vamos assumir de uma vez.
esta presença aqui nasceu não da vontade plena de me exprimir, mas sim da necessidade suprema de responder.
há uma enorme diferença.
a primeira vontade é aquela que nasce simplesmente de nós, de qualquer um de nós, de dentro para fora de nós, da vontade de passar para a palavra escrita aqueles que são os nossos pensamentos. de os perpetuar, de os partilhar, de os organizar.
a segunda, nasce-me a mim, sim, a mim, da necessidade de responder a palavras, também elas escritas, mas com as quais me foi, de certa forma, negada a interacção. não porque as minhas palavras não fossem bonitas. não porque as minhas palavras não fossem como as outras. simplesmente porque exprimiam, de uma forma muito forte, aquilo que me despoletava a cadência das outras. a cadência da palavra do outro mexendo na cadência dos meus sentimentos. e esse outro, num súbito assumo de alter-ego, assumia essas palavras como para si e não como para elas. porque elas.
adivinhava nas palavras, nas minhas, uma resposta à sua pessoa. não foi capaz de se libertar, como dizia, das suas palavras e entender as minhas como uma simples reacção às dele.
agora, tenho aqui este cantinho, onde sei que não me vê.
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