terça-feira, 19 de abril de 2005

O politizamento da Igreja

Não, não é um erro nem ortográfico, nem linguístico. É mesmo assim. Tenho como política nunca falar antes de viver, mas também tenho como feitio, reagir no momento. Sobre isto, debruçar-me-ei um dia. Agora o que aqui me traz é pensar que, depois de um Papa que embora não acompanhando alguns aspectos importantes para a vida terrena que vivemos, era visto como alguém aberto ao novo mundo, acaba de nos cair em braços um novo Papa que em tudo é considerado conservador, excessivamente conservador. Retrocesso ou não? Veremos. Dar tempo ao tempo, também acredito nesta máxima. Vamos ver o que vai pesar mais nas suas decisões, o aspecto humano ou o político, teremos um Papa também peregrino, ou um Papa conformado em não se envolver em territórios geridos por outros interesses. O que me preocupa nem sequer são as questões mais fáceis, como o aborto ou o uso do preservativo, mas aquelas que se escondem em interesses político-militares-economicistas. Vou sentar-me e assistir, primeiro round Bento XVI versus George Bush. Também me custa ouvir a primeira reacção do público em geral “coitado, também não faz mal, não deve durar muito” dito assim entre risos, como quem olha para um Marques Mendes à frente de um PSD perdedor. Quando só se pode perder ou não se pode fazer mais, o melhor é arranjar um figurante. Alguém que arque com as culpas mas também não faça muita mossa. O que às vezes não estamos à espera, é que faça.

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