight ... tonight
I love you tumatchi

I love seu corpinho
I love seu umbiguinho
I love seu pézinho
I love seus cabelinho
I love seu pescocinho
and I love seu buchinho.

chuchuchurá...

I love seu rostinho
I love seu suvaquinho
I love seu olhinhos
I love sua bochechinha
I love sua bundinha
and I love you todinha

I love you...
I love you tonighti
tonight... tonight
I love you tonighti
tonight ... tonight
I love you tumatchi

quarta-feira, 4 de maio de 2005

DANÇAR É RECEITA IDEAL PARA ALIVIAR O STRESS

Às vezes encontramos quem já escreveu por nós.

Africanidade 04-06-2004
Dançar alivia o stress, rejuvenesce o espírito e nos deixa simplesmente felizes e alegres. Talvez por isso, o uso do cigarro, comum entre os europeus, não seja tão habitual entre nós os africanos. Temos uma receita mais saudável e interessante para desanuviar as nossas angústias, sem contar que ela é natural e divinal. Uma bênção de Deus para o continente de emoções, onde tudo é assinalado com a magia do ritmo.


Em Lisboa, a vida do estudante é assim. Depois de uma semana de trabalho, encontramo-nos no local de sempre. Esquecemos as dificuldades, ignoramos tudo e mergulhamos na Magia da Dança Africana, simplesmente sensual e cativante. Já houve quem dissesse que dançar “Kizomba” é fazer amor com roupa. Desconheço o autor desta sábia frase, mas ficou gravado na minha memória. Subscrevo essa afirmação, tomando em consideração o meu próprio exemplo e de demais pessoas poderemos constatar quando vamos “pra Night.”

Em todo o caso, seja qual a forma e o sentido que lhe queira ser atribuído, todos reconhecemos que os cabo-verdianos, sobretudo quando ainda são estudantes, adoram um bom “pé di badju”. Prova disso é o nosso ponto de encontro em Lisboa. Aquele local é hoje referenciado como “nossa Discoteca”. Aí revemos amigos, conhecemos os recém-chegados e também, aproveitamos para saber notícias da Terra Mãe.

Bem, não sei o que pretendo, escrevendo coisas tão banais e descabidas de qualquer interesse. Apetece-me simplesmente. Como podia apetecer-me dançar, cantar, ou algo semelhante. São coisas assim, sem motivos especiais, simples, que nos dão prazer e significado à nossa vida. Nisto reside o segredo da alegria do povo africano. A nossa vivacidade, o nosso calor, a nossa sensualidade e humanidade expressam-se na nossa forma de dançar aos pares, exprimindo a união, a cumplicidade e indo ao encontro do cenário do Jardim do Éden.

Para mim, o movimento das ancas, o sobe e desce, o roçar dos corpos quentes e das almas escaldantes, o sentir as respirações e o bater dos corações são sinais e pormenores de um mundo tipicamente das noites africanas em Lisboa. Essa é a nossa cultura, está no sangue esta chama que nos consome e nos ordena a esquecer o cansaço e a fugir do sono, simplesmente porque é bom dançar, sabe bem, e o resto das emoções...meus amigos!!!.... só dançando....!!!! Vai uma dança???

Vem aí o fim de semana. Apetece-me dançar, por isso marcamos encontro no local de sempre. Já tenho convite para a festa, recebi-o de um estudante na cantina. Tenho um problema, se calhar não sou o único. Não tenho dinheiro. Mas como se sabe, queixamos de dinheiro para tudo, menos para uma festa de estudantes cabo-verdianos. Por isso vou, gastar os 5€ do pouco que ainda tenho.

Bora Lá Pessoal !!!! – Vamos curtir que a vida não é só estudar....

by João Dono

País de brandos costumes

Espero que o senhor ande às voltas lá na cova dele...

Não tenho por hábito ver televisão. Vivi tempo suficiente fisicamente longe dela para não lhe sentir a falta agora. Mas hoje estava cansada e deixei-me esparregar (isto vem de esparregado, tem uma consistência perfeita) no sofá e fui fazendo zapping. Encontrei-me com um pai e uma avó que mataram uma Vanessa de 5 anos. Não sei onde nem porquê, mas percebi que teriam andado à procura dela numa feira, fingindo preocupação e (tentando) afastar suspeitas. Ainda não passou muito tempo desde o episódio da Joana do Algarve. Uma trama que deixaria qualquer Agatha Christie de bamba. Há uns anos atrás lembro-me de uma história de um outro pai que, num qualquer acesso de fúria, atirou pela janela do 2º andar o frigorífico. Ainda não contentado, aproveitou a vidraça partida e atirou dois dos filhos. As histórias são infindáveis, se visse mais televisão teria cenas para 1001 takes de um filme de humor negro, talvez um Tarantino, como eu gosto. Uma coisa é certa, podemos não ser um país de brandos costumes, mas que temos imaginação sórdida e rebuscada a dar com pau, ai isso temos!

* Tenho por hábito escrever Pai, Mãe, Avó... em caixa alta, mas aqui escolhi propositadamente a baixa.

Portugal a alta velocidade

Eu cá não percebo nada de economias, mercados, mais valias, políticas... nadinha de nada! Não nasci dotada para governar uma Nação, nem sequer para saber como se faz. Mas mesmo assim acho que tenho direito de perguntar porque precisamos de um TGV agora quando ainda há crianças a mais a percorrer quilómetros a mais, para escolas a menos, debaixo de chuva e de sol, a pé. Ando baralhada nas prioridades. Não entendo, mas gostava de entender. Porque acredito que exista uma razão válida para progredirmos por cima e estagnarmos na base... Não dava para comprar uma ou duas rodoviárias velhotas para poupar os pés desses meninos de ninguém? Fico à espera de ser elucidada...

Não acredito em milagres

Mas acredito que eles possam acontecer. No meio da tua lonjura deixei escapar dois pequenos promenores. Mas que grandes pormenores, meu querido! O Milagre do Amor e da Fé.

O reencontro com a Irmã R. e a ida a Fátima.

A tarde de Domingo foi repleta. Entre os passeios, amigos, chutos na bola, estivemos com a Irmã R. Como sempre, tu quiseste ir! Pediste. Durante mais de uma hora ouvimo-la falar do encontro com Jesus, és Batisado, tens a Primeira Comunhão e o Crisma. Tens porque, aos 12 anos, TU escolheste ir para a Catequese e seguir esse caminho. Não tens rezado, é verdade - só quando joga o Sporting... - confessaste. Também conta, para mim pelo menos, e acho que Jesus não se importa. A Irmã R., como sempre, deixou nas tuas mãos a escolha ou não do caminho ao encontro de Jesus. Disse só que achava o caminho bom. Falou-te da Oração, da Reflexão, da Felicidade, da Bondade. E deixou-te seguir, sem qualquer medo de Pecado, Inferno, Punição.

No fim dessa hora, já no carro sorri para ti. Grande ensaboadela que levaste, hein?!?”. A resposta foi muito curta. Eu gosto muito de tudo o que a Irmã R. diz. Não posso acrescentar nada. Talvez só um àparte, a Irmâ R. é o caminho de todos nós.

Ontem foste a Fátima. Pelo que me contaram, não só tu, mas todos os meninos sentiram qualquer coisa de forte lá. Falaram da Vida, falaram do Papa, do que morreu e do que o veio substituir, falaram de Nossa Senhora a Mãe de todos, sobretudo dos que não têm outra. Bebeste a água que purifica. Rezaste pelo Sporting e por outras coisas que não sabes bem explicar. Já na semana passada andavas a falar desse passeio. Achei que, acima de tudo, estavas contente pelo passeio, por um dia diferente, longe dos corredores da escola, longe das fórmulas matemáticas e do “não satisfaz” do último teste. Mas não. Agora sei que foste à procura daquela senhora de que a tua Mãe tanto gostava. Falaste do pratinho, com os vossos nomes e a imagem dela numa nuvem de todas as cores, oferecida pela A. há uns anos atrás, num dia da Mãe.

Não sou eu, com toda a certeza, que te vai empurrar no sentido desse caminho. O caminho da Fé. Infelizmente não tenho esse dom, o dom de acreditar com todas as minhas forças. O dom da Fé pura. Não tenho, nunca tive e não sei como o encontrar. Mas vou, também com toda a certeza, ainda com mais certeza, ajudar-te sempre no caminho que escolheres.

Os ídolos aos 15 anos

Ando com uma vontade louca de ter 15 anos outra vez. A razão é só uma, mas muito importante: apetece-me encher as paredes do meu quarto com posters, fotografias, capas de CD dos meus negos preferidos. À noite deito-me sozinha nesta cama e gostava de os olhar bem de frente, passar a imaginação pelos seus corpos, ouvir as suas vozes, comê-los com os olhos, deixá-los dentro de mim pelo sonho fora...

Não é que não possa fazer isso com esta idade, há por aí tanto homem mais velho cheio de calendários nas paredes das oficinas... teria era de arranjar uma boa explicação para com quem partilha o espaço comigo. Arrisco-me a adormecer asfixiada nas mamas de alguma Pamela Anderson...

terça-feira, 3 de maio de 2005

Sorriso aberto

O comentário do mauro fez-me sorrir. Um sorriso aberto. As verdades que se dizem sem sequer nos darmos conta... Eu, a minha pessoa verdadeira, a que tem espaço no mundo material, nasci com os pés na água, no Mar. Sim - no Mar. O mar (que enrola na areia) foda, é juntar dois em três, eu e o resto. ;)

Blogs e não blogs

Estou a chegar novamente à conclusão de que os blogs não são para mim. Não fazem o meu género, não sei bem explicar. Cada vez que leio um comentário tenho logo vontade de entrar numa de bate-papo com o comentador. Perco logo a vontade de ser cibernética para me querer realizar na conversa directa. Ou indirecta, se for o caso destas comunicações que fazemos agora, com um monitor entre nós. A mim, o que me explicaram, foi que o blog evitava o contacto entre a entidade que escreve e a que lê. Que estava para além do intimista. Que criava uma relação virtual e globalizada mas que não se realizava no plano do material e individual. Isto assim não dá! Eu quero saber porque dizes isso do que eu escrevi! Irra!

Terra da Alegria

Não percebi quem viveu e quem escreveu, mas está tão bonito.

Acho que há uma alegria que é tão triste. Que nasce não se sabe de onde mas que nos mantém por cima de todas as ruínas. Tão triste. Possivelmente há gente suficiente, suficientemente triste para nos poupar a esse estado de alma. Há quem espie por nós, os insuficientes.

Universalidade (?)

Não sei porque me lembrei disto agora. Talvez mesmo por ter andado a idiomar muito todo o dia. Sei exactamente o memento em que me apaixonei por esta coisa dos diferentes idiomas, as diferentes "línguas" e linguagens. Sei exactamente onde foi que começou esta necessidade de colecionar dialectos. Tinha 14 anos, ia fazer 15 já no dia 10. Estava numa Summer School, num College em Edimburgo. Havia um rapaz árabe com quem eu não conseguia conversar, que eu não conseguia olhar nos olhos. Chamava-se Omar Foda.

Universalidade

Hoje já não sei onde estou, fisicamente! Espiritualmente estou sempre em toda a parte. Perdi-me algures no universo dos vários idiomas falados por esse mundo. Tenho trabalhado em inglês, espanhol e francês, tenho conversado em português e alemão, tenho cantado em criôlo caboverdeano, tenho-me inundado no som de um semba... Preciso rapidamente duma âncora. Não uma que me prenda os pés, só uma que me aconchegue à terra.

Não se trata do amor

Trata-se do encontro total. Do Amor. Acho que só podemos Amar uma vez na vida, tal sensação é forte de mais para que o corpo sobreviva à segunda. Temos de parar ali. Depois de sab, sabine. Depois de sabine o vazio. Mas não um vazio aflitivo ou angustiante. Um vazio de Paz por ter sentido e sobrevivido. Nem toda a gente consegue sentir essa chama. Mas quem sente sabe que sentiu e que não voltará a acontecer. Há muitos tipos de Amor, este acontece uma vez. Amo ainda mais os meus filhos, morreria por eles. Mataria por eles. Mas podem vir mais que esse Amor é elástico. Não se enfraquece ao ser dividido. É como um Milagre do Pão. O outro, o que sentimos uma vez na vida, esgota-se em si mesmo. Exclui à partida a ressurreição num outro. Ter sobrevivido é um dom, ter sentido é um dom ainda maior. Há quem morra sem nunca saber se teve um orgasmo. Há quem morra sem saber se chegou a sentir. Mas quem sentiu tem a certeza do que foi.

agora ando a pôr nos dedos as palavras dos outros...

Asalaamualaikum a todos!

HAFLA por Cheb Khaled

Comme si je n'existais pas,
Elle est passée à côté de moi
Sans un regard, reine de "Saba",
J'ai dit Aïcha prends tout est pour toi

Voici les perles les bijoux,
Aussi l'or autour de ton cou
Les fruits, biens mûrs au goût de miel,
Ma vie, Aïcha si tu m'aimes

J'irai où ton souffle nous mène,
Dans les pays d'ivoire et des baignes
J'effacerai tes larmes ou tes peines,
Rien n'est trop beau pour une si belle

Je dirai les mots, les poèmes,
Je jouerai les musiques du ciel
Je prendrai les rayons du soleil,
Pour éclairer tes yeux de reine

Elle m'a dit: "Garde tes tresors,
moi je vaux mieux que tout ça
Des barreaux sont des barreaux, même en or
Je veux les mêmes droits que toi
Du respect pour chaque jour,
Moi je ne veux que de l'amour "

Comme si je n'existai pas,
elle est passée à côté de moi
Sans un regard, reine de "Saba"é,
J'ai dit...

Aïcha prends tout est pour toi
Aïcha, Aïcha écoute moi, Aïcha, Aïcha écoute moi
Aïcha, Aïcha t'en vas pas, Aïcha, Aïcha, regarde moi
Aïcha, Aïcha réponds moi, Aïcha, Aïcha écoute moi
Aïcha, Aïcha t'en vas pas, Aïcha, Aïcha, regarde moi
Aïcha, Aïcha répond moi, Aïcha, Aïcha écoute moi
Aïcha, Aïcha t'en vas pas, Aïcha, Aïcha, regarde moi

segunda-feira, 2 de maio de 2005

A ciência desistiu

Não há nada que a ciência possa ou saiba fazer. Apenas aguardar connosco. Vai para casa, não por estar bem, mas porque não há alternativa. O quarto ficou livre, já ocupado por outro que aos 20 anos sucumbe, sem esperança. Grita de dor, dor e dor de cancro. Raizes que se agarram ao seu corpo jovem. Mas pelo menos é certo, morrerá em breve. Nós ficamos com ela nos braços, sem encontro final agendado. Talvez os ruídos que conhece a despertem para esta vida. Talvez no momento em que se sinta em casa, se deixe ir por fim. Encontro ao descanso final.

recuo seis anos

Estou lá, há seis anos atrás. Não mudaria (quase) nada. O que joguei, voltaria a jogar e com quem joguei. Os mesmos dados, as mesmas cartas. A rodada seria só mais alta. Tudo na forma, diferente no desfecho. Seis anos. Mudaria o valor da aposta. Não nos separaria. Seríamos ainda Homem e Mulher. Talvez já semente feita criança. Pele escura, cabelo claro. Óvulo e espermatozóide feito sintonia. Não exactamente na mesma ordem, sorris, não é?

Extasy

Nada nada nada como uma boa kizombada angolana para nos fazer a alma pimba. Sente só! Sente o ritmo, ouve-me essa batida. Pausa no compasso certo. Cola no meu corpo, deixa que me desiquilibre no teu.

Deixa eu saber
Qual é o teu desejo
Mais secreto
Deixa ver, qualé a magia que há em ti
Conta pra mim
Onde é que está a chave
Desse teu mistério
Meu amor, você nasceu pra mim
Tens aquele jeito, que me põe a viajar
Olho pra ti, me perco no teu olhar
E sobrevoar o céu da tua boca
Eu quero mais e muito mais...

Baby, baby, baby
Chama que eu avanço
Quando me embriago no teu corpo, eu não me canso
Crazy, crazy
Vem minha pequena
Pra fazer aquela cena que vimos no cinema

Extasy, pra ti
Extasy
Extasy, pra mim
Extasy

Já não quero saber, do jornal ou da TV
Daquilo tudo que me dava prazer
Não quero nada que não seja você
Só eu e você
Tudo pode acontecer
Vem
A minha mente fantasia com o teu ser
Vem
Todos os meus sentidos chamam por você
Agora, vem
Pra mim só há tu e eu

Eu quero entrar na tua mente
Fazer contigo qualquer coisa diferente
Te seduzir, fazer um jogo
E saciar esse teu desejo ardente
Realizar as mil ideias
Que vagueiam aqui na minha mente
Ser teu amante e confidente
Hoje
Vou viajar na geografia do teu corpo nu
Sem tabus
De norte a sul
Eu quero ser o sol que brilha no teu céo azul
Niña minha

A tua mente é minha
A minha mente é tua
Hoje a noite toda é só nossa

Onde vais que não te alcanço?!

Fugiste de mim. Acredito que voltes, não tens razões para não o fazer. Tenho-te dado a hipótese de seres tu. Tu a chegar, tu a contar, tu a partilhar e nós a resolvermos. Há pequenos gestos que não me enganam, sinto que te viras para o menino do bando. Acabo por perceber que as coisas acontecem por outras vozes. Pedes o que sabes que não te posso dar. Sempre conhecemos as regras e sempre aceitámos não pôr em risco tudo o que já conseguimos juntos. Num ano, mudou muita coisa. Vai mudar mais ainda e depressa, verás. Acredita em mim. Tem calma, vamos ter o que queremos, o que precisas, o que todos vós precisam. Agora, frente a esta janela, sinto-me perdida. Fugiste-me e não te vejo outra hipótese que não comigo pela mão. Pensei falar com o T., mas isso seria (não)resolver as coisas pela via do cinto. A A. é só uma adolescente. Foi tua Mãe durante anos, mas os seus 18 não lhe dão a força que precisa para te ajudar. Eu, tenho os anos, 33, mais do dobro dos teus, mas não tenho essa experiência de todas as tuas vivências. Chegávamos um ao outro tão facilmente. Onde vais, agora, que não te alcanço?!

Como são quase inexplicáveis os segredos do nosso cérebro!

Vejam como conseguem ler isto, com facilidade:

Sguedno um etsduo da Uinvesriadde de Cmabgirde, a oderm das lertas nas pavralas não tem ipmortnacia qsuae nnhuema. O que ipmrtoa é que a prmiiera e a utlima lreta etsajem no lcoal cetro. De rseto, pdoe ler tduo sem gardnes dfiilcuddaes... Itso é prouqe o crebéro lê as pavralas cmoo um tdoo nao lreta por lerta.

Comentário espontâneo: Foad-se è msemo veadrde.

E andamos nós a instalar correctores ortográficos... Para quê?

decifrar

sempre gostei da maresia, do cheiro... mas isso fica para outro post... ;)

gostava ter queda para a escrita.. mas infelizmente não, tenho q pensar duas vezes antes de escrever o código postal numa carta, tão mau que é o meu dom.
Por isso desculpem qq coisinha.

O que me vai na alma neste momento é tão simples e complexo como a nossa própria existência... que qualquer pessoa sábia dirá ser extremamente simples, nós é que a complicamos -a diferença entre o homem e a mulher. Não me refiro às óbvias diferenças físicas (cada mais mais atenuadas pela manipulação estética :) mas a pensamentos e reacções.

O meu desejo cada vez mais forte é noutra vida ser mulher. Não fisica mas espiritualmente , e não esquecendo o que aprendi nesta vida, para então, finalmente, entender o mundo.

As mulheres possuem uma qualidade que é tão extraordinária como é aberrante. Investem tremenda energia e preocupação ao conseguir pensar em 50.000 coisas em simultâneo. No emprego, na família, no corpo, na aparência, nos amigos, no que vão fazer para o jantar hoje, e amanhã, na celulite... no cabelo, como será que as pessoas me aceitam... enfim, num sem-fim de coisas, algumas delas verdadeiramente inúteis.
Mas o que mais me surpreende é conseguirem levar uma vida aparentemente pacata e objectiva com toda esta revolução interior.

Se ao menos soubessem que os homens não se podiam importar menos com questões tão banais... nós vivemos um dia de cada vez mas com um objectivo futuro. Se ao menos sonhassem que não somos aquelas bestas animais que apenas pensam em 3 coisas: carros, mulheres(sexo) e futebol (não por esta ordem necessáriamente)....
Nada mais longe da verdade...até porque genéticamente não conseguimos pensar em mais que uma delas em simultaneo ;)

Não podiamos preocupar-nos menos com celulite, cabelo espigado e baton nos dentes.
O homem quer e tenta transmitir paz...viver o momento da melhor forma pois pode não haver outro igual... Este passa e vem outro, mas não o mesmo !

Tão bom que seria, homem e mulher partilharem e viverem na mesma onda (que nao volta)...quantas vezes o homem apenas quer um momento simples de prazer... sem se preocupar se no hotel há pessoas que nos vêem ou já são 11:00.
A mulher partilha a vontade do homem, mas não se entrega da mesma forma... a sua cabeça não o permite, a sua existência não deixa.

E assim perdem-se momentos, ondas que não voltam...

Seria maravilhoso, por um momento que fosse, tudo se esclarecesse... a existência seria tão simples e a vida um prazer constante..
ou quem sabe estamos condenados a viver esta eterna confusão do decifrar uma existência conturbada e aleatória.

o meu desabafo de quem não entende as mulheres.