quinta-feira, 21 de abril de 2005

ritmo das palavras

Sinto uma admiração imensa por todos aqueles que conseguem partir frases em versos. Quando escrevo, escrevo tudo a fio. Ao contrário do que me acontece quando danço, não sou capaz de sentir onde pára o fôlego e recomeça a inspiração. É que nem estou a falar de fazer poesia, estou a falar de fazer poemas. A poesia fazêmo-la quando nos entregamos e criamos uma reacção ao que sentimos. O poema fazemos quando contamos os tempos e sabemos quando dar o salto para a outra linha. Por vezes dou por mim a dançar e a sentir que o outro, que pode até conhecer os passos a preceito, não pára no contraa-tempo. O compasso... nunca o apanha. É como eu, a escrever. Por mais que conte palavras, sílabas, letras, quando chega a altura de me reler nunca acerto nas respirações. São as diferentes métricas da vida que vivemos.

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