quarta-feira, 30 de novembro de 2005

problema vs. resolução

ah!

e o azul não é blue(s) na minha vida...

lilás?!?! roxo?!?!

ó deuses, que cores horríveis...

-- Por que é que os teus posts têm datas futuras? --

p.s. Por que é que os teus posts têm datas futuras?
By Pecola, at 09:30

Porque há coisas
que devem perdurar
muito para além do tempo!

Riqueza humana


Só quem é pobre é que procede com tanta generosidade. Que pena o HOMEM não ser sempre assim.

Livro de Receitas para crianças

ESTÁ TUDO ÓPTIMO

Venho falar-vos de um livro de receitas para crianças, que acabou de ser editado através da editora Sopa de Letras, pela Acreditar – Associação de Pais e Amigos das Crianças com Cancro.

Está à venda directamente na Acreditar (R. Prof.Lima Basto nº 73 em frente ao IPO) ou nas livrarias desde o dia 21 de Novembro. Não deixem de o comprar para oferecer aos vossos filhos, sobrinhos, afilhados, primos, e amigos.... e ao mesmo tempo ajudarem uma boa causa.

Se puderem, divulguem a familiares e amigos esta e outras
publicações.

Nota final de um dos participantes, o Pedro: Foi um desafio, um privilégio e um prazer participar neste projecto desde o inicio. Agora é a vossa vez de ajudar as crianças que precisam da
ACREDITAR ou de Acreditar num futuro, no futuro que não consegui dar à minha filha.

- "está tudo óptimo" respondia frequentemente a minha filha Joana quando lhe telefonavam
- "está tudo óptimo" é uma historia inventada sobre a Joana e a Madalena no mundo da culinária.
- "está tudo óptimo" é uma pequena homenagem a todas as Joanas e Madalenas que já não estão fisicamente no nosso dia-a-dia.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

-- e o oposto, o amarelo, o que é para ti? --

O Amarelo?!? Deveria ser a cor da esperança, a cor do SOL que me guia durante o dia e que me dá vontade de viver até ao dia seguinte, quando ele volta. Mas é, também, a cor do SOL que não brilha nos dias tristes e cinzentos do Inverno... e cinza é mole, já eu o disse... então o Amarelo é o quê? Não sei, mas sei que dele não me cubro em panos, só em luz e calor.

Confuso?! Não reli...

10 anos Coro Scherzo

O Coro Scherzo comemora 10 anos de existência!!

Vai realizar-se um concerto no CCB, no espaço das 7 às 9 no dia 28 de Novembro, 2ª feira.

A ideia é partilhar os momentos mais divertidos vividos ao longo destes anos, por isso vai haver um pouco de tudo, desde poesia a sapateado, passando por Brahms ou desgarradas e umas surpresas mais....

SOFIA NORTON direcção

Se V/ apetecer ir, promete-se um fim de tarde divertido!

-- o azul é um exercício na vida --

O Azul é um exercício de vida, porque é a minha Vida em exercício. A cada dia que passa mais encontro elementos Azuis na minha vida. O Mar, o Céu, a t-shirt preferida, os olhos da grande amiga, a parede do meu quarto, a fita de trazer ao pescoço com o cartão da MS... o fundo do meu desktop, o fundo dos meus telemóveis... que mais?! Mais milhares de coisas com certeza... Porque olho para, ou escolho o, Azul antes de qualquer outra cor? Não sei...

Perguntem que mais e eu responderei...

domingo, 27 de novembro de 2005

Fêtes galants

Contre um baiser sur l'extrême phalange
Du petit doigt, et comme la chose est

L'immensément excessive et farouche,
On est puni par un regard très sec,

Lequel contraste, au demaurent, avec
lamoue assez clémente de la bouche.

Paul Verlaine
Les Poèmes Saturniens

Cartas dos candidatos a PR ao Pai Natal V

Camarada!

Tu que és explorado pela entidade patronal durante a época do Natal, usado como símbolo do capitalismo para fomentar o consumismo desenfreado, descontrolado, que enriquece a burguesia e empobrece o proletariado:

Junta-te a nós no combate contra a guerra no Iraque!
Oferece Che Guevara's não ofereças Action Man's!
Luta pela igualdade feminina, não dês Barbies mas Matrioshkas!
Educa as crianças de hoje, Comunistas d'amanhã!
Substitui o Harry Potter pelo livro "O Capital"!

Camarada! Reivindica o teu direito a um transporte decente. Pára o trenó que não é veículo de gente operária e trabalhadora como tu, oh Pai Natal! Unidos venceremos o imperialismo e os reaccionários.

Viva o Natal dos oprimidos!
Viva o Natal dos operários!

Assinado pelo candidato: Jerónimo de Sousa
Carta aprovada por unanimidade e braço no ar pelo Comité Central do PCP



originalmente aqui.

sábado, 26 de novembro de 2005

Cartas dos candidatos a PR ao Pai Natal IV

Excelentíssimo Senhor Doutor Pai Natal,

Venho por esta via pedir para a minha Maria o Kama Sutra, versão condensada. Não sei se a minha Maria teria, para a versão completa e ilustrada, suficiente pedalada.

Eu para mim, por ora nada peço e de momento nada digo. Não abdico do meu direito de manter o suspense e de fazer um tabu do meu posterior pedido. Mas... e só isto adianto, não preciso de Viagra para acompanhar a minha Maria na leitura do acima citado livro, que teso e hirto ando eu sempre, não precisando por isso de muleta ou qualquer outro suplemento para manter a rigidez e o meu porte sobranceiro.

Despeço-me atentamente economizando palavras, porque como vossa Excelência sabe, os tempos são de crise e tempo é dinheiro.

Assina o Professor Doutor: Cavaco Silva

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Cartas dos candidatos a PR ao Pai Natal III

Isto não é uma carta! É um manifesto.
Um protesto. Uma petição,
Assinada por dezenas de intelectuais
E outras pessoas que jamais
Se reviram numa festa
Bacanal

Orgia de oferendas
Dadas sem qualquer critério
E que perpetuam uma tradição
Caduca.
Reaccionária. Clerical.

Que tu representas oh Pai do Natal!

Com esta petição pretendemos
Que a data seja referendada
Não imposta, decretada
Por um estado economicista e liberal

E que seja celebrada quando um homem quiser
Não à roda da mesa. Consoada.
Mas num portuguesíssimo arraial.

Assina: Francisco Louçã

Uma declaração, de mim para o [tu] que anda por aí...

Aqui.

Aquecimento Global


a incontornável prova do aquecimento global da Terra

Agradecimento

Venho por este meio agradecer aos pais do Ahmad el-Khatib terem doado os orgãos dele aos meus filhos. E estou-me completamente nas tintas se o seu gesto esconde outros interesses. [Este agradecimento vai ficar aqui por tempo ainda indefinido]

O que eu lamento verdadeiramente é isto: (...) ao chegarem ao local os militares verificaram que se tratava de uma criança e que nas mãos tinha apenas uma arma de plástico, um dos brinquedos favoritos das crianças palestinianas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Cartas dos candidatos a PR ao Pai Natal II

Pai Natal,

Quando voares nos céus da minha Pátria
Quando aterrares as renas nas planícies do meu País
Lembra-te desta carta, pedido singelo
De um homem que só para a Pátria pede
Para si. Nada quis.

Se o nevoeiro que levou D. Sebastião
Te fizer perder o rumo e baralhar o norte
Segue o cheiro a verde pinho
Ouve a minha trova no vento que passa
E chegarás às chaminés do meu país
Pátria desafortunada. Sem euros. Má sorte.

Numa das chaminés de Lisboa
Sentirás o odor e verás o fumo negro da traição
Que o teu trenó sobre ela paire
Que sobre a chaminé de Soares a tua rena páre
E solte bosta. Um imponente cagalhão.

Assinado: Manuel Alegre

Euromilhões

Uma mulher entra em casa a correr e grita para o marido:
- Osvaldo, arruma as tuas coisas. Acabei de ganhar o Euromilhões!!!!
- Achas que eu leve roupas para frio ou calor?
- Leva tudo, porque te vais embora!!!

Uma questão de vontade e empenho

Ultimamente não tenho dado muita atenção às crónicas do Nuno Rogeiro. Apenas porque as questões que lhe são colocadas e as respostas não me inetressam nem um pouco. Não que não sejam sobre uma matéria importante, as presidenciais, mas porque a campanha é de uma falta de interesse indescritível.

Mas hoje ele disse uma coisa que me deixou de banda. A propósito da prestação das chamadas grandes equipas do futebol português, e do que o Benfica e o Porto têm estado a demonstrar nas competições europeias. Virou a pergunta ao contrário e fez um comentário do mais inteligente possível. Dizia ele, se olharmos para um pequeno clube como o Vitória de Setúbal e para as suas prestações nesta época, não será de nos questionarmos como é que uma equipa com salários em atraso e inúmeros problemas mostra trabalho e nós, povo português, não somos capazes de fazer o mesmo pelo nosso País. Sendo o povo português um aficcionado incontestável das problemáticas do futebol, não seria tempo de aprendermos alguma coisa de realmente importante através do uso e abuso dessa paixão futebolística?

Pensei logo naquela crónica do Eduardo Prado Coelho que correu todas as caixas de correio electrónico da rede portuguesa. O mal está em nós, pequeno povo ou povo de grande pequenez.

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Cartas dos candidatos a PR ao Pai Natal I

Pai Natal,

Acordei agora da sesta. Tive um sonho original...

Conversei com a Maria e achamos que não é sonho mas uma ideia genial! Já fui Ministro, Primeiro-Ministro e duas vezes Presidente deste País. Está na hora de mudar de ares, aceitar novos desafios, levar mais longe o nome de Portugal. Ou o meu nome. Como sempre quis.

Como tu, tenho já uma certa idade e no ventre a mesma proeminência. Decidi que para o ano quero ser o Pai Natal. Portanto... Olha, pá, faz as malas. Desocupa a Lapónia. Vou ser eu o Pai Natal. Tem lá paciência.

Assinado: Mário Soares (Ex-deputado. Ex-Primeiro Ministro. Ex-Presidente da República. Ex-Deputado Europeu. Futuro Pai Natal)

SMS, MMS e MSS

As novas tecnologias são uma coisa fantástica. Primeiro entrou o SMS na minha vida, depois veio o MMS, agora descobri o MSS e estou a gostar.

Descobri o MSS usando o teu corpo e dando o meu, não por telepatia, como dizia a música, mas pelo calo no dedo de tanto escrever no telemóvel mensagens para nós.

Não há nada como o teu corpo no meu, mas imaginá-lo lá... é diferente. Quase sinto a tua pele, quase te cheiro a aviões de distância, vejo-te e venho-me. Claro que quero que voltes, mas não quero deixar de fazer isto.

nota de rodapé:
SMS: Small Message Service
MMS: Multimedia Message Service
MSS: Mobile Sex Service - é um serviço disponibilizado por qualquer operador e que nos permite acender e ser aceso sem limites geográficos por telemóvel.

A morte boa ou a boa da morte

É incrível como a morte pode ser uma coisa tão boa.

Tenho a imagem, guardada em mim, de uma mão estendida ao vento deixando escoar entre os dedos as cinzas de um Pai. É uma imagem de uma tal grandiosidade, de paz, de liberdade, de descanso.

A morte é dor. Mas a morte também pode ser um caminho tão amplo para a Paz. Boa para quem vai e boa para quem fica, sinceramente. Na doença, a morte é um alívio enorme para quem sofre de ver sofrer. Aquela espera sem termo certo... dentro da dor inerente à partida física de alguém, existe um espaço para a saudade, para a recordação e um enorme espaço onde vagueiam alívio e descanso.

Eu quero ser cremada e lançada na Bóia de espera. Não sei se por ela ficar no meio do Mar, se por ser preta, se por ser de espera. Mas é lá que eu quero que me soltem.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

A importância da fotografia no CV

Crido Cenhor,

Quero candidaterme pro logar de cequetária que bi no jurnal. Eu Teclo msmo muinto de pressa con um deido e fasso contas de sumar. Tamem axo que sou baoa ao tefone e pareçe que o pobo me a ceita bem. Tou á procura de um Trabalho de cequetária, mas que num seija muinto cumplicado. Eu cei que a minha escrita num é baoa, mas axo que posso conceguir 1 trabalho ao travéz da minha pesonalidade.


O meu selário tá averto pra discurção pra que possa ver o que me quer pagar e pro queu meresso, Pósso cumessar imediatamente. Agradesso em abanso pra sua reposta .espero que esta seija a melhor candidatoura até.

Cinceramente,
Catia Vanessa Estrela

PS : Proque o meu currico é muinto piqueno, abaicho tem 1 fotogafia minha no meu utimo tabalho.


Resposta do Empregador: aqui!

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Uma questão de pernas

Se o porco só tem 4 pernas… já pensaste de onde vem o Fiambre da Perna Extra?

domingo, 20 de novembro de 2005

Resposta do empregador...

Querida Cátia Vanessa,
Não tem mal amor, nós temos correcção automática. A menina começa amanhã.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

tudo ou nada

estou farta de ser nada e de ter culpa de tudo. estou farta de não ter nada e de pagar por tudo. estou farta do nada feito tudo.

mole e mole e mole e mole

cinza é MOLE!! e eu não sou mole para postar, o azul é um exercício na vida, eu escrevo lá na Onda. e cinza é mole e mole e mole e mole e mole...

domingo, 13 de novembro de 2005

cinza mole...

mole é tudo aquilo que não é nem deixa de ser... cinza mole, nem é preto e escuro, nem branco e luminoso... é mole, pois... mole.

o único mole que eu conheço que não é mole, é o guaca, guacamole, tem cor, sabor e presença! e nem sequer é azul...

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

se eu fosse gajo...

Se eu fosse gajo, agora diria que nem tempo tinha para coçar os tomates, quanto mais para os esfregar com prazer e vigor! Mas como sou só gaja, digo simplesmente ainda bem que chegou o dia de ter um dia só para mim... vou agora embebedar-me de lembranças (tuas também) e tentar dormir 17 horas seguidas, com direito a pijama quentinho, meias até ao joelho e máscara de argila na carinha laroca... ui ui ui, valeu a pena trabalhar até agora! Às 22:00 soam as badaladas mágicas, muito para lá das 12 que eu sou exigente!

ah! e já agora, eu não gosto que me deixem beijos, pah! nos comentários, I mean...

Por sugestão do feiticeiro*

* um dia destes ele vai atirar-me com algum objecto pesado à cabeça, à conta de lhe chamar feiticeiro... mas o que é que eu hei-de chamar a alguém que me lê os pensamentos quando eu vou sozinha no carro a ouvir música???

  • 5 coisas que me tiram do sério...
    1.
    2.
    3.
    4.
    5.
  • Gosto especialmente de 5...
    1.
    2.
    3.
    4.
    5.
  • 5 álbuns...
    1.
    2.
    3.
    4.
    5.
  • 5 canções...
    1.
    2.
    3.
    4.
    5.
  • 5 pessoas a quem passo a palavra...
    1.
    2.
    3.
    4.
    5.

Eu passo a explicar, eu já respondi tantas vezes a esta chain que começo a contradizer-me cada vez mais. Em branco ficam em aberto as minha múltiplas 5 escolhas a cada dia que passa. Em branco fica também em aberto o passo a palavra que eu acho, sinceramente, a esta altura do campeonato já não interessa a ninguém...

olhos nos olhos

Há olhos que nem nas paredes esbarram. Nem os quilómetros os cegam. Os teus estão nos meus e os teus esta manhã olharam para o meu armário e escolheram a minha roupa.

A cor falhou um tom, mas sabendo o que sei dos teus olhos, estiveram muito bem... ;)

Sol e chuva

Hoje está um daqueles dias de SOL, dos que me enchem por dentro e me pintam por fora! O SOL aquece a alma que a chuva lava...

Vem, Chuva, Vem
Molhar os meus sentidos
Ressentidos da poluição

Vem, Chuva, Vem
Leva-me do peito a saudade
E a solidão

Vem, Chuva, Vem

Lavar os meus cabelos
E os dedos amarelos do fumo

Vem, Chuva, Vem
Encher a maré
Dar movimento a este barco sem rumo
Haja o que houver

A chuva não há-de acabar
E seja lá como for
Este velho Mundo continua a girar

Espaços sem fim
Mudanças na palma da mão
Para alguns é fácil voar, é
Outros, por mais que tentem, nunca saem do chão

de quem será??

A Cassiopeia do meu Pai - a científica

A constelação de Cassiopeia é uma das mais fáceis de identificar nos céus pois as suas estrelas mais brilhantes formam um W muito difícil de ignorar. Encontra-se muito próxima do Polo Norte Celeste numa posição diametralmente oposta à da Ursa Maior. À medida que a noite vai decorrendo é notória a rotação do W (e do resto do firmamento) em torno da estrela polar.

Schedar (alfa-Cas) é a estrela mais brilhante da constelação. É uma estrela de cor avermelhada cuja magnitude aparente varia entre os 2.2 e 2.8. Com um bom equipamento é possível distinguir a presença de uma segunda estrela azul de magnitude aparente 9.0. Este é um binário óptico (as duas estrelas apenas estão na mesma direcção mas não têm qualquer relação entre si).

Curiosidade: Camões faz referência a Cassiopeia. Não é só no Canto X, com a descrição da vários orbes, que Camões revela o seu domínio da astronomia, Os Lusíadas estão salpicados de referências, entre elas Cassiopeia a fermosura (X, 88).

Cassiopeia na Blogosfera

Cassiopeia na Blogosfera
Cassiopeia, 30, female, Gemini, Rabbit, Lisboa - Portugal

[é tudo o que sei dela e gosto tanto nem sei bem porquê. não sei dizer se são as suas palavras ou as suas ideias, talvez a cor do seu espaço, preto no branco, como o céu escuro da noite. talvez o facto da cassiopeia ter sido a primeira constelação que o meu pai me ensinou]

define lá isso em...

decibéis, para começar bem!

Estava a passear por aí e achei piada aos interesses do Dumb:

Interests
Ouvir boa musica ver bom futebol beber boa cerveja conversar com boas pessoas passear por boas cidades...

É tudo bom/boa, mas o que é que é realmente ser bom/boa em... em decibéis, por exemplo! Vê lá se és feiticeiro* o suficiente para me responder a esta! :)

* acreditem que este gajo lê pensamentos!

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

esses teus olhos

Ao contrário dos do Louçã, os teus olhos estão nos meus, mas não há nada que eu consiga ler neles para além da inquietação. Do sono, às vezes, também. Da paz, às vezes, também. Mas os teus olhos escondem angústias que não conheço e que eles não me querem contar.

assim, como nós sabemos

É bom ter alguém que me faça sorrir. E me faça sono. E esteja lá sempre que pode. E que arranje tempo e espaço para mim dentro do tempo e espaço que não são meus.

É bom ter-te a ti, mesmo assim, para mim, nunca duvides disso!

e vai mais um!

Acabei de ver o segundo cartaz cómico. É do Louçã e diz assim "Olhos nos olhos". Está giro...

Eu vou distorcer a coisa toda, mas o gajo está de óculos, como é que vai pôr os olhos nos meus? Ainda se fosse "Lentes nos olhos, lentes nas lentes", mas assim deu-me vontade de rir! Posso, ou não? Não são óculos escuros, mas são óculos, um vidro. E um vidro é sempre um vidro, deixa ver mas não deixa tocar, sentir, chegar. O vidro é uma barreira, até porque deixando ver não deixa de ter reflexos e os reflexos são isso mesmo, reflexos de alguma coisa. São as sombras na parede do fundo da caverna. Os olhos por trás das lentes brilham por trás das lentes e o olhar através das lentes é um olhar graduado.

Isto vai ter a sua piada, não sei quando é que começou a campanha, nem faço a mínima ideia de quando são as eleições [não, não faço tensões de ir votar, não preciso de saber], não sei em que ano são, quanto mais em que mês ou dia, mas pelo andar da carruagem vou divertir-me à brava com os cartazes! E venham eles, que me faz falta o riso fácil.

Conversas de xaxa 4

Conversas de xaxa 4
O "Conversas de xaxa 4" é um blogue democrático, que inclui todas as tendências políticas e religiosas, pelo que a opinião dos participantes é da sua exclusiva responsabilidade.


[aqui, não existe nada de errado]

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

unir os portugueses

Acabei de ver o cartaz mais engraçado das campanhas às presidenciais! É de Mário Soares e diz qualquer coisa como "porque sabe unir os portugueses" lol como é que uma pessoa que começou logo por dividir o seu próprio partido vai saber unir os portugueses. Tem piada, não tem? Só se o partido é feito de marcianos...

O gato na paisagem

O gato na paisagem
Miam aqui agua_quente e gato_escaldado

[eu sou água escaldada de gatos, não sei o que me passou pela cabeça ir gostar de um espaço com tal bicho]

terça-feira, 8 de novembro de 2005

1+1=1+1

acho engraçado quando as pessoas identificam um dos pontos de análise de sucesso da relação o factor "somos 1". eu não quero ser 1 com mais ninguém, eu quero ser sempre 1+1.

1+1=1+1 tem muito mais valor para mim. eu existo, tu existes e cada um de nós existe na relação. eu quero ser 1+1 porque não quero apagar-me nem quero que tu te apagues. quero que sejas sempre o teu 1 e que me queiras por ser o meu 1.

a diferença na fórmula está no sinal entre os dígitos que compõem a relação: 1+1 é relação, 1x1 é conflito, por alguma razão 1+1=2 e 1x1=1. porque no conflito há sempre um 1 que desaparece.

isto faz algum sentido? leio amanhã e repenso as palavras, não a ideia.

amor e paixão

Amor é gostar de alguém apesar de todos os seus defeitos. Paixão é gostar até dos defeitos. Amar alguém é muito mais difícil do que estar apaixonado, porque quando amamos temos de aprender a lidar com as coisas de que não gostamos, que não entendemos ou com que não nos identificamos no outro. Na Paixão basta fechar os olhos e seguir em qualquer direcção.

stressless

stressless
empty your soul of the trash


[se lhe tirarmos o trash, ainda fica alguma coisa?]

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

frieza ou o raio-que-o-parta

Desculpem lá a frieza ou o raio-que-o-parta, mas ainda bem que esta merda dos tumultos se está a passar lá pelos ditos países mais desenvolvidos. Melhor ainda ser em França, chauvinistas arrogantes do pior. Se fosse aqui ou na Grécia, ia aparecer como uma revolta num país de 3º mundo, passaria na CNN como um fait-divers a ocorrer na selva e não levaria a lado nenhum. Os fins nunca justificam os meios quando os meios são a destruição. E já pouca gente ali deve saber porque razão está a destruir vidas, uns esganados começaram e a coisa fez-se bola-de-neve. Mas se teve de acontecer, tal como os tsunamis e os terramotos, ao menos que aconteça onde seja levado a sério.

perder vs vencer

Para vencer também é preciso perder. Não basta saber perder, é preciso perder mesmo. A vida constrói-se de vitórias e derrotas, tal como os campeonatos desportivos. Derrotas são crescimentos, são caminhos no sentido da vitória final, a vitória do nós em nós.

Casa de Santo António - acção de recolha de fundos

A APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, recebeu o pedido de divulgação desta iniciativa, que se reproduz abaixo, e a que adere, solicitando a vossa atenção e colaboração. Eu recebi o pedido de divulgação a partir da APFN e, apesar de ser muito mais a favor das pequenas-grandes causas não patrocinadas por ninguém, estou aqui a dar-lhe seguimento.

Todos os esclarecimentos deverão ser solicitados directamente à Casa de Sto António:
Maria Nesbitt Gonçalves Furtado
Relações Públicas responsável pelo Dept. de Comunicação
Telefone: 21 395 52 41
Email: Cpasa.rp@mail.telepac.pt

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Exmos. Senhores(as),

A Casa de Santo António, Instituição Particular de Solidariedade Social que acolhe grávidas adolescentes e seus bebés, convida-Vos para uma venda de roupa de criança, acção que será aberta ao público e decorrerá entre os dias 11 e 12 (11h-19h) de Novembro, no Palácio da Independência (Largo São Domingos, nº11, ao lado do Teatro D. Maria) que gentilmente cedeu o espaço.

Este projecto, que tem o apoio de Cinha Jardim, tem como objectivo reunir fundos que permitam conseguir adquirir computadores e equipamentos para a sala de formação de forma a permitir que as jovens mães possam não só realizar trabalhos escolares mas também aprender a trabalhar com esta ferramenta que pode ser de grande ajuda quer escolar, quer para integrarem o mercado de trabalho.

Ao colaborarem neste projecto, estão a contribuir para um futuro mais promissor destas pequenas famílias para as quais a sociedade não teve o melhor lugar. Poderão ainda encontrar roupa e produtos de bebé aos melhores preços.

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Sobre a Casa de Santo António

Fundada em 1931, pelo Prof. Doutor D. Pedro da Cunha, ginecologista/obstetra da Maternidade Alfredo da Costa, a Casa de Santo António é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) financiada a cerca 50% pela Segurança Social.

Com o objectivo primordial de acolher jovens grávidas, oferecendo-lhe as condições de que necessitam, a Casa de Santo António, auxiliada por um grupo de técnicos, trabalha para alcançar a reinserção social das jovens mães. A Casa de Santo António acolhe actualmente cerca de 20 mães adolescentes e seus bebés. No entanto, desde constituição da Casa, em 1931, por esta instituição já passaram mais de 2500 jovens mães e seus filhos à procura de auxílio.

As jovens grávidas chegam à Casa de Santo António através dos Tribunais, Maternidades, Santa Casa da Misericórdia, Centros Regionais de Segurança Social e Centros de Saúde e Comissões de Protecção a Crianças e Jovens em risco. Os seus processos são desenvolvidos de forma contínua e são acompanhados de perto num trabalho conjunto entre os técnicos da Casa - psicólogas, assistentes sociais, monitoras. O tempo média de estadia na casa é de 3 anos, período durante o qual é efectuado um processo de reeducação e as mães são preparadas para uma reintegração na sociedade.

Agradecendo desde já a Vossa colaboração, certos de que nos ajudarão nesta difícil batalha,

Com os melhores cumprimentos,
Pela Direcção,
Maria Nesbitt Gonçalves Furtado
Relações Públicas responsável pelo Dept. de Comunicação

Amor de mãe

Descobri que não daria nunca a Vida pelos meus filhos.

Mataria por eles, deixaria de comer por eles, caminharia até que os pés se desfizessem em chagas, ergueria os braços mesmo depois de já os ter perdido. Mas morrer por eles... nunca. Já basta terem perdido a Mãe, nunca os faria passar pela perda da mãe. As Mães e as mães não devem morrer pelos filhos, devem viver para lá do impossível, devem viver muito para lá do humanamente imaginável. As mães e as Mães estão cá para viver por e para eles. Não estão cá para morrer por eles.

ventómetro vs anemómetro

Desculpe, isto aqui já é o Parque das Nações? Sabe dizer-me onde fica o Marómetro?

Tem a sua lógica, não tem? Então porque é que eu não posso dizer ventómetro?

balada de um estranho

Vais à janela e ao olhares para fora sentes que perdeste o teu centro, e de repente descobres que chegou a hora de olhares para dentro, porque há qualquer coisa que não bate certo, qualquer coisa que deixaste para trás em aberto, qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu e não podes deixar de sentir que o culpado és tu

será que o gajo também se sentia assim quando escreveu estas palavras?

Eu Penso Rápido

Eu Penso Rápido
... escrevo é bué da devagarinhos.

[a bem dizer, eu penso bué e escrevo rápido... tudo a ver, não?!]

missão cumprida

janela apagada
o que eu faço por ti... ;)

domingo, 6 de novembro de 2005

va de retro feiticeiro!

Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda ver que lindo presente
A aurora trouxe para te prendar
Uma coroa de brilhantes para iluminar
O teu cabelo revolto como o mar*

Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer

Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu?

Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Vem respirar o perfume
Das amendoeiras em flor
Salta da cama
Anda viver, meu amor

Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer


tu sabes de quem!


ps: eu detesto gatos, se fosses um feiticeiro de verdade terias escolhido outro verso, aquele[*], em que eu estava a pensar...

primeiro...

Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé - o meu - sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.

É a onda do ombro que se instala
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.

O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.

A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?

De quem é esta briga? Não me lembro.

Rosa Lobato Faria

eu e ela, o mar

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do [eu] antigo,
Chamando por [ti] numa saudade!

Florbela Espanca [e eu]

olha...

Acorda!
Olha, anda ver a Lua lá fora...
Anda ver a Lua deitar-se sozinha, anda!

Anda, vem deitar-me com ela.
Abre o teu braço, protege-me com a tua mão.

Anda, anda ver a Lua e deitar-te comigo...

Divas & Contrabaixos

Divas & Contrabaixos
Um momento... está quase... agora! Estão a ouvi-la? Ali! Agora! Estão mesmo a ouvir? Daqui a pouco outra vez, a mesma passagem, esperem. Agora, estão a ouvi-la agora! Quer dizer, os baixos. Os contrabaixos...(P.Süskind)

[já não me lembro do que ia escrever aqui]

sábado, 5 de novembro de 2005

Mise en Abyme

Mise en Abyme
"O cinema é a verdade 24 vezes por segundo" Jean-Luc Godard

[proposta de discussão -
X]

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

limites

Cheguei a um ponto em que não sei distinguir o que é stress de trabalho e saudades da minha Avó. É tudo um bolo, amassado por mãos de mais.

ART&TAL

ART&TAL
Location: Cedofeita - Porto, Portugal
was born in Porto in February 1954. He still cultivates the obsession of being the reincarnation of a warm, eloquente nun, Sister Maria da Cruz, who lived from the end of the XVII century to the beginnings of the XVIII century. She had discover the poetry one afternoon while she, patiently, was sharpening a stick of wood under an orangetree. She left poetic confessions and several acts a little here and there. She gained notoriety with the writings "Ténis is my Game this Perfume is my Love", “ a Fé Secreta do pequeno jardineiro”, “I love potery and potery loves me”, “Curriculum I”, "Creation, Evolution, Masturbatíon or is God a Boné?", "Die Schuhe Von Brecht im Berlin are worthier than Weill in Broadway", “Curriculum II”, "XXIV cartas comerciais tipo", Curriculum III”, a vast ANALgesic poetry and other unbelievable phenomena. According to minor historians, Sister Maria da Cruz died for a grave and compromising cause, still not revealled. About the present reincarnation... there is noting worth of reference.


[a minha Mãe nasceu em Cedofeita]

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

mais parvoeira a caminho de menos tristeza

A MELHOR DO ANO

Panadol é Paracetamol. Viagra é Paranacetãmole.

mais uma para afastar a tristeza...

Um homem entra para um clube de nudismo muito exclusivo. No primeiro dia despe-se e vai dar uma volta pelo clube para conhecer as instalações. Uma linda lourinha passa por ele, roçando-o levemente, o que deu origem a que o homem tivesse uma erecção. A mulher percebe a erecção e pergunta-lhe baixinho:
- Chamou por mim?
- Como?
- O senhor deve ser novo no clube. Eu explico-lhe: Há uma regra aqui no clube que diz que se você tiver uma erecção ao ver uma mulher, é o mesmo que estar a convidá-la para fazer sexo. Sorrindo, ela leva-o para um local discreto, deita-se numa toalha, puxa-o para si e fazem sexo com muito entusiasmo. Depois de terminado o acto, o homem feliz da vida continua a explorar as dependências do clube. Entra na sauna e, ao sentar-se, descuida-se e dá um pum bem sonoro. Aparece-lhe à frente um tipo forte, peludo, saído da nuvem de vapor que pergunta:
- Você chamou por mim?
- Eu não, porquê?
- Você deve ser novo aqui, diz o outro, há uma regra neste clube que diz que se você peidar, fica implícito que você está a convidar um homem para fazer sexo...
E o tipo musculado sem mais conversas, vira-o de costas, curva-o para a frente e enraba-o. O homem quando se consegue livrar do outro vai a cambalear até ao escritório do clube onde é recebido com um sorriso pela simpática recepcionista toda nua:
- Posso ajudá-lo, senhor?
O homem, todo lixado da vida, responde:
- Aqui está o meu cartão do clube. Pode ficar com ele. E pode ficar com os 1000 euros da matrícula.
- Mas o senhor esteve aqui tão pouco tempo. Ainda nem deu para conhecer todos os nossos atractivos...
- Olhe aqui, menina, eu tenho 68 anos, tenho uma erecção por mês, mas peido-me umas 15 vezes por dia. Vou mas é já embora.

Pensamento

Se 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de álcool, isto significa que 77% dos acidentes são causados por pessoas que bebem água. Perigosos, esses gajos...

Eu hoje estou de mal com a vida e por isso agradeço que me contem parvoeiras...

avestruz

Eu queria ser como a Avestruz, acreditar piamente que bastaria não ver para não ser vista.

Voz Em Fuga

Voz Em Fuga
"A vida descostura, o homem passa a linha, a corrigir os panos do tempo." Mia Couto

[não gosto de tudo por aí além, mas gosto muito deste texto]

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

dasssssssssssssss

Li isto ali e não sei se é verdade ou mentira. Consta que corre na net e se foi realmente escrito por alguém num assessement gostava de ter sido eu no mês passado.

Eu sou louco!

Eu sou louco!
Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (não é permitida a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo deste blog sem o prévio consentimento do webmaster)

[estórias ou história? verdade ou fantasia? o canto de todos os cantos!]

terça-feira, 1 de novembro de 2005

PCPT/MRPP - Patxi Andion e outros

Engraçado, eu cresci a ouvir gentes de intervenção, gentes que cantavam mais pelas palavras do que pela melodia. Na altura em que todos os meus amigos cantavam o Saturday Night Fever e se abanavam ao som da Olivia Newton John eu berrava, e acreditem que era mesmo berrar, os Vampiros ou a Praia Portuguesa. Dançava apaixonadamente agarrada a uma almofada [não arranjava ninguém que o fizesse comigo...] as músicas do Cohen, ou ansiava ouvir aquelas respostas que iam Blowin' in the Wind.

A minha Mãe é um ser humano bastante especial. O meu Pai também, mas a minha Mãe sempre foi mais expressiva. O meu Pai tem lá as suas ideias e convicções mas desde que não lhe pisem os calos ou não sinta necessidade de vir em defesa ou socorro dos que lhe são queridos, deixa-se ficar lá naquele seu mundo para além das estrelas visíveis e invísiveis.

A minha Mãe nasceu no seio de uma família onde senhoras de luvas brancas serviam à mesa. Onde as crianças eram lavadas e vestidas por uma menina de aldeia trazida para a cidade. Onde as meninas aprendiam a tocar piano e a falar francês. Onde os meninos estudavam o que o Pai mandava e ninguém seguia a sua vocação.

No meio disto tudo, a minha Mãe sempre foi o orgulho do meu Avô José. Foi a única que decidiu onde queria estudar e o que queria fazer da sua vida profissional. Foi a única que ingressou na Unversidade e escolheu uma área que não cabia na cabeça de ninguém, licenciou-se em Ciências Fisíco-Quimicas. Foi para Coimbra estudar um ano porque no Porto ninguém conseguia fazer a cadeira de matemática. Foi boa aluna, excelente aluna. Deu explicações a metade dos meninos que frequentavam o Clube Portuense. Ainda agora tenho na minha cama uma manta xadreza que o filho de uma família sem posses deu à minha Mãe por ela lhe ter dado explicações meses a fio, ajudando-o a passar de ano sem nunca lhe cobrar um tostão. Fez-se Professora Universitária. E, no meio disto tudo, ainda arranjou tempo para ser uma mulher de intervenção.

Percorria os Bairros degradados do Porto, deu de comer, vestiu e ensinou a pegar num lápis a muitas crianças que não conheciam nada para além da Rua Escura. Participava em reuniões refundidas, teve o seu nome nas listas da Pide, foi chamada. E ao ser chamada entrou aqui o outro lado da sua vida, o meu Tio-Bisavô, ex-ministro de Salazar safou-a nem sei bem do quê...

Sozinha pegava no seu Mini Morris e fazia-se 3 vezes por semana à estrada nacional para ir ver o seu irmão ao Hospital Militar em Lisboa que se esvaia em sangue depois de perder uma perna em Angola. Enquanto todas as suas amigas, primas, conhecidas se casavam de branco numa igreja plena de tradições e futuros assegurados, fez-se à vida. Recusou namoros de conveniência, fez valer o seu caminho e nunca se deixou prender por um Pai severo e tradicional, mas que a amava de tal forma e por ela sentia um orgulho tal que o impedia de fazer valer a sua vontade suprema.

Largou tudo, a sua carreira, a sua família para ir, não atrás, mas ao lado do homem que, conhecendo de uma vida inteira, descobriu Amar. Fez-me aqui em Lisboa, aqui em Lisboa, sozinha, quase me perdeu ao expulsar-me de dentro dela. Largou pratas e espelhos dourados, largou criadas, quintas, facilidades, almoços de sopa, peixe, carne doce e fruta para ao lado dele partir para longe, apanhou aviões sozinha, correu em aeroportos atrás de miúdos traquinas, teve vontade de chorar, chorou, amargou, desesperou, amou, lutou. Perdeu o seu Pai estando longe. A meio de uma noite em que o telefone tocou fora-de-horas.

Viveram de uma Bolsa miserável enquanto ele lutava pelo seu sonho de conhecimento, pela sua sede de saber. Fundiram-se duas vezes mais e os meus irmãos nasceram no Porto, longe dele que se afundava em Física Nuclear em Glasgow. Sobreviveram ao 25 de Abril, depois de perderem tudo o que traziam de trás e tudo o que, ainda assim, tinham conseguido juntar. Papeis, casa, dinheiro, mas nunca a dignidade.

Por vezes, vou espreitar as fotografias da sua vida quando já era da vontade dela. Vejo uma mulher linda, sempre de eyeliner bem marcado, cabelo desenhado, vestida de modelos Channel e sapatos de fivela e salto fino - consta que furava as passadeiras dos corredores de casa dos meus Avós. Olho, admiro e parece-me ver uma imagem da Vogue dos anos 50 ou 60. A mulher mais bonita que Deus pôs ao meu alcance. Olho e nem posso acreditar na Mulher de luta que aquele ar vaidoso esconde. Como posso eu ter vindo de dentro dela? Com este meu ar de Homem do Leme, Lobo do Mar, rijo e despenteado, sempre salgado? Sempre espantado!

Nos meus tradicionais almoços e jantares festivos em família, quando vou ao Porto e me sento numa mesa cheia, farta, convencional e animada por uma família que ainda tem em si um lado muito italiano, muito Fellini, são raros os momentos em que não vem à baila o lado comunista da minha Mãe. Foi daí que nos nasceu a ideia, a mim e aos meus irmãos, de que a minha Mãe era filiada no PCPT/MRPP. A verdade é que não é. Mas dá-nos um certo orgulho olhar para ela, aquela flor tão doce e dedicada ao outro, e acreditarmos que é uma mulher da Revolução. Independentemente das suas crenças políticas que, na verdade, são um pouco como as minhas, apartidárias, acreditamos em gente e não em aparelhos, com a diferença de que ela, como
qualquer mulher que passou pela privação do direito à ideia e à palavra, vota sempre e eu nunca.

Isto tudo para vos dizer que, não acredito como possa ter sido possível que, pelo que eu li e ouvi dele nas últimas horas, eu nunca tenha sido apresentada a Patxi Andion. Esta, não lha perdou-o, vou cobrar-lha assim que venha do seu fim-de-semana romântico em Ponte do Lima, ai vou, vou...

País das Fantasias

País das Fantasias
Fantasias da MIN - quero férias, papas e descanso, passeios, borgas e convívio!!!

[é azul, como o meu outro e para mim é razão suficiente]