terça-feira, 10 de maio de 2005

if

se eu soubesse escrever o que em mim sinto, voltaria com gosto aqui. assim, continuamos em descanso do escrevidor.

o desconcerto

Acordei num repente, como se o ar me tivessem cortado. Vestias o teu casaco azul, escondias a cabeça no capuz. Sim, eu pago pelo amor. Eu pago o que a cabeça precisa e o corpo não corresponde. Eu vendo-me às ruas do Cais-do -Sodré. Vendo-me porque não sou capaz de dar. Compro e vendo-me. Não foi sonho, não foi pesadelo, foi desconcerto.

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Atenção ao que dizem!!!

MULHER: Se eu morresse casavas outra vez?
MARIDO: Claro que não!
MULHER: Não? Não por quê? Não gostas de estar casado?
MARIDO: Claro que gosto.
MULHER: Então porque é que não casavas de novo?
MARIDO: 'Tá bem, casava...
MULHER: (com um olhar magoado) Casavas?
MARIDO: Então?...
MULHER: E dormirias com ela na nossa cama?
MARIDO: Onde é que tu querias que nós dormíssemos?
MULHER: E substituirias as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO: É natural que sim...
MULHER: E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não. Ela não tem carta...
MULHER: (silêncio)
MARIDO: Merda...

encerrado para descanso do escrevidor

O escrevidor vai tratar dos seus Anjinhos. Regressa (?) segunda-feira. Cansado e muito feliz.

quinta-feira, 5 de maio de 2005

afinal havia... engano!

a fugir? sim, a P. não está enganada (olha fixamente para as suas lindas mãos*), está muitíssimo enganada!

*tens umas mãos tão bonitas. eu roo as unhas! olha, pois róis, são tão bonitas que nem tinha reparado...

O pecado da cruz

Então, gostaste de ir a Fátima? Sim, só que cometi um pecado... Um pecado em Fátima?? Ó R., isso é uma coisa um bocado maluca!! Roubei uma cruz! KÉ? Foste a Fátima e roubaste uma CRUZ?!?!? Uma Cruz??! Coitada da Irmã R. se descobre... É, uma cruz... Custava 5€ e eu só tinha 2... Ó meu querido, foste cometer um pecado por 3€?? Era tão bonita... veja! E a senhora da loja ofereceu uma ao I., por isso não foi bem um pecado porque se eu tivesse pedido ela também me dava! Pois, se calhar dava... não sei, e também não sei se ria ou se chore deste pecado! A cruz é bonita, estás orgulhoso de a ter ao pescoço. Podias ter roubado uma garrafa de bagaço no MiniPreço, ou assaltado alguém por uns trocos para a coca... coca sem cola mesmo! Ou coca com cola em pratos separados... andas com Jesus ao colo, ele não deve estar muito zangado, não é? Amo-te muito mesmo assim, com e sem pecados.

Finalmente apareceu o digno sucessor do Zé Cabra !!

Vá, toca a sorrir! É lindo!

Deveria ter som... mas eu não sei fazer o upload! Vá, aprendam a letra e procurem o som!!!!
Um interlúdio musical de fino recorte (reparem no nível da letra).
Directamente do Brasil... é rolar de tanto rir com o rei do brega!

I LOVE YOU TONIGHT
(Falcão/ Rodrigo Santoro/ Marcos Romera)

I love você
e sei que você
também love mim

I love you.
E quero receber
o que você prometeu
only para eu.

Only for you...
Se não for assim,
é melhor para mim
ficar sem ver tu.

I need you...
Pois esse seu jeitin
me deixa doidin,
doidin for you

I love you...
I love you tonighti
tonighti... tonighti
I love you tonighti
tonight ... tonight
I love you tumatchi

I love seu corpinho
I love seu umbiguinho
I love seu pézinho
I love seus cabelinho
I love seu pescocinho
and I love seu buchinho.

chuchuchurá...

I love seu rostinho
I love seu suvaquinho
I love seu olhinhos
I love sua bochechinha
I love sua bundinha
and I love you todinha

I love you...
I love you tonighti
tonight... tonight
I love you tonighti
tonight ... tonight
I love you tumatchi

quarta-feira, 4 de maio de 2005

DANÇAR É RECEITA IDEAL PARA ALIVIAR O STRESS

Às vezes encontramos quem já escreveu por nós.

Africanidade 04-06-2004
Dançar alivia o stress, rejuvenesce o espírito e nos deixa simplesmente felizes e alegres. Talvez por isso, o uso do cigarro, comum entre os europeus, não seja tão habitual entre nós os africanos. Temos uma receita mais saudável e interessante para desanuviar as nossas angústias, sem contar que ela é natural e divinal. Uma bênção de Deus para o continente de emoções, onde tudo é assinalado com a magia do ritmo.


Em Lisboa, a vida do estudante é assim. Depois de uma semana de trabalho, encontramo-nos no local de sempre. Esquecemos as dificuldades, ignoramos tudo e mergulhamos na Magia da Dança Africana, simplesmente sensual e cativante. Já houve quem dissesse que dançar “Kizomba” é fazer amor com roupa. Desconheço o autor desta sábia frase, mas ficou gravado na minha memória. Subscrevo essa afirmação, tomando em consideração o meu próprio exemplo e de demais pessoas poderemos constatar quando vamos “pra Night.”

Em todo o caso, seja qual a forma e o sentido que lhe queira ser atribuído, todos reconhecemos que os cabo-verdianos, sobretudo quando ainda são estudantes, adoram um bom “pé di badju”. Prova disso é o nosso ponto de encontro em Lisboa. Aquele local é hoje referenciado como “nossa Discoteca”. Aí revemos amigos, conhecemos os recém-chegados e também, aproveitamos para saber notícias da Terra Mãe.

Bem, não sei o que pretendo, escrevendo coisas tão banais e descabidas de qualquer interesse. Apetece-me simplesmente. Como podia apetecer-me dançar, cantar, ou algo semelhante. São coisas assim, sem motivos especiais, simples, que nos dão prazer e significado à nossa vida. Nisto reside o segredo da alegria do povo africano. A nossa vivacidade, o nosso calor, a nossa sensualidade e humanidade expressam-se na nossa forma de dançar aos pares, exprimindo a união, a cumplicidade e indo ao encontro do cenário do Jardim do Éden.

Para mim, o movimento das ancas, o sobe e desce, o roçar dos corpos quentes e das almas escaldantes, o sentir as respirações e o bater dos corações são sinais e pormenores de um mundo tipicamente das noites africanas em Lisboa. Essa é a nossa cultura, está no sangue esta chama que nos consome e nos ordena a esquecer o cansaço e a fugir do sono, simplesmente porque é bom dançar, sabe bem, e o resto das emoções...meus amigos!!!.... só dançando....!!!! Vai uma dança???

Vem aí o fim de semana. Apetece-me dançar, por isso marcamos encontro no local de sempre. Já tenho convite para a festa, recebi-o de um estudante na cantina. Tenho um problema, se calhar não sou o único. Não tenho dinheiro. Mas como se sabe, queixamos de dinheiro para tudo, menos para uma festa de estudantes cabo-verdianos. Por isso vou, gastar os 5€ do pouco que ainda tenho.

Bora Lá Pessoal !!!! – Vamos curtir que a vida não é só estudar....

by João Dono

País de brandos costumes

Espero que o senhor ande às voltas lá na cova dele...

Não tenho por hábito ver televisão. Vivi tempo suficiente fisicamente longe dela para não lhe sentir a falta agora. Mas hoje estava cansada e deixei-me esparregar (isto vem de esparregado, tem uma consistência perfeita) no sofá e fui fazendo zapping. Encontrei-me com um pai e uma avó que mataram uma Vanessa de 5 anos. Não sei onde nem porquê, mas percebi que teriam andado à procura dela numa feira, fingindo preocupação e (tentando) afastar suspeitas. Ainda não passou muito tempo desde o episódio da Joana do Algarve. Uma trama que deixaria qualquer Agatha Christie de bamba. Há uns anos atrás lembro-me de uma história de um outro pai que, num qualquer acesso de fúria, atirou pela janela do 2º andar o frigorífico. Ainda não contentado, aproveitou a vidraça partida e atirou dois dos filhos. As histórias são infindáveis, se visse mais televisão teria cenas para 1001 takes de um filme de humor negro, talvez um Tarantino, como eu gosto. Uma coisa é certa, podemos não ser um país de brandos costumes, mas que temos imaginação sórdida e rebuscada a dar com pau, ai isso temos!

* Tenho por hábito escrever Pai, Mãe, Avó... em caixa alta, mas aqui escolhi propositadamente a baixa.

Portugal a alta velocidade

Eu cá não percebo nada de economias, mercados, mais valias, políticas... nadinha de nada! Não nasci dotada para governar uma Nação, nem sequer para saber como se faz. Mas mesmo assim acho que tenho direito de perguntar porque precisamos de um TGV agora quando ainda há crianças a mais a percorrer quilómetros a mais, para escolas a menos, debaixo de chuva e de sol, a pé. Ando baralhada nas prioridades. Não entendo, mas gostava de entender. Porque acredito que exista uma razão válida para progredirmos por cima e estagnarmos na base... Não dava para comprar uma ou duas rodoviárias velhotas para poupar os pés desses meninos de ninguém? Fico à espera de ser elucidada...

Não acredito em milagres

Mas acredito que eles possam acontecer. No meio da tua lonjura deixei escapar dois pequenos promenores. Mas que grandes pormenores, meu querido! O Milagre do Amor e da Fé.

O reencontro com a Irmã R. e a ida a Fátima.

A tarde de Domingo foi repleta. Entre os passeios, amigos, chutos na bola, estivemos com a Irmã R. Como sempre, tu quiseste ir! Pediste. Durante mais de uma hora ouvimo-la falar do encontro com Jesus, és Batisado, tens a Primeira Comunhão e o Crisma. Tens porque, aos 12 anos, TU escolheste ir para a Catequese e seguir esse caminho. Não tens rezado, é verdade - só quando joga o Sporting... - confessaste. Também conta, para mim pelo menos, e acho que Jesus não se importa. A Irmã R., como sempre, deixou nas tuas mãos a escolha ou não do caminho ao encontro de Jesus. Disse só que achava o caminho bom. Falou-te da Oração, da Reflexão, da Felicidade, da Bondade. E deixou-te seguir, sem qualquer medo de Pecado, Inferno, Punição.

No fim dessa hora, já no carro sorri para ti. Grande ensaboadela que levaste, hein?!?”. A resposta foi muito curta. Eu gosto muito de tudo o que a Irmã R. diz. Não posso acrescentar nada. Talvez só um àparte, a Irmâ R. é o caminho de todos nós.

Ontem foste a Fátima. Pelo que me contaram, não só tu, mas todos os meninos sentiram qualquer coisa de forte lá. Falaram da Vida, falaram do Papa, do que morreu e do que o veio substituir, falaram de Nossa Senhora a Mãe de todos, sobretudo dos que não têm outra. Bebeste a água que purifica. Rezaste pelo Sporting e por outras coisas que não sabes bem explicar. Já na semana passada andavas a falar desse passeio. Achei que, acima de tudo, estavas contente pelo passeio, por um dia diferente, longe dos corredores da escola, longe das fórmulas matemáticas e do “não satisfaz” do último teste. Mas não. Agora sei que foste à procura daquela senhora de que a tua Mãe tanto gostava. Falaste do pratinho, com os vossos nomes e a imagem dela numa nuvem de todas as cores, oferecida pela A. há uns anos atrás, num dia da Mãe.

Não sou eu, com toda a certeza, que te vai empurrar no sentido desse caminho. O caminho da Fé. Infelizmente não tenho esse dom, o dom de acreditar com todas as minhas forças. O dom da Fé pura. Não tenho, nunca tive e não sei como o encontrar. Mas vou, também com toda a certeza, ainda com mais certeza, ajudar-te sempre no caminho que escolheres.

Os ídolos aos 15 anos

Ando com uma vontade louca de ter 15 anos outra vez. A razão é só uma, mas muito importante: apetece-me encher as paredes do meu quarto com posters, fotografias, capas de CD dos meus negos preferidos. À noite deito-me sozinha nesta cama e gostava de os olhar bem de frente, passar a imaginação pelos seus corpos, ouvir as suas vozes, comê-los com os olhos, deixá-los dentro de mim pelo sonho fora...

Não é que não possa fazer isso com esta idade, há por aí tanto homem mais velho cheio de calendários nas paredes das oficinas... teria era de arranjar uma boa explicação para com quem partilha o espaço comigo. Arrisco-me a adormecer asfixiada nas mamas de alguma Pamela Anderson...

terça-feira, 3 de maio de 2005

Sorriso aberto

O comentário do mauro fez-me sorrir. Um sorriso aberto. As verdades que se dizem sem sequer nos darmos conta... Eu, a minha pessoa verdadeira, a que tem espaço no mundo material, nasci com os pés na água, no Mar. Sim - no Mar. O mar (que enrola na areia) foda, é juntar dois em três, eu e o resto. ;)

Blogs e não blogs

Estou a chegar novamente à conclusão de que os blogs não são para mim. Não fazem o meu género, não sei bem explicar. Cada vez que leio um comentário tenho logo vontade de entrar numa de bate-papo com o comentador. Perco logo a vontade de ser cibernética para me querer realizar na conversa directa. Ou indirecta, se for o caso destas comunicações que fazemos agora, com um monitor entre nós. A mim, o que me explicaram, foi que o blog evitava o contacto entre a entidade que escreve e a que lê. Que estava para além do intimista. Que criava uma relação virtual e globalizada mas que não se realizava no plano do material e individual. Isto assim não dá! Eu quero saber porque dizes isso do que eu escrevi! Irra!

Terra da Alegria

Não percebi quem viveu e quem escreveu, mas está tão bonito.

Acho que há uma alegria que é tão triste. Que nasce não se sabe de onde mas que nos mantém por cima de todas as ruínas. Tão triste. Possivelmente há gente suficiente, suficientemente triste para nos poupar a esse estado de alma. Há quem espie por nós, os insuficientes.

Universalidade (?)

Não sei porque me lembrei disto agora. Talvez mesmo por ter andado a idiomar muito todo o dia. Sei exactamente o memento em que me apaixonei por esta coisa dos diferentes idiomas, as diferentes "línguas" e linguagens. Sei exactamente onde foi que começou esta necessidade de colecionar dialectos. Tinha 14 anos, ia fazer 15 já no dia 10. Estava numa Summer School, num College em Edimburgo. Havia um rapaz árabe com quem eu não conseguia conversar, que eu não conseguia olhar nos olhos. Chamava-se Omar Foda.

Universalidade

Hoje já não sei onde estou, fisicamente! Espiritualmente estou sempre em toda a parte. Perdi-me algures no universo dos vários idiomas falados por esse mundo. Tenho trabalhado em inglês, espanhol e francês, tenho conversado em português e alemão, tenho cantado em criôlo caboverdeano, tenho-me inundado no som de um semba... Preciso rapidamente duma âncora. Não uma que me prenda os pés, só uma que me aconchegue à terra.

Não se trata do amor

Trata-se do encontro total. Do Amor. Acho que só podemos Amar uma vez na vida, tal sensação é forte de mais para que o corpo sobreviva à segunda. Temos de parar ali. Depois de sab, sabine. Depois de sabine o vazio. Mas não um vazio aflitivo ou angustiante. Um vazio de Paz por ter sentido e sobrevivido. Nem toda a gente consegue sentir essa chama. Mas quem sente sabe que sentiu e que não voltará a acontecer. Há muitos tipos de Amor, este acontece uma vez. Amo ainda mais os meus filhos, morreria por eles. Mataria por eles. Mas podem vir mais que esse Amor é elástico. Não se enfraquece ao ser dividido. É como um Milagre do Pão. O outro, o que sentimos uma vez na vida, esgota-se em si mesmo. Exclui à partida a ressurreição num outro. Ter sobrevivido é um dom, ter sentido é um dom ainda maior. Há quem morra sem nunca saber se teve um orgasmo. Há quem morra sem saber se chegou a sentir. Mas quem sentiu tem a certeza do que foi.

agora ando a pôr nos dedos as palavras dos outros...

Asalaamualaikum a todos!

HAFLA por Cheb Khaled

Comme si je n'existais pas,
Elle est passée à côté de moi
Sans un regard, reine de "Saba",
J'ai dit Aïcha prends tout est pour toi

Voici les perles les bijoux,
Aussi l'or autour de ton cou
Les fruits, biens mûrs au goût de miel,
Ma vie, Aïcha si tu m'aimes

J'irai où ton souffle nous mène,
Dans les pays d'ivoire et des baignes
J'effacerai tes larmes ou tes peines,
Rien n'est trop beau pour une si belle

Je dirai les mots, les poèmes,
Je jouerai les musiques du ciel
Je prendrai les rayons du soleil,
Pour éclairer tes yeux de reine

Elle m'a dit: "Garde tes tresors,
moi je vaux mieux que tout ça
Des barreaux sont des barreaux, même en or
Je veux les mêmes droits que toi
Du respect pour chaque jour,
Moi je ne veux que de l'amour "

Comme si je n'existai pas,
elle est passée à côté de moi
Sans un regard, reine de "Saba"é,
J'ai dit...

Aïcha prends tout est pour toi
Aïcha, Aïcha écoute moi, Aïcha, Aïcha écoute moi
Aïcha, Aïcha t'en vas pas, Aïcha, Aïcha, regarde moi
Aïcha, Aïcha réponds moi, Aïcha, Aïcha écoute moi
Aïcha, Aïcha t'en vas pas, Aïcha, Aïcha, regarde moi
Aïcha, Aïcha répond moi, Aïcha, Aïcha écoute moi
Aïcha, Aïcha t'en vas pas, Aïcha, Aïcha, regarde moi

segunda-feira, 2 de maio de 2005

A ciência desistiu

Não há nada que a ciência possa ou saiba fazer. Apenas aguardar connosco. Vai para casa, não por estar bem, mas porque não há alternativa. O quarto ficou livre, já ocupado por outro que aos 20 anos sucumbe, sem esperança. Grita de dor, dor e dor de cancro. Raizes que se agarram ao seu corpo jovem. Mas pelo menos é certo, morrerá em breve. Nós ficamos com ela nos braços, sem encontro final agendado. Talvez os ruídos que conhece a despertem para esta vida. Talvez no momento em que se sinta em casa, se deixe ir por fim. Encontro ao descanso final.

recuo seis anos

Estou lá, há seis anos atrás. Não mudaria (quase) nada. O que joguei, voltaria a jogar e com quem joguei. Os mesmos dados, as mesmas cartas. A rodada seria só mais alta. Tudo na forma, diferente no desfecho. Seis anos. Mudaria o valor da aposta. Não nos separaria. Seríamos ainda Homem e Mulher. Talvez já semente feita criança. Pele escura, cabelo claro. Óvulo e espermatozóide feito sintonia. Não exactamente na mesma ordem, sorris, não é?

Extasy

Nada nada nada como uma boa kizombada angolana para nos fazer a alma pimba. Sente só! Sente o ritmo, ouve-me essa batida. Pausa no compasso certo. Cola no meu corpo, deixa que me desiquilibre no teu.

Deixa eu saber
Qual é o teu desejo
Mais secreto
Deixa ver, qualé a magia que há em ti
Conta pra mim
Onde é que está a chave
Desse teu mistério
Meu amor, você nasceu pra mim
Tens aquele jeito, que me põe a viajar
Olho pra ti, me perco no teu olhar
E sobrevoar o céu da tua boca
Eu quero mais e muito mais...

Baby, baby, baby
Chama que eu avanço
Quando me embriago no teu corpo, eu não me canso
Crazy, crazy
Vem minha pequena
Pra fazer aquela cena que vimos no cinema

Extasy, pra ti
Extasy
Extasy, pra mim
Extasy

Já não quero saber, do jornal ou da TV
Daquilo tudo que me dava prazer
Não quero nada que não seja você
Só eu e você
Tudo pode acontecer
Vem
A minha mente fantasia com o teu ser
Vem
Todos os meus sentidos chamam por você
Agora, vem
Pra mim só há tu e eu

Eu quero entrar na tua mente
Fazer contigo qualquer coisa diferente
Te seduzir, fazer um jogo
E saciar esse teu desejo ardente
Realizar as mil ideias
Que vagueiam aqui na minha mente
Ser teu amante e confidente
Hoje
Vou viajar na geografia do teu corpo nu
Sem tabus
De norte a sul
Eu quero ser o sol que brilha no teu céo azul
Niña minha

A tua mente é minha
A minha mente é tua
Hoje a noite toda é só nossa

Onde vais que não te alcanço?!

Fugiste de mim. Acredito que voltes, não tens razões para não o fazer. Tenho-te dado a hipótese de seres tu. Tu a chegar, tu a contar, tu a partilhar e nós a resolvermos. Há pequenos gestos que não me enganam, sinto que te viras para o menino do bando. Acabo por perceber que as coisas acontecem por outras vozes. Pedes o que sabes que não te posso dar. Sempre conhecemos as regras e sempre aceitámos não pôr em risco tudo o que já conseguimos juntos. Num ano, mudou muita coisa. Vai mudar mais ainda e depressa, verás. Acredita em mim. Tem calma, vamos ter o que queremos, o que precisas, o que todos vós precisam. Agora, frente a esta janela, sinto-me perdida. Fugiste-me e não te vejo outra hipótese que não comigo pela mão. Pensei falar com o T., mas isso seria (não)resolver as coisas pela via do cinto. A A. é só uma adolescente. Foi tua Mãe durante anos, mas os seus 18 não lhe dão a força que precisa para te ajudar. Eu, tenho os anos, 33, mais do dobro dos teus, mas não tenho essa experiência de todas as tuas vivências. Chegávamos um ao outro tão facilmente. Onde vais, agora, que não te alcanço?!

Como são quase inexplicáveis os segredos do nosso cérebro!

Vejam como conseguem ler isto, com facilidade:

Sguedno um etsduo da Uinvesriadde de Cmabgirde, a oderm das lertas nas pavralas não tem ipmortnacia qsuae nnhuema. O que ipmrtoa é que a prmiiera e a utlima lreta etsajem no lcoal cetro. De rseto, pdoe ler tduo sem gardnes dfiilcuddaes... Itso é prouqe o crebéro lê as pavralas cmoo um tdoo nao lreta por lerta.

Comentário espontâneo: Foad-se è msemo veadrde.

E andamos nós a instalar correctores ortográficos... Para quê?

decifrar

sempre gostei da maresia, do cheiro... mas isso fica para outro post... ;)

gostava ter queda para a escrita.. mas infelizmente não, tenho q pensar duas vezes antes de escrever o código postal numa carta, tão mau que é o meu dom.
Por isso desculpem qq coisinha.

O que me vai na alma neste momento é tão simples e complexo como a nossa própria existência... que qualquer pessoa sábia dirá ser extremamente simples, nós é que a complicamos -a diferença entre o homem e a mulher. Não me refiro às óbvias diferenças físicas (cada mais mais atenuadas pela manipulação estética :) mas a pensamentos e reacções.

O meu desejo cada vez mais forte é noutra vida ser mulher. Não fisica mas espiritualmente , e não esquecendo o que aprendi nesta vida, para então, finalmente, entender o mundo.

As mulheres possuem uma qualidade que é tão extraordinária como é aberrante. Investem tremenda energia e preocupação ao conseguir pensar em 50.000 coisas em simultâneo. No emprego, na família, no corpo, na aparência, nos amigos, no que vão fazer para o jantar hoje, e amanhã, na celulite... no cabelo, como será que as pessoas me aceitam... enfim, num sem-fim de coisas, algumas delas verdadeiramente inúteis.
Mas o que mais me surpreende é conseguirem levar uma vida aparentemente pacata e objectiva com toda esta revolução interior.

Se ao menos soubessem que os homens não se podiam importar menos com questões tão banais... nós vivemos um dia de cada vez mas com um objectivo futuro. Se ao menos sonhassem que não somos aquelas bestas animais que apenas pensam em 3 coisas: carros, mulheres(sexo) e futebol (não por esta ordem necessáriamente)....
Nada mais longe da verdade...até porque genéticamente não conseguimos pensar em mais que uma delas em simultaneo ;)

Não podiamos preocupar-nos menos com celulite, cabelo espigado e baton nos dentes.
O homem quer e tenta transmitir paz...viver o momento da melhor forma pois pode não haver outro igual... Este passa e vem outro, mas não o mesmo !

Tão bom que seria, homem e mulher partilharem e viverem na mesma onda (que nao volta)...quantas vezes o homem apenas quer um momento simples de prazer... sem se preocupar se no hotel há pessoas que nos vêem ou já são 11:00.
A mulher partilha a vontade do homem, mas não se entrega da mesma forma... a sua cabeça não o permite, a sua existência não deixa.

E assim perdem-se momentos, ondas que não voltam...

Seria maravilhoso, por um momento que fosse, tudo se esclarecesse... a existência seria tão simples e a vida um prazer constante..
ou quem sabe estamos condenados a viver esta eterna confusão do decifrar uma existência conturbada e aleatória.

o meu desabafo de quem não entende as mulheres.

riscos imoderados

Há certas coisas na vida em que eu não costumo correr riscos. Uma delas é deixar entrar em cada um dos meus mundos alguém de cada outro. Não sei o que me fez dizer sim desta vez. Talvez a curiosidade. Um querer saber o que vai na alma do outro que me intriga. Tentar perceber até onde nos encaixamos, até onde nos encontramos. Não é um risco totalmente imoderado, tenho a chave na mão, posso trancar a porta por dentro. Vamos ver. Ler, sentir, beber. Pode acabar amanhã ou pode durar até que as ondas devorem as minhas cinzas.

Pecado

O teatro do passado na nossa relação
Havia um amor e uma paixão
A chuva cai la fora
E aqui só ha você e eu
Falando do amor fracassado
Foi como no cinema
Ha sempre um final, para toda a encenação
Sei que tu ja não sentias nada, baby
E eu pensei que eu também não
Agora sei, que com o jeitinho me enganavas
E eu passei um acto em vão

É pecado, sentimento sacrificado
É pecado
É um pecado que mora aqui ao lado
É um pecado

Ja tentei fugir sem te ter em mim
Mas não encontro um caminho
Que ninguém é como tu e ninguem é como eu
Sem você eu não sou e eu não sou mais eu

Em segredo eu te amo, só você não sabe desse plano
Em segredo eu te amo, quero te dizer mas tenho medo

Meu amor, minha dor, não ha nada como tu
Minha flor, minha paz, muita coisa ainda dse
Palavras que me deixaram sem palavras que me deixaram sem palavras
Enganos da dimensão dos oceanos
Sem você eu estou na fossa, estou no poço
Ja não sei viver sem te amar, vou voltar atrás
E vou passar ao lado da razão
Não aguento mais
Já aqui a minha rendição
Faz a minha paz
Toda a nossa guerra acaba aqui

Vou te amar
Só por te amar


by Don Kikas

domingo, 1 de maio de 2005

Pátio de cadeiras de metal

Puxo uma fumaça, deixo que a roubes da minha boca, tentas apanhar-me a língua, fujo. Giro e rodopio, apanhas-me e esgueiro-me. Dizemos adeus à máquina de filmar. Fugimos para o escuro. Quase não te vejo. Apálpo-te, reconheço-te. Rimos, um riso malandro. Um riso de quem não tem nada a dar nem a perder. Um riso que promete mas nunca cumpre. O corpo. Insinuas os teus dedos entre as minhas pernas, aperto-te descaradamente entre as tuas. Dás-me tusa. Empurro-te Não prestas, fujo. Volto e sufoco-te num beijo lambido, esfregado, tens a língua grossa, a garganta funda, podes levar-me por aí adentro. Passo as minhas pernas entre as tuas, subo-te à cintura, metes-me a mão por trás e dizes-me Venenosa! Prendes-me à parede. Rio. Rio de mim e rio de ti. Rio sempre e rio muito. Rio de nós e dos que ficam de fora deste jogo. Que é e nunca chega a ser. Desejo nunca consumado e por isso eternizado. A cadeira cai, faz barulho, o barulho do metal no chão de pedra. Apaga por momentos a música. A música que toda a noite desce por aquelas paredes abaixo, só para nos rirmos um no outro. Entenderemo-nos em quantas posições? Calculamo-nos. Uhm, pela tua altura sei que não nos entenderemos a dançar. Preto e branco faz faísca. A noite é preta, a escada de mármore quase branca. Eu e tu fazemos café com leite. Um dia entrarás por mim adentro. Sugar-te-ei. Malcriada, és muito malcriada, dirás. Nesse dia seremos fim.

Tenho uma pulseira nova

Um cabo beje duplo entrançado numa flor recortada em metal dourado. Foi o meu primeiro presente de dia da Mãe.

sábado, 30 de abril de 2005

O primeiro dia da Mãe

Já quase passou um ano desde que te tornaste Mãe. Amanhã é o teu dia. Já fizeste 14 anos. Não tens Mãe que te aconchegue, mas tens filha que abraces. Com força, com muita força. Com tanta força como a que abraças a tua vida. Boa V., és uma linda Mãe. És uma linda menina-mãe.

Chove outra vez

Tínhamos combinado ir à praia. Era um bom sítio para brincarmos com as crianças. Era um bom sítio para corrermos uns atrás dos outros. Era um bom sítio para as meninas se banharem na vaga enquanto tu chutarias a bola. Era um bom sítio para vos manter longe do dia da Mãe. Chove... hei-de encontrar solução.

Tenho um peso em cima dos olhos

É só mais uma das minhas enxaquecas. É o corpo, mais uma vez o corpo, que me castiga a vida. Quero sair, encontrar-te, trazer-te. Quero ver-te, dar-te a mão e mil carinhos. Quero que alegres a minha tarde. Quero e vou. Nada me impedirá. Mas este peso incomoda-me.

o lugar

O lugar do corpo é ao lado de outro. Já nos basta a mente para vivermos apartados. Lembro-me daquela parede, nas salinas "Let my body know your soul". Não é o sonho, é o corpo que comanda a vida.

'druska

Somos manas. Um mundo nos separa. Tenho quase o dobro da idade dela. Ela é bonita e magrinha, eu sou assim-assim e compacta. Ela desliza na vida, eu arrasto-me. Não tem sempre o que comer, eu nunca quero comer o que tenho sempre. Ela é orfã, eu tenho uma Mãe perfeita. Tem força, muito mais força do que eu. Não queremos o mesmo da vida, os meus amigos não sabem quem é, os seus namorados nunca vi. Fazemo-nos companhia nos quilómetros que galgamos juntas. Eu nasci com acesso a tudo, ela nasceu limitada a menos do que o mínimo desejável. Pede-me conselhos, ouve as minhas neuras. Conta-me as suas aventuras, eu conto-lhe as desventuras! Temos uma coisa em comum, gostamos muito deles.

Só por curiosidade, alguém tem uma mãe assim??

Toca o telefone:

- Estou? Mãe? Posso deixar os meninos consigo hoje à noite?
- Vais sair?
- Vou.
- Com quem?
- Com um amigo.
- Não entendo por é que te separaste do teu marido, um homem tão bom...
- Mãe! Eu não me separei dele! ELE é que se separou de mim!
- Pois... ficas sem marido e agora sais com qualquer um...
- Eu não saio com qualquer um. Posso deixar aí os meninos?
- Eu nunca te deixei com a minha mãe, para sair com homem que não fosse o teu pai!
- Eu sei, mãe. Há muita coisa que a mãe fez e que eu não faço!
- O que é que queres dizer com isso?
- Nada, mãe ! Só quero saber se posso deixar aí os meninos.
- Vais passar a noite com o outro? E se o teu marido vier a saber?
- Meu EX-marido!! Não acho que se importe, ele não deve ter dormido uma única noite sozinho desde a separação!
- Então sempre vais dormir com o vagabundo!
- Não é um vagabundo!!!
- Um homem que sai com uma divorciada com filhos, só pode ser um vagabundo, um oportunista!
- Não vou discutir, mãe. Posso deixar aí os meninos ou não?
- Coitaditos dos miúdos... com uma mãe assim...
- Assim como?
- Irresponsável! Inconsequente! Por isso é que o teu marido te deixou!
- Chega!
- Ainda por cima gritas comigo! Aposto que com o vagabundo com quem vais sair, tu não gritas.

- Agora está preocupada com o vagabundo?
- Eu não disse que era um vagabundo!? Eu percebi logo!
- Adeus, mãe!!
- Espera, não desligues! A que horas é que trazes os meninos?
- Não vou. Não vou levar os meninos. Também, já não me apetece sair!!!
- Não vais sair?! Vais ficar em casa? E estás à espera de quê, que o príncipe encantado te vá bater à porta? Uma mulher na tua idade, com dois filhos! Pensas que é fácil encontrar marido? Se deixares passar mais dois anos, vais ficar sozinha a vida toda! Depois não digas que não te avisei! Eu acho um absurdo, na tua idade, ainda precisares que EU te empurre para sair!!

Ela e o dia da Mãe

O ano passado tinhas a tua mana ao pé de ti. Fizeste para ela o desenho na escola. Este é o primeiro ano em que vais acordar sozinha de mães. Queria trazer-te para junto de mim. Mas não posso trazer todos. Ando angustiada com isto. Já pediste que te fosse buscar hoje. Irei. Sei que não queres nada, só estar, nem mesmo conversar. Queres a tua mão na minha, a minha mão na tua. Queres sentir que ainda contas. Não é o cinema que te chama, não é o parque que te desafia, não é nada que possas tocar. Não queres ficar sozinha, nem no dia antes, nem no dia a seguir. Ainda és uma menina criança. E não entendes porque a vida nos prega certas partidas. Princesa, minha habibati.

Tens umas mãos bonitas, meu querido

As mãos mais bonitas que uma Mãe poderia fazer e outra mãe poderia querer. Serás pianista, pelo menos nos meus sonhos, esses teus dedos deslizando entre as brancas e as pretas, tocando um som que eu não ouço mas vej0. Os mesmos dedos que me escondem o teu rosto em cada fotografia que te faço. Mãos quase perfeitas, esguias, que transportam magia enquanto se movem. As mãos em frente ao rosto, o bonito escondendo o despertar da tua adolescência. Tens quase 16 anos. Parece que ainda ontem não sabias ler. Fugias de casa para dominar o bando, aos 11 anos eras o rei do bairro. Ainda agora, quando por lá passas, ainda te respeitam. Vejo que te gostam. Todos nós gostamos. Não escondas o teu rosto atrás dos dedos, olha para a vida de frente. Estarei sempre a teu lado.

A intérprete

Fui ver o filme. É engraçado, vê-se bem. Não é excessivamente americano, pelo menos acho que não houve beijos na boca. Houve tiros, muitos tiros e autocarros a ir pelo ar. Mas nada disso me interessa. Gostei de estar ali sentada em frente a mais uma África. Gosto de África. Gosto do sol que aquece, como gosto da fome que arrefece. Gosto da música que move os corpos, como gosto dos tiranos que lhe tiram a dança. Fascinam-me crianças de metralhadora, tão vazias por dentro, que um tiro a sangue frio não lhes dá pesadelos. A revolta e a alegria anda lado a lado. A dor, o sofrimento, o horror, a ganância, a riqueza de uns à custa dos outros, tudo eu absorvo intensamente. África, para o bem e para o mal, não há nada que eu mais beba.

curriculum vitae

O que eu descobri ontem... Tenho uma enorme falha no curriculum. Nunca comi, nem fui comida, por um angolano! Acho que vou aceitar a proposta do L., o tal do sabor a quente.

sexta-feira, 29 de abril de 2005

e a pergunta veio

Ao fim de uns meses, pelo menos algumas semanas, a pergunta veio. Mas não veio como pergunta, veio como confirmação. Falávamos disto e daquilo, acho que lhes contava a noite da outra 5ª feira, quem vi, quem não vi, quem estava. Disse-lhes "Estava lá o X, lembram-se, que veio connosco ao Bowling e ao cinema?". Espertos, não perdem uma!
- Quem é o X?!?
- Então, não te lembras?
- Sim, mas quem é o X?
- Um amigo.
- Sim, mas donde é que a P. o conhece?
- Daí, não sei. Sabes o que é que ele achou quando fomos ao cinema juntos? Que tu estavas a olhar para ele a tentar imaginar quem ele seria.
- Uhm! É...
- Eu até pensei que, como estavamos habituados a ir com o C e a C, que até poderiam estar a estranhar... mas como não disseram nada.
- Mas estávamos mesmo a pensar "quem é este agora?!"

quente e frio

a noite estava quente, mas eu tremia. estava lá quem eu queria, mas não estava como eu queria. tu cantaste bem, a tua voz quente, essa presença alegre. mesmo assim os meus pés não queriam deslizar. não sei se a sola dos ténis me prendia, ou se a cabeça não foi capaz de desligar-se do corpo. tu, amiga, gostaste de o ouvir. um concerto é sempre um concerto. cantaste sonhando "me convida que eu avanço, quando me embriago no teu corpo eu não me canso". estavas feliz e só por isso não me arrependo de termos ido.

quinta-feira, 28 de abril de 2005

não é que o jejum voltou mesmo?!

nem ler me apetece. nem ver. nem ouvir. estou resumida à vida real, nada de música, voz ou outros sons, nada de novelas, filmes dramáticos ou comédias... nada. acho que nem um documentário sobre o Triângulo das Bermudas!

quarta-feira, 27 de abril de 2005

vai ser menina!

sono de beleza

Não há nada como uma boa noite de sono para esquecer as amarguras, as neuras psicóticas, os males da vida. Renasci. E tu também estiveste lá.

terça-feira, 26 de abril de 2005

olhos

Ando há pouco tempo neste giro dos blogues, mas já percebi uma coisa: há muita gente a querer fazer ver os seus olhos! Grandes, pequenos, verdes, azuis, castanhos, feios nunca, bonitos às vezes!

apetecias-me...

a vontade prescreveu...

apeteces-me

hoje, outra vez mas só mais hoje.
"as lágrimas cheias de sal, não lavam o nosso mal"

Sete (podem ser cinco?)

São sete da tarde e está-se tudo a passar
Uns andam para a frente, outros querem virar
Outros ainda sonham com paragens distantes
Mas logo alguém ameaça com passos galopantes

jpalma dixit

desilusão

hoje é um daqueles dias em que dava tudo por um amasso teu. sejas homem ou mulher, branco ou preto, criança ou adolescente, Pai ou Mãe, existas ou não existas, dava tudo por um amasso teu.

debate do dia ...

A Interrupção Voluntária da Gravidez em Hospitais Públicos também terá uma lista de espera de 6 meses?

chorar lava a alma

No outro dia li um texto da Textura. Dizia ela que poucos minutos lhe chegavam para seguir em frente. Invejei a sua força, eu vou precisar da semana inteira para me lavar a alma. Alguém tem um quilo de sal que me empreste?

loira burra

queria ser uma loira burra com muita aura. chegaria mais depressa ao topo... vida de cadela!

escritas

isto é psicótico. ainda há dias dizia que tinha levado umas folhitas para rabiscar as ideias que me atormentam enquanto conduzo. meio dito, meu (des)feito, as folhas lá estão, mas as ideias... fui deixá-las no papelão!

segunda-feira, 25 de abril de 2005

o jejum foi de pouco tempo

vício danado!

estou farta do 25 de abril!

vim aqui ver se pensava noutra coisa, se tirava o meu pensamento da saudade e só dou de caras com vinte e cincos de abriles de mil e tal... irra! 22:39, pode ser que mais tarde volte!

frase do dia

hoje e ontem acordei com uma frase na cabeça. ai é? qual? é duma pessoa que me está sempre a dar dicas que eu não gramo, mas esta... como é, então? deixa ver... "há pessoas que vivem com medo da morte, eu vivo com medo de te perder".

fiquei só calada.

jejum involuntário

passou-me a fome... fome de escrever que a fome de fome nunca a tive. vou por aí e já venho (venho?)

domingo, 24 de abril de 2005

anemias e lonjuras

o que é que se faz quando eles estão longe, um perto já ali mas muito longe, e precisam de nós? quem me garante que a minha peso-pluma anémica vai tomar o ferro todo que precisa? quem?!

a minha princesa

está a ficar uma menina, carente e responsável. enquanto eu ressacava o corpo da música de ontem, telefonou. ia para Sintra com a monitora, gostaria que eu fosse mas, acima de tudo, queria evitar que lá fosse acima ao engano. minaê, bo sa glavi passa...

todos juntos

e quem não salta... por um mundo melhor(?). por uma postura diferente!

a ideia é gira

vou arriscar entrar aqui no prédio ao lado.

sábado, 23 de abril de 2005

decisões de sábado ao fim da tarde

decidi atirar-me por ti adentro! seja o que os deuses quiserem! espera-me e até já!!

23 de Abril de 2005

Hoje teve direito a um piropo "Agora já só sou um ano mais velha que tu!". Parece que quanto mais crescem, mais tontos ficam! E quanto mais tontos ficam, mais se Amam apaixonadamente. Estão ali ao lado, faço de conta que não estou presente, tanto é o beijito e amasso um ao outro.

23 de Abril de 1943

Era sexta-feira Santa quando nasceu o maior ateu que eu já conheci! Chama-se Pai e só pode ter sido ironia do Destino ;)

foram a casa

a sua casa...

25 de Abril de 19 e troca o passo...

Tenho dentro de mim uma única recordação desse tempo. Do significado em si, não tenho nenhuma. O meu irmão nasceu 1 mês antes da Revolução. Tinha um mês, a bem dizer, nesse dia! Fomos ao Pão-de-Açucar, ali na Avenida da Boavista, espaço ocupado agora por umas Galerias. A minha mãe levava-o no colo, a minha Tia levava-me pela mão. Estava a chegar a hora da mamada. A minha Tia e eu saímos, a minha Mãe voltou atrás, esquecida de qualquer coisa. Não sei bem em que momento exacto as coisas aconteceram, o que está bem desenhado, a cores e em stereo, na minha memória, são aqueles homens de barba grande, roupa suja, incomodando toda a gente que saia do supermercado. Em frente à porta havia um pátio em cimento, como são todos os passeios no Porto, onde não existe a calçada. As senhoras, que eu me lembre eram só senhoras, corriam, gritavam, eram empurradas. Os que estavam dentro, dentro deveriam permanecer. Os que estavam fora, não sei. A minha Tia dirigiu-se a um desses homens, que gritavam coisas, coisas que agora eu sei eram palavras de ordem, e explicou A minha irmã tem um bebé de um mês ao colo, tem de o ir alimentar, deixem-na sair. Mais empurrão, menos encontrão, acabámos os quatro a subir a Avenida em passo demasiado apressado para mim. Conta-se que éramos fascistas.

sexta-feira, 22 de abril de 2005

está quase, quase, quase...

daqui a exactamente 11 minutos corro ao encontro dos meus mais lindos! às vezes a felicidade é uma coisa tão fácil...

choque tecnológico

Há mais de 10 anos que me arrasto por este mundo das novas tecnologias de informação, a Web, o Mail, onavegar, programar ou desenhar. Agora estou para aquia olhar aparvalhada para o meu Dashboard e não consigo perceber como se faz o upload de uma imagem para aqui... está aí alguém com um espírito solidário que me queira dar uns bitezecos da sua sabedoria? Assunto sério ;)

porquê?

Tenho passado os meus fim-de-tarde no IPO. Durante este ano, fui uma visita constante, em casa, no hospital. Um telefone sempre ligado. Em 1999, durante os seis meses em que a minha Avó Estela foi morrendo, nunca a fui ver ao hospital. Nunca dei apoio directo. Evitava ir ao Porto. A Avó era mais do que o prolongamento da minha Mãe, era mais uma Mãe. Não podia vê-la assim. Não queria sentir, perceber, admitir que a estava a perder aos poucos. Esteve sempre muito lúcida, fraquinha como um colibri, mas sempre com a cabeça em nós, na casa para gerir, na felicidade dos netos, na ventura dos filhos. Já quase passaram 6 anos e ainda agora dou por mim a falar dela como se ainda estivesse viva. A S. é minha amiga há mais tempo do que o tempo pode contar, a família dela foi sempre também minha. É mais fácil suportar a dor dos outros do que a nossa. A dor que sinto agora, pondo de parte a que também sinto pela perda desta Tia querida, é a dor de viver a dor dos seus.

sono profundo

ontem já não cheiravas a morte, conversámos, tu de olhos fechados a fingir que não nos vias. tudo isto não passa de uma birra, não é? a que te sabe esse ceralac que corre pela sonda enternal? ontem dormias o sono dos justos. tenho a sensação que piscavas os olhos com força, não fossem eles atraiçoarem-te. não faz mal, descansa, a caminhada, seja ela qual for, vai ser longa, para ti e para nós.
reencontraram-se na pista, dançaram encaixados como tinha sido.

continuas a saber a quente

L.
chove
tenho a alma lavada

quinta-feira, 21 de abril de 2005

adentro

A expressão mais bonita que aprendi nos últimos tempos foi adentro, de Mar Adentro. Tudo para mim passou a ser adentro, vida adentro, amor adentro, fogo adentro... já devem ter reparado que arranjo sempre forma de a encaixar adentro dos meus posts!

ritmo das palavras

Sinto uma admiração imensa por todos aqueles que conseguem partir frases em versos. Quando escrevo, escrevo tudo a fio. Ao contrário do que me acontece quando danço, não sou capaz de sentir onde pára o fôlego e recomeça a inspiração. É que nem estou a falar de fazer poesia, estou a falar de fazer poemas. A poesia fazêmo-la quando nos entregamos e criamos uma reacção ao que sentimos. O poema fazemos quando contamos os tempos e sabemos quando dar o salto para a outra linha. Por vezes dou por mim a dançar e a sentir que o outro, que pode até conhecer os passos a preceito, não pára no contraa-tempo. O compasso... nunca o apanha. É como eu, a escrever. Por mais que conte palavras, sílabas, letras, quando chega a altura de me reler nunca acerto nas respirações. São as diferentes métricas da vida que vivemos.

no carro II

O quarto pode ser mais um meu mundo, mas fica lá, o carro leva-me sempre com ele...

Tenho mais uma ferramenta, um monte de folhas e um lápis, para assentar as tais ideias que me surgem na estrada.

a sua primeira noite

Nunca tinha entrado num hotel Nem num motel confessou-me sorridente. Acho que nem mesmo pela porta dos fundos ou do cavalo. Ele acordou-a já era meia-noite. Prepara-te que te vou aí apanhar! Deve estar doido, pensou ela, mas ainda assim, levantou-se, passou a escova pelo longo cabelo, lavou os dentes brancos, um pouco de creme na pele, e um sorriso. Ele parou em frente à praia, pediu-lhe que saisse. Atravessou a estrada e levou-a em direcção a outro mundo.
100 euros, mas com pequeno almoço! A vista é deslumbrante, espalha-se mar adentro e nem o céu é limite. Deitaram-se, brincaram-se, rereconheceram os seus corpos. Depois, deixou-se adormecer enquanto ele a contemplava e lhe dizia És tão bonita.
Anda lá, tens de te levantar, são horas. Ainda temos tempo para te dar um banho. Encheu-lhe a banheira, fez espuma, muito espuma, lavou-lhe o cabelo, lavou-lh as suas costas magras, as pernas esguias, fez-lhe festas, acariciou-a. Mas para ela, a banheira, cheia. Sensação que ela só imaginava de ver nas novelas que de vez em quando espreita. Nem sequer se lembrou de trazer os frasquinhos. A espuma e o céu aberto foram mais do que poderia desejar.

10 de Agosto de 1989

Fiz 18 anos nos Açores, mais precisamente na Horta, no início da Semana da Vela. Tinhamos chegado de Ponta Delgada, onde decorrera o Campeonato Nacional nesse ano. Estava cansada, estávamos todos, tinhamos dado o nosso melhor durante toda a semana anterior. No dia seguinte havia a regata do Canal do Pico. Tinhamos sido avisados que poderiamos ver baleias. As ondas estavam grandes, enormes, negras. O Mar assustava. Ansiedade, curiosidade, vontade, era o que se lia nos nossos olhares. Nessa noite, a seguir ao jantar, cantaram-me os parabéns, apaguei as velas e preparei-me para o descanso (curto) do guerreiro. Foram uns 18 anos celebrados sem grandes festas, farras, copos... Quando me preparava para me enfiar no saco-cama, muito perto das onze horas, ouvi ao longe começar um concerto, um dos muitos concertos programados para essa semana. "A princípio é fácil, anda-se sozinho (...)". "Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida". Senti que era para mim, só podia ser para mim que cantava. Sorri, suspirei e dormi feliz. Nunca lhe cheguei a agradecer esse momento.

o cheiro

Lavei o corpo, lavei as mãos, esfreguei bem a pele. O cheiro ficou comigo toda a noite, entranhado, destabilizador. Cheiro de passar as minhas mãos no teu corpo, de beijar a tua testa, de respirar esse hálito de quem já apodreceu por dentro. De te tentar chamar à vida ou encaminhar suavemente para a morte, também eu já cheiro a agonia. O coma também tem cheiro.

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Bahar

o mar

sahara

estava ali ao lado a ler a isa xana e lembrei-me da meia dúzia de palavras doces que me ficaram no ouvido. nada que se compare quando dito por um berbére a 100km de nada senão infinito.

Gamahra, Nesmah, Remla, Spahrir, Laila Saïda, Behi, Shamse, Reah, Anaham, Mafish Moshcol, Jau, Beshoia Beshoia, (eh pá, tou a ver que ao fim de 5 anos ainda me lembro de muita coisa...), Habibati, Habibi, Sadirri, Schaêr, Cascais (isto é uma panela com furinhos, tipo passador), Sadirti, Gasahr, Lehfa... e por aí!

curto-te bué = conheço-te de gingeira

Ontem disse-me "curto-te bué". Estavamos empolgados numa discussão à volta das minhas atitudes. Yá, ainda bem que, ao fim de oito ou nove anos, me curtes bué. Hoje a coisa virou para outro lado. "eu curto-te bué" (outra vez???). Já és adulta, tens de ultrapassar essa necessidade de seres amada. Há gente suficiente que te ama, olha para mim! Mas não podes andar a pingar angustia por aí e a falar de coisas que se passam. Mas é brincadeira, ninguém me leva a sério... Não é assim que as pessoas vêem, e depois admira-te de que me venham comentar com quem saiste de lá. OK

no carro

o meu carro é o meu mundo. é lá que tenho as melhores ideias para os problemas mais bicudos. é lá que eu dou asas à imaginação, invento diálogos que vou ter contigo, doçuras que te vou fazer. é lá que me protejo no fim da noite e é lá que me cresço no começar de cada dia. organização, festa, crianças, comida, roupa, mergulho, pipocas, música, filhotes ... vou para lá continuar este rol de emoções...

coma profundo?

Na morte, como na vida, não existem verdades absolutas.

Perante alguém que adormeceu profundamente, podemos ter duas posturas.
- Mesmo que ela fique pior do que já estava, eu quero que acorde.
- Se é para ficar como estava, eu quero que ela morra.

Eu, pela minha experiência pessoal, prefiro encostar-me à segunda hipótese. Podia tecer aqui uma série de teorias que justificassem esta escolha. Mas não é disso que se trata. Hoje, não é esse o meu caminho. Não procuro a solução, apenas constato que em ambas as hipóteses temos de pesar Paz e Sofrimento. Paz e Sofrimento.

as cores

- Ó S., de que cor é o carro da Tia?
- SPOOOOOOTIN!

é de pequenino que se torce o pepino...

apaixonada

estou terrivelmente apaixonada... sofro horrores, frios, calores, sono a mais durante o dia, sono a menos durante a noite. as mãos suam, o coração anda cá em cima , tudo me espanta e a tudo espanto. ainda não descobri por quem. talvez pela ideia de ti, quem quer que sejas. quando te encontrar, suspirar-te-ei isto ao ouvido.

Provoquei o desafio, fui desafiada e estou a aceitar

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Um livro em branco.

Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Claro, tantas... apaixono-me perdidamente por todas as personagens que reflectem um pouco a minha ideia de (im)perfeição. Pode ser um personagem de olhos tortos, como os representados pela Barbra Streisand.

Qual foi o último livro que compraste?
Não sei bem, ou "A Comunidade" do Frank Ronan ou o "Vagabundos de nós" de Daniel Sampaio

Qual o último livro que leste?
Vou lendo, há já alguns anos "Não há soluções, há caminhos" do Vasco Pinto Magalhães

Que livros estás a ler?
Além do que vou lendo, de momento nenhum, lei-me aqui no blog e já dá pano para mangas.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Para uma Ilha Deserta levava o fato de mergulho... pode ser?

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
A toda a gente que aqui venha e lhe apeteça responder! Porque assim não incomodo ninguém e quem quiser está à vontade.

terça-feira, 19 de abril de 2005

descobri um mundo lindo

aqui

A espontaneidade das crianças

Ou será o seu mais subtil humor “negro”

T., 4 anos, deitado a meu lado. Observa atentamente as fotografias expostas nas paredes.
- Quem é aquele castanho ali?
- Então, é o tio C.
- Pintou-se?
- Não, é mesmo assim!
- ah!
um "ah!" de boca bem aberta.

I. 2 anos e meio. Vizinho do 2º andar (o preto mais preto que eu já conheci). (off-the-record - o tio T. que é loiro, alto e espadaúdo, olho azul brilhante e postura de Marine americano).
Olhando compenetrada para a janela do 2º andar.
- Está ali o tio T.!!!

O incrível fenómeno das Amas

Quem me conhece, sabe que eu lido de perto com várias realidades, quem não conhece, fica a saber. Uma das realidades é a das Mães africanas em Portugal. As que já foram Mães em Portugal, entenda-se. A verdade é que a grande maioria das Mães africanas está cá porque não pode estar lá. Luta para viver e dar a viver. Conheço essa realidade bem de perto. Mas por mais Mães africanas que eu conheça, por mais anos de conhecimento que passem, nunca consegui perceber o fenómeno das Amas. Qualquer Mãe africana que se preze, trabalha. E trabalha muito, muitas vezes para receber pouco. Quando trabalha deixa o filho. Na Ama. Paga à Ama praticamente o mesmo que recebe pelo muito que trabalha e pouco que recebe. Será apenas uma forma de emancipação? Se o que fica não é suficiente para alimentar uma boca, nem a sua, nem a do filho, porque entra neste ciclo vicioso? Já perguntei a várias amigas, mas a conclusão ainda é completamente inconclusiva...

Faz-de-conta-que-a-minha-vida-estava-assim

Que a a. estava de férias, o b. sem os procedimentos há muito necessários, o c. a rolar depressa de+, a d. ia morrer a qualquer minuto, os e. infelizes, o ex-n. desiludido, o ex-ex-n. ainda mais desiludido e o que nunca foi n. desiludido com a vida. E faz-de-conta que eu própria estava a morrer de falta de ar. Ainda bem que não é assim, ou não saberia como aguentar. Ainda bem que isto é só um faz-de-conta.

lembrei-me da Turquia

Como vamos ficar agora, com um Papa que defende que a Turquia deve unir-se a outros países mulçumanos e não à Europa?

O politizamento da Igreja

Não, não é um erro nem ortográfico, nem linguístico. É mesmo assim. Tenho como política nunca falar antes de viver, mas também tenho como feitio, reagir no momento. Sobre isto, debruçar-me-ei um dia. Agora o que aqui me traz é pensar que, depois de um Papa que embora não acompanhando alguns aspectos importantes para a vida terrena que vivemos, era visto como alguém aberto ao novo mundo, acaba de nos cair em braços um novo Papa que em tudo é considerado conservador, excessivamente conservador. Retrocesso ou não? Veremos. Dar tempo ao tempo, também acredito nesta máxima. Vamos ver o que vai pesar mais nas suas decisões, o aspecto humano ou o político, teremos um Papa também peregrino, ou um Papa conformado em não se envolver em territórios geridos por outros interesses. O que me preocupa nem sequer são as questões mais fáceis, como o aborto ou o uso do preservativo, mas aquelas que se escondem em interesses político-militares-economicistas. Vou sentar-me e assistir, primeiro round Bento XVI versus George Bush. Também me custa ouvir a primeira reacção do público em geral “coitado, também não faz mal, não deve durar muito” dito assim entre risos, como quem olha para um Marques Mendes à frente de um PSD perdedor. Quando só se pode perder ou não se pode fazer mais, o melhor é arranjar um figurante. Alguém que arque com as culpas mas também não faça muita mossa. O que às vezes não estamos à espera, é que faça.
a vida a quem vive, a morte a quem já viveu (e para quem perguntar, isto é um mandamento de paz interior e não de desanimo) moi-même dixit
e em cada vida que me vivo, me invento para o outro

lixos

Dizia ontem o Nuno Rogeiro, na sua crónica da manhã na RPC, que se sentia chocado com o facto de, após ter entrado em vigor uma lei que proibe o "arremesso" de objectos pela janela do carro, que alguém à sua frente tenha atirado uma garrafa de água borda fora. A mim o que me choca é que seja necessário criar leis para (tentar) impedir que nos comportemos como uns selvagens.

segunda-feira, 18 de abril de 2005

a gente vai continuar?

a vida às vezes parece ser não mais do que uma série de coincidências infelizes. momentos vividos aqui e ali, soltos pelas pontas, presos pela amargura. o único fio condutor resumindo-se a uma semelhança de finais amargurados. uma pessoa bem empurra a vida vivida para o fundo do saco, mas a tampa acaba sempre por saltar. eu acho que gosto de viver, claro, acho que sim, mas acho que a morte deve ser uma libertação... o fim de todas as obrigações, limitações.


"levantou o fecho, e de repente, alcançou a liberdade"

coma profundo V

De Profundis
by Oscar Wilde

(. . . ) Suffering is one very long moment. We cannot divide it by seasons. We can only record its moods, and chronicle their return. With us time itself does not progress. It revolves. It seems to circle round one centre of pain. The paralysing immobility of a life every circumstance of which is regulated after an unchangeable pattern, so that we eat and drink and lie down and pray, or kneel at least for prayer, according to the inflexible laws of an iron formula: this immobile quality, that makes each dreadful day in the very minutest detail like its brother, seems to communicate itself to those external forces the very essence of whose existence is ceaseless change. Of seed-time or harvest, of the reapers bending over the corn, or the grape gatherers threading through the vines, of the grass in the orchard m ade white with broken blossoms or strewn with fallen fruit: of these we know nothing and can know nothing. (...)

coma profundo IV

Relatório sobre o estado vegetativo persistente
António Vaz Carneiro, João Lobo Antunes, António Falcão de Freitas
(Fevereiro de 2005)