roubado ali ao lado
não estava a pensar escrever este texto, também não premeditei chorar compulsivamente a meio da noite, nem sentir o desmazelo de um gajo abandonado aos seus delírios, estava a pensar,estou imune a essas bizantinices, mas de repente olhei para o lado e um tipo às tantas da manhã com a tv a dar as marés vivas fica com vontades e ganas suicidárias e comoeu sou um pouco como o bicho da seda,largo a minha pele e morre –e nasce- em mim um tipo com a minha cara e o meu nome,atiro-me de cabeça, atiro-me vertiginosamente para a minha morteali a diante,vou confessar:-eu tenho medo de morrer,tenho um medo físico pavoroso de morrer,a morte a mim assusta-me,mas o que me parece ainda mais terrível do que esse medo de morrer é não te ter, a ti que te amo, desesperadamente,tão desesperadamente que na minha cegueira tão poucas vezes te consegui ter ao meu lado.se eu nunca tivesse amado eu dizia que não tinha nascido para o amor, resignava-me,mas porrâ, amei, e voltei a amar, e portanto tenho de confessar, amar foi um dom que perdi, não sei onde, nos teus cabelos, a meio caminho do teu dorso, no modo como lambi as tuas ancas, o teu sexo,beijei uma vez um sexo tão perfumado que me pareceu ser destino dele nunca se separar do meu desejo, não era um sexo indígena e por isso nunca lhe pude perguntar como é que ela fazia para conservar o seu sexo tão perfumado às desoras a que o beijei, o engoli,o trinquei, desde essa altura sonho um dia conseguir perfumar assim o meu próprio sexo, para que quem chegar a beijá-lo, a mastigá-lo, sinta logo no seu odor hospitaleiro o prazer que eu tenho ao ser devorado por uma língua afiada na minha glande,tenho um medo pavoroso de morrer, um medo físico, a morte estremece-me desde que sou canídeo, e juro-vos, a morte que temo não é a minha, essa dói-me de incompreensão, mas aquele temor que me abana as fundações é a morte da vida que eu não soube viver,e ter vivido com alguma sabedoria não é nada de muito espalhafatoso, é na calada do mundo ter feito alguma coisa para, sei lá para quê, por,por ti, o que me dói horrivelmenteé a vida que eu não soube viver a teu lado.não estava a pensar escrever um texto-gangrena mas a hora tardia desfaz em mim qualquer tipo de auto comiseração. agora não há pensamentos grandicolentes. há um gajo e em seu redor,todo o vazio de que se soube povoar ao longos das seis décadas que arrasta consigo. tenho um medo pavoroso de morrer,de desaparecer da tua memória,de ser esquecido na rua onde moro, no meu local de trabalho,pela minha mãe, pelos meus irmãos e amigos,parece-me de uma crueldade impressionante pensar que eles suportarão uma vida sem mim, que passarei a ser uma história, uma mera história,um espaço ocupado numa fotografia,uma lembrança fugaz, um dia, de alguém,sei lá eu quem, às vezes também me lembro dos mortos mais incríveis, tenho um medo terrível de que não tenha já tempo de te encontrar, sei que o meu filho se irá lembrar de mim,mas a minha pergunta, será que irei ainda a tempo de te encontrar,de em ti me constituir memória irreversivel?escrevo sem poesia nenhuma, apenas com a dor, a dor isenta de morte minha,deste medo pavoroso de.
posted by JPN at 4:38 AM on Mar 31 2005
quinta-feira, 31 de março de 2005
quarta-feira, 30 de março de 2005
maternidade
Uma das coisas que mais me assusta e mais me entristece é perceber que nunca vou poder proporcionar aos meus o que vivi na minha infância.
E assumo que foi uma infância previligiada. Se por um lado vivia perto da cidade, por outro tinha acesso a tudo o que é terra, animal e natureza. Acesso à vida como ela nasce, antes, muito antes de ser enlatada.
Vivi podendo andar em cima dos bois, podendo ordenhar as vacas e beber aquela coisa espessa e horrível a que também chamavam leite.
Bati a nata até fazer manteiga, tive dores de barriga por andar a comer fruta verde, arrancada da árvore antes do tempo. Até uma cicatriz de uma marrada de bode eu posso mostrar.
Mas é só isso que posso mostrar. O que vêem nas fotografias, o que ouvem nas histórias, o que, talvez daqui a mais uns anos, poderão ler no meu olhar quando penso nisso.
Na quinta havia fantasmas. Havia um mocho na torre. Havia arcas de madeira onde cabíamos cinco ou seis e onde nos escondíamos entre o milho.
Havia noites escuras, estrelas e luar. Havia fantasmas, medos e segredos. Aventura fora do online.
Havia uma fonte de água gelada, tanques de rega em que insistíamos mergulhar, entre lodo, sapos e coisas que nem quero pensar o que seriam.
E, acima de tudo, havia crianças, muitas e saudáveis. Nunca menos de 15. Com joelhos feridos, arranhadas no corpo, mas sempre com muita fome e sede. De comer, de beber, mas acima de tudo de viver, de descobrir.
Havia tanta coisa, que podia ficar aqui o resto da minha vida a viver dessa lembrança.
Espero que entre os pokemons, os gameboy e outras consolas, consigam perceber o amor que lhes quero transmitir e que me vem do que vivi nesse tempo.
Mudam-se os tempos... tento acreditar que se manterão as crianças felizes e livres.
E assumo que foi uma infância previligiada. Se por um lado vivia perto da cidade, por outro tinha acesso a tudo o que é terra, animal e natureza. Acesso à vida como ela nasce, antes, muito antes de ser enlatada.
Vivi podendo andar em cima dos bois, podendo ordenhar as vacas e beber aquela coisa espessa e horrível a que também chamavam leite.
Bati a nata até fazer manteiga, tive dores de barriga por andar a comer fruta verde, arrancada da árvore antes do tempo. Até uma cicatriz de uma marrada de bode eu posso mostrar.
Mas é só isso que posso mostrar. O que vêem nas fotografias, o que ouvem nas histórias, o que, talvez daqui a mais uns anos, poderão ler no meu olhar quando penso nisso.
Na quinta havia fantasmas. Havia um mocho na torre. Havia arcas de madeira onde cabíamos cinco ou seis e onde nos escondíamos entre o milho.
Havia noites escuras, estrelas e luar. Havia fantasmas, medos e segredos. Aventura fora do online.
Havia uma fonte de água gelada, tanques de rega em que insistíamos mergulhar, entre lodo, sapos e coisas que nem quero pensar o que seriam.
E, acima de tudo, havia crianças, muitas e saudáveis. Nunca menos de 15. Com joelhos feridos, arranhadas no corpo, mas sempre com muita fome e sede. De comer, de beber, mas acima de tudo de viver, de descobrir.
Havia tanta coisa, que podia ficar aqui o resto da minha vida a viver dessa lembrança.
Espero que entre os pokemons, os gameboy e outras consolas, consigam perceber o amor que lhes quero transmitir e que me vem do que vivi nesse tempo.
Mudam-se os tempos... tento acreditar que se manterão as crianças felizes e livres.
segunda-feira, 28 de março de 2005
Narciso e chegar ao fim de mim
Longe de mim, É., querer opinar sobre a verdade de quem quer que seja, ou de qualquer um de nós. Mas parece-me, e só me parece e a mim enquanto só eu, que confundes doença com vontade de viver. Narcisismo, orgulho feio, incapacidade de abertura, cegueira encerrada atrás das pálpebras ou de uma imagem reflectida de um "apenas eu", com a capacidade de criarmos em nós o amor, e porque a nós nos amamos, a capacidade para amarmos e sermos amados por tudo o que em si liberta vida e a vida liberta. A capacidade de acreditarmos em nós após cada pequena ou grande derrota do dia-a-dia vem do amor-próprio (com hífen, para que nunca se separe), da capacidade que temos em continuar a acreditar em nós. Acreditar que poderemos voltar a tentar e um dia conseguir, mesmo que esse dia não seja amanhã ou depois. E essa crença passar aos outros. O amor que podes dar, é apenas o amor que por ti sentes. E este amor nada tem a ver com a vaidade, é o anti-Narciso.
Narciso morreu porque a sua imagem reflectida nas águas não lhe podia responder. Acredito que, de tanto se chegar a ela para tentar ouvir alguma voz ao seu admirar, caiu como reza a história... É simples, Narciso não se amava, estava encantado por tudo aquilo que tinha de mais superficial.
Amarmo-nos implica estarmos bem com a nossa imagem, acredito, mas é mandatório que em nós amemos o que de nós podemos dar aos outros. Sem amor-próprio o que podemos dar ao que está aqui e ali? Sem acreditarmos que somos e valemos o que quer que seja, o que podemos dar aos outros? Eu não consigo fazer-te feliz se não acreditar na minha felicidade. Mesmo que a minha felicidade seja apenas ver a tua.
De todas as formas, obrigada por me dares ainda mais vontade por lutar sempre e mais pelo meu Amor-próprio. Antes que a noite se faça dia, antes que as estrelas se vão deitar, espero tê-lo reencontrado.
Narciso morreu porque a sua imagem reflectida nas águas não lhe podia responder. Acredito que, de tanto se chegar a ela para tentar ouvir alguma voz ao seu admirar, caiu como reza a história... É simples, Narciso não se amava, estava encantado por tudo aquilo que tinha de mais superficial.
Amarmo-nos implica estarmos bem com a nossa imagem, acredito, mas é mandatório que em nós amemos o que de nós podemos dar aos outros. Sem amor-próprio o que podemos dar ao que está aqui e ali? Sem acreditarmos que somos e valemos o que quer que seja, o que podemos dar aos outros? Eu não consigo fazer-te feliz se não acreditar na minha felicidade. Mesmo que a minha felicidade seja apenas ver a tua.
De todas as formas, obrigada por me dares ainda mais vontade por lutar sempre e mais pelo meu Amor-próprio. Antes que a noite se faça dia, antes que as estrelas se vão deitar, espero tê-lo reencontrado.
Depois do acidente diário
estrela... pensante said...
Felizmente, em cada um desses fim de dia, há alguém que nasce para o novo dia, com o nosso nome, talvez apenas com mais alguns traços de vida vivida, no mesmo rosto.
12:19 PM
Felizmente, em cada um desses fim de dia, há alguém que nasce para o novo dia, com o nosso nome, talvez apenas com mais alguns traços de vida vivida, no mesmo rosto.
12:19 PM
convido-vos a serem parte do todo
Leiam, comentem e peçam acesso para "postar" também
http://enquantoaonda.blogspot.com/
Estive tentada a passar estas mensagens loucas que trocamos entre nós, ocultando os nomes, claro, também não sou assim tão tola. Mas acho que era giro, podermos colocar aqui as nossas conversas "mais sérias", como aquela do Dia da Mulher, a da Eutanásia e tantas outras que fazem tanto sentido na vida de tanta gente.
Partilhar os nossos pontos de vista e permitirmo-nos ouvirmos os pontos de vista dos outros.
Espero que desta tenha mais sucesso. J, conto com a tua dedicação, uma vez que foste tu a primeira a sugerir, há já algum tempo, criarmos o nosso blogue.
xxx
http://enquantoaonda.blogspot.com/
Estive tentada a passar estas mensagens loucas que trocamos entre nós, ocultando os nomes, claro, também não sou assim tão tola. Mas acho que era giro, podermos colocar aqui as nossas conversas "mais sérias", como aquela do Dia da Mulher, a da Eutanásia e tantas outras que fazem tanto sentido na vida de tanta gente.
Partilhar os nossos pontos de vista e permitirmo-nos ouvirmos os pontos de vista dos outros.
Espero que desta tenha mais sucesso. J, conto com a tua dedicação, uma vez que foste tu a primeira a sugerir, há já algum tempo, criarmos o nosso blogue.
xxx
Mediocridade
Dançando até ao fim de ti
estrela... cadente said...
Já diziam no leite Matinal: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?". Sem amor próprio não temos matéria para sermos amados.
estrela... em ascensão said...
AH! E se não te amares a ti, não terás nunca capacidade para amar o teu semelhante, ou não fora ele uma continuação de ti próprio.
Já diziam no leite Matinal: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?". Sem amor próprio não temos matéria para sermos amados.
estrela... em ascensão said...
AH! E se não te amares a ti, não terás nunca capacidade para amar o teu semelhante, ou não fora ele uma continuação de ti próprio.
quarta-feira, 23 de março de 2005
Louange pour la Joie que Dieu donne
Seigneur, Dieu de paix,
Je t'ai donné toute ma douleur
Et tu m'as donné tout ton bonheur.
Je t'ai donné toute mon angoisse,
Et tu m'as donné toute ta sérénité.
Que mon âme te chante toute sa joie.
Je t'ai donné tout mon égoïsme,
Et tu m'as donné toute ta générosité.
Je t'ai donné toute ma pauvreté,
Et tu m'as donné toute ta richesse.
Oui, quelle te chante mon âme, toute sa joie.
Je t'ai donné tout mon rien,
Et tu m'as donné tout ton tout.
Et tout comme à Cana, il y eut trop de vin,
Tout comme à la multiplication, il y eut trop de pain,
Et comme à Tibériade, il y eut trop de poisson,
Et les filets ont craqué.
Dieu quand tu donnes, tu donnes toujours trop de tout.
Je t'ai tout donné, et tu m'as tout donné.
Mais le tout de moi est si petit,
Et le tout de ton amour est si grand...
Et je me suis émerveillé de la beauté de ta présence
Et je me suis ébloui de la lumière de ta grâce
Et je me suis rassasié de ta générosité;
Je me suis abreuvé de ta miséricorde,
Et je me suis enivré de ta tendresse.
Je me suis nourri de ta clémence et de ton infinité.
Pour que de toute mon âme j'aille à ta recherche, car sans toi je suis privé de tout bien.
Que mon âme te chante toute, toute sa joie.
Jacques Lebreton
Je t'ai donné toute ma douleur
Et tu m'as donné tout ton bonheur.
Je t'ai donné toute mon angoisse,
Et tu m'as donné toute ta sérénité.
Que mon âme te chante toute sa joie.
Je t'ai donné tout mon égoïsme,
Et tu m'as donné toute ta générosité.
Je t'ai donné toute ma pauvreté,
Et tu m'as donné toute ta richesse.
Oui, quelle te chante mon âme, toute sa joie.
Je t'ai donné tout mon rien,
Et tu m'as donné tout ton tout.
Et tout comme à Cana, il y eut trop de vin,
Tout comme à la multiplication, il y eut trop de pain,
Et comme à Tibériade, il y eut trop de poisson,
Et les filets ont craqué.
Dieu quand tu donnes, tu donnes toujours trop de tout.
Je t'ai tout donné, et tu m'as tout donné.
Mais le tout de moi est si petit,
Et le tout de ton amour est si grand...
Et je me suis émerveillé de la beauté de ta présence
Et je me suis ébloui de la lumière de ta grâce
Et je me suis rassasié de ta générosité;
Je me suis abreuvé de ta miséricorde,
Et je me suis enivré de ta tendresse.
Je me suis nourri de ta clémence et de ton infinité.
Pour que de toute mon âme j'aille à ta recherche, car sans toi je suis privé de tout bien.
Que mon âme te chante toute, toute sa joie.
Jacques Lebreton
Terra molhada
Fecho os olhos. Começo por sentir. Sentir na pele a imagem que guardo da terra molhada. Não era barro, não a moldava em cima de nada. Tinha 5 anos quando descobri o prazer imenso de me rolar, de me moldar, nessa terra molhada.
Acho que foi nessa terra molhada que nasceu aquela que viria a ser a forma da minha vida. Chovia, molhava. Elameava, rolava. E no fim acabava tudo numa grande chuveirada nada desejada, para limpar, diziam. Levavam-me a forma desformada do meu tentar agarrar à terra.
Acho que foi nessa terra molhada que nasceu aquela que viria a ser a forma da minha vida. Chovia, molhava. Elameava, rolava. E no fim acabava tudo numa grande chuveirada nada desejada, para limpar, diziam. Levavam-me a forma desformada do meu tentar agarrar à terra.
terça-feira, 22 de março de 2005
Ciranda de Fogo
A vida não é mais do que esta enorme Ciranda de Fogo, que atrai mas também queima. E nem sempre gato escaldado da água fria tem medo. Ainda bem!
Inesperado?
Ou resultante de um encontro com o teu eu, doloroso mas preparatório? Andavas perdido há uns dias atrás, incomodado com a mudança, com o arrumar das tralhas e das ideias. Fazer caber ali o que cabia aqui. Essa vontade de corpo, essa vontade de riso, essa vontade de inesperado, para que a vida volte a acelerar.
estrela
estrela
Desencontro
Se pensas sim, escreves não. Acho que quem, como nós, se expressa pela escrita alimenta um faz-de-conta no papel. Como aqueles que se mostram alegres quando a dor é imensa. Que tanto querem sentir uma imagem diferente de si próprios que muitas vezes, inconscientemente até, acabam por acreditar nela e apenas ela conseguem desvendar aos olhos dos que estão fora. Eu sou <> Eu pareço. Qual é real e qual é distorção?Tenho sempre em mente esta imagem vinda dos tempos em que ainda passava pela Feira Popular. A Casa dos Espelhos. Afinal, qual destes que eu vejo sou eu?! Desisti, basta-me olhar-me reflectida nas águas por vezes calmas, por vezes conturbadas de um rio ou de um mar. Não pago, e a sensação é a mesma. Melhor ainda, enquanto que na Casa dos Espelhos cada um é só uma distorção, ao mirar-me na água em cada segundo, no mesmo plano, tenho acesso a milhares de eus.
estrela
estrela
segunda-feira, 21 de março de 2005
o fim de um instante
Eu nunca iria perceber isso. Porque eu sou daquelas que julga sempre que o mundo gira à sua volta.
Mas já o podias ter dito, e não teria sido necessário castrares tanto a C como a T. Não sei exactamente o porquê de veres as coisas assim. Mas se as vês, respeito, claro.
Já agora, e porque não o tenho de todo claro, onde é que te intimei no blogue, para lá das pequenas frases soltas?
Algures no início, lembro-me de ter visto o meu nome num ou noutro post. Lembro-me de ter visto exposto o "meu sonho familiar", "a minha cabeça que não tem juízo" e vi, sobretudo, sem nomes mas bem explícito, em meia dúzia de palavras, expores a minha dor pela dor de alguém que está a perder o contacto com todos os seus sons. Alguém que eu vejo para lá do que se mostra e que quero acima de tudo respeitar. Expôr uma dor que partilhei nem sequer aqui, mas na intimidade que um fim-de-noite nos permite.
Aí, pensei que, eu que não sei nada de blogues, podíamos falar livremente. E pensei, também, que ao despejar o que as tuas palavras me despertavam, não o estava a despejar sobre ti. Porque eram as palavras, não as pessoas.
Ainda bem que mo disseste, assim, tornarei mais forte a vontade de não te ler.
Beijo
p.
Mas já o podias ter dito, e não teria sido necessário castrares tanto a C como a T. Não sei exactamente o porquê de veres as coisas assim. Mas se as vês, respeito, claro.
Já agora, e porque não o tenho de todo claro, onde é que te intimei no blogue, para lá das pequenas frases soltas?
Algures no início, lembro-me de ter visto o meu nome num ou noutro post. Lembro-me de ter visto exposto o "meu sonho familiar", "a minha cabeça que não tem juízo" e vi, sobretudo, sem nomes mas bem explícito, em meia dúzia de palavras, expores a minha dor pela dor de alguém que está a perder o contacto com todos os seus sons. Alguém que eu vejo para lá do que se mostra e que quero acima de tudo respeitar. Expôr uma dor que partilhei nem sequer aqui, mas na intimidade que um fim-de-noite nos permite.
Aí, pensei que, eu que não sei nada de blogues, podíamos falar livremente. E pensei, também, que ao despejar o que as tuas palavras me despertavam, não o estava a despejar sobre ti. Porque eram as palavras, não as pessoas.
Ainda bem que mo disseste, assim, tornarei mais forte a vontade de não te ler.
Beijo
p.
a 1ª pessoa do plurar vem logo a seguir à 3ª do singular
és tu? que te sentes assim só...
lembro-me de uma vez, há muitos anos, teria 15 ou 16, ter escrito por aí "como me sinto tão só no meu de tanta gente". confesso que esta coisa pirosa que pus na parede que me servia de diário, a tinha ouvido numa novela ou pior assim. este escrito chegou ao olhar de duas amigas, duas boas amigas. só muito mais tarde compreendi bem a dimensão da sua tristeza para com as minhas palavras. "só? tanta gente? qual gente? e nós?!". era como se tivessem falhado.
e eu agora senti um aperto aqui no peito. uma coisa forte que me impediu de respirar por uns momentos. nem segundos, mas uma eternidade. relampejou-me um, que se eras tu que te perdias na dimensão dessa solidão, "então e eu?". então e eu, falhei no que podia dar-te?
a nossa solidão já não é só nossa. acho que já nada nesta vida é só nosso. a tua solidão aperta-me porque te gosto. sufoca-me porque sei que de alguma forma também me gostas. e lá vou eu, entro assim por ela adentro, sem pedir permissão. violo essa tua volta solitária na cama e quero ser razão expressa e suficiente para que deixe de existir. eu contigo, eu em ti. nós. 1ª pessoa do plural.
e este nós é o eu de mim que se te dá, na companhia que quiseres e se a quiseres, no mais forte amasso que puder, é o eu que precisares.
amassa o p. com força e eu te amasso daqui.
ps: ainda tenho esperança que retratasses a alma de outro alguém. se assim for, não apagues esta, um dia, que tu próprio te sintas próximo dessa volta, se quiseres dou-a contigo.
lembro-me de uma vez, há muitos anos, teria 15 ou 16, ter escrito por aí "como me sinto tão só no meu de tanta gente". confesso que esta coisa pirosa que pus na parede que me servia de diário, a tinha ouvido numa novela ou pior assim. este escrito chegou ao olhar de duas amigas, duas boas amigas. só muito mais tarde compreendi bem a dimensão da sua tristeza para com as minhas palavras. "só? tanta gente? qual gente? e nós?!". era como se tivessem falhado.
e eu agora senti um aperto aqui no peito. uma coisa forte que me impediu de respirar por uns momentos. nem segundos, mas uma eternidade. relampejou-me um, que se eras tu que te perdias na dimensão dessa solidão, "então e eu?". então e eu, falhei no que podia dar-te?
a nossa solidão já não é só nossa. acho que já nada nesta vida é só nosso. a tua solidão aperta-me porque te gosto. sufoca-me porque sei que de alguma forma também me gostas. e lá vou eu, entro assim por ela adentro, sem pedir permissão. violo essa tua volta solitária na cama e quero ser razão expressa e suficiente para que deixe de existir. eu contigo, eu em ti. nós. 1ª pessoa do plural.
e este nós é o eu de mim que se te dá, na companhia que quiseres e se a quiseres, no mais forte amasso que puder, é o eu que precisares.
amassa o p. com força e eu te amasso daqui.
ps: ainda tenho esperança que retratasses a alma de outro alguém. se assim for, não apagues esta, um dia, que tu próprio te sintas próximo dessa volta, se quiseres dou-a contigo.
e agora?
já sabes o que é o amor? já sabes como brincam os corpos? já sabes porque a noite nos ilumina mais do que o próprio dia?
o amor nunca ninguém vai saber o que é. os corpos brincam o que os nossos medos e os nossos preconceitos lhes permitem. a noite ilumina a nossa imaginação ao esconder-nos entre as sombras.
o amor nunca ninguém vai saber o que é. os corpos brincam o que os nossos medos e os nossos preconceitos lhes permitem. a noite ilumina a nossa imaginação ao esconder-nos entre as sombras.
os cavalos marinhos
em duas ou três frases, o fim da ilusão. mataram os meus cavalos-marinhos. transformaram os meus cavalos-marinhos em chibatadas. e fizeram-no publicamente.
não estarás por aí, não? nem eu sabia, o princípio do fim
apetecia-me deitar palavras cá para fora.
qualquer que fosse o assunto, desde que pudesse debitar a metro.
quando mudas? onde andas?
estás melhor?
o que já empacotaste?
amanhã às 8:00 tenho de estar na João XXI...
logo eu, que gosto tanto de ir a lisboa...
não gostavas de mergulhar?
brincar com os cavalos marinhos esticadinhos no fundo do mar.sabias que os cavalos marinhos estão esticados no fundo do mar?
apetecia-me ir à ilha de máfia.
é bom falar sozinha.não preciso de manter nenhuma linha de conversa.
posso gastar muitas palavras em pouco tempo.
posso debitar sem dizer nada.
quando pegas num cavalo marinho, ele enrola-se nos teus dedos.
e é verdade que os chocos cospem tinta!
tenho saudades do fundo do mar.
nunca mais é tempo de águas translúcidas.
na ilha de máfia já é.
mas é longe.
e eu vou para a serra.
não posso ir a todo o lado ao mesmo tempo, não é?
está tanta gente online e ninguém com quem me apeteça conversar.
não sei se é da idade, se é snobismo ou qualquer tipo de selectismo, mas cada vez me apetece menos falar com qualquer pessoa.
15 metros já lá vão.
beijo.
qualquer que fosse o assunto, desde que pudesse debitar a metro.
quando mudas? onde andas?
estás melhor?
o que já empacotaste?
amanhã às 8:00 tenho de estar na João XXI...
logo eu, que gosto tanto de ir a lisboa...
não gostavas de mergulhar?
brincar com os cavalos marinhos esticadinhos no fundo do mar.sabias que os cavalos marinhos estão esticados no fundo do mar?
apetecia-me ir à ilha de máfia.
é bom falar sozinha.não preciso de manter nenhuma linha de conversa.
posso gastar muitas palavras em pouco tempo.
posso debitar sem dizer nada.
quando pegas num cavalo marinho, ele enrola-se nos teus dedos.
e é verdade que os chocos cospem tinta!
tenho saudades do fundo do mar.
nunca mais é tempo de águas translúcidas.
na ilha de máfia já é.
mas é longe.
e eu vou para a serra.
não posso ir a todo o lado ao mesmo tempo, não é?
está tanta gente online e ninguém com quem me apeteça conversar.
não sei se é da idade, se é snobismo ou qualquer tipo de selectismo, mas cada vez me apetece menos falar com qualquer pessoa.
15 metros já lá vão.
beijo.
o bom e o mau, ou o bom no mau, talvez o mau no bom
desde que este ano começou, a melhor coisa que me aconteceu, foi ter cruzado o teu caminho. e não que isso seja sempre bom. e não porque encontrei o aquele outro. acima de tudo, porque voltei a escrever. e, por muito que possa doer deixar escrito o que me vai espantar mais tarde, ao escrever estou a libertar-me. não de mim. das amarras. um cabo hoje, outro amanhã. escrevo os meus medos e as minhas dúvidas. e, ao escrevê-los, limpo-os. desmistifico-os. ao concretizá-los na palavra escrita, deixo espaço para a palavra pensada. para abarcar outras descobertas. para me aproximar dos outros e do mundo. escrevo e liberto-me. um sentimento de plenitude nascido na partilha da palavra escrita. mesmo que, depois, me venha a prender e chorar por mais uns instantes, quando o tempo passar e eu voltar a ler-me.
depois de sab, morrer ka nada. é só isso que eu peço da vida. não peço mais um dia, nem mais um minuto, peço o supremo neste instante. na dor e na alegria, o mais do mais.
depois de sab, morrer ka nada. é só isso que eu peço da vida. não peço mais um dia, nem mais um minuto, peço o supremo neste instante. na dor e na alegria, o mais do mais.
quase de volta
olá
não sei de ti. e não sei se é suposto não saber. a semana passada disseste-me que te tinhas afastado. ou recolhido. não sei, qualquer coisa assim. verdade que na altura não dei por nada. esta semana sim, percebi que não estavas aqui. não sei se percebi bem ou mal, só percebi a tua ausência. não sei se não estavas para mim. talvez não estejas apenas.
ontem compreendi que andava a ler-te e a encontrar-me furiosamente nas tuas palavras. como se tivessem sido ditas por mim. depois esquecidas. depois reencontradas. não gostei. tremi. o chão voltou a ser mar. voltou a ser onda e desiquilibrio. o vento atirou-me outra vez contra mim. senti-me exposta. exposta de uma forma cruel. não entendas cruel como um ataque a ti ou às tuas palavras. cruel porque eu sou cruel comigo. porque, mesmo sem saber ou querer, me busco desta forma intensa em todo o lado. porque não me deixo estar com aquilo que simplesmente sei ou sinto. porque me procuro e só me acho fora de mim. acontece o mesmo quando me leio de há 3 ou 4 anos atrás. já não sou a que escreveu e de repente julgo encontrar-me nas palavras de um estranho. estranho... encontro-me nas palavras que outrora escrevi mas cuja verdade esqueci. e em cada reencontro acrescento-me mais um peso. porque volto a sentir a verdade como se fosse a primeira vez. e tenho de ler, de me espantar, de me ver e de de novo me habituar à ideia de que era e sou eu. não é fácil quando esqueces o que já te sabias e de novo tens de sucumbir e te afundar em ti.
devia ir dançar hoje. não fora a chuva e teria saído. para cansar o corpo, desligar-me em dois tempos e um contratempo. entrar no ritmo com a mesma força com que me desligaria da que pensa. seria outra vez a que simplesmente está. ali, corpo no corpo, corpo na música e livre de mim.
não sei de ti. e não sei se é suposto não saber. a semana passada disseste-me que te tinhas afastado. ou recolhido. não sei, qualquer coisa assim. verdade que na altura não dei por nada. esta semana sim, percebi que não estavas aqui. não sei se percebi bem ou mal, só percebi a tua ausência. não sei se não estavas para mim. talvez não estejas apenas.
ontem compreendi que andava a ler-te e a encontrar-me furiosamente nas tuas palavras. como se tivessem sido ditas por mim. depois esquecidas. depois reencontradas. não gostei. tremi. o chão voltou a ser mar. voltou a ser onda e desiquilibrio. o vento atirou-me outra vez contra mim. senti-me exposta. exposta de uma forma cruel. não entendas cruel como um ataque a ti ou às tuas palavras. cruel porque eu sou cruel comigo. porque, mesmo sem saber ou querer, me busco desta forma intensa em todo o lado. porque não me deixo estar com aquilo que simplesmente sei ou sinto. porque me procuro e só me acho fora de mim. acontece o mesmo quando me leio de há 3 ou 4 anos atrás. já não sou a que escreveu e de repente julgo encontrar-me nas palavras de um estranho. estranho... encontro-me nas palavras que outrora escrevi mas cuja verdade esqueci. e em cada reencontro acrescento-me mais um peso. porque volto a sentir a verdade como se fosse a primeira vez. e tenho de ler, de me espantar, de me ver e de de novo me habituar à ideia de que era e sou eu. não é fácil quando esqueces o que já te sabias e de novo tens de sucumbir e te afundar em ti.
devia ir dançar hoje. não fora a chuva e teria saído. para cansar o corpo, desligar-me em dois tempos e um contratempo. entrar no ritmo com a mesma força com que me desligaria da que pensa. seria outra vez a que simplesmente está. ali, corpo no corpo, corpo na música e livre de mim.
a caminho do fim
decidi que vou deixar de ler-te. vou deixar de percorrer-te, de respirar-te e de me encontrar furiosamente em ti. vou deixar. como quem deixa um vício. como quem solta amarras e parte, mesmo que com medos. os que já cá estavam, os que ainda virão. decidi agora e agora o tenho de dizer. não. não! dir-te-ei um dia. agora só deixo escrito. deixo escrito e prensado para que ninguém, nem mesmo eu, duvide que uma vez assim decidi.
O amor é tão improvável aos vinte anos...
lembras-te de escrever este texto? É tão leve... tão leve. E esconde tanta sabedoria. Daquela sabedoria que não se aprende só com o passar dos anos. Que se aprende apenas se a isso estivermos dispostos. É tão simples o fervor, não é? Porque havemos de ter medo de sentir? Temos, não temos, se não todos, a maior parte de nós? Como pode alguém atormentar-se tão cedo com a força do amor e da paixão, ter medo que o passarilhar no peito seja eterno? Devia ser eterno. Quem dera fosse eterno. Que não me desse descanso. A tal da borboleta que não pára de voar aqui, algures, dentro de mim. Quem dera fosse eterno. 3 ou 4 meses depois, ainda acreditas que vais tremer como se fosse sempre a primeira vez? Elas, tu, tu e elas, continuo a nunca seguir um só raciocínio. Ela(s) ansiosa(s) pela possibilidade desse tremor sem fim não ter fim. E tu? Ansioso por que nunca se vá? Ou vais ficando cansado, cansado cada vez que um dia nasce depois d'outro?
mar adentro
ainda tive uma réstia de esperança de que te poderia encontrar por aqui, agora. mesmo sabendo que o meu "tás ai?" tinha ficado perdido no ar. não porque quisesse conversar, apenas porque precisava de partilhar.
Mar adentro vi-me e revi-me. todo o reflexo de mim mar adentro.
é esta a ideia que tenho da vida e da morte. do equilíbrio. da escolha de cada um entre a libertação e a clausura. querer morrer não é obrigatoriamente não gostar de estar vivo agora. é apenas a vontade de não ter de continuar vivo. acreditar na possibilidade do nosso direito. num só gesto soltar medos e amarras. o descanso de cada guerreiro. o arriar das velas. o fim de tarde varrido pelos ventos que também partem. em cada dia. para em cada dia voltarem. a libertação da nossa vida na morte. nossa. minha. minha. um pouco de egoísmo por mim, para mim.
viver é gostar de sentir o calor do sol agora. gostar de sentir o carinho de um gesto agora. gostar de estar aqui a partilhar contigo, agora. viver sabendo que agora já é o suficiente. escolher. poder escolher. é este o grande sentido da vida.
na prática, e temos o direito de ser práticos, quando ficamos presos a um corpo que não responde aos nossos mais simples sonhos, que não nos permite realizar os nossos grandes desejos, presos a uma limitação da nossa liberdade, da nossa intimidade, viver entre muralhas das nossas chinas, o que é que conta? só nós podemos decidir sobre isso. temos de ter o direito de escolha. porque somos nós que em cada dia acordamos presos a nós mesmos. que ninguém decida por cima do que eu decidir sobre o meu caminho. escolher.
viver é aproveitar hoje. viver é fazer hoje. viver é viver agora. e morrer depois. sem culpas. sem remorsos. sem tristezas. acima de tudo, direito a não nos prendermos pela tranquilidade dos outros. direito que esses mesmos nos devem conceder. não ficar aqui por ti escolher partir por mim.
não vou reler, acho que me esqueci das vírgulas. mas as vírgulas também são muralhas, paragens, talvez momentos para recuperar o fôlego mas hoje eu não quero parar. quero acabar sem ar. quero ser livre por mim. e não quero que ninguém me chame.
Mar adentro vi-me e revi-me. todo o reflexo de mim mar adentro.
é esta a ideia que tenho da vida e da morte. do equilíbrio. da escolha de cada um entre a libertação e a clausura. querer morrer não é obrigatoriamente não gostar de estar vivo agora. é apenas a vontade de não ter de continuar vivo. acreditar na possibilidade do nosso direito. num só gesto soltar medos e amarras. o descanso de cada guerreiro. o arriar das velas. o fim de tarde varrido pelos ventos que também partem. em cada dia. para em cada dia voltarem. a libertação da nossa vida na morte. nossa. minha. minha. um pouco de egoísmo por mim, para mim.
viver é gostar de sentir o calor do sol agora. gostar de sentir o carinho de um gesto agora. gostar de estar aqui a partilhar contigo, agora. viver sabendo que agora já é o suficiente. escolher. poder escolher. é este o grande sentido da vida.
na prática, e temos o direito de ser práticos, quando ficamos presos a um corpo que não responde aos nossos mais simples sonhos, que não nos permite realizar os nossos grandes desejos, presos a uma limitação da nossa liberdade, da nossa intimidade, viver entre muralhas das nossas chinas, o que é que conta? só nós podemos decidir sobre isso. temos de ter o direito de escolha. porque somos nós que em cada dia acordamos presos a nós mesmos. que ninguém decida por cima do que eu decidir sobre o meu caminho. escolher.
viver é aproveitar hoje. viver é fazer hoje. viver é viver agora. e morrer depois. sem culpas. sem remorsos. sem tristezas. acima de tudo, direito a não nos prendermos pela tranquilidade dos outros. direito que esses mesmos nos devem conceder. não ficar aqui por ti escolher partir por mim.
não vou reler, acho que me esqueci das vírgulas. mas as vírgulas também são muralhas, paragens, talvez momentos para recuperar o fôlego mas hoje eu não quero parar. quero acabar sem ar. quero ser livre por mim. e não quero que ninguém me chame.
hoje......
parece que quem está em perigo sou eu... ainda me sinto embriagada pelo calor da tua noite
Não existe o adeus| RE: bolos de adeus ( era RE: Um instante navida de alguém)
... existe o até sempre.
Estava deitada e não dormia. Cozinhar não me acalma. Lavar a loiça sim, mas não há nenhuma suja. Posso sempre pedir os teus bolos de olá para me encher de migalhas para lavar. A água corre e lava, lava o espírito e a mente. E, apesar do que dizem, a água volta sempre a passar por baixo da mesma ponte. Felizmente os estudiosos descobriram que há um ciclo contínuo e o que foi pode voltar a ser.
Não me importa quando lês as minhas mensagens. Elas são intemporais. O que me vai na alma pode mudar, mas o que senti no momento e que o disse nada o vai virar ao contrário. A mesma água volta a correr nas nossas mãos, mas o que hoje é, amanhã a aos deuses pertence. Nós não somos senhores do nosso destino, e as linhas tortas com toda a certeza podem voltar a cruzar-se.
Amassa o teu P. por mim.
bjo
pat.
Estava deitada e não dormia. Cozinhar não me acalma. Lavar a loiça sim, mas não há nenhuma suja. Posso sempre pedir os teus bolos de olá para me encher de migalhas para lavar. A água corre e lava, lava o espírito e a mente. E, apesar do que dizem, a água volta sempre a passar por baixo da mesma ponte. Felizmente os estudiosos descobriram que há um ciclo contínuo e o que foi pode voltar a ser.
Não me importa quando lês as minhas mensagens. Elas são intemporais. O que me vai na alma pode mudar, mas o que senti no momento e que o disse nada o vai virar ao contrário. A mesma água volta a correr nas nossas mãos, mas o que hoje é, amanhã a aos deuses pertence. Nós não somos senhores do nosso destino, e as linhas tortas com toda a certeza podem voltar a cruzar-se.
Amassa o teu P. por mim.
bjo
pat.
perdi-me
se eu soubesse de mim, podia saber de ti. não acredito que seja possível escolhermos quem não amar. é como encontrar solução para a morte, é anti-natura. podes escolher com quem não ficar. eu não queria escolher ficar sem ti, mas como sei que não vou poder escolher não te amar mais tarde...
Um instante na vida de alguém
Não estou com muita veia, mas acho importante dizer-te o que sinto, agora, mesmo agora ao ler o que escreveste.
Não gosto do que dizes, embora o digas de uma forma bonita, como sempre.
Acho que estamos a afastar-nos dos instantes. Acho que te estás a começar a afundar. Acho que sabes disso e não fazes nada para te manteres à tona.
Estás simplesmente embriagado nos teus sentimentos, viciado, sem controlo. Estás a perder-te e estás a gostar de te perder. Se não escolhes pensar ou sentir-me a mim, então posso aparecer no momento mais inadequado.
Não esqueças a liberdade de escolhermos o que queremos pensar ou sentir. Não esqueças as tuas linhas paralelas. Não esqueças a tua panela de pressão. Foi por ela que te despediste de mim, para depois regressar sem tino. Não deixes que esse prazer se estrague, acabar acaba sempre, estragar é muito triste.
Não gosto do que dizes, embora o digas de uma forma bonita, como sempre.
Acho que estamos a afastar-nos dos instantes. Acho que te estás a começar a afundar. Acho que sabes disso e não fazes nada para te manteres à tona.
Estás simplesmente embriagado nos teus sentimentos, viciado, sem controlo. Estás a perder-te e estás a gostar de te perder. Se não escolhes pensar ou sentir-me a mim, então posso aparecer no momento mais inadequado.
Não esqueças a liberdade de escolhermos o que queremos pensar ou sentir. Não esqueças as tuas linhas paralelas. Não esqueças a tua panela de pressão. Foi por ela que te despediste de mim, para depois regressar sem tino. Não deixes que esse prazer se estrague, acabar acaba sempre, estragar é muito triste.
É assim que eu vejo as coisas.
Às vezes acontecem coisas que te tocam, neste caso que tu ouves.
Hoje acordei com esta música e não é que eu seja fã, não cheguei sequer a ter tempo de o conhecer. Anos 8O ainda eu era uma criança...
Correndo o risco de poder estar a chamar-te de "close-mind", são só uns pontos que não quero que sejam "misunderstanded".
Não penses que te estou a querer agarrar, longe de mim, prezo tanto a tua liberdade, ou até mais do que a minha. Simplesmente se ontem não tivesse existido, estas palavras que não precisei de inventar diriam muito de nada.
Engate: Nunca no sentido perjurativo, sempre num sentido de "agarrar sem prender"Uma noite: Pode estar Sol ou Lua, pode ser escuro ou ofuscante, uma noite é o tal instante.
Corpo de prazer: Não existe corpo sem espírito, nem espirito sem um corpo onde habitar. Apenas por isso, corpo ou prazer não têm qualquer conotação limitada à ideia sexual
CANÇÃO DO ENGATE
António Rodrigues Ribeiro
Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite pra passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar, na aventura dos sentidos
Tu estás só e eu mais só estou
Que tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar, nessa tua mão deserta
Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer, ser o fim de mais um dia
Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém, e eu sou melhor que nada
Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás
Hoje acordei com esta música e não é que eu seja fã, não cheguei sequer a ter tempo de o conhecer. Anos 8O ainda eu era uma criança...
Correndo o risco de poder estar a chamar-te de "close-mind", são só uns pontos que não quero que sejam "misunderstanded".
Não penses que te estou a querer agarrar, longe de mim, prezo tanto a tua liberdade, ou até mais do que a minha. Simplesmente se ontem não tivesse existido, estas palavras que não precisei de inventar diriam muito de nada.
Engate: Nunca no sentido perjurativo, sempre num sentido de "agarrar sem prender"Uma noite: Pode estar Sol ou Lua, pode ser escuro ou ofuscante, uma noite é o tal instante.
Corpo de prazer: Não existe corpo sem espírito, nem espirito sem um corpo onde habitar. Apenas por isso, corpo ou prazer não têm qualquer conotação limitada à ideia sexual
CANÇÃO DO ENGATE
António Rodrigues Ribeiro
Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite pra passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar, na aventura dos sentidos
Tu estás só e eu mais só estou
Que tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar, nessa tua mão deserta
Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer, ser o fim de mais um dia
Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém, e eu sou melhor que nada
Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás
Desilusão
Para uma pessoa que escreve mal, consegues ser bastante eloquente.
Para uma pessoa que se considera um mau amante, consegues ser muito atrevido com desconhecidas.
Para quem se diz mau "dançador", consegues convencer muito bem no teu ritmo.
Nas minhas gavetas, ou galerias, eu só guardo quem eu quero e onde quero. A ti vou guardar-te na gaveta, galeria, dos que souberam prender-me sem me agarrarem. Mas vou guardar um bocadinho na gaveta daqueles que têm medo. Não sei do quê, nem porquê, simplesmente têm medo.
Os dois tinhamos consciência de que estávamos a jogar um jogo, conhecíamos as peças, conhecíamos as regras. Não me custa nada aceitar o facto em si, nem me custa nada aceitar a forma, é a tua maneira de ser. O que me custa é mais uma ver confirmar que as pessoas para mim não são o que são, são o que eu desenho. Que no meio de tanta abertura, crio sempre o que mais me convém. E neste caso convinha-me uma pessoa que me olhasse nos olhos, porque era assim que eu a olhava.
Nada mais.
Beijo
p.
Para uma pessoa que se considera um mau amante, consegues ser muito atrevido com desconhecidas.
Para quem se diz mau "dançador", consegues convencer muito bem no teu ritmo.
Nas minhas gavetas, ou galerias, eu só guardo quem eu quero e onde quero. A ti vou guardar-te na gaveta, galeria, dos que souberam prender-me sem me agarrarem. Mas vou guardar um bocadinho na gaveta daqueles que têm medo. Não sei do quê, nem porquê, simplesmente têm medo.
Os dois tinhamos consciência de que estávamos a jogar um jogo, conhecíamos as peças, conhecíamos as regras. Não me custa nada aceitar o facto em si, nem me custa nada aceitar a forma, é a tua maneira de ser. O que me custa é mais uma ver confirmar que as pessoas para mim não são o que são, são o que eu desenho. Que no meio de tanta abertura, crio sempre o que mais me convém. E neste caso convinha-me uma pessoa que me olhasse nos olhos, porque era assim que eu a olhava.
Nada mais.
Beijo
p.
terça-feira, 8 de março de 2005
Tão perto, mas tão longe daqui.
Tão perto, mas tão longe daqui. Sinto-te tão perto, tão perto, um quasedentro de mim que até doi. Assusta, assusta muito. Escapa-me o como e oporquê e por isso me assusta. Assusta-me passear pelo teu respirar eencontrar-me em cada canto. Não queres comentários, bem sei, mas mensagensnão podes negar-me. Tal como eu, de uma forma que ainda não lhe conheço aforma, não te posso negar dentro de mim. Estás no espelhos, estás na chuvaque parece que molha mais, estás no pendulo há um ano atrás, um ano atrás etão dentro de mim. Tão perto e tão longe daqui. Uma casa vazia, uma almaperdida. Uma perfeição que buscas no imperfeito. Que buscas na voz que falacomo na que se cala. Tanta coisa. Tanta coisa e tão poucas certezas.
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