quarta-feira, 26 de junho de 2013

o sono

um dia, sem que ela o houvesse alguma vez imaginado, perdeu a paz do seu sono e conheceu a angústia dos que não dormem fechados nos seus próprios pesadelos.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Perdi os Meus Fantásticos Castelos

Perdi meus fantásticos castelos
 Como névoa distante que se esfuma...
 Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
 Quebrei as minhas lanças uma a uma!

 Perdi minhas galeras entre os gelos
 Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

 Perdi a minha taça, o meu anel,
 A minha cota de aço, o meu corcel,
 Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

 Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
 Sobre o meu coração pesam montanhas...
 Olho assombrada as minhas mãos vazias...

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

e o rio secou

já não tenho lágrimas, só um vazio que rasga, parte e dói. o rio secou.

Adeus

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus

Eugénio de Andrade

sábado, 8 de junho de 2013

sábado, 1 de junho de 2013

às vezes apetece deixar a vida passar, não ver, não fazer, não acontecer, não sentir, não viver

a dúvida

já não sei se tenho sono se vontade de desistir