sexta-feira, 1 de abril de 2005

a razão de aqui estar

vamos assumir de uma vez.

esta presença aqui nasceu não da vontade plena de me exprimir, mas sim da necessidade suprema de responder.

há uma enorme diferença.

a primeira vontade é aquela que nasce simplesmente de nós, de qualquer um de nós, de dentro para fora de nós, da vontade de passar para a palavra escrita aqueles que são os nossos pensamentos. de os perpetuar, de os partilhar, de os organizar.

a segunda, nasce-me a mim, sim, a mim, da necessidade de responder a palavras, também elas escritas, mas com as quais me foi, de certa forma, negada a interacção. não porque as minhas palavras não fossem bonitas. não porque as minhas palavras não fossem como as outras. simplesmente porque exprimiam, de uma forma muito forte, aquilo que me despoletava a cadência das outras. a cadência da palavra do outro mexendo na cadência dos meus sentimentos. e esse outro, num súbito assumo de alter-ego, assumia essas palavras como para si e não como para elas. porque elas.

adivinhava nas palavras, nas minhas, uma resposta à sua pessoa. não foi capaz de se libertar, como dizia, das suas palavras e entender as minhas como uma simples reacção às dele.

agora, tenho aqui este cantinho, onde sei que não me vê.

Sem comentários: