domingo, 17 de abril de 2005
racional versus irracional
Quem quiser levar os homens a agir racionalmente, tem de se decidir a levá-los de forma irracional.
frases soltas, recordadas durante o sonho
Todas as coisas grandes e extraordinárias e divinas da vida são de uma simplicidade infantil.
A estrada da montanha pode ser árdua, mas o ar lá lá no alto é puro e é do cume que se desfruta o panorama.
As coisas que realmente importam, acontecem no coração.
A chama da vela dá luz, mas também queima.
A estrada da montanha pode ser árdua, mas o ar lá lá no alto é puro e é do cume que se desfruta o panorama.
As coisas que realmente importam, acontecem no coração.
A chama da vela dá luz, mas também queima.
o caminho dos loucos
Tudo o que se faz de grande no mundo, é feito por loucos. As pessoas estão sempre dispostas a ouvir um sábio para se divertirem e relaxarem um pouco, tal como ouviriam um saltibanco ou um contador de histórias. Mas, quanto a agirem, nunca estão dispostas a seguir o caminho de um homem de razão. Nunca. Em toda a história da humanidade, sempre que a escolha se teve de fazer entre um homem de razão e um louco, o mundo seguiu, sem hesitação, o segundo. Porque o louco apela para o que é fundamental na vida, apela para a paixão e os instintos, o sábio aponta para o que é superficial e supérfluo - a razão.
as linhas paralelas
Já sei onde fui buscar esta minha ideia de que vivo em paralelo.
"As linhas paralelas só se encontram no infinito (...). Mas já alguém estabeleceu contacto com alguém? Todos nós somos linhas paralelas (...)" eu só sou um pouco mais paralela do que a maior parte das pessoas.
"(...)" retirado algures em 1994 do livro "Férias em Crome" de Aldous Huxley. Redescoberto hoje.
"As linhas paralelas só se encontram no infinito (...). Mas já alguém estabeleceu contacto com alguém? Todos nós somos linhas paralelas (...)" eu só sou um pouco mais paralela do que a maior parte das pessoas.
"(...)" retirado algures em 1994 do livro "Férias em Crome" de Aldous Huxley. Redescoberto hoje.
sábado, 16 de abril de 2005
le rêve
variação a dois tempos sobre o sonho de Verlaine
Je fais souvent ce rêve étrange et pénétrant
D’une vie inconnue, et que je vivre et qui me vivre
Et qui n’est, quelque fois une vie belle
Ni souvent une vie comme la mienne
Car je ne la comprends pas, et sa joie claire et cristalline
Pour elle seule se fait, pourtant moi j’y crois
Et j’y crois a elle seule et jamais à moi-même
Puisqu’elle se fait rafraîchir en me voient du même
Suis-moi heureuse, simple ou ténébreuse ?
Mon nom ? Je me souviens qu’il est dur et pourtant léger
Comme ceux des condamné par la vie en guerre
Son regard est pareil au regard de l’eau
Que se contourne infinie e douloureusement
Comme des vagues en cassant sur la chair abandonnée
Je fais souvent ce rêve étrange et pénétrant
D’une vie inconnue, et que je vivre et qui me vivre
Et qui n’est, quelque fois une vie belle
Ni souvent une vie comme la mienne
Car je ne la comprends pas, et sa joie claire et cristalline
Pour elle seule se fait, pourtant moi j’y crois
Et j’y crois a elle seule et jamais à moi-même
Puisqu’elle se fait rafraîchir en me voient du même
Suis-moi heureuse, simple ou ténébreuse ?
Mon nom ? Je me souviens qu’il est dur et pourtant léger
Comme ceux des condamné par la vie en guerre
Son regard est pareil au regard de l’eau
Que se contourne infinie e douloureusement
Comme des vagues en cassant sur la chair abandonnée
Do outro lado da janela
Seja de dentro para fora ou de fora para dentro, sempre a fascinou o mundo do outro lado da janela.
1989, Inverno ou Verão, 7:15 na estação de comboios. Sempre ali, via o das 7:18 partir, com calma, com toda a calma. Com muito mais calma do que qualquer outro dos seres que para ali se atiravam. Com calma, como se fosse normal acordar 15 minutos mais cedo todos os dias, para ali estar a vê-los sair. Partiam rumo ao mesmo destino do que ela: sobreviver ao dia-a-dia.
7:20, chegava o que viria a ser o "seu". Derramava na plataforma litros de gentes. Umas diferentes, outras iguais. Umas mais diferentes que as outras mais iguais. A plataforma, que tinha visto correr para lá, despejava agora para cá. Amarelo, verde, azul. Preto, branco ou assim-assim. Altos baixos, correndo ou tentando não ser atropelados. Com a pressa dessas gentes, 7:23 já estaria sentada na sua janela.
Não era importante a carruagem, há quem goste de viajar sempre no mesmo lugar, encontros combinados, saídas mais perto, de tudo um pouco. Ela só queria ficar à janela, fosse qual fosse, desde que virada para a plataforma, e de costas para a frente.
Acho que era nesses pouco mais de 15 minutos, que ela crescia para o mundo, aprendia, absorvia a sua energia, imaginava a sua vida. Sonhava. À noite, quando chegava a casa, derramava no papel tudo o que havia sido derramado nos seus olhos. Suspirava e sentia que podia partir para mais um dia.
1989, Inverno ou Verão, 7:15 na estação de comboios. Sempre ali, via o das 7:18 partir, com calma, com toda a calma. Com muito mais calma do que qualquer outro dos seres que para ali se atiravam. Com calma, como se fosse normal acordar 15 minutos mais cedo todos os dias, para ali estar a vê-los sair. Partiam rumo ao mesmo destino do que ela: sobreviver ao dia-a-dia.
7:20, chegava o que viria a ser o "seu". Derramava na plataforma litros de gentes. Umas diferentes, outras iguais. Umas mais diferentes que as outras mais iguais. A plataforma, que tinha visto correr para lá, despejava agora para cá. Amarelo, verde, azul. Preto, branco ou assim-assim. Altos baixos, correndo ou tentando não ser atropelados. Com a pressa dessas gentes, 7:23 já estaria sentada na sua janela.
Não era importante a carruagem, há quem goste de viajar sempre no mesmo lugar, encontros combinados, saídas mais perto, de tudo um pouco. Ela só queria ficar à janela, fosse qual fosse, desde que virada para a plataforma, e de costas para a frente.
Acho que era nesses pouco mais de 15 minutos, que ela crescia para o mundo, aprendia, absorvia a sua energia, imaginava a sua vida. Sonhava. À noite, quando chegava a casa, derramava no papel tudo o que havia sido derramado nos seus olhos. Suspirava e sentia que podia partir para mais um dia.
nós e os outros ou nós ou os outros
na vida há espaço para tudo e todos. quando escrevo não sei se o faço na primeira ou em todas as pessoas do singular ou do plural. mas sei que escrevo de todos, para mim, e que me vêm para os outros. ciclo vicioso este, hein?!
os castigos
Os castigos não são (sempre) incompreensíveis. Quando vistos e aplicados de uma forma construtiva, podem ajudar uma criança ou um adolescente a perceberem que somos responsáveis e responsabilizados pelos nossos "crimes" mas, também, que podemos aprender alguma coisa com esse "erro".
Conheço uma pessoa desde sempre sensível às piores realidades deste mundo que conseguia, através de uma participação activa na Associação de Pais de uma Escola onde quase só apareciam crianças de bairros sociais degradados, habituadas à lei da faca e nunca ao carinho e valorização, que 2 ou 3 entre as muitas outras mais, fossem castigadas de uma forma totalmente não punitiva. Vi suficientes pré-deliquentes que teriam sido suspensos das aulas e do espaço escolar durante uma semana ou mais, para ficarem nas ruas sem tino nem destino que não o de criarem vícios e bandos, serem colocados na pequena cozinha a ajudar mas, melhor ainda, nos canteiros da escola, plantando e acompanhando o crescimento saudável de meia dúzia de plantas agrestes. Esse acompanhamento infelizmente era muitas vezes feito, não no decorrer normal de uma manhã de escola, mas sim no decorrer de castigos sucessivos...
Deixei de ter contacto com essas crianças, não sei como cresceram nem no que se tornaram, mas tenho a certeza que, mesmo preferindo andar a sacar carteiras ou furar pneus por aí, nunca esqueceram os dias de ancinho na mão e a magia que é ver alguma coisa crescer do nosso trabalho. Diz-me essa pessoa que, frequentemente, é abordada por jovens que lhe dizem "Lembra-se de mim? Plantei o arbusto do canteiro do fundo".
Talvez isto tudo não passe de uma utopia, mas fico feliz por saber que existem pessoas ainda utópicas.
Conheço uma pessoa desde sempre sensível às piores realidades deste mundo que conseguia, através de uma participação activa na Associação de Pais de uma Escola onde quase só apareciam crianças de bairros sociais degradados, habituadas à lei da faca e nunca ao carinho e valorização, que 2 ou 3 entre as muitas outras mais, fossem castigadas de uma forma totalmente não punitiva. Vi suficientes pré-deliquentes que teriam sido suspensos das aulas e do espaço escolar durante uma semana ou mais, para ficarem nas ruas sem tino nem destino que não o de criarem vícios e bandos, serem colocados na pequena cozinha a ajudar mas, melhor ainda, nos canteiros da escola, plantando e acompanhando o crescimento saudável de meia dúzia de plantas agrestes. Esse acompanhamento infelizmente era muitas vezes feito, não no decorrer normal de uma manhã de escola, mas sim no decorrer de castigos sucessivos...
Deixei de ter contacto com essas crianças, não sei como cresceram nem no que se tornaram, mas tenho a certeza que, mesmo preferindo andar a sacar carteiras ou furar pneus por aí, nunca esqueceram os dias de ancinho na mão e a magia que é ver alguma coisa crescer do nosso trabalho. Diz-me essa pessoa que, frequentemente, é abordada por jovens que lhe dizem "Lembra-se de mim? Plantei o arbusto do canteiro do fundo".
Talvez isto tudo não passe de uma utopia, mas fico feliz por saber que existem pessoas ainda utópicas.
sexta-feira, 15 de abril de 2005
também se pode brincar à sexta-feira?
TUDO GRAMATICAMENTE CORRECTO...
Perguntaram a uma loira qual a diferença entre mamilo e mama.
A loira, depois pensar muito, muito, mas muuiiiitto tempo, respondeu:
- Mamilo... é o que me chupam... Mama... é uma ordem...
Perguntaram a uma loira qual a diferença entre mamilo e mama.
A loira, depois pensar muito, muito, mas muuiiiitto tempo, respondeu:
- Mamilo... é o que me chupam... Mama... é uma ordem...
Prescrição para males de amor
"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer"
===================================
Ah Camões
Se vivesses hoje em dia
Tomavas uns anti-piréticos
Uns quantos analgésicos
Xanax ou Prozac para a depressão
Compravas um computador
Consultavas a página do Murcon
E descobririas
Que essas dores que sentias
Esses calores que te abrasavam
Essas mudanças de humor repentinas
Esses desatinos sem nexo
Não eram feridas de amor
Mas somente falta de sexo.
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer"
===================================
Ah Camões
Se vivesses hoje em dia
Tomavas uns anti-piréticos
Uns quantos analgésicos
Xanax ou Prozac para a depressão
Compravas um computador
Consultavas a página do Murcon
E descobririas
Que essas dores que sentias
Esses calores que te abrasavam
Essas mudanças de humor repentinas
Esses desatinos sem nexo
Não eram feridas de amor
Mas somente falta de sexo.
ar, por favor
é nestas alturas que eu percebo claramente que, ainda mais importante do que a água, o ar é essencial à minha vida.
quinta-feira, 14 de abril de 2005
Berlenga
Reserva Natural criada em 1981, pelo Decreto-Lei n.º 264/81 de 3 de Setembro.
Pensei fazer uma página sobre esta Ilha Encantada, onde nos últimos anos tenho passado férias com os melhores amigos do mundo. Foi quando procurava informação que encontrei um site inteirinho dedicado a ela. Vou fazer um link até lá. Espero que os autores não se importem.
Formação granítica com cerca de 280 milhões de anos que integra a Ilha Berlenga, as Estelas e os Farilhões.
A Reserva Natural é um dos mais importantes locais de nidificação (construção de ninhos) e refúgio de aves marinhas na Península Ibérica. O seu elevado interesse botânico é-lhe conferido por dois endemismos e mais de uma dezena de espécies de distribuição restrita em Portugal.
A parte imersa é uma reserva marinha de grande riqueza ictiológica (peixes), a primeira criada no país.
Para os Lobos do Mar - Farol da Berlenga
Número Nacional: 136
NúmeroInternacional: D-2086
Nome e Localização: Berlenga. No ponto mais elevado da ilha
Lat/LongN/W: 39º24'/999º30'/47
Descrição e Altura: Torre prismática branca com edifícios anexos. 29 m.
Para breve, algumas Histórias ilustradas.
Pensei fazer uma página sobre esta Ilha Encantada, onde nos últimos anos tenho passado férias com os melhores amigos do mundo. Foi quando procurava informação que encontrei um site inteirinho dedicado a ela. Vou fazer um link até lá. Espero que os autores não se importem.
Formação granítica com cerca de 280 milhões de anos que integra a Ilha Berlenga, as Estelas e os Farilhões.
A Reserva Natural é um dos mais importantes locais de nidificação (construção de ninhos) e refúgio de aves marinhas na Península Ibérica. O seu elevado interesse botânico é-lhe conferido por dois endemismos e mais de uma dezena de espécies de distribuição restrita em Portugal.
A parte imersa é uma reserva marinha de grande riqueza ictiológica (peixes), a primeira criada no país.
Para os Lobos do Mar - Farol da Berlenga
Número Nacional: 136
NúmeroInternacional: D-2086
Nome e Localização: Berlenga. No ponto mais elevado da ilha
Lat/LongN/W: 39º24'/999º30'/47
Descrição e Altura: Torre prismática branca com edifícios anexos. 29 m.
Para breve, algumas Histórias ilustradas.
razão de estado
Houve alguém que um dia me perguntou "porquê querer fazer novos amigos? os que tens não te chegam ou não são bons?". Nada disso! Eu apenas gosto de confrontar ideias com pessoas de todo o lado. Gosto sobretudo de conhecer pessoas que não pensem da mesma forma que eu, isso ajuda-me a manter o espírito aberto. Já agora, a pessoa que me fez essa pergunta é agora um grande amigo meu que apesar da distância, separa-nos um oceano, está sempre muito perto.
Maio 1998
Pois é, São Tomé é um paraíso mas é um paraíso muito mal tratado pelos seus.
Numa altura em que tanto se fala dos problemas ambientais fiquei com a impressão de que poucas pessoas estão preocupadas com o futuro de São Tomé. Não falo apenas dos grandes problemas ambientais, das tartarugas em extinção ou das toneladas de areia retiradas (para não dizer roubadas!) às praias. Falo de uma consciência que não existe no dia-a-dia, talvez por desconhecimento, talvez por falta de meios (que nem sempre é justificativo), por total indiferença... ou se calhar porque simplesmente é muito mais simples. Quando não existe uma recolha de lixo pela cidade é realmente muito mais fácil largar o lixo na praia em frente... só que quando a população inteira de uma cidade larga os seus lixos na praia em frente, não está com certeza à espera que o mar absorva tudo infinitamente.
Com tantos projectos a querem nascer em STP, Zona Franca, petróleo e afins, é preciso ter cuidado. Deus deu mas não deu com contrato de manutenção incluído, não é Deus que vai manter assim para o resto da vida... se não forem os santomenses a cuidar da sua terra, com amor e sobretudo com consciência, um dia ela vai deixar de ser um dos paraísos à superfície da Terra.
Eu, como turista que também fui, fiquei desiludida por chegar a praias aparentemente maravilhosas e cortar-me numa lata de cerveja largada por lá. Uma entre muitas, não só latas mas também garrafas, sacos, papeis.
Já agora, porque não ler o livro de Miguel Sousa Tavares. Entre outros relatos, fala-nos da sua experiência em São Tomé.
Numa altura em que tanto se fala dos problemas ambientais fiquei com a impressão de que poucas pessoas estão preocupadas com o futuro de São Tomé. Não falo apenas dos grandes problemas ambientais, das tartarugas em extinção ou das toneladas de areia retiradas (para não dizer roubadas!) às praias. Falo de uma consciência que não existe no dia-a-dia, talvez por desconhecimento, talvez por falta de meios (que nem sempre é justificativo), por total indiferença... ou se calhar porque simplesmente é muito mais simples. Quando não existe uma recolha de lixo pela cidade é realmente muito mais fácil largar o lixo na praia em frente... só que quando a população inteira de uma cidade larga os seus lixos na praia em frente, não está com certeza à espera que o mar absorva tudo infinitamente.
Com tantos projectos a querem nascer em STP, Zona Franca, petróleo e afins, é preciso ter cuidado. Deus deu mas não deu com contrato de manutenção incluído, não é Deus que vai manter assim para o resto da vida... se não forem os santomenses a cuidar da sua terra, com amor e sobretudo com consciência, um dia ela vai deixar de ser um dos paraísos à superfície da Terra.
Eu, como turista que também fui, fiquei desiludida por chegar a praias aparentemente maravilhosas e cortar-me numa lata de cerveja largada por lá. Uma entre muitas, não só latas mas também garrafas, sacos, papeis.
Já agora, porque não ler o livro de Miguel Sousa Tavares. Entre outros relatos, fala-nos da sua experiência em São Tomé.
quarta-feira, 13 de abril de 2005
@
A S. diz-me "se a vida te dá limões, faz limonada". Mas a vida agora dá-me mais é limonada versão take-away. Uma limonada bem diluidazita... um quase nada que nem a qb chega. Ele há dias... mas depois desses, há sempre outros mais, mesmo que para lá desta dimensão.
XX - Les Bijoux
La très chère était nue, et, connaissant mon coeur,
Elle n'avait gardé que ses bijoux sonores,
Dont le riche attirail lui donnait l'air vainqueur
Qu'ont dans leurs jours heureux les esclaves des Mores.
Quand il jette en dansant son bruit vif et moqueur,
Ce monde rayonnant de métal et de pierre
Me ravit en extase, et j'aime à la fureur
Les choses où le son se mêle à la lumière.
Elle était donc couchée et se laissait aimer,
Et du haut du divan elle souriait d'aise
A mon amour profond et doux comme la mer,
Qui vers elle montait comme vers sa falaise.
Les yeux fixés sur moi, comme un tigre dompté,
D'un air vague et rêveur elle essayait des poses,
Et la candeur unie à la lubricité
Donnait un charme neuf à ses métamorphoses;
Et son bras et sa jambe, et sa cuisse et ses reins,
Polis comme de l'huile, onduleux comme un cygne,
Passaient devant mes yeux clairvoyants et sereins;
Et son ventre et ses seins, ces grappes de ma vigne,
S'avançaient, plus câlins que les Anges du mal,
Pour troubler le repos où mon âme était mise,
Et pour la déranger du rocher de cristal
Où, calme et solitaire, elle s'était assise.
Je croyais voir unis par un nouveau dessin
Les hanches de l'Antiope au buste d'un imberbe,
Tant sa taille faisait ressortir son bassin.
Sur ce teint fauve et brun, le fard était superbe!
– Et la lampe s'étant résignée à mourir,
Comme le foyer seul illuminait la chambre,
Chaque fois qu'il poussait un flamboyant soupir,
Il inondait de sang cette peau couleur d'ambre!
Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal 1857
Elle n'avait gardé que ses bijoux sonores,
Dont le riche attirail lui donnait l'air vainqueur
Qu'ont dans leurs jours heureux les esclaves des Mores.
Quand il jette en dansant son bruit vif et moqueur,
Ce monde rayonnant de métal et de pierre
Me ravit en extase, et j'aime à la fureur
Les choses où le son se mêle à la lumière.
Elle était donc couchée et se laissait aimer,
Et du haut du divan elle souriait d'aise
A mon amour profond et doux comme la mer,
Qui vers elle montait comme vers sa falaise.
Les yeux fixés sur moi, comme un tigre dompté,
D'un air vague et rêveur elle essayait des poses,
Et la candeur unie à la lubricité
Donnait un charme neuf à ses métamorphoses;
Et son bras et sa jambe, et sa cuisse et ses reins,
Polis comme de l'huile, onduleux comme un cygne,
Passaient devant mes yeux clairvoyants et sereins;
Et son ventre et ses seins, ces grappes de ma vigne,
S'avançaient, plus câlins que les Anges du mal,
Pour troubler le repos où mon âme était mise,
Et pour la déranger du rocher de cristal
Où, calme et solitaire, elle s'était assise.
Je croyais voir unis par un nouveau dessin
Les hanches de l'Antiope au buste d'un imberbe,
Tant sa taille faisait ressortir son bassin.
Sur ce teint fauve et brun, le fard était superbe!
– Et la lampe s'étant résignée à mourir,
Comme le foyer seul illuminait la chambre,
Chaque fois qu'il poussait un flamboyant soupir,
Il inondait de sang cette peau couleur d'ambre!
Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal 1857
tudo em nada
há mulheres com muita sorte... não é todos os dias que alguém nos merece um sms em branco. nada a dizer ou espaço para tudo? assim se abrem as portas ao infinito, assim se fecham para sempre.
pro ou actividade?
sinto que quanto mais proactiva me cresço na vida, mais reactiva me faço na escrita. (des)equilíbrio?
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