quarta-feira, 31 de agosto de 2005
O dragão
O corpo na dança
Estabilidade
Não te serve? Pois não fiques a meu lado. Por ti! Protejo-te eu assim e de mim.
Telefone
Nesse dia o V. quase não se aguentava em pé, o seu corpo magro e já sem alma inclinava-se vertiginosamente na minha direcção. Não sabia como reagir. Não sabia se o agarrava e o mantinha de pé, se fingia que não dava por nada, se... se... se... Eu não sabia o que ele esperava que eu fizesse e tive medo de fazer a coisa errada. Então não fiz nada, quase nada. Não o aguentei em pé, mas dei-lhe a mão e puxei-o para longe da linha. Disse-lhe que os olhos, que quase não se viam, continuavam lindos. Disse-lhe que há muito tempo não mergulhava num mar tão verde como o dos olhos dele. Disse-lhe coisas como as que dizia quando éramos no tempo de antes e a vida era só para ser vivida.
Ele procurou qualquer coisa no bolso das calças, um papel, um bilhete já picado de comboio. Pediu e eu emprestei-lhe um lápis de graffite grosso, muito mais grosso do que o gasto bilhete suportaria. E com ele gatafunhou qualquer coisa que, vim a ver depois, era o seu número de telefone de casa. Da mesma casa. O mesmo número. Liga-me.
Foi um encontro que não demorou mais do que 3 ou 4 minutos. Saí a correr na direcção da ESBAL. Não estava atrasada para nenhuma aula. Já sabia há muito o que se passava na vida dele. Que se tinha perdido, algures entre a felicidade e a amargura de qualquer adolescência. Saí a correr.
O V. nunca teve "problemas". Era um menino que fazia inveja a muita gente. Bonito, bom aluno, bons Pais, bons amigos, namoradas q.b., nunca me hei-de esquecer das suas bermudas de padrão xadrez, o gel no cabelo, um puto betinho com o seu quê de reguila! Perdeu-se sem razão aparente. Sem nenhuma razão se não aquela que nos leva à loucura e se esconde dentro de nós. Tive pena. Passei na vida dele e ele passou na minha. Afastou-se na geografia muito antes de se afastar na alma. Namorámos como namoram dois miúdos "normais". Sentia o peito cheio sempre que o apresentava a uma amiga, o meu namorado V., lindo de morrer, os deuses que o digam... via nascer nos seus olhos aquela pontinha de inveja e cobiça pelo galo alheio, e que galo!
Pois, e que galo... Que galo a vida que o levou.
Nunca me culpei por nada, por não o ter salvo, por não o ter ajudado, por não o ter protegido, por não o ter percebido. Por não ter estado lá, onde quer que isso fosse. Mas agora pergunto-me: comportaria aquele bilhete uma ponte de volta à vida? Soube, logo na altura, que não estava a viver com os Pais há muito tempo. No entanto, ali estava o telefone. Não sei o que me levou a não fazer nada. A não ligar e simplesmente falar com quem atendesse, não seria ele com certeza. Não faço ideia e não me culpo por não o ter feito. Está morto e, quase de certeza, enterrado. Nem sempre a vida termina num Happy End. Apenas The End.
Andei a vasculhar entre os meus passados a ver se encontrava o bilhete. Não encontrei. Não sei o que iria fazer com ele. Com o bilhete e com o número de telefone. Ligar? Talvez, não sei. De todas as formas, se quiser ligar, basta-me ir ver a minha agenda que ainda é a mesma.
O que será feito da Mãe do V.?
Cabrão
- Mas o que é isto? Estás a envergonhar-me! Tu não sabes que os homens mijam de pé? O que aconteceu contigo?
- É que segunda feira passada saí com uma loira, 1.80m, seios fartos e um cu inacreditável e na hora H dei uma nega! Na terça, saí com uma morena,19 anos, carinha de criança, na hora H dei outra nega! Na quarta, foi com uma ruiva e de novo outra nega! Na quinta, com uma mulher de meia idade, linda, maravilhosa e também dei nega...
- Tudo bem, pá... dar umas negas pode acontecer a todos nós em determinadas fases da vida mas...o que é que isso tem a ver com o mijar sentado ?
- Depois de tudo isto, tu achas que eu ainda vou dar a mão a este grandessíssimo cabrão?
terça-feira, 30 de agosto de 2005
caçulinha
Muita gente já me tinha dito que esta foi só a primeira vez, vais ter de ouvir isso muito mais vezes na tua vida, mas só quando ela mo disse é que eu ouvi. Pois vou... e é verdade que ninguém é obrigado a gostar dela ou deles. Mana, o mundo não é um mar de rosas e não vale a pena carregares em ti todas essas culpas estúpidas. Aconteça o que acontecer o que conta és tu e nós. É como com os castigos, a culpa não é tua quando o R. ou L . ficam de castigo, nem aí consegues reconhecer a culpa dos outros?!
A minha mana caçula... cada dia que passa me orgulho mais da maturidade com que ela enfrenta as adversidades da vida. Vá, pega no teu espaço e encontra-te, nós também sabemos ficar à espera.
Mana, minha mana caçula, e que andava em pânico porque eu tinha desaparecido por uma semana.
Inibida ou o princípio da cura
Ontem percebi uma série de coisas sobre mim. Percebi exactamente o que não sei de mim. Aprendi sobre quem eu não sou e quase acredito ser. Sobre quem eu procuro que afinal sou simplesmente eu. Ontem aprendi muita coisa. E, talvez, até já saiba por onde começar.
Fui comer um gelado a Cascais com os meus Pais. Isto, só de si, é uma constatação importante porque concentra uma enorme possibilidade de interpretações sobre o porquê de eu ter ido. Em primeiro lugar, é preciso ver que eu não gosto de gelados e ainda estou arrependida e enjoada. Em segundo lugar, também é preciso ver que, embora tendo uma ligação afectiva muito grande com os meus Pais, não tenho de todo o hábito da família no dia-a-dia.
Como sempre, e não é mesmo mais do que uma rotina, antes de sair a minha Mãe lançou para o ar um convite que no ar iria ficar, não fora ontem especificamente o dia de ontem. Agarrei o convite e entrei no carro depressa, muito depressa, antes que houvesse espaço para mais alguma pergunta a que eu iria responder também de forma diferente.
Enquanto me lambuzava com ar de enjoo num gelado de manga e lima, a minha Mãe atirou para o ar mais uma das tais que não esperam resposta. Que tens, Sissá, que essa cara não é só do gelado... Fiquei a olhar para o vazio e percebi que o meu silêncio tinha sido percebido como o silêncio-não-habitual. E no silêncio que não era o do costume, fiquei a pensar que o que sentia era exactamente o que não me deixava responder naquele momento. Sentia-me inibida.
Deixei, então, que o meu olhar também vazio saísse do vazio onde mergulhara e lesse numa Time em frente: "Vencer a co-dependência! Aprenda como deixar de viver nos outros e começar a tratar de si." (...) [a pessoa] compreende o que é estar a afundar-se, o que lhe permite ajudar melhor aqueles que ainda se encontram à deriva(...). A co-dependência tem a ver com formas ostensivas ou subtis de permitirmos que a relação com outras pessoas — (...) ou por preocupação obsessiva nossa — nos conduza à perda da consciência do eu ou às areias movediças dos sentimentos incompletos e à falta de energia causada pelo excesso de preocupação com aqueles que nos rodeiam, descurando o cuidado connosco até deixarmos de ter vida própria.
Eu não sei se não tenho vida própria, o que eu sei é que não tenho um eu próprio. Já não sei de todo quem sou se não for com outro. No outro. E agora sinto-me inibida. Nasceu em mim uma eu inibida. Tenho medo de que mais alguma palavra saia da minha boca e se faça notar no silêncio do meu vazio. E estou inibida porque percebi que não vale a pena viver mais esta ilusão de vida. Já percebi que existe em mim qualquer coisa em potencial, que corre o risco de desaparecer se eu não perceber a tempo o que é. Porque sei que não posso mais ser aquela que as palavras e atitudes fáceis mostram ao mundo. É tempo de descer do palco, antes que a escada se vá ou o joelho não obedeça.
segunda-feira, 29 de agosto de 2005
mais um adeus à Janela que eu ia esquecendo!
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só
SG
MERDA
Onde?
Pensei que podia começar por ali, mas é por aqui que tenho de o fazer. Pensei ter encontrado um ponto de partida, mas o ponto de partida tem de estar em mim. Entre mim e mim, há um vazio enorme que vou ter de encher de mim também. Parar, pensar, perceber e começar por mim, para mim. Para que o que não sou possa ser o que serei.
Não preciso de saber o que quero na vida, só preciso de começar por saber o que não quero. E o que eu não quero é continuar assim perdida de mim.
Chegou a hora de deixar de me fugir. Sem artifícios, sem artimanhas, sem rodeios, procurar-me a mim dentro de mim. E aí, sim, soltar as amarras que me prendem ao que não é meu para ficar com o que sou.
Um adeus a alguma coisa que não chegou a ser
domingo, 28 de agosto de 2005
O Adeus à janela com vista sobre a Cidade e o Rio
Estelinha
Quantos anos fizeste no dia 20? Já não sei, já não consigo lembrar-me, perdi a conta a esse tempo, esse tempo não existe. O tempo que em mim mora é só o tempo do peso dos anos da tua partida.
Luta contra os OCNIs
Não me importo nada que me comentem por trás de um lençol quando o querem fazer de forma anónima. Agora, o que eu não admito é que andem a encher os meus posts de publicidade rasca, ainda por cima de uma forma tão idiota: dizerem-me em inglês que o meu espaço é muito bom, quando o meu espaço é todo em português! Quero mais é que se fodam. E como não sei como eliminá-los, vou eliminar os comentários anónimos.
Peço desculpa a quem seja atingido por esta restrição e não culpado pelo que a ela levou. De qualquer forma, são muito poucos os comentários não identificados aqui na Onda.
Também não sei se isto vai resultar, mas enquanto a Onda não encontra outra forma...
sábado, 27 de agosto de 2005
Gaivotas
Eu detesto gaivotas, é um bicho estúpido, preguiçoso, que só vai à pesca se não houver uma lixeira por perto. Comer, gritar, cagar... não faz mais nada, raio de bicho! Se ainda não desejei o seu extermínio foi apenas porque tenho esperança de que, no meio daquelas milhares que cagam em cima da Ilha Velha, esteja o Fernão!
Mas neste momento preocupa-me outra coisa. A Ilha Velha e Berlenga é um local de nidificação de gaivotas. Houve tempos em que gaivotas nascidas e marcadas lá, eram encontradas em Inglaterra. Cheira-me que agora se deixaram de grandes viagens. Mas, e se no próximo ano, lá pela altura de Abril ou Maio, vierem em bandos gaivotas que, para além de idiotas, sejam portadoras do vírus? A Reserva de idiotas, vai transformar-se num paraíso de febre. Será que os grandes zeladores já pensaram nisso?! É que eles não têm pensado muito ao longo destes anos. Se tivessem pensado ainda havia lagartos, armeria berlengensis, cações, airos...
Evaporou?
sexta-feira, 26 de agosto de 2005
Falta de espaço nas cadeias
Na Berlenga sempre houve alguns cães. Havia, e há, pelo menos um residente e que faz companhia ao faroleiro. Acho mesmo que já lá vi mais do que um a correr preso à corrente ao longo do muro. E antigamente também havia cães veraneantes.
Neste episódio até eram cadelas, duas, a Joana e a... talvez Inês. Iam com o dono, um penicheiro com casa própria no bairro Comandante Andrade e Silva, e ali passavam as férias desde pequenitas. Tal como as gentes, foram adaptando-se às restrições cada vez mais restritas (algumas cada vez mais idiotas... enfim) e eram, além de muito bonitas e espertas, muito felizes, faziam feliz o dono e, sinceramente, não chateavam ninguém. Nem mesmo as idiotas das gaivotas que deram cabo daquilo tudo. Andavam muito na água, fazendo jus à sua raça, sempre junto ao F., andavam pelo cais, sempre junto ao F., andavam pelo carreiro, sempre junto ao F., visitavam os vizinhos, sempre junto ao F. Vi-as uma vez observar um lagarto no carreiro que leva às Buzinas, perto de um pesqueiro que na altura ainda era de passagem livre. Foi também o último lagarto que vi, há 8 ou 9 anos atrás.
Um dia, os zeladores da Reserva resolveram que não podiam existir mais cães na Ilha.
Fizeram uma lei. Mas não a fizeram cumprir logo ali.
Durante uns tempos ainda se fechavam alguns olhos. Um ano resolveram abrí-los todos. E então, disseram ao F. que estava a transgredir as leis pelas quais se regem a Reserva e que tinha de levar a Joana e a... para terra. O F., que ali cresceu e que sempre andou com as "miúdas" atrás, não aceitou nem acatou. Está no seu direito. Foi levado para terra e foi-lhe apresentada uma multa de 30 contos, correctamente, uma vez que transgrediu a lei... quanto a isto não tenho nada a opôr ou a criticar. Simplesmente o F. recusou-se a pagar a multa. Apresentou os seus argumentos em tribunal, foi dado como culpado e foi passar 20 dias à prisão, se a memória não me falha, das Caldas da Rainha. Nada de mais, uma lei, uma transgressão, uma multa, um julgamento...
Agora expliquem-me lá, não há lugar para suspeitos de crimes horrendos, como o são o do fogo posto, e há lugar para um gajo que se recusou a levar duas cadelas de volta para Peniche?! Tenham dó!
O incêndio
É como estar num estado latente, um coma profundo. Alguma coisa me mentém viva, não sei se dentro de mim, se qualquer máquina onde me liguei. Respiro mas não penso, não sinto, não sou.
quinta-feira, 25 de agosto de 2005
Adopção
Eu não quero nascer de ti. Eu quero que tu me escolhas.
Eu não quero irromper das tuas entranhas. Eu quero que tu me entranhes nelas.
Onde...
Dizem-me...
Dizem-me que me dou com toda a pureza da ingenuidade e da bondade.
Dizem-me que me entrego sem nada pedir em troca.
Dizem-me que o sorriso que ponho nos lábios de tantos, será o sorriso que um dia nascerá nos meus.
Dizem-me que o mal nunca se sobrepõe ao bem.
Dizem-me que não desista.
Dizem-me que acredite no olhar dele.
Dizem-me que o mais nobre dos sentimentos guia as minhas atitudes.
Dizem-me que o que faço é a coisa certa.
Dizem-me que acredite, que acredite e volte a acreditar, que sobreviva, que não desista, que não chore, que não me perca, que não morra...
Dizem-me tanta coisa, mas eu não vejo nada.
Pai
Tem calma, não penses mais nisso, nós estamos muito chocados com a situação, sabes que estamos a teu lado e que estás a fazer a coisa certa. A tua Paz vais encontrá-la neles e junto de nós.
Uma conversa normal (?)
A: Princesa, hoje não posso ir buscar-vos...
M: ooooohhhhhhh... porquê?
A: A bebé nasceu.
M: Já?!?!
A: Sim, Princesa, já nasceu. Como a tua mana, lembras-te? Antes do tempo.
M: OH e também vai ficar dois anos no hospital???
A: Não, Princesa, não te preocupes. Ela está bem mas tem de ficar no hospital uns dias.
M: Vais vê-la?!
A: Não posso... ela tem os pulmões muito fraquinhos e tem de ficar naquela caixinha como a tua mana.
M: Mas ela não tem pulmões?!? EU DOU O MEU!!!
A: Calma, sua tonta, ela não precisa que lhe dês pulmão nenhum... ela tem pulmões, só precisa de descansar um bocadinho! Vá, vai brincar que eu vou à Maternidade. Depois dou-te notícias, boa?!
Que tipo de conversa é esta?
1. Uma conversa natural?
2. Uma conversa fictícia?
3. Um incentivo fora da lei à aproximação de uma menina a uma bebé?
Eu ainda não tenho resposta, porque a resposta que eu tinha está completamente posta em cheque-mate por alguma coisa que eu ainda não consigo perceber. Eu sei o que é, mas ainda não percebi.
Na corda bamba
quarta-feira, 24 de agosto de 2005
Cicatrizes
Quem olhar para ele hoje, vai ver uma cicatriz de 20 ou mais pontos, imaginará uma enorme ferida aberta, jorrando sangue bem quente e bem vermelho. Há mesmo algumas delas que quase desapareceram com o avançar dos anos. Quem olhar de perto vai ver. Quem olhar de perto vai ver uma marca grande e sinuosa. Mas o que ali está, e nós que o acompanhamos há 31 anos sabemos, não é uma de 20 pontos, mas sim várias de 3 ou 4 cada. Feridas diferentes no mesmo limiar.
É assim que eu me sinto, as feridas vão curando, mas as cicatrizes vão ficando. Várias espalhadas pelo corpo, mas muitas acumuladas no mesmo limiar. Um dia, o corpo não aguenta, e então rasga.
O algodão doce
no céu andam as nuvens,
será daqui, das nuvens,
que vem o algodão doce
Rosa?
Para Jesus, qualquer preceito religioso que impeça a libertação humana deve ser sistematicamente violado.
Para Jesus, qualquer preceito religioso que impeça a libertação humana deve ser sistematicamente violado. Para os seus contemporâneos, só um possesso do demónio podia atrever-se a tocar no sábado, dia consagrado ao Altíssimo. Jesus mostra um gosto especial em provocar, com actos e palavras, uma religião na qual, segundo ele, os próprios animais tinham mais sorte do que os seres humanos (Lc 13, 10-17)...
2. Dir-se-á que essas atitudes atribuídas pelos Evangelhos a Jesus - aliás, um judeu rebelde e marginal - destinam-se a desqualificar o culto judaico do qual os cristãos judeus acabaram por ser expulsos. Tratar-se-ia de um histórico e polémico ajuste de contas elaborado mais tarde pelos evangelistas. (...)
(...) Numa época de diálogo inter-regional e depois de João Paulo II, em nome da Igreja Católica romana, ter assumido as responsabilidades históricas dos cristãos na perseguição aos judeus, tudo deveria ser feito para eliminar o antagonismo entre judeus e cristãos.
(...) Sacrificar os seres humanos em nome de Deus é um sacrilégio. Mas, segundo Jesus, em nome do bem dos seres humanos pode-se, e por vezes deve-se, sacrificar os preceitos das instituições religiosas.
Há uma cena no Evangelho de S. Marcos que, por não ser sobre uma situação extrema, é paradigmática: (Jesus) "entrou na sinagoga e estava lá um homem que tinha uma das mãos paralisada. Observavam-no para ver se iria curá-lo ao sábado, a fim de o poderem acusar. Jesus disse ao homem da mão paralisada: levanta-te e vem aqui para o meio. E perguntou: é permitido, no dia de sábado, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou matá-la? Ficaram todos calados. Então, olhando-os com indignação e magoado com a dureza dos seus corações, disse ao homem: estende a mão. Estendeu-a, e a mão ficou curada. Logo que saíram, os fariseus reuniram-se com os partidários de Herodes para deliberar como haviam de matar Jesus" (Mc. 3,1-6).
Se este caso parece ridículo, é precedido de outro ainda mais grotesco sobre alimentação. Levou, no entanto, Jesus Cristo a fazer uma crítica radical das instituições religiosas e que terminou numa conhecida sentença de alcance universal: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Mc. 2, 27).
3. Passada a década de 70 do século passado, a religião voltou a estar na moda. (...)
No seio do pluralismo religioso e do pluralismo cristológico, eu aposto num Deus e num Cristo que não fechem ao "sábado" nem em nenhum outro dia e que não organizem a sua agenda apenas segundo o calendário das instituições religiosas ou nos moldes da burocracia das dioceses, paróquias e movimentos que vivem, por vezes, na cegueira de confundir os seus programas e regulamentos, preceitos e juízos morais, com os desígnios, horários e juízos da divindade. Dizia S. Tomás de Aquino que Deus não se deixa anexar pelos sacramentos!
Jesus respondeu àqueles que o censuravam por se entregar em dia proibido à cura do mundo: "Meu Pai trabalha sempre e eu também" (Jo 5, 18). (...)
Bento Domingues, O.P.
in Jornal Público, Abril de 2005
A Carta
Fui chamada para identificar um corpo. Um monte de pele e osso consumido pelo pó. Uma embalagem que em tempos foi tão bonita. Quase que não o identifiquei. Tinha sido encontrado sem nada. Sem vida, sem laços, sem pistas. Não se sabia quem era. Só se sabia que entre os seus poucos pertences, os que cabiam no bolso de uma calça gasta e suja, estava uma carta. Uma carta que lhe escrevi há 23 anos atrás. Hoje, parece que foi ontem, ontem parecia que tinha sido há anos luz.
Escrevi-a numa época em que o amor adolescente nos consumia e a droga ainda não o consumia a ele. Identifiquei e depois chorei. Não sei bem o que chorei, mas chorei e muito. O corpo gasto? A saudade? A sua lenta morte agora feita morte física? Nós? Ele? A vida ou a sociedade? Nem quero saber o que chorei.
Não me deixaram trazer a carta. A carta não faz sentido para mais ninguém, nem mesmo para mim. Mas fui eu que a escrevi há 23 anos e foi ele que a guardou por 23 também. Num embrulho de plástico de lenços Renova, sobreviveu à droga, ao mundo-cão, à desgraça e à perda. Estava suja e amarelada. Gasta, quase ilegível. Mas fui eu que lha escrevi e foi ele que a guardou.
Grafiti
(eu diria antes, um machista encornado, fodido, lixado, perdido...)
Canção de Lisboa
General Roçadas, nº 23
Uma campanha positiva
Gosto muito da campanha da APSI sobre a segurança das crianças na água. É uma campanha forte, sólida, muito marcante mas não chocante. Chocante no sentido em que uma campanha destas poderia inibir o "à vontade" em relação ao Mar, ao Rio, à Piscina, à Água de todas as formas canalizada. Falo mais do Mar porque é o meu meio, que conheço, respeito, amo, uso mas de que nunca abuso.
Chamar ao respeito, nunca ao medo. Muitas vezes sou confrontada com a pergunta "Tu não tens medo?". Não, não tenho, nunca tive e espero nunca vir a ter. Nasci com os pés já salgados. Desde pequena que me atirava com confiança para qualquer onda. Preguei sustos, nunca me assustei. Cresci e percebi que alguns sustos eram realmente sustos, na altura não tinha essa consciência. Agora sei que aprendi a conhecer a água. A conhecer a única coisa que lhe podemos verdadeiramente conhecer, que é instável e, quase sempre, imprevisível. E que é preciso respeitar.
Faço mergulho, caça, pesca, atiro-me em pranchas com e sem velas, desço rápidos, deixo-me ficar a boiar enquanto o meu corpo se liquifica, relaxa, se desprende e desprende a mente.
Já fiz um mini-mergulho com o meu pequenino R. que tem 3 anos, engendrei um mini-regulador, ensinei-o a comunicar por gestos, ensinei-o a respirar comigo e a 2 metros de profundidade imergimos no mundo da cor translúcida, do silêncio e da descoberta. Do peixinho, das pedrinhas, das conchinhas e da alga verde...
A água é o nosso primeiro habitat, vamos voltar a ele com respeito e muito à vontade, boa?!
Quando o silêncio não incomoda
O som do rodapé
terça-feira, 23 de agosto de 2005
Esplanada da Saudade
A 10 anos sobrevivi sem esse teu olhar verde. Agora, em 10 dias de mim sem ti, a saudade pesa 10 arrobas de ansiedade no meu peito.
Porquê complicar
she said: isso é um ponto final parágrafo na nossa conversa?!
he said: não, é um ponto
coisas que se dizem por aí...
Se a mulher fosse boa, Deus tinha uma. E se fosse de confiança, o Diabo não tinha cornos...
Os Homens mentiam bem menos, se as Mulheres não perguntassem tanto!
Seja porreiro com os seus filhos. São eles que vão escolher o seu asilo.
e o mais importante: É MELHOR ABRIR UM E-MAIL COM VÍRUS, DO QUE UMA CARTA COM ANTRAX!
Submarino
Submarinos... bem, submarinos são espaços físicos mínimos, mas nos meus submarinos, tal como na minha Onda, o espaço físico é relativo. Respeito pelo outro é tudo o que eu "regro" (ou regrarei, se aprovar o orçamento para a construção do mesmo). Se deste uma vista de olhos na Onda, deves ter percebido que ali não há fronteiras à escrita, ao sentimento, à liberdade de expressão. Não há horas marcadas, porque no Mar as coisas acontecem quando têm de acontecer.
segunda-feira, 22 de agosto de 2005
Ok, já perceberam, ando numa de SG Gigante...
As certezas do meu mais brilhante amor
sexta-feira, 19 de agosto de 2005
A que te sabe o Azul?
Sabe-te a descoberta, a novos horizontes, a aventura e paz num só bolo?
A mim, sabe-me a Bolo, bolo doce!
E a ti? Sabe-te a um sabor doce ou apimentado?
pronto! u know who u r
Numa estrada, alguns metros antes da curva, dois frades seguravam um cartaz que dizia:
O Fim Está Próximo! Arrepende-te e Volta Para Trás!
Passou um automobilista e mostraram-lhe o cartaz. O condutor do automóvel deu uma gargalhada, mandou-os à merda e seguiu em frente. No momento seguinte, ouviu-se um grande estrondo para lá da curva. E um dos frades disse para o outro
- E se puséssemos antes um cartaz a dizer: " Atenção! A ponte caiu! "
You know who you are...
Se estou sozinho, é num beco que me encontro
vou porta a porta perguntando a quem me viu
se ali morei, se eu era o mesmo, e em que ponto
o meu desejo fez as malas e partiu
o meu desejo fez as malas e fugiu
Que força é essa, amigo
Que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Não me digas que não me compreendes
Quando os dias se tornam azedos
Não me digas que nunca sentiste
Uma força a crescer-te nos dedos
E uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes
Acenda-se a tua
luz na minha rua
Pisemos a pista
é bom que se insista
Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dançar como amigo só
Guerreiros são só pontos no horizonte
a monte a monte
anda o guerreiro sem parar
a paz foi tudo o que ele foi buscar
guerra e paz a par e passo
irmãs são
guerra e paz a par e passo
vão
E de meandro em meandro
vou-me circunnavegando
sob as estrelas buscando
o outro lado da busca
Assim eu amar soubera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz
diversos sg
quinta-feira, 18 de agosto de 2005
Eu esforço-me
Vês a vida com que cores?
Eu vejo-a pousada numa nuvem azul e sonho nela através de uma lente pink e amarela.
Idade é sinónimo de conhecimento
Animado pelo anúncio da recandidatura de Mário Soares à Presidência da República, o nosso querido Eusébio já confirmou o seu regresso à Selecção.
Por seu turno, António Calvário começou a ensaiar o tema que vai levar ao Festival da Eurovisão de 2006.
No caso de Rosa Mota, a atleta portuense reconheceu não ter tempo para se preparar devidamente para os Jogos Olímpicos a disputar na Alemanha em 2008, pelo que resolveu adiar o seu regresso para os Jogos de Paris, em 2012, nos quais participará como maratonista.
La flaca
Analogia OEM
Sou mais ou menos como um Sistema Operativo OEM, não morro e nasço com a máquina, mas morro e nasço com cada post. Não estou agarrada ao equipamento, porque existo para lá do corpo mas também não tenho direito a suporte técnico...
quarta-feira, 17 de agosto de 2005
Mais difícil?!
Eu é que não entendo a dificuldade, nem sequer a tentativa de tentar entender seja o que for nas minhas palavras. Eu escrevo e pronto. Não há mais nada a saber. Ou a dizer. Ou a ver. Ou a adivinhar. Sou eu e pronto, escrevo e pronto.
Escrevo... para ti, para mim, para todos ou para ninguém, é indiferente. Escrevo o que me chega aos dedos e, às vezes, nem sei porquê. Verdade, mentira, sonho, realidade?! Cada post é uma eu em si. Nasce e morre ali. Nasço e morro ali. Uma eu de cada vez e em cada ali.
Não é difícil entender o que eu escrevo, é, talvez, difícil adivinhar o meu entendimento sobre o que escrevi. Para ti, que estás desse lado, escrevo o que quiseres ler. Para mim, que fico deste, escrevo o que acontece. E depois... depois é passado e não se pensa mais nisso. Quanto muito, releio, com mais ou menos nostalgia.
Não vale a pena tentar adivinhar o que se esconde por detrás da minha palavra escrita. Por detrás dela esconde-se ainda alguém que se esconde em si e nem a si se confessa.
Tanta coisa azul...
a vida são cores?
cada cor uma sensação?
uma memória?
um cheiro?
Quem foi que esteve na Cornualha???
terça-feira, 16 de agosto de 2005
Faixa de Gaza e outras coisas que não entendo
O Holocausto deu-se aqui na Europa, certo? Teve repercussões em praticamente todo o mundo, mas os Judeus foram expulsos, renegados, empurrados, encaixotados aqui dentro. Porque hão-de ser os Árabes a pagar por isso? Porque hão-de ser eles a dar o seu espaço, a sua terra? Não foram eles também expulsos da terra onde viviam? Que eu saiba, não havia um metro quadrado agarrado por Israel onde não vivesse um Árabe ou dois, ou estou enganada? Para onde foram empurrados esses, então? Também para longe das suas raízes... porque não hão-de regressar? Eu não gosto mais de Árabes nem mais de Judeus. Eu não gosto de nada nem de ninguém que seja uma coisa só.
Compreendo que um jovem, como o que vi agora numa reportagem, de 20 anos, se sinta revoltado por uma situação que já existia antes dele. Deixar a terra onde nasceu e cresceu sem perspectivas de futuro, mas... friamente! Porque não arrasaram, naquela altura a Alemanha, por exemplo, e instalaram lá os Judeus?
Os Judeus sempre andaram espalhados pelo mundo. Não são um povo agarrado a um espaço físico. Enquanto divididos na esfera do terreno, viviam. Por aí! Viviam bem, são bons comerciantes, são empreendedores, davam vida a países de outros povos. Vieram uns loucos e encheram uns sacos cheios deles. Despejaram-nos, como tomate concentrado, em campos. E depois? Levaram-nos de limusine de volta para a casa de onde foram arrancados? Reconstruíram-lhes as paredes? Consertaram-lhes as janelas? Devolveram-lhes a dignidade, o direito à (re)integração na casa original?? Pois bem, acho que não. E a culpa foi de quem? De um louco? De um povo que seguiu esse louco? Arrasassem a Alemanha, a Itália, Espanha ou Portugal, não me interessa, e dessem uma terra (a quem nunca a teve e talvez não precisasse) se é esse o problema. São décadas, séculos de loucos.
A Bíblia? A Terra não é de Deus, é dos Homens que a habitam. E, que eu saiba, Deus também não escreveu a Bíblia, deixou que escrevessem.
Ai, até com o que vou perguntando e escrevendo me vou baralhando...
Sonho
Afinal, quem é que manda aqui?? :)))
Socorro!!
- Por favor, envie aqui alguém rápido, entrou um gato em minha casa!!!!
- Mas... como assim, um gato?!?!
- Sim, uma gato!!! Ele invadiu a minha casa e está a caminhar na minha direcção!!! Rápido!!
- Mas... um gato? Quer dizer um ladrão!
- Não, foda-se, um gato mesmo daqueles que fazem miau!
- Mas qual é o problema de entrar um gato em sua casa?
- Ele vai matar-e, puta que vos pariu! E vocês serão os responsáveis!
- Mas... quem está a falar??
- É o papagaio, porra!!
fosga@ésempreammcoisa.pt
pat@rotinas.pt
AUTÁRQUIAS????
segunda-feira, 15 de agosto de 2005
A Wanda Stuart é a mÁior!!!
Isto é lindo!! O som é do melhor, as tiradas fantásticas!!!! As motas, as gajas, os lambidos, os pimbas, os couros e chicotes... tudo de uma só vez em palco!
Não quero ser senhora, quero ser mulher! arghhhhhhh sua venenosa! não quero ser escrava, não quero ser mandada, quero fazer o que eu quiser...
e ainda...
"A melhor sobremesa é uma noite de amor" in CM 31.07.2005
- Nunca há perigo de perder a cor do cabelo na água quando vai à praia?
- Não, as tintas são de boa qualidade e o cabelo também. (20 pontos!!!)
- Quem gostava que lhe passasse bronzeador demoradamente?
- O meu companheiro, claro! (tem mesmo de ser "demoradamente"???)
- Qual a coisa mais pirosa que se pode levar para a praia?
- Um casaco de peles. (não será mais piroso levar o "companheiro"???)
Os fãs são o melhor do mundo...
"Ana Paula
Muitas felicidades de uma mulher que se assemelha muito a si Wanda. Também já experimentei " todas as cores do arco-iris "; já fiz teatro; já tive a minha Eva ( que também é Eva ) e só me falta mesmo o canto... quem sabe um dia..." (o canto, caneco?!? então e a voz??)
* ok, confesso... diverti-me e invejei! Seria capaz de me aguentar ali em cima assim de barrigão?!?! a Wanda é mesmo a mÁior!!!
Pelas Felgueiras, as de terra e as de carne
Peço apenas dois minutos de atenção
É pra contar a história de um amigo
Casimiro Baltazar da Conceição
O Casimiro, talvez você não conheça
a aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
mas lá no burgo, por incrível que pareça
era, mais famoso que no Vaticano o Papa
O Casimiro era assim como um vidente
tinha um olho mesmo no meio da testa
isto pra lá dos outros dois é evidente
por isso façamos que ia dormir a sesta
Ficava de olho aberto
via as coisas de perto
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal
e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Lá na aldeia havia um homem que mandava
toda a gente, um por um, por-se na bicha
e votar nele e se votassem lá lhes dava
um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha
E prometeu que construía um hospital
Uma escola e prédios de habitação
e uma capela maior que uma catedral
pelo menos a julgar pela descrição
Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
tinha as orelhas equipadas com radar
ouvia o tipo muito sério e comedido
mas lá por dentro com o rabinho a dar, a dar
E... punha o ouvido atento
via as coisas por dentro
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal
e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
Ora o tal tipo que morava lá na aldeia
estava doido, já se vê, com o Casimiro
de cada vez que sorria à plateia
lá se lhe viam os dentes de vampiro
De forma que pra comprar o Casimiro
em vez do insulto, do boicote, da ameaça
disse-lhe: Sabe que no fundo o admiro
Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça
Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
tinha um nariz que parecia um elefante
sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
ser honesto não é só ser bem falante
A moral deste conto
vou resumi-la e pronto
cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
sempre cuidado pra não se deixar levar.
Cuidado com as imitações (Casimiro)
Letra e música: Sérgio Godinho
In: "Campolide", 1979
porquê azul?
porque sim e porque não.
porque não é preciso existir um porquê para tudo
e, muito menos, um porquê de nada.
sábado, 13 de agosto de 2005
'tá quente, 'tá muito quente...
quarta-feira, 10 de agosto de 2005
1 fotograma, várias exposições
Ou um ano de vida revisto em instantes.
- 10 de Agosto de 1971, 11h15m, tirada a ferros que a vida era bem mais doce lá dentro. Sexo feminino, 3075gr, 48 centímetros. Hospital da Cruz Vermelha, Lisboa
- Horário das mamadas:
+ 7h, 10h30, 14h, 17h30, 21h, 24h30. Seguido com dificuldade que já à nascença gostava pouco de alimentação...
+ Água fervida no intervalo das mamadas (era para me desinfectarem, ou quê?!).
- Pesos:
+ 11.08: 2870gr
+ 12.08: 2900gr
+ 13.08: 3000gr
+ 14.08: 3060gr
- 10.08.2005
Querida Tia Pat,
Aqui vão duas fotografias minhas: uma só eu e outra com o meu pai a dar-me de comer na maternidade. Desejo-te um super dia de anos e um grande beijinho, Xi-(L) B.
P.S: Obrigada pelas letras do Rui Veloso. A minha Mãe já pode cantar tudo!
Postal com direito a visita relâmpago incluída, à B. Princesa. Esbracejou, chorou baixinho e esticou-se para a Tia. O mais simples, mas o mais bonito presente de todos.
- Actividades e comemorações:
+ O mundo cada vez é mais acelerado: ainda não tinham 2 horas, e já os 34 anos tinham perdido a virgindade... A Serra de Sintra tem pinheiros e rochas lindas, é o que consta... Mas verdade se diga, ali só vi estrelas... Há quem jure a pé juntos que a noite estava encoberta, mas eu tenho a certeza que as vi... ai tenho, tenho!! ;) Essa perdida ficou numa clareira onde a única coisa que se ouvia era a pouca luz da Lua e o arfar de dois mamíferos....
+ Primeiro SMS, quase o dia ainda não era dia... do LM de quem eu sou o LG :P ri-te, ri-te...
+ O primeiro telefonema foi o mesmo de sempre, a minha querida T. Obrigada amiga!
+ O primeiro presente, o colar de pérolas da Avó L. Testemunho passado pelo Pai-filho à filha-neta.
+ Um dia de Adraga em família, Mãe, Pai e o meu R. Calor, mergulhos e mais mergulhos!!
+ A primeira declaração de amor, do Peter Pan à Sininho. Mas esta fica só para mim...
+ Por último, mas sempre em primeiro, o meu R. está em casa desta Mãe a passar uns dias. Cada vez é mais importante e mais forte este sentido de família alargada. Meu Amor da Mãe. E neto da Tia N.
terça-feira, 9 de agosto de 2005
sábado, 6 de agosto de 2005
PSL ou psl
Já tinha sido surpreendida pela entrevista dada à Visão, acho que na semana passada, do nosso eterno "não volto mais, mas aguardem-me que já volto", Pedro Santana Lopes. Entre outras alarvidades, fiquei boquiaberta com a facilidade com que um ex-de-tudo-um-pouco do País, pode vir contar a público as peripécias vividas num Hospital em Espanha onde, com o seu camarada, iam à procura das namoradas Lolita e Pilar (Mari carmen, talvez...). Nem nos Maias do nosso Eça, as coisas se faziam tão a céu descoberto... enfiavam-se lá para Sintra e deleitavam-se em delírios com tortilla fresca. Lá, longe dos olhares que viam tudo na mesma.
Foi um bocadinho neste contexto que me chamou a atenção um outro artigo sobre o nosso amigo, não me lembro qual era a revista, mas ditava qualquer coisa como "O nosso ex-Primeiro Ministro vai a banhos no Algarve, na casa vizinha aos seus amigos JL e MRN. J não larga os seus filhos nem o amigo (juro que estava em itálico!!) PSL com quem se passeia mostrando total indiferença relativamente aos rumores que circulam sobre a sua relação".
Sou só eu que não acho isto normal? Que se fale em "sociedade", em "(des)amigável" cusquice, nesses bares da moda da suposta paternidade da criança é uma coisa, agora que deixem publicar num revista que, pelos vistos, até chega para lá da metrópole...
Senhores, desculpem lá o desabafo, a má língua ou pouco jeito, mas, como diz ou outro "habituem-se", é que quem não se habitua a estas coisas sou eu! Que vergonha...
O mar é azul, e ele canta o Mar aqui...
E nos teus olhos inundados do mar
eu naveguei contra minha vontade
mas deixa lá, que este barco a viajar
há-de chegar à gare da sua cidade
e ao desembarque a terra será mais firme
há quem afirme
há quem assegure
que é depois da vida
que a gente encontra a paz prometida
por mim marquei-lhe encontro na vida
marquei-lhe encontro ao fim da tempestade
Da tempestade, o que se teve em comum
é aquilo que nos separa depois
e os barcos passam a ser um e um
onde uma vez quiseram quase ser dois
e a tempestade deixa o mar encrespado
por isso cuidado
mesmo muito cuidado
que é fragil o pano
que veste as velas do desengano
que nos empurra em novo oceano
frágil e resistente ao mesmo tempo...
Sérgio Godinho 1979 Mudemos de Assunto
(8)
que veste as velas do desengano...
Como gosto quando pões a tua voz nas palavras dele.
JPalma in Irmão do Meio, Sérgio Godinho 2003
nesta noite quente
Há vinte anos que percorres os meus caminhos, mas nem ao fim desses vinte anos sei onde eles te levam.
os primeiros dias
Lavo o sal, esfrego as escamas, revejo os arranhões, as nódoas negras e sei, sei que, se sobrevivi ao regresso, se voltei, foi apenas na certeza de me reencontrar para voltar. Lá. Onde o mar se faz mais ao Mar.
sexta-feira, 5 de agosto de 2005
Aconteceu na Berlenga
Disse-te, olhando o Sol que adormecia, gostava de um dia ver o Raio Verde. Respondeste com graça e eu gostava de conhecer a influência dos raios Gama no comportamento das Margaridas... Rimos. Ainda te lembras desses tempos?
A Quebrada, lá em baixo, batida pela onda forte de um Mar em fúria, chamava ao voo picado, à vertigem, ao voo rumo ao nada feito tudo. A fúria desse Mar quebrado na Quebrada em onda forte, enciumava-se da tua mão tisnada penetrando o meu corpo. Lá, onde ele é mais quente, mais salgado, mais revolto. Onde ele é mais corpo.
Qualquer momento é potencialmente o momento. Lambeste as escamas em mim, deixadas por estes dias de maresia. A tua mão, a tua mão tisnada, penetrou fundo no meu corpo, ainda mais fundo, como quem penetra uma Alma. A minha? A tua? Chorei de prazer, o sal das minhas lágrimas lavou o sal da tua pele morena, pele curtida de homem rude, que todo o dia ao mar em fúria se faz, só para voltar mais moreno, mais rude e mais salgado. Falaste comigo como falas com o Safio, aquele que à tua linha vem enfeitiçado. E assim nos fisgaste no teu anzol.
Histórias são histórias. Nada mais. Nelas se misturam ciência e feitiçaria, realidade ou fantasia. Mas o que conta, no fim, o que conta são estas palavras que te canto daqui de terra. A plataforma, aquela junto ao mar, onde o meu corpo foi teu e o teu meu, é rosa, rude, agreste e milenar. Lá estava, lá ficou e lá estará se assim o quisermos, num outro estio, num outro tempo.
primeira noite em terra...
"as férias todas? a minha alma fica lá o ano todo, sobrevive apenas para regressar sempre, ano após ano, vida após vida, recomeço após recomeço, lá, onde dizem "nada há para ver". aqui, lá, não se fala em ver. aqui, lá, fala-se em sentir, cheirar. sentir-te, cheirar-te, salgar-te e provar-te. afundar mar adentro."
azul infinito finito azul amor e ódio azul ou medo
Balizar o que não tem forma.
Não podemos fugir ao Azul
Que a tudo se prende e de tudo se derrama.
Pela tua mão me levaste Mar adentro;
No Azul me banhaste com as tuas Mãos tisnadas
Por esse Sol que toca lá o Horizonte de Mar Azul.
Balizá-lo
É um tentar prender a Luz num só Abraço.
Abraço, abraço, abraço mas nunca prendo.
Nem a Luz, nem Cor que é Azul e Infindo.
Infinito, ali só, onde, já te disse, o Sol toca o Azul daquele Mar.
Onde na Pedra Rosa e Milenar me levaste ao Sabor, ao nunca Saber, de Infinito.
Onde a tua Mão entrou no que de mim é mais Azul.
A Alma! O Sal! A Escama de Azul prateada...
Sempre o Azul por nós adentro.











