segunda-feira, 18 de abril de 2005
coma profundo III
estaremos em coma profundo ou em profundo coma? olho à volta e tenho a sensação de que vivemos castrados, castrados à vida e rendidos à morte.
coma profundo II
Bertrand Russel disse "a vida é demasiado curta para nos permitir interessar-nos por todas as coisas, mas é bom que nos interessemos por tantas quantas forem necessárias para preencher os nossos dias".
quem me ensinou isto, hoje, nem sabe o quanto foi ao meu encontro. obrigada
quem me ensinou isto, hoje, nem sabe o quanto foi ao meu encontro. obrigada
coma profundo I
a Mãe da minha melhor amiga entrou hoje em coma profundo. andava eu por aqui à procura de me encontrar... aqui
domingo, 17 de abril de 2005
hoje nada existe para além do vazio. não sei o que tinha que agora sinto que perdi. não sei se era eu ou se não era meu. só sei que aqui ficou um nada que é demais. um buraco negro repleto de matéria pesada. não era assim que eu tinha sonhado as coisas. sempre previ e esperei o afastamento, não se trata disso. acho que lhe dava era outra forma. algo que se iria diluir em si mesmo, consumir na sua força e deixar de respirar naturalmente. não imaginei este acto eutanásico. não me tinha ainda visto de copo de veneno na mão. ficou no ar tudo o que eu não queria e nem sal ficou para chorar.
(tele)comunicações
o que nos deu agora, que cada vez mais nos tele-lemos e cada vez menos nos loco-conversamos.
Diário de viagem de Pilar, 3 Fevereiro
Assim são as coisas nesta parte do mundo, onde o importante não é o que se vende ou o que se compra, mas sim sabermos-nos vivos, ao menos por hoje, donos absolutos do tempo, e este tempo empregado na festa que é a conversação e a comunicação humana.
Não estou interessada em vencer na vida
É dificil localizar e dizer o que tenho mas, ao mesmo tempo, as coisas talvez sejam simples porque as minhas ambições são muito simples. Não estou interessada em vencer na vida. O que eu queria era encontrar alguma resposta para as coisas que sinto, para as coisas que desejo. Uma espécie de ir ao encontro do que pressinto sem saber o que é. É claro que o amor talvez também caiba aqui, mas o que eu queria mesmo descobrir era a maneira de me ligar à vida. Sei que a minha vida não é aquela que me ensinaram, simplesmente não consigo encontrar outra.
O tempo tem de parar, Aldous Huxley
Nenhuma pessoa que tenha qualquer tipo de imaginação criadora pode ficar de outra maneira que não desapontada com a vida real.
racional versus irracional
Quem quiser levar os homens a agir racionalmente, tem de se decidir a levá-los de forma irracional.
frases soltas, recordadas durante o sonho
Todas as coisas grandes e extraordinárias e divinas da vida são de uma simplicidade infantil.
A estrada da montanha pode ser árdua, mas o ar lá lá no alto é puro e é do cume que se desfruta o panorama.
As coisas que realmente importam, acontecem no coração.
A chama da vela dá luz, mas também queima.
A estrada da montanha pode ser árdua, mas o ar lá lá no alto é puro e é do cume que se desfruta o panorama.
As coisas que realmente importam, acontecem no coração.
A chama da vela dá luz, mas também queima.
o caminho dos loucos
Tudo o que se faz de grande no mundo, é feito por loucos. As pessoas estão sempre dispostas a ouvir um sábio para se divertirem e relaxarem um pouco, tal como ouviriam um saltibanco ou um contador de histórias. Mas, quanto a agirem, nunca estão dispostas a seguir o caminho de um homem de razão. Nunca. Em toda a história da humanidade, sempre que a escolha se teve de fazer entre um homem de razão e um louco, o mundo seguiu, sem hesitação, o segundo. Porque o louco apela para o que é fundamental na vida, apela para a paixão e os instintos, o sábio aponta para o que é superficial e supérfluo - a razão.
as linhas paralelas
Já sei onde fui buscar esta minha ideia de que vivo em paralelo.
"As linhas paralelas só se encontram no infinito (...). Mas já alguém estabeleceu contacto com alguém? Todos nós somos linhas paralelas (...)" eu só sou um pouco mais paralela do que a maior parte das pessoas.
"(...)" retirado algures em 1994 do livro "Férias em Crome" de Aldous Huxley. Redescoberto hoje.
"As linhas paralelas só se encontram no infinito (...). Mas já alguém estabeleceu contacto com alguém? Todos nós somos linhas paralelas (...)" eu só sou um pouco mais paralela do que a maior parte das pessoas.
"(...)" retirado algures em 1994 do livro "Férias em Crome" de Aldous Huxley. Redescoberto hoje.
sábado, 16 de abril de 2005
le rêve
variação a dois tempos sobre o sonho de Verlaine
Je fais souvent ce rêve étrange et pénétrant
D’une vie inconnue, et que je vivre et qui me vivre
Et qui n’est, quelque fois une vie belle
Ni souvent une vie comme la mienne
Car je ne la comprends pas, et sa joie claire et cristalline
Pour elle seule se fait, pourtant moi j’y crois
Et j’y crois a elle seule et jamais à moi-même
Puisqu’elle se fait rafraîchir en me voient du même
Suis-moi heureuse, simple ou ténébreuse ?
Mon nom ? Je me souviens qu’il est dur et pourtant léger
Comme ceux des condamné par la vie en guerre
Son regard est pareil au regard de l’eau
Que se contourne infinie e douloureusement
Comme des vagues en cassant sur la chair abandonnée
Je fais souvent ce rêve étrange et pénétrant
D’une vie inconnue, et que je vivre et qui me vivre
Et qui n’est, quelque fois une vie belle
Ni souvent une vie comme la mienne
Car je ne la comprends pas, et sa joie claire et cristalline
Pour elle seule se fait, pourtant moi j’y crois
Et j’y crois a elle seule et jamais à moi-même
Puisqu’elle se fait rafraîchir en me voient du même
Suis-moi heureuse, simple ou ténébreuse ?
Mon nom ? Je me souviens qu’il est dur et pourtant léger
Comme ceux des condamné par la vie en guerre
Son regard est pareil au regard de l’eau
Que se contourne infinie e douloureusement
Comme des vagues en cassant sur la chair abandonnée
Do outro lado da janela
Seja de dentro para fora ou de fora para dentro, sempre a fascinou o mundo do outro lado da janela.
1989, Inverno ou Verão, 7:15 na estação de comboios. Sempre ali, via o das 7:18 partir, com calma, com toda a calma. Com muito mais calma do que qualquer outro dos seres que para ali se atiravam. Com calma, como se fosse normal acordar 15 minutos mais cedo todos os dias, para ali estar a vê-los sair. Partiam rumo ao mesmo destino do que ela: sobreviver ao dia-a-dia.
7:20, chegava o que viria a ser o "seu". Derramava na plataforma litros de gentes. Umas diferentes, outras iguais. Umas mais diferentes que as outras mais iguais. A plataforma, que tinha visto correr para lá, despejava agora para cá. Amarelo, verde, azul. Preto, branco ou assim-assim. Altos baixos, correndo ou tentando não ser atropelados. Com a pressa dessas gentes, 7:23 já estaria sentada na sua janela.
Não era importante a carruagem, há quem goste de viajar sempre no mesmo lugar, encontros combinados, saídas mais perto, de tudo um pouco. Ela só queria ficar à janela, fosse qual fosse, desde que virada para a plataforma, e de costas para a frente.
Acho que era nesses pouco mais de 15 minutos, que ela crescia para o mundo, aprendia, absorvia a sua energia, imaginava a sua vida. Sonhava. À noite, quando chegava a casa, derramava no papel tudo o que havia sido derramado nos seus olhos. Suspirava e sentia que podia partir para mais um dia.
1989, Inverno ou Verão, 7:15 na estação de comboios. Sempre ali, via o das 7:18 partir, com calma, com toda a calma. Com muito mais calma do que qualquer outro dos seres que para ali se atiravam. Com calma, como se fosse normal acordar 15 minutos mais cedo todos os dias, para ali estar a vê-los sair. Partiam rumo ao mesmo destino do que ela: sobreviver ao dia-a-dia.
7:20, chegava o que viria a ser o "seu". Derramava na plataforma litros de gentes. Umas diferentes, outras iguais. Umas mais diferentes que as outras mais iguais. A plataforma, que tinha visto correr para lá, despejava agora para cá. Amarelo, verde, azul. Preto, branco ou assim-assim. Altos baixos, correndo ou tentando não ser atropelados. Com a pressa dessas gentes, 7:23 já estaria sentada na sua janela.
Não era importante a carruagem, há quem goste de viajar sempre no mesmo lugar, encontros combinados, saídas mais perto, de tudo um pouco. Ela só queria ficar à janela, fosse qual fosse, desde que virada para a plataforma, e de costas para a frente.
Acho que era nesses pouco mais de 15 minutos, que ela crescia para o mundo, aprendia, absorvia a sua energia, imaginava a sua vida. Sonhava. À noite, quando chegava a casa, derramava no papel tudo o que havia sido derramado nos seus olhos. Suspirava e sentia que podia partir para mais um dia.
nós e os outros ou nós ou os outros
na vida há espaço para tudo e todos. quando escrevo não sei se o faço na primeira ou em todas as pessoas do singular ou do plural. mas sei que escrevo de todos, para mim, e que me vêm para os outros. ciclo vicioso este, hein?!
os castigos
Os castigos não são (sempre) incompreensíveis. Quando vistos e aplicados de uma forma construtiva, podem ajudar uma criança ou um adolescente a perceberem que somos responsáveis e responsabilizados pelos nossos "crimes" mas, também, que podemos aprender alguma coisa com esse "erro".
Conheço uma pessoa desde sempre sensível às piores realidades deste mundo que conseguia, através de uma participação activa na Associação de Pais de uma Escola onde quase só apareciam crianças de bairros sociais degradados, habituadas à lei da faca e nunca ao carinho e valorização, que 2 ou 3 entre as muitas outras mais, fossem castigadas de uma forma totalmente não punitiva. Vi suficientes pré-deliquentes que teriam sido suspensos das aulas e do espaço escolar durante uma semana ou mais, para ficarem nas ruas sem tino nem destino que não o de criarem vícios e bandos, serem colocados na pequena cozinha a ajudar mas, melhor ainda, nos canteiros da escola, plantando e acompanhando o crescimento saudável de meia dúzia de plantas agrestes. Esse acompanhamento infelizmente era muitas vezes feito, não no decorrer normal de uma manhã de escola, mas sim no decorrer de castigos sucessivos...
Deixei de ter contacto com essas crianças, não sei como cresceram nem no que se tornaram, mas tenho a certeza que, mesmo preferindo andar a sacar carteiras ou furar pneus por aí, nunca esqueceram os dias de ancinho na mão e a magia que é ver alguma coisa crescer do nosso trabalho. Diz-me essa pessoa que, frequentemente, é abordada por jovens que lhe dizem "Lembra-se de mim? Plantei o arbusto do canteiro do fundo".
Talvez isto tudo não passe de uma utopia, mas fico feliz por saber que existem pessoas ainda utópicas.
Conheço uma pessoa desde sempre sensível às piores realidades deste mundo que conseguia, através de uma participação activa na Associação de Pais de uma Escola onde quase só apareciam crianças de bairros sociais degradados, habituadas à lei da faca e nunca ao carinho e valorização, que 2 ou 3 entre as muitas outras mais, fossem castigadas de uma forma totalmente não punitiva. Vi suficientes pré-deliquentes que teriam sido suspensos das aulas e do espaço escolar durante uma semana ou mais, para ficarem nas ruas sem tino nem destino que não o de criarem vícios e bandos, serem colocados na pequena cozinha a ajudar mas, melhor ainda, nos canteiros da escola, plantando e acompanhando o crescimento saudável de meia dúzia de plantas agrestes. Esse acompanhamento infelizmente era muitas vezes feito, não no decorrer normal de uma manhã de escola, mas sim no decorrer de castigos sucessivos...
Deixei de ter contacto com essas crianças, não sei como cresceram nem no que se tornaram, mas tenho a certeza que, mesmo preferindo andar a sacar carteiras ou furar pneus por aí, nunca esqueceram os dias de ancinho na mão e a magia que é ver alguma coisa crescer do nosso trabalho. Diz-me essa pessoa que, frequentemente, é abordada por jovens que lhe dizem "Lembra-se de mim? Plantei o arbusto do canteiro do fundo".
Talvez isto tudo não passe de uma utopia, mas fico feliz por saber que existem pessoas ainda utópicas.
sexta-feira, 15 de abril de 2005
também se pode brincar à sexta-feira?
TUDO GRAMATICAMENTE CORRECTO...
Perguntaram a uma loira qual a diferença entre mamilo e mama.
A loira, depois pensar muito, muito, mas muuiiiitto tempo, respondeu:
- Mamilo... é o que me chupam... Mama... é uma ordem...
Perguntaram a uma loira qual a diferença entre mamilo e mama.
A loira, depois pensar muito, muito, mas muuiiiitto tempo, respondeu:
- Mamilo... é o que me chupam... Mama... é uma ordem...
Prescrição para males de amor
"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer"
===================================
Ah Camões
Se vivesses hoje em dia
Tomavas uns anti-piréticos
Uns quantos analgésicos
Xanax ou Prozac para a depressão
Compravas um computador
Consultavas a página do Murcon
E descobririas
Que essas dores que sentias
Esses calores que te abrasavam
Essas mudanças de humor repentinas
Esses desatinos sem nexo
Não eram feridas de amor
Mas somente falta de sexo.
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer"
===================================
Ah Camões
Se vivesses hoje em dia
Tomavas uns anti-piréticos
Uns quantos analgésicos
Xanax ou Prozac para a depressão
Compravas um computador
Consultavas a página do Murcon
E descobririas
Que essas dores que sentias
Esses calores que te abrasavam
Essas mudanças de humor repentinas
Esses desatinos sem nexo
Não eram feridas de amor
Mas somente falta de sexo.
ar, por favor
é nestas alturas que eu percebo claramente que, ainda mais importante do que a água, o ar é essencial à minha vida.
quinta-feira, 14 de abril de 2005
Berlenga
Reserva Natural criada em 1981, pelo Decreto-Lei n.º 264/81 de 3 de Setembro.
Pensei fazer uma página sobre esta Ilha Encantada, onde nos últimos anos tenho passado férias com os melhores amigos do mundo. Foi quando procurava informação que encontrei um site inteirinho dedicado a ela. Vou fazer um link até lá. Espero que os autores não se importem.
Formação granítica com cerca de 280 milhões de anos que integra a Ilha Berlenga, as Estelas e os Farilhões.
A Reserva Natural é um dos mais importantes locais de nidificação (construção de ninhos) e refúgio de aves marinhas na Península Ibérica. O seu elevado interesse botânico é-lhe conferido por dois endemismos e mais de uma dezena de espécies de distribuição restrita em Portugal.
A parte imersa é uma reserva marinha de grande riqueza ictiológica (peixes), a primeira criada no país.
Para os Lobos do Mar - Farol da Berlenga
Número Nacional: 136
NúmeroInternacional: D-2086
Nome e Localização: Berlenga. No ponto mais elevado da ilha
Lat/LongN/W: 39º24'/999º30'/47
Descrição e Altura: Torre prismática branca com edifícios anexos. 29 m.
Para breve, algumas Histórias ilustradas.
Pensei fazer uma página sobre esta Ilha Encantada, onde nos últimos anos tenho passado férias com os melhores amigos do mundo. Foi quando procurava informação que encontrei um site inteirinho dedicado a ela. Vou fazer um link até lá. Espero que os autores não se importem.
Formação granítica com cerca de 280 milhões de anos que integra a Ilha Berlenga, as Estelas e os Farilhões.
A Reserva Natural é um dos mais importantes locais de nidificação (construção de ninhos) e refúgio de aves marinhas na Península Ibérica. O seu elevado interesse botânico é-lhe conferido por dois endemismos e mais de uma dezena de espécies de distribuição restrita em Portugal.
A parte imersa é uma reserva marinha de grande riqueza ictiológica (peixes), a primeira criada no país.
Para os Lobos do Mar - Farol da Berlenga
Número Nacional: 136
NúmeroInternacional: D-2086
Nome e Localização: Berlenga. No ponto mais elevado da ilha
Lat/LongN/W: 39º24'/999º30'/47
Descrição e Altura: Torre prismática branca com edifícios anexos. 29 m.
Para breve, algumas Histórias ilustradas.
razão de estado
Houve alguém que um dia me perguntou "porquê querer fazer novos amigos? os que tens não te chegam ou não são bons?". Nada disso! Eu apenas gosto de confrontar ideias com pessoas de todo o lado. Gosto sobretudo de conhecer pessoas que não pensem da mesma forma que eu, isso ajuda-me a manter o espírito aberto. Já agora, a pessoa que me fez essa pergunta é agora um grande amigo meu que apesar da distância, separa-nos um oceano, está sempre muito perto.
Maio 1998
Pois é, São Tomé é um paraíso mas é um paraíso muito mal tratado pelos seus.
Numa altura em que tanto se fala dos problemas ambientais fiquei com a impressão de que poucas pessoas estão preocupadas com o futuro de São Tomé. Não falo apenas dos grandes problemas ambientais, das tartarugas em extinção ou das toneladas de areia retiradas (para não dizer roubadas!) às praias. Falo de uma consciência que não existe no dia-a-dia, talvez por desconhecimento, talvez por falta de meios (que nem sempre é justificativo), por total indiferença... ou se calhar porque simplesmente é muito mais simples. Quando não existe uma recolha de lixo pela cidade é realmente muito mais fácil largar o lixo na praia em frente... só que quando a população inteira de uma cidade larga os seus lixos na praia em frente, não está com certeza à espera que o mar absorva tudo infinitamente.
Com tantos projectos a querem nascer em STP, Zona Franca, petróleo e afins, é preciso ter cuidado. Deus deu mas não deu com contrato de manutenção incluído, não é Deus que vai manter assim para o resto da vida... se não forem os santomenses a cuidar da sua terra, com amor e sobretudo com consciência, um dia ela vai deixar de ser um dos paraísos à superfície da Terra.
Eu, como turista que também fui, fiquei desiludida por chegar a praias aparentemente maravilhosas e cortar-me numa lata de cerveja largada por lá. Uma entre muitas, não só latas mas também garrafas, sacos, papeis.
Já agora, porque não ler o livro de Miguel Sousa Tavares. Entre outros relatos, fala-nos da sua experiência em São Tomé.
Numa altura em que tanto se fala dos problemas ambientais fiquei com a impressão de que poucas pessoas estão preocupadas com o futuro de São Tomé. Não falo apenas dos grandes problemas ambientais, das tartarugas em extinção ou das toneladas de areia retiradas (para não dizer roubadas!) às praias. Falo de uma consciência que não existe no dia-a-dia, talvez por desconhecimento, talvez por falta de meios (que nem sempre é justificativo), por total indiferença... ou se calhar porque simplesmente é muito mais simples. Quando não existe uma recolha de lixo pela cidade é realmente muito mais fácil largar o lixo na praia em frente... só que quando a população inteira de uma cidade larga os seus lixos na praia em frente, não está com certeza à espera que o mar absorva tudo infinitamente.
Com tantos projectos a querem nascer em STP, Zona Franca, petróleo e afins, é preciso ter cuidado. Deus deu mas não deu com contrato de manutenção incluído, não é Deus que vai manter assim para o resto da vida... se não forem os santomenses a cuidar da sua terra, com amor e sobretudo com consciência, um dia ela vai deixar de ser um dos paraísos à superfície da Terra.
Eu, como turista que também fui, fiquei desiludida por chegar a praias aparentemente maravilhosas e cortar-me numa lata de cerveja largada por lá. Uma entre muitas, não só latas mas também garrafas, sacos, papeis.
Já agora, porque não ler o livro de Miguel Sousa Tavares. Entre outros relatos, fala-nos da sua experiência em São Tomé.
quarta-feira, 13 de abril de 2005
@
A S. diz-me "se a vida te dá limões, faz limonada". Mas a vida agora dá-me mais é limonada versão take-away. Uma limonada bem diluidazita... um quase nada que nem a qb chega. Ele há dias... mas depois desses, há sempre outros mais, mesmo que para lá desta dimensão.
XX - Les Bijoux
La très chère était nue, et, connaissant mon coeur,
Elle n'avait gardé que ses bijoux sonores,
Dont le riche attirail lui donnait l'air vainqueur
Qu'ont dans leurs jours heureux les esclaves des Mores.
Quand il jette en dansant son bruit vif et moqueur,
Ce monde rayonnant de métal et de pierre
Me ravit en extase, et j'aime à la fureur
Les choses où le son se mêle à la lumière.
Elle était donc couchée et se laissait aimer,
Et du haut du divan elle souriait d'aise
A mon amour profond et doux comme la mer,
Qui vers elle montait comme vers sa falaise.
Les yeux fixés sur moi, comme un tigre dompté,
D'un air vague et rêveur elle essayait des poses,
Et la candeur unie à la lubricité
Donnait un charme neuf à ses métamorphoses;
Et son bras et sa jambe, et sa cuisse et ses reins,
Polis comme de l'huile, onduleux comme un cygne,
Passaient devant mes yeux clairvoyants et sereins;
Et son ventre et ses seins, ces grappes de ma vigne,
S'avançaient, plus câlins que les Anges du mal,
Pour troubler le repos où mon âme était mise,
Et pour la déranger du rocher de cristal
Où, calme et solitaire, elle s'était assise.
Je croyais voir unis par un nouveau dessin
Les hanches de l'Antiope au buste d'un imberbe,
Tant sa taille faisait ressortir son bassin.
Sur ce teint fauve et brun, le fard était superbe!
– Et la lampe s'étant résignée à mourir,
Comme le foyer seul illuminait la chambre,
Chaque fois qu'il poussait un flamboyant soupir,
Il inondait de sang cette peau couleur d'ambre!
Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal 1857
Elle n'avait gardé que ses bijoux sonores,
Dont le riche attirail lui donnait l'air vainqueur
Qu'ont dans leurs jours heureux les esclaves des Mores.
Quand il jette en dansant son bruit vif et moqueur,
Ce monde rayonnant de métal et de pierre
Me ravit en extase, et j'aime à la fureur
Les choses où le son se mêle à la lumière.
Elle était donc couchée et se laissait aimer,
Et du haut du divan elle souriait d'aise
A mon amour profond et doux comme la mer,
Qui vers elle montait comme vers sa falaise.
Les yeux fixés sur moi, comme un tigre dompté,
D'un air vague et rêveur elle essayait des poses,
Et la candeur unie à la lubricité
Donnait un charme neuf à ses métamorphoses;
Et son bras et sa jambe, et sa cuisse et ses reins,
Polis comme de l'huile, onduleux comme un cygne,
Passaient devant mes yeux clairvoyants et sereins;
Et son ventre et ses seins, ces grappes de ma vigne,
S'avançaient, plus câlins que les Anges du mal,
Pour troubler le repos où mon âme était mise,
Et pour la déranger du rocher de cristal
Où, calme et solitaire, elle s'était assise.
Je croyais voir unis par un nouveau dessin
Les hanches de l'Antiope au buste d'un imberbe,
Tant sa taille faisait ressortir son bassin.
Sur ce teint fauve et brun, le fard était superbe!
– Et la lampe s'étant résignée à mourir,
Comme le foyer seul illuminait la chambre,
Chaque fois qu'il poussait un flamboyant soupir,
Il inondait de sang cette peau couleur d'ambre!
Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal 1857
tudo em nada
há mulheres com muita sorte... não é todos os dias que alguém nos merece um sms em branco. nada a dizer ou espaço para tudo? assim se abrem as portas ao infinito, assim se fecham para sempre.
pro ou actividade?
sinto que quanto mais proactiva me cresço na vida, mais reactiva me faço na escrita. (des)equilíbrio?
terça-feira, 12 de abril de 2005
tu ou não tu, heis a questão
Há dias, li um post ali ao lado, falava sobre as Tias e as Pseudo... na altura nada disse, mas hoje já não pude resistir, chamem-me lá o que quiserem, há pessoas que serão sempre "não-tu" mas nunca "você" (CREDO!!!!)
Confesso que comecei várias vezes a escrever o meu comentário, mas em cada uma chegava à conclusão de que não me iria fazer entender. Achei melhor deixar as coisas como estavam.
Uma vez que existe uma desilusão formalmente escrita sobre a abstinência dos bloguers do Diário, vou tentar.
Desde pequena que, à minha volta, o tratamento na 2ª pessoa do plural (e não na 3ª do singular, como quase sempre é confundido pela horda de - como era mesmo? - novos ricos ou qualquer coisa assim) é um acto inconsciente. Sempre tratei os meus Pais, os meus irmãos, os meus primos mais novos assim. Confesso que alguns amigos também.
Não sei explicar porquê. Duvido que seja por ter uma relação superficial ou menos chegada com qualquer uma dessas pessoas. Não existe Mãe mais confidente que a minha, aposto com quem quiser duvidar! O meu irmão mais novo nasceu no mesmo dia que eu, cinco anos mais tarde. Lembro-me como se fosse hoje. Levaram-me à Lapa (a do Porto, não a da nossa burguesa capital), sentaram-me numa cama no canto e uma senhora parecida com a minha Tia Júlia, colocou um pequeno embruho de pano nos meus braços "S. este é o teu presente de anos!". Eu que já havia escolhido o nome do mano que aí vinha, não coube em mim de contente - aos cinco anos ofereceram-me um boneco que mexia, comia, chorava e até fazia chichi... temos de nos lembrar que estávamos bem longe da geração Nenuco. O meu irmão nasceu como um presente de anos e cresceu para se vir a tornar o homem que não dispenso ter a meu lado. "J., o mano está de ressaca? Está com ar de quem virou 5 ou 6 a mais...", "Agora que está aí, longe, veja lá se lê os meus mails, estou com muitas daquelas minhas dúvidas existenciais, daquelas que nem a Mãe pode ajudar, só o J."
Assim, cinzento no branco, parece uma coisa perfeitamente idiota.
Mas no meio disto tudo, tenho a acrescentar que, a única palavra que nunca me saiu boca-fora foi o "você". Mentira, saiu-me uma vez em pequenita e levei um sermão tamanho que nunca mais me ocorreu usar tal termo. O "você" já faz parte da linguagem burguesa de Lisboa.
Para mim, dizer "MANO PARE!!" é exactamente o mesmo que dizer "PO**A TÁ QUIETO!". Tem tudo a ver com a forma como o diálogo sai - natural ou estudado.
Permitido "A Mãe precisa de ajuda?"
PROIBIDO "Você quer ajuda?"
Permitido "Os Pais vão jantar fora?"
PROIBIDO "Vocês vão jantar fora?"
Nem vou reler. Sei que se o fizer, voltarei a apagar, porque não soa nada como eu queria contar.
ps: Cheguei à conclusão de que irrito muita gente... ainda só não consegui foi conquistar nada... tristeza!
ps2: É engraçado, só depois de submeter o meu comentário, reparei que existia um anterior. Não se trata de falta de respeito, não se trata de maior ou menor confiança, mas, ao contrário da Gigi, mais depressa tratarei alguém aqui da blogosfera por tu do que os meus filhos... Trato a minha Princesa e o meu 'F por menina/o e ainda corro o risco de lhes dar uma reprimenda amigável "TU?!? Eu por acaso ando com a menina na escola?!?" e no entanto são mais do que o sangue poderia ser, não os escolhi, tive a sorte de por eles ser escolhida.
Confesso que comecei várias vezes a escrever o meu comentário, mas em cada uma chegava à conclusão de que não me iria fazer entender. Achei melhor deixar as coisas como estavam.
Uma vez que existe uma desilusão formalmente escrita sobre a abstinência dos bloguers do Diário, vou tentar.
Desde pequena que, à minha volta, o tratamento na 2ª pessoa do plural (e não na 3ª do singular, como quase sempre é confundido pela horda de - como era mesmo? - novos ricos ou qualquer coisa assim) é um acto inconsciente. Sempre tratei os meus Pais, os meus irmãos, os meus primos mais novos assim. Confesso que alguns amigos também.
Não sei explicar porquê. Duvido que seja por ter uma relação superficial ou menos chegada com qualquer uma dessas pessoas. Não existe Mãe mais confidente que a minha, aposto com quem quiser duvidar! O meu irmão mais novo nasceu no mesmo dia que eu, cinco anos mais tarde. Lembro-me como se fosse hoje. Levaram-me à Lapa (a do Porto, não a da nossa burguesa capital), sentaram-me numa cama no canto e uma senhora parecida com a minha Tia Júlia, colocou um pequeno embruho de pano nos meus braços "S. este é o teu presente de anos!". Eu que já havia escolhido o nome do mano que aí vinha, não coube em mim de contente - aos cinco anos ofereceram-me um boneco que mexia, comia, chorava e até fazia chichi... temos de nos lembrar que estávamos bem longe da geração Nenuco. O meu irmão nasceu como um presente de anos e cresceu para se vir a tornar o homem que não dispenso ter a meu lado. "J., o mano está de ressaca? Está com ar de quem virou 5 ou 6 a mais...", "Agora que está aí, longe, veja lá se lê os meus mails, estou com muitas daquelas minhas dúvidas existenciais, daquelas que nem a Mãe pode ajudar, só o J."
Assim, cinzento no branco, parece uma coisa perfeitamente idiota.
Mas no meio disto tudo, tenho a acrescentar que, a única palavra que nunca me saiu boca-fora foi o "você". Mentira, saiu-me uma vez em pequenita e levei um sermão tamanho que nunca mais me ocorreu usar tal termo. O "você" já faz parte da linguagem burguesa de Lisboa.
Para mim, dizer "MANO PARE!!" é exactamente o mesmo que dizer "PO**A TÁ QUIETO!". Tem tudo a ver com a forma como o diálogo sai - natural ou estudado.
Permitido "A Mãe precisa de ajuda?"
PROIBIDO "Você quer ajuda?"
Permitido "Os Pais vão jantar fora?"
PROIBIDO "Vocês vão jantar fora?"
Nem vou reler. Sei que se o fizer, voltarei a apagar, porque não soa nada como eu queria contar.
ps: Cheguei à conclusão de que irrito muita gente... ainda só não consegui foi conquistar nada... tristeza!
ps2: É engraçado, só depois de submeter o meu comentário, reparei que existia um anterior. Não se trata de falta de respeito, não se trata de maior ou menor confiança, mas, ao contrário da Gigi, mais depressa tratarei alguém aqui da blogosfera por tu do que os meus filhos... Trato a minha Princesa e o meu 'F por menina/o e ainda corro o risco de lhes dar uma reprimenda amigável "TU?!? Eu por acaso ando com a menina na escola?!?" e no entanto são mais do que o sangue poderia ser, não os escolhi, tive a sorte de por eles ser escolhida.
Menina Dos Olhos Tristes
Estava a ouvir este poema, cantado por Zeca Afonso, veio-me à memória algumas das minhas incursões África adentro. Lembrei-me do "dever". Não consigo ser pragmática em relação a certas vivências. Não consigo separar-me da ideia de que, de alguma forma, todos me viram, por dentro e por fora. E alguma coisa me chama, me prende e me leva Mar adentro.
by José Afonso
Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar
Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar
by José Afonso
Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar
Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar
quando eu estava para nascer
(José Afonso)
1971
1971
Mulher da Erva
Velha da terra morena
Pensa que é já lua cheia
Vela que a onda condena
Feita em pedaços na areia
(...)
segunda-feira, 11 de abril de 2005
João Paulo II
o erro de João Paulo II foi não perceber que o futuro do catolicismo está nas mulheres, nos crentes do sexo feminino, e ter-lhes fechado as portas do sacerdócio. não que eu, agnóstica, tenha que dar palpites, mas fica a minha opinião
Publicado por Isabel em abril 6, 2005 11:44 PM
Publicado por Isabel em abril 6, 2005 11:44 PM
Papa João Paulo II, o Peregrino
Na minha opinião, o pontificado de João Paulo II é claramente positivo. Teve mais aspectos positivos que aspectos menos positivos. Antes de fazermos um qualquer balanço, é preciso dizer que não existem pessoas perfeitas, nem feitos perfeitos. Não existem, simplesmente. Por isso, se olharmos apenas para os aspectos menos bons teremos um balanço parcial, assim como se olharmos apenas para os aspectos bons. Um verdadeiro balanço deve incluí-los todos.
João Paulo II foi um peregrino por excelência. Acredito que em todas as viagens que realizou, o seu testemunho, a sua proximidade com o povo de Deus, em todo o mundo, foi, de longe, o ponto mais positivo do seu pontificado, e o que distinguiu dos outros pontificados.
João Paulo II foi também um homem de muita fé, e somos todos testemunhas disso. Sobretudo, pela dedicação e empenho demonstrado nos seus últimos anos de pontificado, onde a sua debilidade física e o seu sofrimento foram sempre bem visíveis.
João Paulo II foi também o Papa das nossas vidas. Eramos ainda crianças quando o João Paulo II foi eleito Papa e não me lembro de nenhum dos seus antecessores. Lembro-me da primeira vez que João Paulo II esteve em Portugal, e tentei ir vê-lo perto de mim. Vi-o passar ao longe. Hoje, confesso, que naquele tempo, não fazia a mínima ideia do que significava o Papa. Era apenas um padre ou um bispo, pensava eu, ou talvez alguém diferente pois andava sempre de branco.
Voltei a ver o Papa na segunda vez que esteve em Portugal, desta vez no Parque Eduardo VII, em Lisboa. Percorri quilómetros a pé, com a minha Mãe, e nunca o cansaço me foi tão fácil. Nessa altura, tinha a certeza que João Paulo II era alguém especial. Era alguém que conseguia mover milhões de jovens, vindos dos quatro cantos da Terra, num intenso dia de calor ou chuva, no pó, na terra seca ou extremamente inundada.
Em muitas alturas da minha vida senti-me muito longe de Deus. Nessas alturas, nem a fé de João Paulo II, ou o seu testemunho de vida, nem a sua relação com os jovens, me ajudaram a compreender que a vida não tem sentido se não não lhe dermos um sentido.
Por todos estes motivos, não estranho que o funeral de João Paulo II tenha tido a presença das mais diversas pessoas, dos mais diversos quadrantes políticos, económicos, culturais e sociais. João Paulo II foi coerente com a sua fé, com as suas convicções. Foi um exemplo de fé e oração. E isso moveu-nos a todos: cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, hindús, agnósticos e até ateus. É, sobretudo, fora da Igreja que João Paulo II gera maiores consenso, se não mesmo, a unanimidade. João Paulo II foi um profeta da Paz. Da Justiça. Do Amor.
Como já disse anteriormente, não há pontificados perfeitos. Por isso, também o pontificado de João Paulo II teve os seus aspectos menos positivos. E estes variam de acordo com quem faz o balanço. Para mim, talvez este ou aquele aspecto poderia ter sido diferente. Para outra pessoa, talvez até esse aspecto tenha sido um aspecto muito positivo.
Posso referir alguns para se compreender melhor:
1. Hoje, a Igreja Católica é mais Romana (centrada no Vaticano) que antes de João Paulo II, e isso afasta-se do Concílio Vaticano II. O próprio cardeal Ratzinger assumiu, recentemente, que houve alturas que a Igreja poderia não ter sido tão centralizada. Como disse alguém, a culpa foi também dos bispos que nas conferências episcopais se demitiram das suas responsabilidades.
2. O seu conservadorismo, sobretudo na moral sexual, afastou milhares (ou talvez milhões) de pessoas da Igreja, e faz com outros tantos não se aproximem da Igreja por essa razão. Aborto e contracepção são coisas distintas e é preciso dizer e compreender isso.
3. A (excessiva) devoção mariana. Não se pode colocar as revelações particulares acima da doutrina da Igreja, ou da própria Sagrada Escritura.
4. «Mais do que falar da Teologia da Libertação, temos de falar da libertação da Teologia», dizia, com razão, um professor de um amigo meu. Não se pode perseguir aqueles que pensam de forma diferente da Igreja, só porque pensam de forma diferente. Não é possível chegarmos ao século XXI, e vermos que os grandes teólogos do século XX foram, praticamente todos, numa situação ou outra, privados da sua liberdade em fazer Teologia.
5. A participação dos leigos, em particular das mulheres, na vida da Igreja. Pela escassez, cada vez maior, de vocações sacerdotais, e não havendo um milagre em breve que inverta a situação, é preciso compreender, de uma vez por todas, que a tão apregoada nova evagelização far-se-á, sobretudo, pelos leigos. Estes precisam de preparação e formação, de assumir verdadeiramente as suas responsabilidades e obrigação de anunciar e sermos testemunhas do Evangelho.
O próximo Papa será diferente de João Paulo II. Não há duas pessoas iguais. Será certamente um bom Papa. Que compreenderá os desafios que se colocam à Igreja e ao mundo nos dias de hoje, e a Igreja saberá dar a melhor resposta. É preciso ter esperança. Não concordo com aqueles que afirmam que a Igreja precisa de um novo Concílio. Teremos esgotado o que assumimos há quatro décadas no Concílio Vaticano II? Voltaremos a ter um novo Concílio apenas para ajudar a por em prática o anterior? Não vejo que seja necessário. Basta relembrar o Vaticano II e, de uma vez por todas, pô-lo em prática.
João Paulo II foi um peregrino por excelência. Acredito que em todas as viagens que realizou, o seu testemunho, a sua proximidade com o povo de Deus, em todo o mundo, foi, de longe, o ponto mais positivo do seu pontificado, e o que distinguiu dos outros pontificados.
João Paulo II foi também um homem de muita fé, e somos todos testemunhas disso. Sobretudo, pela dedicação e empenho demonstrado nos seus últimos anos de pontificado, onde a sua debilidade física e o seu sofrimento foram sempre bem visíveis.
João Paulo II foi também o Papa das nossas vidas. Eramos ainda crianças quando o João Paulo II foi eleito Papa e não me lembro de nenhum dos seus antecessores. Lembro-me da primeira vez que João Paulo II esteve em Portugal, e tentei ir vê-lo perto de mim. Vi-o passar ao longe. Hoje, confesso, que naquele tempo, não fazia a mínima ideia do que significava o Papa. Era apenas um padre ou um bispo, pensava eu, ou talvez alguém diferente pois andava sempre de branco.
Voltei a ver o Papa na segunda vez que esteve em Portugal, desta vez no Parque Eduardo VII, em Lisboa. Percorri quilómetros a pé, com a minha Mãe, e nunca o cansaço me foi tão fácil. Nessa altura, tinha a certeza que João Paulo II era alguém especial. Era alguém que conseguia mover milhões de jovens, vindos dos quatro cantos da Terra, num intenso dia de calor ou chuva, no pó, na terra seca ou extremamente inundada.
Em muitas alturas da minha vida senti-me muito longe de Deus. Nessas alturas, nem a fé de João Paulo II, ou o seu testemunho de vida, nem a sua relação com os jovens, me ajudaram a compreender que a vida não tem sentido se não não lhe dermos um sentido.
Por todos estes motivos, não estranho que o funeral de João Paulo II tenha tido a presença das mais diversas pessoas, dos mais diversos quadrantes políticos, económicos, culturais e sociais. João Paulo II foi coerente com a sua fé, com as suas convicções. Foi um exemplo de fé e oração. E isso moveu-nos a todos: cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, hindús, agnósticos e até ateus. É, sobretudo, fora da Igreja que João Paulo II gera maiores consenso, se não mesmo, a unanimidade. João Paulo II foi um profeta da Paz. Da Justiça. Do Amor.
Como já disse anteriormente, não há pontificados perfeitos. Por isso, também o pontificado de João Paulo II teve os seus aspectos menos positivos. E estes variam de acordo com quem faz o balanço. Para mim, talvez este ou aquele aspecto poderia ter sido diferente. Para outra pessoa, talvez até esse aspecto tenha sido um aspecto muito positivo.
Posso referir alguns para se compreender melhor:
1. Hoje, a Igreja Católica é mais Romana (centrada no Vaticano) que antes de João Paulo II, e isso afasta-se do Concílio Vaticano II. O próprio cardeal Ratzinger assumiu, recentemente, que houve alturas que a Igreja poderia não ter sido tão centralizada. Como disse alguém, a culpa foi também dos bispos que nas conferências episcopais se demitiram das suas responsabilidades.
2. O seu conservadorismo, sobretudo na moral sexual, afastou milhares (ou talvez milhões) de pessoas da Igreja, e faz com outros tantos não se aproximem da Igreja por essa razão. Aborto e contracepção são coisas distintas e é preciso dizer e compreender isso.
3. A (excessiva) devoção mariana. Não se pode colocar as revelações particulares acima da doutrina da Igreja, ou da própria Sagrada Escritura.
4. «Mais do que falar da Teologia da Libertação, temos de falar da libertação da Teologia», dizia, com razão, um professor de um amigo meu. Não se pode perseguir aqueles que pensam de forma diferente da Igreja, só porque pensam de forma diferente. Não é possível chegarmos ao século XXI, e vermos que os grandes teólogos do século XX foram, praticamente todos, numa situação ou outra, privados da sua liberdade em fazer Teologia.
5. A participação dos leigos, em particular das mulheres, na vida da Igreja. Pela escassez, cada vez maior, de vocações sacerdotais, e não havendo um milagre em breve que inverta a situação, é preciso compreender, de uma vez por todas, que a tão apregoada nova evagelização far-se-á, sobretudo, pelos leigos. Estes precisam de preparação e formação, de assumir verdadeiramente as suas responsabilidades e obrigação de anunciar e sermos testemunhas do Evangelho.
O próximo Papa será diferente de João Paulo II. Não há duas pessoas iguais. Será certamente um bom Papa. Que compreenderá os desafios que se colocam à Igreja e ao mundo nos dias de hoje, e a Igreja saberá dar a melhor resposta. É preciso ter esperança. Não concordo com aqueles que afirmam que a Igreja precisa de um novo Concílio. Teremos esgotado o que assumimos há quatro décadas no Concílio Vaticano II? Voltaremos a ter um novo Concílio apenas para ajudar a por em prática o anterior? Não vejo que seja necessário. Basta relembrar o Vaticano II e, de uma vez por todas, pô-lo em prática.
quinta-feira, 7 de abril de 2005
velas enfunadas
ontem à noite cresceu dentro de mim um texto. cresceu, tomou formas, içou pano e largou rumo ao horizonte. deveria tê-lo ancorado aqui, não fora a preguiça me ter colado à cama. agora, sei que era um bom porto de abrigo, mas já não sei o que era. tenho de me lembrar de nunca deixar de ir ao cais antes dos barcos partirem.
psps: afinal também tinha um ps:
tenho duas coisas e uma conclusão:
1ª tenho pânicos, grandes pânicos, enormes pânicos. sofro desse mal da sociedade moderna, os grandes e incontroláveis ataques de pânico. sobretudo quando me vejo encarcerada entre magotes de carros no meio de uma qualquer estrada. sobretudo se essa estrada for chamada de IC e mais ainda numerada de 19.
2ª e depois, tenho 3 pastilhas cor-de-rosa. sempre 3, porque já sei por experiência que uma ou duas não chegam e quatro dão moca. estão sempre em cima do tablier do carro (excepto quando numa curva mais radical me caem aos pés e se perdem entre pipocas, garrafas e rebuçados). e são sempre as mesmas 3. há mais de 10 anos que as mesmas 3 pastilhas me acompanham quando me faço à estrada. sei que, naquele terrível momento em que se me aperta o peito, em que julgo sufocar, prestes a afogar-me em medos loucos, me basta olhar para elas, quase deitar-lhes a mão e... stop! nesse momento termina a agonia.
conclusão: não há nada como a nossa mente para se enganar a si mesma.
ps: quando eu me for, por favor, ao enfiarem-me na grande boca de fogo onde vou ser cremada, não se esqueçam das minhas 3 companheiras.
1ª tenho pânicos, grandes pânicos, enormes pânicos. sofro desse mal da sociedade moderna, os grandes e incontroláveis ataques de pânico. sobretudo quando me vejo encarcerada entre magotes de carros no meio de uma qualquer estrada. sobretudo se essa estrada for chamada de IC e mais ainda numerada de 19.
2ª e depois, tenho 3 pastilhas cor-de-rosa. sempre 3, porque já sei por experiência que uma ou duas não chegam e quatro dão moca. estão sempre em cima do tablier do carro (excepto quando numa curva mais radical me caem aos pés e se perdem entre pipocas, garrafas e rebuçados). e são sempre as mesmas 3. há mais de 10 anos que as mesmas 3 pastilhas me acompanham quando me faço à estrada. sei que, naquele terrível momento em que se me aperta o peito, em que julgo sufocar, prestes a afogar-me em medos loucos, me basta olhar para elas, quase deitar-lhes a mão e... stop! nesse momento termina a agonia.
conclusão: não há nada como a nossa mente para se enganar a si mesma.
ps: quando eu me for, por favor, ao enfiarem-me na grande boca de fogo onde vou ser cremada, não se esqueçam das minhas 3 companheiras.
maternidade II
mas gritaste muito? foi assim, fiquei com raiva. estava a gritar muito porque... estavas zangada? andas uma bocadinho nervosa, ainda te dói o coração? não, o meu braço é que ainda está fraquinho e não tenho força. e o meu mano ouviu e subiu pelas escadas acima para me defender. mas eu nem o vi, porque eu gritava mesmo muito e a S levou-me para a casa-de-banho. queres um bolicao? ela é muito maior do que eu, mas agora ela telefonou ao B, ao irmão dela, que diz que vai bater no R e eu estou mesmo aflita, porque são coisas assim, sabes? qualquer dia eu não sou mais amiga dela, mas agora ainda sou, somos amigas e se ele bater no meu mano por minha causa... preferes chocapic ou nestum de mel? tanto faz. eu estou a juntar dinheiro, o meu mano disse que gostava muito de... como é que aquilo se chama? é no mini-preço, não é no pingo-doce, aquilo! ah, biscoitos? sim, eu já tenho o dinheiro mas não sei quais são. mas ela agora já lhe telefonou a explicar e ele percebeu e amanhã vão falar com o J e explicar também. sabes Princesa, é muito bonito, essa coisa de os irmãos se defenderem, tu levares biscoitos, o R dar-te o bolinho da ceia. estás magrinha, tens de comer. protegerem-se. mas têm de ter cuidado, porque as outras pessoas podem não perceber e pensam que... não, elas sabem. olha lá, ainda não falámos sobre aquilo. no dia em que lá estiveste, achei que não tinhas gostado assim tanto de o ver. achei que estavas um bocadinho murchinha. não. ah. é verdade, toda a gente diz que andas tristinha. não, não ando, eu não tenho nada. mas aquele chi-coração que te pediu, quando vínhamos embora, lembraste? ... parece-me que não tinhas muita vontade de o dar. não é isso, é que... estava a brincar com ele. eu acho que o meu mano tem razão, é melhor quando ele está bêbado. credo Princesa, estar sempre bêbedo não pode ser, isso não é nada bom. mas se ele nunca vai mudar, mais vale assim. olha lá, ele sempre que tem algum dinheiro, vai tudo. ele podia mandar algum, não era preciso vir cá, punha num envelope e mandava para nós. mas gasta tudo na bebida e nos cigarros. ele não vai mudar.
pois não, Princesa, nem ele nem o mundo vão mudar. tiveste de o aprender da forma mais difícil.
pois não, Princesa, nem ele nem o mundo vão mudar. tiveste de o aprender da forma mais difícil.
quarta-feira, 6 de abril de 2005
Aquecendo a alma
o SOL ali ao lado
(...) “Estes doentes são fotossensíveis. Têm uma atracção pelo sol.”. Fotossensíveis, não dementes.
dementes, não! têm frio! um frio terrível que lhes vem da incapacidade de lidar com este mundo gelado. e todo o SOL é pouco para nos aquecer a alma quando nos gela o sangue nas veias, quando nos sentimos rôxos por dentro, só o SOL o SOL em maiúsculas te pode aquecer um bocadinho. um bocadinho ontem, um bocadinho hoje, outro amanhã... um bocadinho aqui, um bocadinho ali... e em cada bocadinho que o SOL se transforma em mais calor, mais tu foges da sensação de alheamento e te aproximas do sentimento pleno de encontro dentro de ti. só quem sente este frio, pode entender este SOL.
estrela 8:30PM
(...) “Estes doentes são fotossensíveis. Têm uma atracção pelo sol.”. Fotossensíveis, não dementes.
dementes, não! têm frio! um frio terrível que lhes vem da incapacidade de lidar com este mundo gelado. e todo o SOL é pouco para nos aquecer a alma quando nos gela o sangue nas veias, quando nos sentimos rôxos por dentro, só o SOL o SOL em maiúsculas te pode aquecer um bocadinho. um bocadinho ontem, um bocadinho hoje, outro amanhã... um bocadinho aqui, um bocadinho ali... e em cada bocadinho que o SOL se transforma em mais calor, mais tu foges da sensação de alheamento e te aproximas do sentimento pleno de encontro dentro de ti. só quem sente este frio, pode entender este SOL.
estrela 8:30PM
terça-feira, 5 de abril de 2005
Acorda, Menina Linda
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda ver que lindo presente
A aurora trouxe para te prendar
Uma coroa de brilhantes para iluminar
O teu cabelo revolto como o mar
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda a ver o gato vadio
À caça do pássaro cantor
Vem respirar o perfume
Das amendoeiras em flor
Salta da cama
Anda viver, meu amor
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
1975
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda ver que lindo presente
A aurora trouxe para te prendar
Uma coroa de brilhantes para iluminar
O teu cabelo revolto como o mar
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda a ver o gato vadio
À caça do pássaro cantor
Vem respirar o perfume
Das amendoeiras em flor
Salta da cama
Anda viver, meu amor
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
1975
Cantinho
Where are you, Jesus?
You, who have been a sailor
you, who could feel at home
no matter where you are.
If now I´m calling you with my song
that's because I still long
to recognize each and everyone as my brother
and not just as another stranger
Où es tu , Jesus?
Toi, qui es devenu marin
toi, qui étais chez toi
dans n'importe quel coin.
Si maintenant je chante ton nom
c'est parce que je pense tu peux m'aider
à trouver dans chaqu'un un frère
et pas seulement un étranger
Por onde andas tu, Jesus?
Tu, que quiseste ser marinheiro
tu, que estavas em casa
no mundo inteiro.
Se agora te invoco na minha canção
é porque ainda creio que isto tem salvação
ajuda-me a verem cada um um irmão
e não apenas mais um estrangeiro
jpalma dixit 1982
segunda-feira, 4 de abril de 2005
V
J'aime le souvenir de ces époques nues,
Dont le soleil se plaît à dorer les statues.
Alors l'homme et la femme en leur agilité
Jouissaient sans mensonge et sans anxiété,
Et, le ciel amoureux leur caressant l'échine,
Exerçaient la santé de leur noble machine.
Cybèle alors, fertile en produits généreux,
Ne trouvait point ses fils un poids trop onéreux,
Mais, louve au cœur gonflé de tendresses communes,
Abreuvait l'univers à ses tétines brunes.
L'homme élégant, robuste et fort, avait le droit
D'être fier des beautés dont il était le roi,
Fruits purs de tout outrage et vierges de gerçures,
Dont la chair lisse et ferme appelait les morsures !
Le poète aujourd'hui, quand il veut concevoir
Ces natives grandeurs, aux lieux où se font voir
La nudité de l'homme et celle de la femme,
Sent un froid ténébreux envelopper son âme
A l'aspect du tableau plein d'épouvantement
Des monstruosités que voile un vêtement ;
Des visages manqués et plus laids que des masques ;
De tous ces pauvres corps, maigres, ventrus ou flasques,
Que le Dieu de l'utile, implacable et serein,
Enfants, emmaillotta dans ses langes d'airain ;
De ces femmes, hélas ! pâles comme des cierges,
Que ronge et que nourrit la honte, et de ces vierges
Du vice maternel traînant l'hérédité
Et toutes les hideurs de la fécondité !
Nous avons, il est vrai, nations corrompues,
Aux peuples anciens des beautés inconnues :
Des visages rongés par les chancres du cœur,
Et comme qui dirait des beautés de langueur ;
Mais ces inventions de nos muses tardives
N'empêcheront jamais les races maladives
De rendre à la jeunesse un hommage profond,
— A la sainte jeunesse, à l'air simple, au doux front,
A l'œil limpide et clair ainsi qu'une eau courante,
Et qui va répandant sur tout, insouciante
Comme l'azur du ciel, les oiseaux et les fleurs,
Ses parfums, ses chansons et ses douces chaleurs !
Les Fleurs du mal (1857)
Première édition
Charles Baudelaire
Dont le soleil se plaît à dorer les statues.
Alors l'homme et la femme en leur agilité
Jouissaient sans mensonge et sans anxiété,
Et, le ciel amoureux leur caressant l'échine,
Exerçaient la santé de leur noble machine.
Cybèle alors, fertile en produits généreux,
Ne trouvait point ses fils un poids trop onéreux,
Mais, louve au cœur gonflé de tendresses communes,
Abreuvait l'univers à ses tétines brunes.
L'homme élégant, robuste et fort, avait le droit
D'être fier des beautés dont il était le roi,
Fruits purs de tout outrage et vierges de gerçures,
Dont la chair lisse et ferme appelait les morsures !
Le poète aujourd'hui, quand il veut concevoir
Ces natives grandeurs, aux lieux où se font voir
La nudité de l'homme et celle de la femme,
Sent un froid ténébreux envelopper son âme
A l'aspect du tableau plein d'épouvantement
Des monstruosités que voile un vêtement ;
Des visages manqués et plus laids que des masques ;
De tous ces pauvres corps, maigres, ventrus ou flasques,
Que le Dieu de l'utile, implacable et serein,
Enfants, emmaillotta dans ses langes d'airain ;
De ces femmes, hélas ! pâles comme des cierges,
Que ronge et que nourrit la honte, et de ces vierges
Du vice maternel traînant l'hérédité
Et toutes les hideurs de la fécondité !
Nous avons, il est vrai, nations corrompues,
Aux peuples anciens des beautés inconnues :
Des visages rongés par les chancres du cœur,
Et comme qui dirait des beautés de langueur ;
Mais ces inventions de nos muses tardives
N'empêcheront jamais les races maladives
De rendre à la jeunesse un hommage profond,
— A la sainte jeunesse, à l'air simple, au doux front,
A l'œil limpide et clair ainsi qu'une eau courante,
Et qui va répandant sur tout, insouciante
Comme l'azur du ciel, les oiseaux et les fleurs,
Ses parfums, ses chansons et ses douces chaleurs !
Les Fleurs du mal (1857)
Première édition
Charles Baudelaire
e a noite ganhou mais brilho
Era sempre noite, mas brilhavas sempre mais que qualquer lua. Era noite e fizeste de ti estrela do céu. Outrora foras estrela do mar, agora voaste mais longe. Para tão longe que não te posso alcançar. És luz perdida no Universo.
Onde o mar perdeu cor, o céu ganhou luz. Seria egoísmo querer manter-te nas trevas.
Onde o mar perdeu cor, o céu ganhou luz. Seria egoísmo querer manter-te nas trevas.
sábado, 2 de abril de 2005
amor feito utopia
agora, quem não esperava vir aqui escrever este texto, era eu. como não esperava depois daquele quente voltar a sentir este aperto no peito. dói-me tanto quando escreves. quando escreves dessas certezas tão incertas. na calada da noite parece-me sempre possível a perfeição. é aqui, diante da vida, que percebo que não. e teremos de viver como se fosse. é a única, temos de a fazer maior.
sexta-feira, 1 de abril de 2005
Obrigada Catarina
O Ruizinho vai ter a sua primeira roupa nova. Nada de mais, dirão alguns, a primeira não é diferente da segunda ou da terceira.
Neste caso é.
É porque o Ruizinho tem dois anos e nunca teve uma roupa nova. Comprada para ele. Escolhida para ele. Pensada para ele. É a primeira roupa só dele.
E é especial, porque a Catarina fez questão de querer dar uma roupa nova. Chegavam as roupas de outros meninos. Para quem tem tão pouco... bastaria roupa simplesmente roupa. Mas não, a Catarina é daquelas pessoas que estão despertas para este tipo de gesto. E põe em prática a sua ideia.
Nada melhor para oferecer a quem nada tem, nem roupa, nem pão, nem quase nada, algo de supérfluo, como o é uma roupa nova. Supérfluo comparado com as outras faltas. Uma roupa nova a estrear de barriga vazia. Mas uma roupa nova.
É como aquele mimo, que nos fazemos, nós que temos quase tudo, ou temos pelo menos um pouco mais do que o essencial, a nós mesmas. Uma ida às compras, uma massagem, um verniz vermelho sangue. Uma vaidade ou um carinho.
Também o Ruizinho merece esse mimo. Mais do que ninguém, ele e os outros, merecem esse carinho.
Obrigada, Catarina.
Neste caso é.
É porque o Ruizinho tem dois anos e nunca teve uma roupa nova. Comprada para ele. Escolhida para ele. Pensada para ele. É a primeira roupa só dele.
E é especial, porque a Catarina fez questão de querer dar uma roupa nova. Chegavam as roupas de outros meninos. Para quem tem tão pouco... bastaria roupa simplesmente roupa. Mas não, a Catarina é daquelas pessoas que estão despertas para este tipo de gesto. E põe em prática a sua ideia.
Nada melhor para oferecer a quem nada tem, nem roupa, nem pão, nem quase nada, algo de supérfluo, como o é uma roupa nova. Supérfluo comparado com as outras faltas. Uma roupa nova a estrear de barriga vazia. Mas uma roupa nova.
É como aquele mimo, que nos fazemos, nós que temos quase tudo, ou temos pelo menos um pouco mais do que o essencial, a nós mesmas. Uma ida às compras, uma massagem, um verniz vermelho sangue. Uma vaidade ou um carinho.
Também o Ruizinho merece esse mimo. Mais do que ninguém, ele e os outros, merecem esse carinho.
Obrigada, Catarina.
a razão de aqui estar
vamos assumir de uma vez.
esta presença aqui nasceu não da vontade plena de me exprimir, mas sim da necessidade suprema de responder.
há uma enorme diferença.
a primeira vontade é aquela que nasce simplesmente de nós, de qualquer um de nós, de dentro para fora de nós, da vontade de passar para a palavra escrita aqueles que são os nossos pensamentos. de os perpetuar, de os partilhar, de os organizar.
a segunda, nasce-me a mim, sim, a mim, da necessidade de responder a palavras, também elas escritas, mas com as quais me foi, de certa forma, negada a interacção. não porque as minhas palavras não fossem bonitas. não porque as minhas palavras não fossem como as outras. simplesmente porque exprimiam, de uma forma muito forte, aquilo que me despoletava a cadência das outras. a cadência da palavra do outro mexendo na cadência dos meus sentimentos. e esse outro, num súbito assumo de alter-ego, assumia essas palavras como para si e não como para elas. porque elas.
adivinhava nas palavras, nas minhas, uma resposta à sua pessoa. não foi capaz de se libertar, como dizia, das suas palavras e entender as minhas como uma simples reacção às dele.
agora, tenho aqui este cantinho, onde sei que não me vê.
esta presença aqui nasceu não da vontade plena de me exprimir, mas sim da necessidade suprema de responder.
há uma enorme diferença.
a primeira vontade é aquela que nasce simplesmente de nós, de qualquer um de nós, de dentro para fora de nós, da vontade de passar para a palavra escrita aqueles que são os nossos pensamentos. de os perpetuar, de os partilhar, de os organizar.
a segunda, nasce-me a mim, sim, a mim, da necessidade de responder a palavras, também elas escritas, mas com as quais me foi, de certa forma, negada a interacção. não porque as minhas palavras não fossem bonitas. não porque as minhas palavras não fossem como as outras. simplesmente porque exprimiam, de uma forma muito forte, aquilo que me despoletava a cadência das outras. a cadência da palavra do outro mexendo na cadência dos meus sentimentos. e esse outro, num súbito assumo de alter-ego, assumia essas palavras como para si e não como para elas. porque elas.
adivinhava nas palavras, nas minhas, uma resposta à sua pessoa. não foi capaz de se libertar, como dizia, das suas palavras e entender as minhas como uma simples reacção às dele.
agora, tenho aqui este cantinho, onde sei que não me vê.
A libertação perigosa na palavra escrita
O perigo (ou o fascínio, para quem não tiver realmente medo de se libertar nas suas palavras) da escrita é esse. Não podemos evitar que o outro se encontre, aqui ou ali, com aquele eu de que tentámos libertarmo-nos, que queremos que se transforme em simples palavras bonitas*. Aliás, se nos libertámos e distanciámos realmente, já não são nossas aquelas palavras, são de todos. Se fossem nossas, estariam guardadas na mais secreta de todas as nossas caixinhas.
Ao distanciarmo-nos nas palavras, prendemo-nos ao papel. Não, pior, quando era ao papel era mais perecível. Agora, neste mundo online, as palavras tomam uma eternidade e uma infinidade própria e consequente ligação a todos os outros que por aqui hão-de passar. A globalidade... para o bem e para o mal.
Não é egocêntrico, aquele que se vai lendo por aí. Que se revê não em nós, mas nas palavras que outrora foram nossas como se para ele tivessem sido escritas. Antes pelo contrário, é de tal forma aberto e generoso, é de tal forma anti-alter-ego, quase altruísta, que é capaz de viver com o facto de que alguém pôs em palavras os seus mais profundos segredos. De não ter medo de não ser único. De não ter medo de, inconscientemente para quem escreveu, ter sido "declarado" ao mundo.
Coisa estranha, a palavra escrita.
* as palavras também podem ser feias, é igual.
Ao distanciarmo-nos nas palavras, prendemo-nos ao papel. Não, pior, quando era ao papel era mais perecível. Agora, neste mundo online, as palavras tomam uma eternidade e uma infinidade própria e consequente ligação a todos os outros que por aqui hão-de passar. A globalidade... para o bem e para o mal.
Não é egocêntrico, aquele que se vai lendo por aí. Que se revê não em nós, mas nas palavras que outrora foram nossas como se para ele tivessem sido escritas. Antes pelo contrário, é de tal forma aberto e generoso, é de tal forma anti-alter-ego, quase altruísta, que é capaz de viver com o facto de que alguém pôs em palavras os seus mais profundos segredos. De não ter medo de não ser único. De não ter medo de, inconscientemente para quem escreveu, ter sido "declarado" ao mundo.
Coisa estranha, a palavra escrita.
* as palavras também podem ser feias, é igual.
quinta-feira, 31 de março de 2005
"Contar os vivos"
roubado ali ao lado
não estava a pensar escrever este texto, também não premeditei chorar compulsivamente a meio da noite, nem sentir o desmazelo de um gajo abandonado aos seus delírios, estava a pensar,estou imune a essas bizantinices, mas de repente olhei para o lado e um tipo às tantas da manhã com a tv a dar as marés vivas fica com vontades e ganas suicidárias e comoeu sou um pouco como o bicho da seda,largo a minha pele e morre –e nasce- em mim um tipo com a minha cara e o meu nome,atiro-me de cabeça, atiro-me vertiginosamente para a minha morteali a diante,vou confessar:-eu tenho medo de morrer,tenho um medo físico pavoroso de morrer,a morte a mim assusta-me,mas o que me parece ainda mais terrível do que esse medo de morrer é não te ter, a ti que te amo, desesperadamente,tão desesperadamente que na minha cegueira tão poucas vezes te consegui ter ao meu lado.se eu nunca tivesse amado eu dizia que não tinha nascido para o amor, resignava-me,mas porrâ, amei, e voltei a amar, e portanto tenho de confessar, amar foi um dom que perdi, não sei onde, nos teus cabelos, a meio caminho do teu dorso, no modo como lambi as tuas ancas, o teu sexo,beijei uma vez um sexo tão perfumado que me pareceu ser destino dele nunca se separar do meu desejo, não era um sexo indígena e por isso nunca lhe pude perguntar como é que ela fazia para conservar o seu sexo tão perfumado às desoras a que o beijei, o engoli,o trinquei, desde essa altura sonho um dia conseguir perfumar assim o meu próprio sexo, para que quem chegar a beijá-lo, a mastigá-lo, sinta logo no seu odor hospitaleiro o prazer que eu tenho ao ser devorado por uma língua afiada na minha glande,tenho um medo pavoroso de morrer, um medo físico, a morte estremece-me desde que sou canídeo, e juro-vos, a morte que temo não é a minha, essa dói-me de incompreensão, mas aquele temor que me abana as fundações é a morte da vida que eu não soube viver,e ter vivido com alguma sabedoria não é nada de muito espalhafatoso, é na calada do mundo ter feito alguma coisa para, sei lá para quê, por,por ti, o que me dói horrivelmenteé a vida que eu não soube viver a teu lado.não estava a pensar escrever um texto-gangrena mas a hora tardia desfaz em mim qualquer tipo de auto comiseração. agora não há pensamentos grandicolentes. há um gajo e em seu redor,todo o vazio de que se soube povoar ao longos das seis décadas que arrasta consigo. tenho um medo pavoroso de morrer,de desaparecer da tua memória,de ser esquecido na rua onde moro, no meu local de trabalho,pela minha mãe, pelos meus irmãos e amigos,parece-me de uma crueldade impressionante pensar que eles suportarão uma vida sem mim, que passarei a ser uma história, uma mera história,um espaço ocupado numa fotografia,uma lembrança fugaz, um dia, de alguém,sei lá eu quem, às vezes também me lembro dos mortos mais incríveis, tenho um medo terrível de que não tenha já tempo de te encontrar, sei que o meu filho se irá lembrar de mim,mas a minha pergunta, será que irei ainda a tempo de te encontrar,de em ti me constituir memória irreversivel?escrevo sem poesia nenhuma, apenas com a dor, a dor isenta de morte minha,deste medo pavoroso de.
posted by JPN at 4:38 AM on Mar 31 2005
não estava a pensar escrever este texto, também não premeditei chorar compulsivamente a meio da noite, nem sentir o desmazelo de um gajo abandonado aos seus delírios, estava a pensar,estou imune a essas bizantinices, mas de repente olhei para o lado e um tipo às tantas da manhã com a tv a dar as marés vivas fica com vontades e ganas suicidárias e comoeu sou um pouco como o bicho da seda,largo a minha pele e morre –e nasce- em mim um tipo com a minha cara e o meu nome,atiro-me de cabeça, atiro-me vertiginosamente para a minha morteali a diante,vou confessar:-eu tenho medo de morrer,tenho um medo físico pavoroso de morrer,a morte a mim assusta-me,mas o que me parece ainda mais terrível do que esse medo de morrer é não te ter, a ti que te amo, desesperadamente,tão desesperadamente que na minha cegueira tão poucas vezes te consegui ter ao meu lado.se eu nunca tivesse amado eu dizia que não tinha nascido para o amor, resignava-me,mas porrâ, amei, e voltei a amar, e portanto tenho de confessar, amar foi um dom que perdi, não sei onde, nos teus cabelos, a meio caminho do teu dorso, no modo como lambi as tuas ancas, o teu sexo,beijei uma vez um sexo tão perfumado que me pareceu ser destino dele nunca se separar do meu desejo, não era um sexo indígena e por isso nunca lhe pude perguntar como é que ela fazia para conservar o seu sexo tão perfumado às desoras a que o beijei, o engoli,o trinquei, desde essa altura sonho um dia conseguir perfumar assim o meu próprio sexo, para que quem chegar a beijá-lo, a mastigá-lo, sinta logo no seu odor hospitaleiro o prazer que eu tenho ao ser devorado por uma língua afiada na minha glande,tenho um medo pavoroso de morrer, um medo físico, a morte estremece-me desde que sou canídeo, e juro-vos, a morte que temo não é a minha, essa dói-me de incompreensão, mas aquele temor que me abana as fundações é a morte da vida que eu não soube viver,e ter vivido com alguma sabedoria não é nada de muito espalhafatoso, é na calada do mundo ter feito alguma coisa para, sei lá para quê, por,por ti, o que me dói horrivelmenteé a vida que eu não soube viver a teu lado.não estava a pensar escrever um texto-gangrena mas a hora tardia desfaz em mim qualquer tipo de auto comiseração. agora não há pensamentos grandicolentes. há um gajo e em seu redor,todo o vazio de que se soube povoar ao longos das seis décadas que arrasta consigo. tenho um medo pavoroso de morrer,de desaparecer da tua memória,de ser esquecido na rua onde moro, no meu local de trabalho,pela minha mãe, pelos meus irmãos e amigos,parece-me de uma crueldade impressionante pensar que eles suportarão uma vida sem mim, que passarei a ser uma história, uma mera história,um espaço ocupado numa fotografia,uma lembrança fugaz, um dia, de alguém,sei lá eu quem, às vezes também me lembro dos mortos mais incríveis, tenho um medo terrível de que não tenha já tempo de te encontrar, sei que o meu filho se irá lembrar de mim,mas a minha pergunta, será que irei ainda a tempo de te encontrar,de em ti me constituir memória irreversivel?escrevo sem poesia nenhuma, apenas com a dor, a dor isenta de morte minha,deste medo pavoroso de.
posted by JPN at 4:38 AM on Mar 31 2005
quarta-feira, 30 de março de 2005
maternidade
Uma das coisas que mais me assusta e mais me entristece é perceber que nunca vou poder proporcionar aos meus o que vivi na minha infância.
E assumo que foi uma infância previligiada. Se por um lado vivia perto da cidade, por outro tinha acesso a tudo o que é terra, animal e natureza. Acesso à vida como ela nasce, antes, muito antes de ser enlatada.
Vivi podendo andar em cima dos bois, podendo ordenhar as vacas e beber aquela coisa espessa e horrível a que também chamavam leite.
Bati a nata até fazer manteiga, tive dores de barriga por andar a comer fruta verde, arrancada da árvore antes do tempo. Até uma cicatriz de uma marrada de bode eu posso mostrar.
Mas é só isso que posso mostrar. O que vêem nas fotografias, o que ouvem nas histórias, o que, talvez daqui a mais uns anos, poderão ler no meu olhar quando penso nisso.
Na quinta havia fantasmas. Havia um mocho na torre. Havia arcas de madeira onde cabíamos cinco ou seis e onde nos escondíamos entre o milho.
Havia noites escuras, estrelas e luar. Havia fantasmas, medos e segredos. Aventura fora do online.
Havia uma fonte de água gelada, tanques de rega em que insistíamos mergulhar, entre lodo, sapos e coisas que nem quero pensar o que seriam.
E, acima de tudo, havia crianças, muitas e saudáveis. Nunca menos de 15. Com joelhos feridos, arranhadas no corpo, mas sempre com muita fome e sede. De comer, de beber, mas acima de tudo de viver, de descobrir.
Havia tanta coisa, que podia ficar aqui o resto da minha vida a viver dessa lembrança.
Espero que entre os pokemons, os gameboy e outras consolas, consigam perceber o amor que lhes quero transmitir e que me vem do que vivi nesse tempo.
Mudam-se os tempos... tento acreditar que se manterão as crianças felizes e livres.
E assumo que foi uma infância previligiada. Se por um lado vivia perto da cidade, por outro tinha acesso a tudo o que é terra, animal e natureza. Acesso à vida como ela nasce, antes, muito antes de ser enlatada.
Vivi podendo andar em cima dos bois, podendo ordenhar as vacas e beber aquela coisa espessa e horrível a que também chamavam leite.
Bati a nata até fazer manteiga, tive dores de barriga por andar a comer fruta verde, arrancada da árvore antes do tempo. Até uma cicatriz de uma marrada de bode eu posso mostrar.
Mas é só isso que posso mostrar. O que vêem nas fotografias, o que ouvem nas histórias, o que, talvez daqui a mais uns anos, poderão ler no meu olhar quando penso nisso.
Na quinta havia fantasmas. Havia um mocho na torre. Havia arcas de madeira onde cabíamos cinco ou seis e onde nos escondíamos entre o milho.
Havia noites escuras, estrelas e luar. Havia fantasmas, medos e segredos. Aventura fora do online.
Havia uma fonte de água gelada, tanques de rega em que insistíamos mergulhar, entre lodo, sapos e coisas que nem quero pensar o que seriam.
E, acima de tudo, havia crianças, muitas e saudáveis. Nunca menos de 15. Com joelhos feridos, arranhadas no corpo, mas sempre com muita fome e sede. De comer, de beber, mas acima de tudo de viver, de descobrir.
Havia tanta coisa, que podia ficar aqui o resto da minha vida a viver dessa lembrança.
Espero que entre os pokemons, os gameboy e outras consolas, consigam perceber o amor que lhes quero transmitir e que me vem do que vivi nesse tempo.
Mudam-se os tempos... tento acreditar que se manterão as crianças felizes e livres.
segunda-feira, 28 de março de 2005
Narciso e chegar ao fim de mim
Longe de mim, É., querer opinar sobre a verdade de quem quer que seja, ou de qualquer um de nós. Mas parece-me, e só me parece e a mim enquanto só eu, que confundes doença com vontade de viver. Narcisismo, orgulho feio, incapacidade de abertura, cegueira encerrada atrás das pálpebras ou de uma imagem reflectida de um "apenas eu", com a capacidade de criarmos em nós o amor, e porque a nós nos amamos, a capacidade para amarmos e sermos amados por tudo o que em si liberta vida e a vida liberta. A capacidade de acreditarmos em nós após cada pequena ou grande derrota do dia-a-dia vem do amor-próprio (com hífen, para que nunca se separe), da capacidade que temos em continuar a acreditar em nós. Acreditar que poderemos voltar a tentar e um dia conseguir, mesmo que esse dia não seja amanhã ou depois. E essa crença passar aos outros. O amor que podes dar, é apenas o amor que por ti sentes. E este amor nada tem a ver com a vaidade, é o anti-Narciso.
Narciso morreu porque a sua imagem reflectida nas águas não lhe podia responder. Acredito que, de tanto se chegar a ela para tentar ouvir alguma voz ao seu admirar, caiu como reza a história... É simples, Narciso não se amava, estava encantado por tudo aquilo que tinha de mais superficial.
Amarmo-nos implica estarmos bem com a nossa imagem, acredito, mas é mandatório que em nós amemos o que de nós podemos dar aos outros. Sem amor-próprio o que podemos dar ao que está aqui e ali? Sem acreditarmos que somos e valemos o que quer que seja, o que podemos dar aos outros? Eu não consigo fazer-te feliz se não acreditar na minha felicidade. Mesmo que a minha felicidade seja apenas ver a tua.
De todas as formas, obrigada por me dares ainda mais vontade por lutar sempre e mais pelo meu Amor-próprio. Antes que a noite se faça dia, antes que as estrelas se vão deitar, espero tê-lo reencontrado.
Narciso morreu porque a sua imagem reflectida nas águas não lhe podia responder. Acredito que, de tanto se chegar a ela para tentar ouvir alguma voz ao seu admirar, caiu como reza a história... É simples, Narciso não se amava, estava encantado por tudo aquilo que tinha de mais superficial.
Amarmo-nos implica estarmos bem com a nossa imagem, acredito, mas é mandatório que em nós amemos o que de nós podemos dar aos outros. Sem amor-próprio o que podemos dar ao que está aqui e ali? Sem acreditarmos que somos e valemos o que quer que seja, o que podemos dar aos outros? Eu não consigo fazer-te feliz se não acreditar na minha felicidade. Mesmo que a minha felicidade seja apenas ver a tua.
De todas as formas, obrigada por me dares ainda mais vontade por lutar sempre e mais pelo meu Amor-próprio. Antes que a noite se faça dia, antes que as estrelas se vão deitar, espero tê-lo reencontrado.
Depois do acidente diário
estrela... pensante said...
Felizmente, em cada um desses fim de dia, há alguém que nasce para o novo dia, com o nosso nome, talvez apenas com mais alguns traços de vida vivida, no mesmo rosto.
12:19 PM
Felizmente, em cada um desses fim de dia, há alguém que nasce para o novo dia, com o nosso nome, talvez apenas com mais alguns traços de vida vivida, no mesmo rosto.
12:19 PM
convido-vos a serem parte do todo
Leiam, comentem e peçam acesso para "postar" também
http://enquantoaonda.blogspot.com/
Estive tentada a passar estas mensagens loucas que trocamos entre nós, ocultando os nomes, claro, também não sou assim tão tola. Mas acho que era giro, podermos colocar aqui as nossas conversas "mais sérias", como aquela do Dia da Mulher, a da Eutanásia e tantas outras que fazem tanto sentido na vida de tanta gente.
Partilhar os nossos pontos de vista e permitirmo-nos ouvirmos os pontos de vista dos outros.
Espero que desta tenha mais sucesso. J, conto com a tua dedicação, uma vez que foste tu a primeira a sugerir, há já algum tempo, criarmos o nosso blogue.
xxx
http://enquantoaonda.blogspot.com/
Estive tentada a passar estas mensagens loucas que trocamos entre nós, ocultando os nomes, claro, também não sou assim tão tola. Mas acho que era giro, podermos colocar aqui as nossas conversas "mais sérias", como aquela do Dia da Mulher, a da Eutanásia e tantas outras que fazem tanto sentido na vida de tanta gente.
Partilhar os nossos pontos de vista e permitirmo-nos ouvirmos os pontos de vista dos outros.
Espero que desta tenha mais sucesso. J, conto com a tua dedicação, uma vez que foste tu a primeira a sugerir, há já algum tempo, criarmos o nosso blogue.
xxx
Mediocridade
Dançando até ao fim de ti
estrela... cadente said...
Já diziam no leite Matinal: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?". Sem amor próprio não temos matéria para sermos amados.
estrela... em ascensão said...
AH! E se não te amares a ti, não terás nunca capacidade para amar o teu semelhante, ou não fora ele uma continuação de ti próprio.
Já diziam no leite Matinal: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?". Sem amor próprio não temos matéria para sermos amados.
estrela... em ascensão said...
AH! E se não te amares a ti, não terás nunca capacidade para amar o teu semelhante, ou não fora ele uma continuação de ti próprio.
quarta-feira, 23 de março de 2005
Louange pour la Joie que Dieu donne
Seigneur, Dieu de paix,
Je t'ai donné toute ma douleur
Et tu m'as donné tout ton bonheur.
Je t'ai donné toute mon angoisse,
Et tu m'as donné toute ta sérénité.
Que mon âme te chante toute sa joie.
Je t'ai donné tout mon égoïsme,
Et tu m'as donné toute ta générosité.
Je t'ai donné toute ma pauvreté,
Et tu m'as donné toute ta richesse.
Oui, quelle te chante mon âme, toute sa joie.
Je t'ai donné tout mon rien,
Et tu m'as donné tout ton tout.
Et tout comme à Cana, il y eut trop de vin,
Tout comme à la multiplication, il y eut trop de pain,
Et comme à Tibériade, il y eut trop de poisson,
Et les filets ont craqué.
Dieu quand tu donnes, tu donnes toujours trop de tout.
Je t'ai tout donné, et tu m'as tout donné.
Mais le tout de moi est si petit,
Et le tout de ton amour est si grand...
Et je me suis émerveillé de la beauté de ta présence
Et je me suis ébloui de la lumière de ta grâce
Et je me suis rassasié de ta générosité;
Je me suis abreuvé de ta miséricorde,
Et je me suis enivré de ta tendresse.
Je me suis nourri de ta clémence et de ton infinité.
Pour que de toute mon âme j'aille à ta recherche, car sans toi je suis privé de tout bien.
Que mon âme te chante toute, toute sa joie.
Jacques Lebreton
Je t'ai donné toute ma douleur
Et tu m'as donné tout ton bonheur.
Je t'ai donné toute mon angoisse,
Et tu m'as donné toute ta sérénité.
Que mon âme te chante toute sa joie.
Je t'ai donné tout mon égoïsme,
Et tu m'as donné toute ta générosité.
Je t'ai donné toute ma pauvreté,
Et tu m'as donné toute ta richesse.
Oui, quelle te chante mon âme, toute sa joie.
Je t'ai donné tout mon rien,
Et tu m'as donné tout ton tout.
Et tout comme à Cana, il y eut trop de vin,
Tout comme à la multiplication, il y eut trop de pain,
Et comme à Tibériade, il y eut trop de poisson,
Et les filets ont craqué.
Dieu quand tu donnes, tu donnes toujours trop de tout.
Je t'ai tout donné, et tu m'as tout donné.
Mais le tout de moi est si petit,
Et le tout de ton amour est si grand...
Et je me suis émerveillé de la beauté de ta présence
Et je me suis ébloui de la lumière de ta grâce
Et je me suis rassasié de ta générosité;
Je me suis abreuvé de ta miséricorde,
Et je me suis enivré de ta tendresse.
Je me suis nourri de ta clémence et de ton infinité.
Pour que de toute mon âme j'aille à ta recherche, car sans toi je suis privé de tout bien.
Que mon âme te chante toute, toute sa joie.
Jacques Lebreton
Terra molhada
Fecho os olhos. Começo por sentir. Sentir na pele a imagem que guardo da terra molhada. Não era barro, não a moldava em cima de nada. Tinha 5 anos quando descobri o prazer imenso de me rolar, de me moldar, nessa terra molhada.
Acho que foi nessa terra molhada que nasceu aquela que viria a ser a forma da minha vida. Chovia, molhava. Elameava, rolava. E no fim acabava tudo numa grande chuveirada nada desejada, para limpar, diziam. Levavam-me a forma desformada do meu tentar agarrar à terra.
Acho que foi nessa terra molhada que nasceu aquela que viria a ser a forma da minha vida. Chovia, molhava. Elameava, rolava. E no fim acabava tudo numa grande chuveirada nada desejada, para limpar, diziam. Levavam-me a forma desformada do meu tentar agarrar à terra.
terça-feira, 22 de março de 2005
Ciranda de Fogo
A vida não é mais do que esta enorme Ciranda de Fogo, que atrai mas também queima. E nem sempre gato escaldado da água fria tem medo. Ainda bem!
Inesperado?
Ou resultante de um encontro com o teu eu, doloroso mas preparatório? Andavas perdido há uns dias atrás, incomodado com a mudança, com o arrumar das tralhas e das ideias. Fazer caber ali o que cabia aqui. Essa vontade de corpo, essa vontade de riso, essa vontade de inesperado, para que a vida volte a acelerar.
estrela
estrela
Desencontro
Se pensas sim, escreves não. Acho que quem, como nós, se expressa pela escrita alimenta um faz-de-conta no papel. Como aqueles que se mostram alegres quando a dor é imensa. Que tanto querem sentir uma imagem diferente de si próprios que muitas vezes, inconscientemente até, acabam por acreditar nela e apenas ela conseguem desvendar aos olhos dos que estão fora. Eu sou <> Eu pareço. Qual é real e qual é distorção?Tenho sempre em mente esta imagem vinda dos tempos em que ainda passava pela Feira Popular. A Casa dos Espelhos. Afinal, qual destes que eu vejo sou eu?! Desisti, basta-me olhar-me reflectida nas águas por vezes calmas, por vezes conturbadas de um rio ou de um mar. Não pago, e a sensação é a mesma. Melhor ainda, enquanto que na Casa dos Espelhos cada um é só uma distorção, ao mirar-me na água em cada segundo, no mesmo plano, tenho acesso a milhares de eus.
estrela
estrela
segunda-feira, 21 de março de 2005
o fim de um instante
Eu nunca iria perceber isso. Porque eu sou daquelas que julga sempre que o mundo gira à sua volta.
Mas já o podias ter dito, e não teria sido necessário castrares tanto a C como a T. Não sei exactamente o porquê de veres as coisas assim. Mas se as vês, respeito, claro.
Já agora, e porque não o tenho de todo claro, onde é que te intimei no blogue, para lá das pequenas frases soltas?
Algures no início, lembro-me de ter visto o meu nome num ou noutro post. Lembro-me de ter visto exposto o "meu sonho familiar", "a minha cabeça que não tem juízo" e vi, sobretudo, sem nomes mas bem explícito, em meia dúzia de palavras, expores a minha dor pela dor de alguém que está a perder o contacto com todos os seus sons. Alguém que eu vejo para lá do que se mostra e que quero acima de tudo respeitar. Expôr uma dor que partilhei nem sequer aqui, mas na intimidade que um fim-de-noite nos permite.
Aí, pensei que, eu que não sei nada de blogues, podíamos falar livremente. E pensei, também, que ao despejar o que as tuas palavras me despertavam, não o estava a despejar sobre ti. Porque eram as palavras, não as pessoas.
Ainda bem que mo disseste, assim, tornarei mais forte a vontade de não te ler.
Beijo
p.
Mas já o podias ter dito, e não teria sido necessário castrares tanto a C como a T. Não sei exactamente o porquê de veres as coisas assim. Mas se as vês, respeito, claro.
Já agora, e porque não o tenho de todo claro, onde é que te intimei no blogue, para lá das pequenas frases soltas?
Algures no início, lembro-me de ter visto o meu nome num ou noutro post. Lembro-me de ter visto exposto o "meu sonho familiar", "a minha cabeça que não tem juízo" e vi, sobretudo, sem nomes mas bem explícito, em meia dúzia de palavras, expores a minha dor pela dor de alguém que está a perder o contacto com todos os seus sons. Alguém que eu vejo para lá do que se mostra e que quero acima de tudo respeitar. Expôr uma dor que partilhei nem sequer aqui, mas na intimidade que um fim-de-noite nos permite.
Aí, pensei que, eu que não sei nada de blogues, podíamos falar livremente. E pensei, também, que ao despejar o que as tuas palavras me despertavam, não o estava a despejar sobre ti. Porque eram as palavras, não as pessoas.
Ainda bem que mo disseste, assim, tornarei mais forte a vontade de não te ler.
Beijo
p.
a 1ª pessoa do plurar vem logo a seguir à 3ª do singular
és tu? que te sentes assim só...
lembro-me de uma vez, há muitos anos, teria 15 ou 16, ter escrito por aí "como me sinto tão só no meu de tanta gente". confesso que esta coisa pirosa que pus na parede que me servia de diário, a tinha ouvido numa novela ou pior assim. este escrito chegou ao olhar de duas amigas, duas boas amigas. só muito mais tarde compreendi bem a dimensão da sua tristeza para com as minhas palavras. "só? tanta gente? qual gente? e nós?!". era como se tivessem falhado.
e eu agora senti um aperto aqui no peito. uma coisa forte que me impediu de respirar por uns momentos. nem segundos, mas uma eternidade. relampejou-me um, que se eras tu que te perdias na dimensão dessa solidão, "então e eu?". então e eu, falhei no que podia dar-te?
a nossa solidão já não é só nossa. acho que já nada nesta vida é só nosso. a tua solidão aperta-me porque te gosto. sufoca-me porque sei que de alguma forma também me gostas. e lá vou eu, entro assim por ela adentro, sem pedir permissão. violo essa tua volta solitária na cama e quero ser razão expressa e suficiente para que deixe de existir. eu contigo, eu em ti. nós. 1ª pessoa do plural.
e este nós é o eu de mim que se te dá, na companhia que quiseres e se a quiseres, no mais forte amasso que puder, é o eu que precisares.
amassa o p. com força e eu te amasso daqui.
ps: ainda tenho esperança que retratasses a alma de outro alguém. se assim for, não apagues esta, um dia, que tu próprio te sintas próximo dessa volta, se quiseres dou-a contigo.
lembro-me de uma vez, há muitos anos, teria 15 ou 16, ter escrito por aí "como me sinto tão só no meu de tanta gente". confesso que esta coisa pirosa que pus na parede que me servia de diário, a tinha ouvido numa novela ou pior assim. este escrito chegou ao olhar de duas amigas, duas boas amigas. só muito mais tarde compreendi bem a dimensão da sua tristeza para com as minhas palavras. "só? tanta gente? qual gente? e nós?!". era como se tivessem falhado.
e eu agora senti um aperto aqui no peito. uma coisa forte que me impediu de respirar por uns momentos. nem segundos, mas uma eternidade. relampejou-me um, que se eras tu que te perdias na dimensão dessa solidão, "então e eu?". então e eu, falhei no que podia dar-te?
a nossa solidão já não é só nossa. acho que já nada nesta vida é só nosso. a tua solidão aperta-me porque te gosto. sufoca-me porque sei que de alguma forma também me gostas. e lá vou eu, entro assim por ela adentro, sem pedir permissão. violo essa tua volta solitária na cama e quero ser razão expressa e suficiente para que deixe de existir. eu contigo, eu em ti. nós. 1ª pessoa do plural.
e este nós é o eu de mim que se te dá, na companhia que quiseres e se a quiseres, no mais forte amasso que puder, é o eu que precisares.
amassa o p. com força e eu te amasso daqui.
ps: ainda tenho esperança que retratasses a alma de outro alguém. se assim for, não apagues esta, um dia, que tu próprio te sintas próximo dessa volta, se quiseres dou-a contigo.
e agora?
já sabes o que é o amor? já sabes como brincam os corpos? já sabes porque a noite nos ilumina mais do que o próprio dia?
o amor nunca ninguém vai saber o que é. os corpos brincam o que os nossos medos e os nossos preconceitos lhes permitem. a noite ilumina a nossa imaginação ao esconder-nos entre as sombras.
o amor nunca ninguém vai saber o que é. os corpos brincam o que os nossos medos e os nossos preconceitos lhes permitem. a noite ilumina a nossa imaginação ao esconder-nos entre as sombras.
os cavalos marinhos
em duas ou três frases, o fim da ilusão. mataram os meus cavalos-marinhos. transformaram os meus cavalos-marinhos em chibatadas. e fizeram-no publicamente.
não estarás por aí, não? nem eu sabia, o princípio do fim
apetecia-me deitar palavras cá para fora.
qualquer que fosse o assunto, desde que pudesse debitar a metro.
quando mudas? onde andas?
estás melhor?
o que já empacotaste?
amanhã às 8:00 tenho de estar na João XXI...
logo eu, que gosto tanto de ir a lisboa...
não gostavas de mergulhar?
brincar com os cavalos marinhos esticadinhos no fundo do mar.sabias que os cavalos marinhos estão esticados no fundo do mar?
apetecia-me ir à ilha de máfia.
é bom falar sozinha.não preciso de manter nenhuma linha de conversa.
posso gastar muitas palavras em pouco tempo.
posso debitar sem dizer nada.
quando pegas num cavalo marinho, ele enrola-se nos teus dedos.
e é verdade que os chocos cospem tinta!
tenho saudades do fundo do mar.
nunca mais é tempo de águas translúcidas.
na ilha de máfia já é.
mas é longe.
e eu vou para a serra.
não posso ir a todo o lado ao mesmo tempo, não é?
está tanta gente online e ninguém com quem me apeteça conversar.
não sei se é da idade, se é snobismo ou qualquer tipo de selectismo, mas cada vez me apetece menos falar com qualquer pessoa.
15 metros já lá vão.
beijo.
qualquer que fosse o assunto, desde que pudesse debitar a metro.
quando mudas? onde andas?
estás melhor?
o que já empacotaste?
amanhã às 8:00 tenho de estar na João XXI...
logo eu, que gosto tanto de ir a lisboa...
não gostavas de mergulhar?
brincar com os cavalos marinhos esticadinhos no fundo do mar.sabias que os cavalos marinhos estão esticados no fundo do mar?
apetecia-me ir à ilha de máfia.
é bom falar sozinha.não preciso de manter nenhuma linha de conversa.
posso gastar muitas palavras em pouco tempo.
posso debitar sem dizer nada.
quando pegas num cavalo marinho, ele enrola-se nos teus dedos.
e é verdade que os chocos cospem tinta!
tenho saudades do fundo do mar.
nunca mais é tempo de águas translúcidas.
na ilha de máfia já é.
mas é longe.
e eu vou para a serra.
não posso ir a todo o lado ao mesmo tempo, não é?
está tanta gente online e ninguém com quem me apeteça conversar.
não sei se é da idade, se é snobismo ou qualquer tipo de selectismo, mas cada vez me apetece menos falar com qualquer pessoa.
15 metros já lá vão.
beijo.
o bom e o mau, ou o bom no mau, talvez o mau no bom
desde que este ano começou, a melhor coisa que me aconteceu, foi ter cruzado o teu caminho. e não que isso seja sempre bom. e não porque encontrei o aquele outro. acima de tudo, porque voltei a escrever. e, por muito que possa doer deixar escrito o que me vai espantar mais tarde, ao escrever estou a libertar-me. não de mim. das amarras. um cabo hoje, outro amanhã. escrevo os meus medos e as minhas dúvidas. e, ao escrevê-los, limpo-os. desmistifico-os. ao concretizá-los na palavra escrita, deixo espaço para a palavra pensada. para abarcar outras descobertas. para me aproximar dos outros e do mundo. escrevo e liberto-me. um sentimento de plenitude nascido na partilha da palavra escrita. mesmo que, depois, me venha a prender e chorar por mais uns instantes, quando o tempo passar e eu voltar a ler-me.
depois de sab, morrer ka nada. é só isso que eu peço da vida. não peço mais um dia, nem mais um minuto, peço o supremo neste instante. na dor e na alegria, o mais do mais.
depois de sab, morrer ka nada. é só isso que eu peço da vida. não peço mais um dia, nem mais um minuto, peço o supremo neste instante. na dor e na alegria, o mais do mais.
quase de volta
olá
não sei de ti. e não sei se é suposto não saber. a semana passada disseste-me que te tinhas afastado. ou recolhido. não sei, qualquer coisa assim. verdade que na altura não dei por nada. esta semana sim, percebi que não estavas aqui. não sei se percebi bem ou mal, só percebi a tua ausência. não sei se não estavas para mim. talvez não estejas apenas.
ontem compreendi que andava a ler-te e a encontrar-me furiosamente nas tuas palavras. como se tivessem sido ditas por mim. depois esquecidas. depois reencontradas. não gostei. tremi. o chão voltou a ser mar. voltou a ser onda e desiquilibrio. o vento atirou-me outra vez contra mim. senti-me exposta. exposta de uma forma cruel. não entendas cruel como um ataque a ti ou às tuas palavras. cruel porque eu sou cruel comigo. porque, mesmo sem saber ou querer, me busco desta forma intensa em todo o lado. porque não me deixo estar com aquilo que simplesmente sei ou sinto. porque me procuro e só me acho fora de mim. acontece o mesmo quando me leio de há 3 ou 4 anos atrás. já não sou a que escreveu e de repente julgo encontrar-me nas palavras de um estranho. estranho... encontro-me nas palavras que outrora escrevi mas cuja verdade esqueci. e em cada reencontro acrescento-me mais um peso. porque volto a sentir a verdade como se fosse a primeira vez. e tenho de ler, de me espantar, de me ver e de de novo me habituar à ideia de que era e sou eu. não é fácil quando esqueces o que já te sabias e de novo tens de sucumbir e te afundar em ti.
devia ir dançar hoje. não fora a chuva e teria saído. para cansar o corpo, desligar-me em dois tempos e um contratempo. entrar no ritmo com a mesma força com que me desligaria da que pensa. seria outra vez a que simplesmente está. ali, corpo no corpo, corpo na música e livre de mim.
não sei de ti. e não sei se é suposto não saber. a semana passada disseste-me que te tinhas afastado. ou recolhido. não sei, qualquer coisa assim. verdade que na altura não dei por nada. esta semana sim, percebi que não estavas aqui. não sei se percebi bem ou mal, só percebi a tua ausência. não sei se não estavas para mim. talvez não estejas apenas.
ontem compreendi que andava a ler-te e a encontrar-me furiosamente nas tuas palavras. como se tivessem sido ditas por mim. depois esquecidas. depois reencontradas. não gostei. tremi. o chão voltou a ser mar. voltou a ser onda e desiquilibrio. o vento atirou-me outra vez contra mim. senti-me exposta. exposta de uma forma cruel. não entendas cruel como um ataque a ti ou às tuas palavras. cruel porque eu sou cruel comigo. porque, mesmo sem saber ou querer, me busco desta forma intensa em todo o lado. porque não me deixo estar com aquilo que simplesmente sei ou sinto. porque me procuro e só me acho fora de mim. acontece o mesmo quando me leio de há 3 ou 4 anos atrás. já não sou a que escreveu e de repente julgo encontrar-me nas palavras de um estranho. estranho... encontro-me nas palavras que outrora escrevi mas cuja verdade esqueci. e em cada reencontro acrescento-me mais um peso. porque volto a sentir a verdade como se fosse a primeira vez. e tenho de ler, de me espantar, de me ver e de de novo me habituar à ideia de que era e sou eu. não é fácil quando esqueces o que já te sabias e de novo tens de sucumbir e te afundar em ti.
devia ir dançar hoje. não fora a chuva e teria saído. para cansar o corpo, desligar-me em dois tempos e um contratempo. entrar no ritmo com a mesma força com que me desligaria da que pensa. seria outra vez a que simplesmente está. ali, corpo no corpo, corpo na música e livre de mim.
a caminho do fim
decidi que vou deixar de ler-te. vou deixar de percorrer-te, de respirar-te e de me encontrar furiosamente em ti. vou deixar. como quem deixa um vício. como quem solta amarras e parte, mesmo que com medos. os que já cá estavam, os que ainda virão. decidi agora e agora o tenho de dizer. não. não! dir-te-ei um dia. agora só deixo escrito. deixo escrito e prensado para que ninguém, nem mesmo eu, duvide que uma vez assim decidi.
O amor é tão improvável aos vinte anos...
lembras-te de escrever este texto? É tão leve... tão leve. E esconde tanta sabedoria. Daquela sabedoria que não se aprende só com o passar dos anos. Que se aprende apenas se a isso estivermos dispostos. É tão simples o fervor, não é? Porque havemos de ter medo de sentir? Temos, não temos, se não todos, a maior parte de nós? Como pode alguém atormentar-se tão cedo com a força do amor e da paixão, ter medo que o passarilhar no peito seja eterno? Devia ser eterno. Quem dera fosse eterno. Que não me desse descanso. A tal da borboleta que não pára de voar aqui, algures, dentro de mim. Quem dera fosse eterno. 3 ou 4 meses depois, ainda acreditas que vais tremer como se fosse sempre a primeira vez? Elas, tu, tu e elas, continuo a nunca seguir um só raciocínio. Ela(s) ansiosa(s) pela possibilidade desse tremor sem fim não ter fim. E tu? Ansioso por que nunca se vá? Ou vais ficando cansado, cansado cada vez que um dia nasce depois d'outro?
mar adentro
ainda tive uma réstia de esperança de que te poderia encontrar por aqui, agora. mesmo sabendo que o meu "tás ai?" tinha ficado perdido no ar. não porque quisesse conversar, apenas porque precisava de partilhar.
Mar adentro vi-me e revi-me. todo o reflexo de mim mar adentro.
é esta a ideia que tenho da vida e da morte. do equilíbrio. da escolha de cada um entre a libertação e a clausura. querer morrer não é obrigatoriamente não gostar de estar vivo agora. é apenas a vontade de não ter de continuar vivo. acreditar na possibilidade do nosso direito. num só gesto soltar medos e amarras. o descanso de cada guerreiro. o arriar das velas. o fim de tarde varrido pelos ventos que também partem. em cada dia. para em cada dia voltarem. a libertação da nossa vida na morte. nossa. minha. minha. um pouco de egoísmo por mim, para mim.
viver é gostar de sentir o calor do sol agora. gostar de sentir o carinho de um gesto agora. gostar de estar aqui a partilhar contigo, agora. viver sabendo que agora já é o suficiente. escolher. poder escolher. é este o grande sentido da vida.
na prática, e temos o direito de ser práticos, quando ficamos presos a um corpo que não responde aos nossos mais simples sonhos, que não nos permite realizar os nossos grandes desejos, presos a uma limitação da nossa liberdade, da nossa intimidade, viver entre muralhas das nossas chinas, o que é que conta? só nós podemos decidir sobre isso. temos de ter o direito de escolha. porque somos nós que em cada dia acordamos presos a nós mesmos. que ninguém decida por cima do que eu decidir sobre o meu caminho. escolher.
viver é aproveitar hoje. viver é fazer hoje. viver é viver agora. e morrer depois. sem culpas. sem remorsos. sem tristezas. acima de tudo, direito a não nos prendermos pela tranquilidade dos outros. direito que esses mesmos nos devem conceder. não ficar aqui por ti escolher partir por mim.
não vou reler, acho que me esqueci das vírgulas. mas as vírgulas também são muralhas, paragens, talvez momentos para recuperar o fôlego mas hoje eu não quero parar. quero acabar sem ar. quero ser livre por mim. e não quero que ninguém me chame.
Mar adentro vi-me e revi-me. todo o reflexo de mim mar adentro.
é esta a ideia que tenho da vida e da morte. do equilíbrio. da escolha de cada um entre a libertação e a clausura. querer morrer não é obrigatoriamente não gostar de estar vivo agora. é apenas a vontade de não ter de continuar vivo. acreditar na possibilidade do nosso direito. num só gesto soltar medos e amarras. o descanso de cada guerreiro. o arriar das velas. o fim de tarde varrido pelos ventos que também partem. em cada dia. para em cada dia voltarem. a libertação da nossa vida na morte. nossa. minha. minha. um pouco de egoísmo por mim, para mim.
viver é gostar de sentir o calor do sol agora. gostar de sentir o carinho de um gesto agora. gostar de estar aqui a partilhar contigo, agora. viver sabendo que agora já é o suficiente. escolher. poder escolher. é este o grande sentido da vida.
na prática, e temos o direito de ser práticos, quando ficamos presos a um corpo que não responde aos nossos mais simples sonhos, que não nos permite realizar os nossos grandes desejos, presos a uma limitação da nossa liberdade, da nossa intimidade, viver entre muralhas das nossas chinas, o que é que conta? só nós podemos decidir sobre isso. temos de ter o direito de escolha. porque somos nós que em cada dia acordamos presos a nós mesmos. que ninguém decida por cima do que eu decidir sobre o meu caminho. escolher.
viver é aproveitar hoje. viver é fazer hoje. viver é viver agora. e morrer depois. sem culpas. sem remorsos. sem tristezas. acima de tudo, direito a não nos prendermos pela tranquilidade dos outros. direito que esses mesmos nos devem conceder. não ficar aqui por ti escolher partir por mim.
não vou reler, acho que me esqueci das vírgulas. mas as vírgulas também são muralhas, paragens, talvez momentos para recuperar o fôlego mas hoje eu não quero parar. quero acabar sem ar. quero ser livre por mim. e não quero que ninguém me chame.
hoje......
parece que quem está em perigo sou eu... ainda me sinto embriagada pelo calor da tua noite
Não existe o adeus| RE: bolos de adeus ( era RE: Um instante navida de alguém)
... existe o até sempre.
Estava deitada e não dormia. Cozinhar não me acalma. Lavar a loiça sim, mas não há nenhuma suja. Posso sempre pedir os teus bolos de olá para me encher de migalhas para lavar. A água corre e lava, lava o espírito e a mente. E, apesar do que dizem, a água volta sempre a passar por baixo da mesma ponte. Felizmente os estudiosos descobriram que há um ciclo contínuo e o que foi pode voltar a ser.
Não me importa quando lês as minhas mensagens. Elas são intemporais. O que me vai na alma pode mudar, mas o que senti no momento e que o disse nada o vai virar ao contrário. A mesma água volta a correr nas nossas mãos, mas o que hoje é, amanhã a aos deuses pertence. Nós não somos senhores do nosso destino, e as linhas tortas com toda a certeza podem voltar a cruzar-se.
Amassa o teu P. por mim.
bjo
pat.
Estava deitada e não dormia. Cozinhar não me acalma. Lavar a loiça sim, mas não há nenhuma suja. Posso sempre pedir os teus bolos de olá para me encher de migalhas para lavar. A água corre e lava, lava o espírito e a mente. E, apesar do que dizem, a água volta sempre a passar por baixo da mesma ponte. Felizmente os estudiosos descobriram que há um ciclo contínuo e o que foi pode voltar a ser.
Não me importa quando lês as minhas mensagens. Elas são intemporais. O que me vai na alma pode mudar, mas o que senti no momento e que o disse nada o vai virar ao contrário. A mesma água volta a correr nas nossas mãos, mas o que hoje é, amanhã a aos deuses pertence. Nós não somos senhores do nosso destino, e as linhas tortas com toda a certeza podem voltar a cruzar-se.
Amassa o teu P. por mim.
bjo
pat.
perdi-me
se eu soubesse de mim, podia saber de ti. não acredito que seja possível escolhermos quem não amar. é como encontrar solução para a morte, é anti-natura. podes escolher com quem não ficar. eu não queria escolher ficar sem ti, mas como sei que não vou poder escolher não te amar mais tarde...
Um instante na vida de alguém
Não estou com muita veia, mas acho importante dizer-te o que sinto, agora, mesmo agora ao ler o que escreveste.
Não gosto do que dizes, embora o digas de uma forma bonita, como sempre.
Acho que estamos a afastar-nos dos instantes. Acho que te estás a começar a afundar. Acho que sabes disso e não fazes nada para te manteres à tona.
Estás simplesmente embriagado nos teus sentimentos, viciado, sem controlo. Estás a perder-te e estás a gostar de te perder. Se não escolhes pensar ou sentir-me a mim, então posso aparecer no momento mais inadequado.
Não esqueças a liberdade de escolhermos o que queremos pensar ou sentir. Não esqueças as tuas linhas paralelas. Não esqueças a tua panela de pressão. Foi por ela que te despediste de mim, para depois regressar sem tino. Não deixes que esse prazer se estrague, acabar acaba sempre, estragar é muito triste.
Não gosto do que dizes, embora o digas de uma forma bonita, como sempre.
Acho que estamos a afastar-nos dos instantes. Acho que te estás a começar a afundar. Acho que sabes disso e não fazes nada para te manteres à tona.
Estás simplesmente embriagado nos teus sentimentos, viciado, sem controlo. Estás a perder-te e estás a gostar de te perder. Se não escolhes pensar ou sentir-me a mim, então posso aparecer no momento mais inadequado.
Não esqueças a liberdade de escolhermos o que queremos pensar ou sentir. Não esqueças as tuas linhas paralelas. Não esqueças a tua panela de pressão. Foi por ela que te despediste de mim, para depois regressar sem tino. Não deixes que esse prazer se estrague, acabar acaba sempre, estragar é muito triste.
É assim que eu vejo as coisas.
Às vezes acontecem coisas que te tocam, neste caso que tu ouves.
Hoje acordei com esta música e não é que eu seja fã, não cheguei sequer a ter tempo de o conhecer. Anos 8O ainda eu era uma criança...
Correndo o risco de poder estar a chamar-te de "close-mind", são só uns pontos que não quero que sejam "misunderstanded".
Não penses que te estou a querer agarrar, longe de mim, prezo tanto a tua liberdade, ou até mais do que a minha. Simplesmente se ontem não tivesse existido, estas palavras que não precisei de inventar diriam muito de nada.
Engate: Nunca no sentido perjurativo, sempre num sentido de "agarrar sem prender"Uma noite: Pode estar Sol ou Lua, pode ser escuro ou ofuscante, uma noite é o tal instante.
Corpo de prazer: Não existe corpo sem espírito, nem espirito sem um corpo onde habitar. Apenas por isso, corpo ou prazer não têm qualquer conotação limitada à ideia sexual
CANÇÃO DO ENGATE
António Rodrigues Ribeiro
Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite pra passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar, na aventura dos sentidos
Tu estás só e eu mais só estou
Que tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar, nessa tua mão deserta
Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer, ser o fim de mais um dia
Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém, e eu sou melhor que nada
Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás
Hoje acordei com esta música e não é que eu seja fã, não cheguei sequer a ter tempo de o conhecer. Anos 8O ainda eu era uma criança...
Correndo o risco de poder estar a chamar-te de "close-mind", são só uns pontos que não quero que sejam "misunderstanded".
Não penses que te estou a querer agarrar, longe de mim, prezo tanto a tua liberdade, ou até mais do que a minha. Simplesmente se ontem não tivesse existido, estas palavras que não precisei de inventar diriam muito de nada.
Engate: Nunca no sentido perjurativo, sempre num sentido de "agarrar sem prender"Uma noite: Pode estar Sol ou Lua, pode ser escuro ou ofuscante, uma noite é o tal instante.
Corpo de prazer: Não existe corpo sem espírito, nem espirito sem um corpo onde habitar. Apenas por isso, corpo ou prazer não têm qualquer conotação limitada à ideia sexual
CANÇÃO DO ENGATE
António Rodrigues Ribeiro
Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite pra passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar, na aventura dos sentidos
Tu estás só e eu mais só estou
Que tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar, nessa tua mão deserta
Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer, ser o fim de mais um dia
Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém, e eu sou melhor que nada
Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás
Desilusão
Para uma pessoa que escreve mal, consegues ser bastante eloquente.
Para uma pessoa que se considera um mau amante, consegues ser muito atrevido com desconhecidas.
Para quem se diz mau "dançador", consegues convencer muito bem no teu ritmo.
Nas minhas gavetas, ou galerias, eu só guardo quem eu quero e onde quero. A ti vou guardar-te na gaveta, galeria, dos que souberam prender-me sem me agarrarem. Mas vou guardar um bocadinho na gaveta daqueles que têm medo. Não sei do quê, nem porquê, simplesmente têm medo.
Os dois tinhamos consciência de que estávamos a jogar um jogo, conhecíamos as peças, conhecíamos as regras. Não me custa nada aceitar o facto em si, nem me custa nada aceitar a forma, é a tua maneira de ser. O que me custa é mais uma ver confirmar que as pessoas para mim não são o que são, são o que eu desenho. Que no meio de tanta abertura, crio sempre o que mais me convém. E neste caso convinha-me uma pessoa que me olhasse nos olhos, porque era assim que eu a olhava.
Nada mais.
Beijo
p.
Para uma pessoa que se considera um mau amante, consegues ser muito atrevido com desconhecidas.
Para quem se diz mau "dançador", consegues convencer muito bem no teu ritmo.
Nas minhas gavetas, ou galerias, eu só guardo quem eu quero e onde quero. A ti vou guardar-te na gaveta, galeria, dos que souberam prender-me sem me agarrarem. Mas vou guardar um bocadinho na gaveta daqueles que têm medo. Não sei do quê, nem porquê, simplesmente têm medo.
Os dois tinhamos consciência de que estávamos a jogar um jogo, conhecíamos as peças, conhecíamos as regras. Não me custa nada aceitar o facto em si, nem me custa nada aceitar a forma, é a tua maneira de ser. O que me custa é mais uma ver confirmar que as pessoas para mim não são o que são, são o que eu desenho. Que no meio de tanta abertura, crio sempre o que mais me convém. E neste caso convinha-me uma pessoa que me olhasse nos olhos, porque era assim que eu a olhava.
Nada mais.
Beijo
p.
terça-feira, 8 de março de 2005
Tão perto, mas tão longe daqui.
Tão perto, mas tão longe daqui. Sinto-te tão perto, tão perto, um quasedentro de mim que até doi. Assusta, assusta muito. Escapa-me o como e oporquê e por isso me assusta. Assusta-me passear pelo teu respirar eencontrar-me em cada canto. Não queres comentários, bem sei, mas mensagensnão podes negar-me. Tal como eu, de uma forma que ainda não lhe conheço aforma, não te posso negar dentro de mim. Estás no espelhos, estás na chuvaque parece que molha mais, estás no pendulo há um ano atrás, um ano atrás etão dentro de mim. Tão perto e tão longe daqui. Uma casa vazia, uma almaperdida. Uma perfeição que buscas no imperfeito. Que buscas na voz que falacomo na que se cala. Tanta coisa. Tanta coisa e tão poucas certezas.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
terça-feira, 1 de fevereiro de 2005
As contas
Ontem estive contigo a estudar matemática. Esse terrível monstro que nos atormenta toda a vida... ao princípio não percebias porque tinhas de somar primeiro o que estava entre parênteses. Depois começaste a descobrir, pouco a pouco, o segredo daquelas fórmulas malucas... Perguntei, se a L. tem 237 laranjas, come 67 e oferece 39 à P., com quantas fica? Riste-te, respondeste certo e pediste para seres tu a inventar o próximo problema.
O C. tinha 486 bolas de futebol. O segurança tirou-lhe 49, 23 foram parar ao jardim da vizinha. Com quantas ficou o pobre coitado?!?!
Não te quero perder nunca! É essa a única fórmula mágica que quero saber resolver o resto da minha vida.
O C. tinha 486 bolas de futebol. O segurança tirou-lhe 49, 23 foram parar ao jardim da vizinha. Com quantas ficou o pobre coitado?!?!
Não te quero perder nunca! É essa a única fórmula mágica que quero saber resolver o resto da minha vida.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Com Uma Viagem Na Palma da Mão
Agarras-te à hora
Em que o tempo não passou
Mergulhas nas cores
Que a loucura te emprestou
E quando te vês para lá do espelho
Encontras a solidão
Descobres o Mundo
De quem tem pouco a perder
E sobes às estrelas
Que ontem não podias ver
E perdes o medo de estar só
No meio do multidão
Tradições
Atrás de contradições
Fizeram-te abrir os olhos
Podes dizer: Eu... sou
jpalma dixit
Em que o tempo não passou
Mergulhas nas cores
Que a loucura te emprestou
E quando te vês para lá do espelho
Encontras a solidão
Descobres o Mundo
De quem tem pouco a perder
E sobes às estrelas
Que ontem não podias ver
E perdes o medo de estar só
No meio do multidão
Tradições
Atrás de contradições
Fizeram-te abrir os olhos
Podes dizer: Eu... sou
jpalma dixit
segunda-feira, 3 de janeiro de 2005
domingo, 2 de janeiro de 2005
sábado, 1 de janeiro de 2005
quinta-feira, 28 de outubro de 2004
segunda-feira, 20 de setembro de 2004
quinta-feira, 1 de julho de 2004
domingo, 20 de junho de 2004
terça-feira, 20 de abril de 2004
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