sexta-feira, 22 de abril de 2005
porquê?
Tenho passado os meus fim-de-tarde no IPO. Durante este ano, fui uma visita constante, em casa, no hospital. Um telefone sempre ligado. Em 1999, durante os seis meses em que a minha Avó Estela foi morrendo, nunca a fui ver ao hospital. Nunca dei apoio directo. Evitava ir ao Porto. A Avó era mais do que o prolongamento da minha Mãe, era mais uma Mãe. Não podia vê-la assim. Não queria sentir, perceber, admitir que a estava a perder aos poucos. Esteve sempre muito lúcida, fraquinha como um colibri, mas sempre com a cabeça em nós, na casa para gerir, na felicidade dos netos, na ventura dos filhos. Já quase passaram 6 anos e ainda agora dou por mim a falar dela como se ainda estivesse viva. A S. é minha amiga há mais tempo do que o tempo pode contar, a família dela foi sempre também minha. É mais fácil suportar a dor dos outros do que a nossa. A dor que sinto agora, pondo de parte a que também sinto pela perda desta Tia querida, é a dor de viver a dor dos seus.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

2 comentários:
Também a minha avó é mais do que uma mãe. Para o que interessa é mesmo. O problema é que ela está viva sem estar. Tem Parkinson e já não reconhece ninguém. Nem o seu netinho... Só consegui ir vê-la uma vez ao lar onde está. Não me reconheceu. A mulher mais forte do mundo é agora a mente mais fraca. Não suportei e continuo sem suportar.
pois, mauro, por isso é que eu defendo a eutanásia e, para poder ter a minha, tenho um documento que me livra de uma vida a que eu chegue assim.
Enviar um comentário